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A Criança Roubada (Cód: 2016003)

Donahue,Keith

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

'A Criança Roubada' é uma emocionante fábula sobre os desafios da vida. Henry Day tem 7 anos quando foge de casa e se esconde na floresta. Só que ele não sabe que é seguido de perto por pequenos seres que vivem na mata e, de tempos em tempos, roubam a identidade de uma criança humana.
Rebatizado de Aniday, Henry ficará para sempre aprisionado no corpo de um desses seres, a não ser que, algum dia, consiga roubar o lugar de um garoto. Aniday cresce em espírito, lutando para se lembrar da vida e da família que deixou para trás, e busca se adaptar à terra de sombras em que se encontra, ameaçada constantemente pelo avanço do mundo moderno.
Enquanto isso, em seu antigo lar, um duplo assume sua personalidade, ocultando sua verdadeira natureza. Aos poucos, no entanto, essa criatura demonstra uma rara habilidade musical - que o verdadeiro Henry jamais teve -, e suas exibições impressionantes no piano levam o pai a suspeitar que o filho que está criando é um impostor.
À medida que cresce, esse novo Henry Day é assombrado por lembranças tênues, mas persistentes, de uma outra vida, que levou há mais de um século, antes de ter se tornado um desses seres da floresta. São memórias que o farão ir em busca de sua verdadeira identidade, da mesma forma que, na mata, Aniday tentará reconstruir seu passado. Nessa jornada, eles nem sequer pressentem que seus destinos irão se cruzar mais uma vez.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Alfaguara / Objetiva
Cód. Barras 9788560281381
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788560281381
Profundidade 2.00 cm
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 368
Peso 0.44 Kg
Largura 15.00 cm
AutorDonahue,Keith

