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A Caçada (Cód: 6068607)

Fukuda, Andrew

Intrinseca

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Descrição

Gene é diferente dos outros. Ele não tem a força e agilidade de seus colegas da escola, é imune à luz do sol e não sente uma sede insaciável por sangue. Gene é um “heper”, um dos últimos humanos do planeta, e vive disfarçado no meio das pessoas normais. Ele usa presas falsas, raspa todos os pelos do corpo, faz o possível para esconder seu cheiro e jamais abandona sua máscara. Sabe que não deve chamar a atenção em um mundo em que um pequeno deslize pode ser fatal.
Mesmo vivendo sozinho há anos, Gene ainda escuta as palavras de advertência de seu pai: Não faça amigos; não pegue no sono durante a aula; não pigarreie; não gabarite as provas, embora sejam um insulto à sua inteligência. Não durma na casa de colegas; não cantarole nem assobie. E ainda: Nunca esqueça quem você é. Ele leva sua vida de acordo com essas regras, determinado a sobreviver. Mas a frágil segurança de Gene é ameaçada por uma terrível surpresa: a Caçada Eper.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580574340
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580574340
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Ano da edição 2013
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 288
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorFukuda, Andrew

Leia um trecho

ANTIGAMENTE ESTÁVAMOS em maior número. Tenho certeza.
Não chegaríamos a lotar um estádio de futebol, nem mesmo uma sala de cinema, mas certamente havia mais do que hoje. A verdade é que acho que não sobrou ninguém. Só eu. É o que acontece quando você é uma iguaria. Quando
é desejado. A extinção.

Onze anos atrás, descobriram uma na minha escola. Uma menina do jardim de infância, no primeiro dia de aula. Foi devorada quase imediatamente. Onde ela estava com a cabeça? Talvez um acesso de solidão repentina (e é sempre repentina) em casa a tenha feito acreditar — erroneamente — que na escola encontraria companhia. Quando a professora anunciou a hora da soneca, a garotinha ficou sozinha no chão, agarrada ao ursinho de pelúcia, enquanto as outras crianças pularam para o teto, de cabeça para baixo. Aquele momento foi o fim para ela.

O fim. Foi como se ela tivesse tirado as presas falsas e simplesmente se prostrado para o inevitável banquete. Os coleguinhas a fitaram com olhos arregalados lá de cima: Opa, o que temos aqui? Ela começou a chorar, foi o que disseram, a berrar sem parar. A professora foi a primeira a alcançá-la.
Depois do jardim de infância, quando não há mais sonecas em sala, é aí que você vai para a escola. Apesar de ainda correr o risco de ser pego de surpresa.

Uma vez, meu técnico de natação ficou tão enfurecido pelo desempenho letárgico da minha equipe em um evento escolar que nos levou para o vestiário e disse para dormirmos logo de uma vez. Era só uma forma de reforçar a bronca, é claro, mas quase fui descoberto. Aliás, natação não tem problema, mas não pratique nenhum outro esporte se puder evitar. Porque o suor é uma bandeira sem tamanho. O suor é o que acontece quando ficamos com calor; gotas d’água vazam de nossos poros como um bebê babando. Eu sei, é nojento. Todos os outros continuam frios, limpos e secos. Mas eu? Sou uma torneira vazando. Então esqueça o vôlei, esqueça o tênis, esqueça até mesmo as competições de xadrez.

Só nadar não tem problema, porque ninguém vê o suor.
Essa é apenas uma das regras. Há muitas outras, todas marteladas por meu pai exaustivamente desde que nasci. Nunca sorria ou ria, nunca chore nem fique com os olhos cheios d’água. Mantenha uma expressão neutra e estoica o tempo todo; as únicas emoções que afloram no rosto das pessoas são desejo por sangue de eper e desejo romântico, e obviamente não tenho nada a ver com nenhum dos dois. Nunca se esqueça de espalhar bastante manteiga em todo o corpo quando sair durante o dia. Porque em um mundo assim é complicado explicar uma queimadura de sol ou mesmo um bronzeado. São tantas outras regras que daria para escrever um livro. Não que eu tenha vontade de anotar essas coisas — ser pego com um “manual” seria tão fatal quanto uma queimadura de sol.

Além do mais, meu pai me lembrava das regras diariamente. Enquanto tomávamos café da manhã ao pôr do sol, ele repassava algumas de muitas. Por exemplo: não faça amigos; não pegue no sono durante a aula (aulas chatas e
longos trajetos de ônibus eram especialmente perigosos); não pigarreie; não gabarite as provas, embora sejam um insulto à sua inteligência; não deixe que sua beleza o prejudique; por mais que as garotas lhe ofereçam seu coração e seu corpo, nunca ceda a essa tentação. Porque você precisa sempre lembrar que sua aparência é uma maldição, não uma bênção. Nunca se esqueça disso. Ele recitava todas essas regras enquanto inspecionava rapidamente minhas unhas, para ter certeza de que não estavam lascadas ou irregulares. Hoje as regras estão tão incutidas em mim que são como as leis da natureza. Nunca me senti tentado a desobedecê-las.

