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1491 - Novas Revelações das Américas Antes de de Colombo (Cód: 1914405)

Mann,Charles C.

Objetiva

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Descrição

Como era a América quando Colombo desembarcou por aqui? Muito diferente do que nos contam nossos livros escolares, revela o historiador Charles C. Mann no livro '1491'. Na maioria deles, o continente descrito como um território vasto, pouquíssimo povoado por primitivos cujas culturas inevitavelmente se curvariam diante do poderio europeu.
No entanto, Mann - um historiador com alma de jornalista investigativo - descobriu, para sua surpresa, resposta muito diferente do que pensa a maioria dos americanos e europeus. Por exemplo, Mann conta que em 1491 havia provavelmente mais pessoas vivendo nas Américas do que na Europa. Cidades como Tenochititlán, a capital asteca, à diferença de muitas capitais no velho mundo, tinham água corrente e ruas limpas e ajardinadas. E, detalhe: as primeiras cidades no continente já prosperavam antes mesmo de os egípcios terem construído as suas grandes pirâmides.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573028492
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788573028492
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 448
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorMann,Charles C.

Leia um trecho

Uma visão do alto NO BENI O tempo estava surpreendentemente ameno quando o avião decolou para a Bolívia central e voou para leste, na direção da fronteira com o Brasil. Em poucos minutos, estradas e casas desapareceram, e o único traço de ocupação humana era a presença de gado disperso nas savanas como pequeninos confeitos no sorvete. Depois, eles também desapareceram. Os arqueólogos mantinham as suas câmeras nas mãos e, encantados, iam fotografando à vontade. Abaixo de nós estava o Beni, departamento boliviano do tamanho aproximado de Illinois e Indiana juntos, e quase igualmente plano. Durante quase a metade do ano, a chuva e a neve derretida das montanhas ao sul e a oeste cobrem a terra com uma pele fina e semovente de águas, as quais finalmente irão encher os rios dos departamentos setentrionais, tributários altos do Amazonas. No resto do ano, a água seca e a vastidão verde luxuriante transformam-se em algo que mais parece um deserto. Aquela planície peculiar remota e amiúde alagadiça era o que tinha chamado a atenção dos pesquisadores, e não foi apenas por ser um dos poucos lugares na terra a ser habitado por pessoas que podiam jamais ter visto ocidentais com câmeras fotográficas nas mãos. Os arqueólogos Clark Erickson e William Balée sentavam-se à frente. Erickson, baseado na Universidade da Pensilvânia, trabalhava em conjunto com um arqueólogo boliviano, que naquele dia estava tentando liberar um lugar para mim no avião. Balée, de Tulane, é na verdade antropólogo, mas à medida que os cientistas começaram a tomar consciência das maneiras como o passado e o presente se complementam, dilui-se a distinção entre antropólogos e arqueólogos. Os dois homens eram de constituição, temperamento e inclinação acadêmica diferentes, mas os dois estavam de rosto colado na janela, mostrando o mesmíssimo entusiasmo. Espalhadas na paisagem abaixo, havia um sem-número de ilhas de florestas, muitas delas círculos quase perfeitos – amontoados de verde num mar de grama amarela. Cada ilha elevava-se a cerca de 20 metros acima do nível da planície, permitindo o crescimento de árvores que de outro modo não poderiam suportar a água. As florestas eram ligadas por bermas construídas, tão retas quanto o trajeto de um projétil e com até 4 quilômetros de extensão. Erickson acredita que toda aquela paisagem – 78 mil quilômetros quadrados ou mais de ilhas arborizadas e de montes interligados através de caminhos elevados – foi construída há mais de mil anos por uma sociedade populosa e tecnologicamente avançada. Balée, menos familiarizado com o Beni, tendia a esta opinião, mas ainda não estava pronto a comprometer-se. Erickson e Balée pertencem a uma legião de estudiosos que nos anos recentes questionaram radicalmente as noções convencionais sobre como era o Hemisfério Ocidental antes de Colombo. Quando entrei para o segundo grau, na década de 1970, ensinaram-me que os índios vieram para as Américas cruzando o estreito de Bering cerca de 13 mil anos atrás, que em sua maioria viviam em pequenos grupos isolados, e que produziram um impacto tão pequeno em seu meio ambiente que, mesmo após milênios de habitação, os continentes conservaram-se praticamente intocados. As escolas ainda transmitem essas idéias nos dias de hoje. Uma maneira de resumir as opiniões de gente como Erickson e Balée seria dizer que eles consideram este quadro da vida indígena errado em quase todos os seus aspectos. Os índios estão aqui há muito mais tempo do que antes pensou-se, acreditam esses pesquisadores, e em números muito mais expressivos. E