Leia um trecho

Capítulo 1 Não me chame de fada. Já não gostamos mais de ser chamados de fadas. Houve um tempo em que a palavra “fada” era um balaio-de-gatos perfeitamente aceitável para uma diversidade de criaturas, mas hoje em dia ela adquiriu associações demais. Etimologicamente falando, uma fada é algo único, relacionado em sua ordem às náiades, ou ninfas d’água, e, embora do gênero, somos sui generis. A palavra fairy, fada, deriva de fay (fee, em francês arcaico), que por sua vez vem do latim Fata, a deusa do destino. Essas fay viviam em grupos chamados de faerie, entre os domínios celestial e terreno. Há no mundo uma ordem de espíritos sublunares que carminibus coelo possunt deducere lunam,* e que foram divididos, desde priscas eras, em seis tipos: ígneos, aéreos, terrestres, aquáticos, subterrâneos e toda a classe de fadas e ninfas. Dessas entidades do fogo, da água e do ar, o que sei é quase nada. Mas dos diabretes terrestres e subterrâneos conheço muita coisa, e deles há uma variedade infi nita, assim como o correspondente folclore sobre seu comportamento, costumes e cultura. Conhecidos em todo o mundo por muitos nomes diferentes — lares, gênios, faunos, sátiros, foliots, Robin Goodfellows, pucks, leprechauns, pukas, sídhe, trolls —, os poucos que restam vivem escondidos nos bosques e raramente são vistos ou encontrados por seres humanos. Se você acha por bem me nomear, pode me chamar de hobgoblin. Ou, melhor ainda, sou um changeling — palavra que encerra, no próprio nome, nossa propensão e intenção.* Seqüestramos uma criança humana e a substituímos, seja menino ou menina, por um dos nossos. O hobgoblin torna-se a criança e a criança torna-se um hobgoblin. Não é qualquer uma que serve, mas apenas aquelas raras almas perplexas com suas jovens vidas ou sintonizadas com o vale de lágrimas deste mundo. Os changelings escolhem cuidadosamente, pois tais oportunidades podem ocorrer apenas uma vez a cada década. Uma criança que se torna parte de nossa sociedade talvez tenha de esperar um século antes que chegue sua vez no ciclo, quando pode virar um changeling e readentrar o mundo humano. Os preparativos são maçantes e implicam vigiar de perto a criança, bem como seus amigos e família. Isso deve ser conduzido de forma incógnita, é claro, e o melhor é escolher a criança antes que comece a escola, pois aí a coisa fica mais complicada, sendo necessário que você memorize e processe uma montanha de informações, além da família próxima, e seja capaz de imitar sua personalidade e história tão claramente quanto copia seu físico ou suas feições. Bebês são o que há de mais fácil, mas cuidar deles é um problema para os changelings. A idade de 6 ou 7 anos é a melhor. Qualquer um bem mais velho que isso tende a apresentar um senso de eu mui to mais desenvolvido. Tanto faz se velho ou jovem, o importante é enganar os pais e levá-los a pensar que aquele changeling é na verdade o fi lho deles. Algo mais fácil de fazer do que a maioria pensa. Não, a dificuldade não está em assumir a história de uma criança, mas no doloroso ato físico da mudança propriamente dita. Primeiro, vêm os ossos e a pele, esticados até que, com um estremecimento, você chegue, praticamente num estalo, ao formato do corpo e ao tamanho corretos. Então os outros começam a trabalhar em sua nova cabeça e rosto, coisa que exige perícia de escultor. Há uma considerável dose de puxões e apertões na cartilagem, como se o crânio fosse um macio bolo de argila, ou puxa-puxa, seguindo-se então o detestável negócio com os dentes, a remoção do cabelo e o maçante retecer da roupa. O processo todo ocorre sem uma dosezinha sequer de analgésico, embora uns poucos bebam um álcool nocivo feito de uma pasta fermentada de bolotas de carvalho. Uma operação assaz desagradável, mas que vale a pena, embora eu pudesse muito bem passar sem a complicada remodelação da genitália. No fi m, tem-se a cópia exata de uma criança. Trinta anos atrás, em 1949, fui um changeling que se tornou humano outra vez. Troquei de vida com Henry Day, um garoto nascido numa fazenda nos arredores da cidade. Certa tarde, no fim do verão, quando estava com 7 anos, Henry fugiu de casa e se escondeu no tronco oco de um castanheiro. Nossos espiões changelings seguiram-no e deram o alarme, e me transformei em seu fac-símile perfeito. Nós o agarramos e me enfiei no espaço oco para trocar minha vida pela dele. Quando o grupo de resgate me encontrou naquela noite, estavam felizes, aliviados e orgulhosos — não furiosos, como eu esperava. “Henry”, disse-me um homem ruivo com roupa de bombeiro enquanto eu fingia dormir no esconderijo. Abri os olhos e lhe devolvi um sorriso radiante. O homem me embrulhou num fino cobertor e me levou do bosque para uma estrada pavimentada, onde nos aguardava um caminhão de bombeiros, a luz vermelha pulsando como um coração. O bombeiro me conduziu de volta aos pais de Henry, meus novos pai e mãe. A caminho de casa, no carro, essa noite, fi quei pensando que, se conseguisse passar naquele primeiro teste, o mundo voltaria a ser meu outra vez. Reza a crença popular que, entre os pássaros e animais selvagens, a mãe reconhece a prole como sua e rejeitaria um estranho lançado na toca ou no ninho. Errado. De fato, o cuco normalmente deixa seus ovos nos ninhos de outros pássaros e, a despeito do tamanho extraordinário e do apetite voraz, o fi lhote de cuco recebe os mesmos, na verdade mais, cuidados maternais, em geral a ponto de a mãe expulsar os próprios filhotes de sua casa lá no alto. Às vezes, chega a permitir que a própria cria morra de fome para atender à exigência incessante do cuco. Minha primeira tarefa era criar a fi cção de que eu era o verdadeiro Henry Day. Infelizmente, os humanos são mais desconfi ados e menos tolerantes quanto a intrusos no ninho. Tudo que meus salvadores sabiam era que procuravam um garotinho perdido na floresta, então pude permanecer calado. Afinal, haviam encontrado alguém e desse modo estavam contentes. Quando o caminhão de bombeiros chacoalhava na pista a caminho de casa, vomitei em cima da porta vermelha e brilhante, uma mistura distinta de pasta de bolota, agrião e exoesqueletos de um monte de minúsculos insetos. O bombeiro aplicou-me uns suaves tapinhas na cabeça e me ergueu no colo, com cobertor e tudo, como se eu fosse tão sem importância quanto um gatinho salvo ou um bebê abandonado. O pai de Henry pulou da varanda para me segurar e, com um forte abraço e beijos cálidos cheirando a tabaco e álcool, acolheu-me em casa como seu único fi lho homem. A mãe foi bem mais difícil de tapear. Seu rosto traía cada emoção: uma pele manchada, irritada pelas lágrimas salgadas, os olhos azul-claros avermelhados, os cabelos embaraçados e revoltos. Veio em minha direção com as mãos trêmulas, emitindo um gritinho agudo, do tipo que um coelho faz quando afl ito na armadilha. Limpou os olhos na manga da camisa e envolveu-me com o estremecimento devastado de uma mulher apaixonada. Depois, começou a rir naquela profunda coloratura. — Henry? Henry? — Afastou-me a um braço de distância, agarrando meus ombros. — Deixe-me olhar para você. É você mesmo? — Desculpe, mãe. Afastou a franja de meus olhos e então me puxou para o peito. Seu coração batia contra minha bochecha e senti calor e desconforto. — Não se preocupe, meu pequeno tesouro. Está em casa, está seguro, está inteiro, é só isso que importa. Está de volta comigo. Papai afagou minha nuca com sua mão enorme e achei que aquela cena de volta ao lar podia durar para sempre. Me contorci para escapar e enterrei a mão no bolso, à procura do lenço de Henry, derrubando migalhas pelo chão. — Desculpe ter roubado o biscoito, mãe. Ela riu e uma sombra perpassou seus olhos. Talvez até aquele momento estivesse se perguntando se eu era de fato carne de sua carne, mas a menção ao biscoito operou o truque. Henry roubara um da mesa ao fugir de casa e, quando os outros o levaram para o rio, eu o roubei e enfi ei no bolso. As migalhas provavam que eu era dela.

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