Exceto por uma. Quando comecei a pegar o ônibus escolar, uma espécie de carroça puxada por cavalos, meu pai me proibiu de olhar para trás e acenar para ele. Porque ninguém faz isso. Foi uma regra difícil para mim no início. Nas primeiras
noites de aula na escola, quando entrava no ônibus eu precisava reunir todas as forças para me conter, para não olhar para trás e dar tchau. Era como um reflexo, uma tosse impossível de reprimir. Eu era pequeno na época, o que tornava
tudo ainda mais difícil.

Desobedeci a essa regra uma única vez, sete anos atrás. Foi na noite seguinte àquela em que meu pai chegou em casa cambaleando, com as roupas desgrenhadas, como se tivesse se metido em uma briga, o pescoço marcado. Foi puro descuido, apenas um lapso momentâneo, e agora ele tinha duas incisões evidentes no pescoço. O suor pingava de seu rosto, manchando a camisa. Era nítido que ele já sabia. Seu olhar era de um louco desespero, e senti o pânico em seus braços quando ele me apertou com força. “Você está sozinho agora, meu filho”, disse ele por entre os dentes trincados, os espasmos começando a lhe percorrer o peito.

Minutos depois, quando começou a tremer, com o rosto absurdamente frio, ele ficou de pé. Saiu às pressas pela porta para a luz do amanhecer. Tranquei a porta, como ele me havia instruído a fazer, e corri para o meu quarto. Enfiei o rosto no travesseiro e gritei e gritei. Eu sabia o que ele estava fazendo naquele exato momento: correndo para o mais longe possível de casa antes que se transformasse e os raios de sol se tornassem cachoeiras de ácido a lhe queimar o cabelo, os músculos, os ossos, os rins, os pulmões, o coração.
Naquela noite, quando o ônibus escolar parou na porta da minha casa, o vapor saindo pelas narinas largas e úmidas dos cavalos, eu violei a regra. Não consegui evitar: virei para trás quando entrei no ônibus. Mas, àquela altura, não importava.

A entrada de casa estava vazia na escuridão do começo da noite. Meu pai não estava lá. Nem nunca mais estaria.
Meu pai estava certo. Fiquei sozinho naquele dia. Antes éramos uma família de quatro pessoas, mas isso fazia muito tempo. Depois ficamos só meu pai e eu, e isso era o bastante. Eu sentia saudade da minha mãe e da minha irmã, mas era pequeno demais para ter desenvolvido alguma ligação verdadeira com elas. Ambas são formas vagas na minha memória. No máximo, acontece vez ou outra, mesmo agora, de eu ouvir uma voz de mulher cantarolando, e sempre sou pego desprevenido. Ouço a voz e penso: Mamãe tinha uma voz muito bonita. Já meu pai… Ele morria de saudade delas. Nunca o vi chorar, nem depois que tivemos que queimar todas as fotos e lembranças físicas. Mas às vezes eu acordava no meio do dia e o via olhando pela janela aberta, um raio de sol caindo sobre seu rosto pesado, seus ombros largos tremendo.

Meu pai tinha me preparado para ficar sozinho. Ele sabia que esse dia acabaria chegando, embora eu ache que, no fundo, ele acreditava que seria o último sobrevivente, não eu. Ele passou anos me ensinando as regras, para que eu
as conhecesse como à palma da minha mão. Toda vez que me apronto para a escola, ao anoitecer — um laborioso processo de me lavar, lixar as unhas, depilar braços e pernas (e, ultimamente, até mesmo alguns pelos no peito), esfregar pomada (para esconder o odor), polir as presas falsas —, ouço mentalmente a voz dele repassando as regras.

Como hoje. Enquanto calço as meias, ouço a voz dele. Os avisos comuns: Não durma na casa de colegas; não cantarole nem assobie. Mas então ouço a regra que ele dizia talvez só uma ou duas vezes por ano. Ele a dizia tão raramente que talvez não fosse bem uma regra, mas um lema de vida. Nunca se esqueça de quem você é.
Eu nunca entendi por que meu pai dizia isso. Afinal, é como dizer não esqueça que a água é molhada, que o sol brilha, que a neve é gelada. É redundante. Não tem como eu esquecer quem sou. Sou lembrado a cada momento de cada dia.

Cada vez que raspo as pernas ou prendo um espirro ou sufoco uma risada ou finjo desviar da luz, sou lembrado de quem eu sou.
Uma pessoa de mentira.

Avaliações

Avaliação geral: 4

Você está revisando: A Caçada

camyla recomendou este produto.
27/06/2016

surpreendente

a narrativa é muito interessante e surpreende por ser uma história com vampiros nada convencional e nem romantizada. Tem muita ação , eu adorei
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