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1Q84 - Vol. 2 (Cód: 4834400)

Murakami, Haruki

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

Nesse segundo volume, duas histórias em paralelo se cruzam numa história cheia de mistério e eventos surreais. De um lado, Aomame, uma assassina profissional, suspeita estar em um mundo paralelo. De outro, Tengo, um aspirante a escritor, se envolve com um projeto de reescrver um livro misterioso.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Alfaguara / Objetiva
Cód. Barras 9788579622052
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788579622052
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 376
Peso 0.60 Kg
Largura 15.00 cm
AutorMurakami, Haruki

Leia um trecho

1
Aomame
Foi a cidade mais entediante do mundo

Apesar de a estação das chuvas ainda não ter terminado oficialmente, o céu de Tóquio estava limpo, e os raios de sol incidiam sobre a terra sem parcimônia. As folhas dos salgueiros, novamente frondosos, projetavam no chão suas densas e agitadas sombras.
Tamaru recebeu Aomame no terraço da casa. Ele trajava um terno escuro de verão, camisa branca e gravata lisa; não estava nem um pouco suado. Aomame achava incrível um homem tão robusto como ele jamais transpirar, por mais que o dia estivesse quente.
Ao vê-la, Tamaru apenas se limitou a fazer um rápido aceno de cabeça e, após um breve e inaudível cumprimento, manteve-se em silêncio, sem as costumeiras conversas triviais. Ele a conduziu por um longo corredor até o local em que a velha senhora a aguardava, caminhando alguns passos à frente, sem se voltar uma única vez. Aomame sabia que ele estava abalado com a morte da cadela e, por isso, não tinha disposição para falar de amenidades. Na conversa que tiveram ao telefone, ele disse: “Vou encontrar outro cão de guarda para substituí-la”, como se estivesse fazendo um comentário casual sobre o tempo, mas Aomame sabia que a frieza era apenas da boca para fora.
Tamaru tinha grande afeição pela fêmea de pastor-alemão; era um forte vínculo de amizade, construído mutuamente ao longo da convivência. A morte repentina e inexplicável da cadela o atingira como uma ofensa pessoal, um tipo de provocação. Ao olhar para as costas silenciosas de Tamaru, amplas como um quadro-negro, Aomame imaginou o tamanho da raiva contida nele. Tamaru abriu a porta da sala de estar e, após Aomame entrar, aguardou postado diante da porta, as instruções da velha senhora. — Por enquanto, não vamos beber nada — disse ela. Tamaru fez uma breve reverência e fechou delicadamente a porta, deixando as duas a sós. Na mesa ao lado da poltrona em que a velha senhora se sentava, havia um aquário redondo com dois kinguios vermelhos. Tanto o aquário quanto os peixinhos eram comuns, encontrados em qualquer lugar. Como em todo aquário que se preza, havia nele plantas aquáticas esverdeadas. Aomame esteve muitas vezes naquela sala ampla e elegante, mas era a primeira vez que notava aqueles kinguios. O ar-condicionado estava ajustado no nível mais fraco e, a intervalos regulares, uma tênue brisa tocava sua pele. Atrás da poltrona havia um vaso com três lírios brancos. Os lírios grandes e inertes pareciam pequenos animais exóticos em profundo estado de meditação.
A velha senhora apontou o sofá ao lado, para que Aomame se acomodasse nele. Cortinas de renda branca cobriam a janela voltada para o jardim, mas os raios de sol daquela tarde de verão incidiam com força nelas. Era estranho notar como a luminosidade ressaltava o estado de abatimento da velha senhora. Seu braço fininho mal conseguia sustentar o queixo, e seu corpo parecia jogado na enorme poltrona. Os olhos estavam fundos, e notava-se uma quantidade maior de rugas no pescoço. Os lábios estavam pálidos, as extremidades de suas longas sobrancelhas levemente caídas, como se pressionadas pela força da gravidade. Manchinhas brancas espalhadas no rosto indicavam que a circulação sanguínea estava mais lenta que o normal. Ela aparentava cinco ou seis anos a mais do que da última vez que Aomame a vira, e, naquele momento, não parecia se importar nem um pouco em revelar seu estado de fadiga. Sua atitude era inusitada. Até onde Aomame a conhecia, ela nunca havia se descuidado da aparência, sempre soubera canalizar a energia interior para manter uma correta postura corporal, controlar as emoções e nunca dar indícios de senilidade, por menor que fossem. Um esforço que sempre resultou satisfatório.
“Algumas coisas desta casa estão diferentes do habitual”, pensou Aomame. Até a luminosidade da sala tinha uma tonalidade diferente. E, no aposento de teto alto, repleto de móveis antigos e de bom gosto, aquele modesto aquário com os kinguios vermelhos destoava de tudo. A velha senhora manteve-se em silêncio durante um bom tempo. Com o cotovelo apoiado no braço da poltrona e a mão no queixo, olhava para um espaço vazio ao lado do sofá em que Aomame se sentava. Aomame sabia muito bem que não havia nada de especial naquele ponto, e que a velha senhora apenas necessitava de um lugar transitório para repousar a visão.
— Está com sede? — perguntou a senhora com voz serena.
— Não. Não estou com sede — respondeu Aomame.
 — Temos chá gelado. Se quiser, pegue um copo e sirva-se à vontade.
A velha senhora apontou para uma mesinha próxima à porta de entrada. Sobre ela havia uma jarra de chá gelado com rodelas de limão e cubos de gelo. Ao lado da jarra, três copos de vidro lapidado, personalizados com cores diferentes. — Muito obrigada — disse Aomame. Continuou sentada, aguardando o que a velha senhora tinha a lhe dizer. A velha senhora novamente guardou silêncio durante um tempo. Ela precisava contar alguma coisa, mas, ao mesmo tempo, queria protelar ao máximo o momento de dizê-la. Era, portanto, um silêncio reticente e cheio de significados. A velha senhora deu uma rápida olhada no aquário e, resignada, finalmente fitou Aomame.
Os lábios estavam cerrados e, intencionalmente, as extremidades arqueavam-se levemente para cima.
— Tamaru já te contou que a cadela que tomava conta do abrigo morreu? E que, até agora, não temos nenhuma ideia de como foi que isso aconteceu? — perguntou.
— Ele me contou.
— Depois disso, Tsubasa desapareceu... Aomame franziu levemente as sobrancelhas.
— Desapareceu?
— Ela sumiu. Provavelmente durante a noite. Hoje de manhã ela havia desaparecido.
Aomame cerrou os lábios, tentando encontrar palavras que custaram a sair:
— Mas... A senhora me disse outro dia que alguém sempre dormia com Tsubasa, inclusive no mesmo quarto, como precaução.
— Isso mesmo. Mas a mulher que a acompanhava dormiu tão profundamente que não percebeu que ela havia sumido. Somente ao amanhecer é que ela viu que Tsubasa não estava na cama.
— O pastor-alemão morreu e, no dia seguinte, Tsubasa sumiu — disse Aomame, reconfirmando a sequência dos fatos.

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