foram tão bem-sucedidos em impor a sua vontade à paisagem que, em 1492, Colombo desembarcou num hemisfério definitivamente marcado pelo ser humano. Dadas as carregadas relações entre as sociedades brancas e os povos nativos, a pesquisa sobre a cultura e a história índias é inevitavelmente contenciosa. Mas o conhecimento recente é especialmente polêmico. Para começar, alguns pesquisadores – muitos, mas não todos da geração anterior – ridicularizam as novas teorias caracterizando-as como fantasias decorrentes de uma interpretação equivocada quase voluntária dos dados e de um tipo perverso de corretismo político. “Não vi nenhum indício de que um grande número de pessoas já tenha vivido no Beni”, disse-me Betty J. Meggers,do Smithsonia. “Afirmar o contrário nada mais é do que confundir desejo com realidade.” Com efeito, dois arqueólogos argentinos apoiados pelo Smithsonia argumentaram que muitos dos montes maiores são depósitos naturais da planície aluvial; uma “pequena população inicial” pode ter construído os caminhos e campos elevados remanescentes num espaço de tempo tão curto quanto uma década. Segundo Dean R. Snow, antropólogo da Universidade Estadual da Pensilvânia, críticas semelhantes aplicam-se a muitas das novas afirmações dos estudiosos sobre os índios. O problema é que “dá para fazer as magras evidências do registro etno-histórico dizerem tudo o que a gente quiser”, diz ele. “É realmente fácil enganar-se.” E há quem acuse essas afirmações de responderem às necessidades de agenda política daqueles que buscam desacreditar a cultura européia, pois números elevados parecem inflacionar a escala das perdas nativas. Disputas também acontecem porque as novas teorias têm implicações para as batalhas ecológicas de hoje. Grande parte do movimento ambientalista é animada, conscientemente ou não, pelo que o geógrafo William Denevan chama de “mito prístino” – a crença de que as Américas de 1491 eram uma terra quase intocada, mesmo edênica, “que não havia sofrido a ação humana”, nas palavras do Wilderness Act de 1964, lei estadunidense que vem a ser um dos documentos fundadores do movimento ambientalista global. Para os ativistas verdes, como escreveu o historiador da Universidade de Wisconsin William Cronon, restaurar este estado outrora supostamente natural é a tarefa a que a sociedade está moralmente obrigada a empreender. Contudo, se a nova visão for correta e houve provas de uma ação humana disseminada, em que pé ficariam os esforços para restaurar a natureza? O caso do Beni é exemplar. Além de construírem estradas, caminhos elevados, canais, diques, reservatórios, montes, campos agrícolas elevados e talvez quadras esportivas, argumentou Erickson, os índios que viviam lá antes de Colombo capturavam peixes na pradaria sazonalmente inundada. A captura não era obra de uns poucos nativos isolados com a ajuda de redes, mas um esforço envolvendo toda a sociedade, em que centenas ou milhares de pessoas articulavam densas redes em ziguezague de currais de pesca (armadilhas fixas para peixes), montadas com estacas de barro cozido entre os caminhos elevados. Grande parte da savana é natural, resultante dos alagamentos sazonais. Mas os índios mantiveram e expandiram os prados promovendo queimadas em imensas áreas. Ao longo dos séculos, a queimada produziu um intrincado ecossistema de espécies vegetais adaptadas ao fogo, as quais dependem da pirofilia indígena. Os habitantes atuais do Beni continuam a praticar a queimada, ainda que agora principalmente para a manutenção da savana para o gado. Quando voamos sobre a região, a estação seca tinha acabado de começar, mas linhas de fogo de mais de 1,5 quilômetro já estavam queimando. A fumaça subia aos céus em grandes colunas vibrantes. Nas áreas calcinadas atrás das linhas de fogo, despontavam esqueletos enegrecidos de árvores, muitas das quais de espécies que os ativistas lutam para salvar em outras partes da Amazônia. O futuro do Beni é incerto, especialmente nas regiões menos densamente ocupadas, perto da fronteira com o Brasil. Alguns estrangeiros desejam desenvolver a área para a implantação de fazendas, conforme foi feito com muitas pradarias nos Estados Unidos. Outros querem manter esta região esparsamente povoada tão próxima da vastidão inculta quanto possível. Os grupos índios locais encaram esta última proposta com desconfiança. Se o Beni se tornar uma reserva de “natureza”, perguntam eles, que organização internacional iria permitir que eles continuassem a pôr fogo nas campinas? Poderia algum grupo externo endossar a queimada em larga escala da Amazônia? Em vez disso, os índios propõem que o controle da terra seja transferido às suas mãos. Os ativistas, por sua vez, encaram a idéia sem entusiasmo – alguns grupos indígenas do sudeste dos Estados Unidos promoveram o uso das suas reservas como repositório de lixo nuclear. E, é claro, há todas aquelas queimadas.

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