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A Ditadura Envergonhada - Col. Ditadura - Vol. 1 - 2ª Ed. 2014 (Cód: 6725145)

Gaspari, Elio

Intrinseca

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Descrição

Durante os últimos trinta anos, o jornalista Elio Gaspari reuniu documentos até então inéditos e fez uma exaustiva pesquisa sobre o governo militar no Brasil. O resultado desse meticuloso trabalho gerou um conjunto de quatro volumes que compõe a obra mais importante sobre a história recente do país, e que acaba de ganhar uma edição revista e ampliada, enriquecida com novas fotos e projeto gráfico de Victor Burton. A obra é dividida em dois conjuntos: As ilusões armadas e O sacerdote e o feiticeiro. Publicada originalmente em 2002, As ilusões armadas reúne os livros A ditadura envergonhada e A ditadura escancarada, e recebeu o prêmio de Ensaio, Crítica e História Literária de 2003, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Nos primeiros anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se assumir como uma ditadura, daí o título A ditadura envergonhada. Mas com a edição do AI-5, no final de 1968, que suspendeu direitos constitucionais, ela se revela. Em A ditadura escancarada, são reconstituídos os momentos mais tenebrosos do regime, como a prática da tortura contra os opositores do regime e a violência empregada contra os guerrilheiros do Araguaia, um dos últimos núcleos de resistência política.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580573978
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580573978
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 2
Ano da edição 2014
Idioma Português
Número de Páginas 464
Peso 0.65 Kg
Largura 16.00 cm
AutorGaspari, Elio

Leia um trecho

Em agosto de 1984 terminara o prazo de uma bolsa que recebi do Wilson International Center for Scholars. Durante três meses tive uma sala naquele castelinho vermelho da esplanada de Washington, com a Biblioteca do Congresso à disposição e os quadros da National Gallery à distância de uma caminhada. Minha ideia tinha sido usar paz e tempo para concluir um ensaio, coisa de cem páginas, intitulado “Geisel e Golbery, o Sacerdote e o Feiticeiro”. O propósito era simples: tratava-se de explicar por que os generais Ernesto Geisel (o Sacerdote) e Golbery do Couto e Silva (o Feiticeiro), tendo ajudado a construir a ditadura entre 1964 e 1967, desmontaram-na entre 1974 e 1979. Já havia escrito umas trinta páginas quando percebi que sua única utilidade era a de me mostrar que, ou eu trabalhava muito mais, ou seria melhor esquecer o assunto. Pelo ritual do Wilson Center, sempre que um bolsista deixava o castelinho, ia ao seu diretor para despedir-se. Encabulado, entrei na sala do professor James Billington, autor de Icon and axe (O ícone e o machado), um clássico sobre a cultura russa, e de Fire in the minds of men (Fogo na cabeça dos homens), um inédito esforço de compreensão dos revolucionários que fi zeram história entre os séculos XVIII e XX. Disse-lhe que não terminara ensaio algum e chegara à conclusão de que talvez devesse escrever um livro. Ao enunciado do fracasso, os olhos de Billington brilharam: “Você não sabe como fi co feliz. É para isso que existe o Wilson Center. Para fazer com que uma pessoa saia de suas ocupações rotineiras e descubra que deve escrever um livro”. Nos dezoito anos seguintes essa observação de Billington serviu para conter as ansiedades, minhas e alheias, diante de um livro que, para gosto do autor, não terminava. (Em 1984 eu achava que escreveria umas trezentas páginas.) De volta ao Brasil, comecei a recolher material e a aprofundar algumas entrevistas. Falava com Geisel, Golbery e Heitor Ferreira, secretário de ambos. Em diversas ocasiões perguntei a Golbery se ele tinha um arquivo, e ele sempre negou. Um dia, em 1985, a sorte levou mofo à garagem do sítio de Golbery, nos arredores de Brasília. Lá havia algo como 25 caixas de arquivo morto, cheias de papéis. Ele e Heitor resolveram confi ar-me sua custódia temporária. Era verdade que Golbery não tinha arquivo, mas também era verdade que passara a Heitor milhares de documentos, bilhetes e até rabiscos. Heitor, por sua vez, sempre tinha uma daquelas caixas debaixo de sua mesa, no palácio do Planalto, e nela ia atirando papéis. Assim, numa pilha onde está uma lista de diplomatas que deveriam ser cassados em 1964, está também uma folha de bloco com os tópicos do que deve ter sido uma conversa telefônica entre João Goulart e o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, às 10h05 do dia 5 de setembro de 1961, no fragor da crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros. Intocadas, essas caixas me foram entregues. Formam um acervo de 5 mil documentos cuja denominação correta deve ser Arquivo Privado de Golbery do Couto e Silva e Heitor Ferreira (APGCS/HF), visto que nele se misturaram documentos de um e de outro. Durante o governo de Geisel, Heitor organizou o arquivo do presidente. Em 1981, remeteu-lhe todos os papéis. Em 1998, atendendo a um desejo do pai, Amália Lucy Geisel doou-os ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDoc), da Fundação Getulio Vargas, onde somam atualmente 4 mil documentos textuais. Este livro não existiria sem a decisão de Golbery de entregar-me seu arquivo e sem a paciente colaboração de Ernesto Geisel. Convivi com ambos. Com Golbery, de 1969 até sua morte, em São Paulo, em setembro de 1987. Sua ajuda prolongou-se até as horas anteriores à cirurgia de câncer de pulmão depois da qual não retornaria à sua casa de Brasília. No quarto do hospital Sírio Libanês contou-me mais uma vez a queda do ministro do Exército, Sylvio Frota, em outubro de 1977. Quando lhe perguntei se era verdade que alguns coronéis apareceram no quartel- -general em roupa de campanha, respondeu: “É, parece que houve um pessoal que se fantasiou”. Lastimava não ler o livro para o qual contribuíra. Nunca pediu para ver os capítulos já escritos. Pelo contrário: “Não mostre”. (Àquela altura, passados três anos, eu achava que estava escrevendo dois livros, cada um com trezentas páginas.) Com Geisel, tive dezenas de demoradas e profícuas conversas a partir de 1979, quase sempre numa mesa de canto do falecido restaurante Rio’s, no Aterro do Flamengo. Em 1994, depois de quinze anos de insistência, ele concordou em gravar um depoimento de sua vida. Realizamos perto de vinte sessões, sempre às terças-feiras, na sala de seu apartamento de Ipanema, todas com duração de noventa minutos. Interrompeu-as quando adoeceu, no início de 1996. Pelo trato, as fi tas fi cavam em seu poder, para que lhes desse o destino que bem entendesse. Depois da morte do pai, Amália Lucy Geisel gentilmente enviou-me doze fi tas que encontrou num armário de sua casa. Tão relevante quanto a ajuda de Geisel e Golbery foi a de Heitor Aquino Ferreira. Mais que isso: devo-lhe o reconhecimento de uma coautoria naquilo que um livro pode ser consequência do acesso a documentos e à memória de um período. Uma amizade de quase trinta anos acompanhou a sua atenção e prestimosidade. Heitor foi secretário de Golbery de 1964 a 1967 e de Geisel de 1971 a 1979. Catapultado como capitão, aos 27 anos, para o centro do poder, manteve por mais de duas décadas um diário manuscrito que em 1985 somava dezessete cadernos escolares com cerca de meio milhão de palavras, sufi ciente para formar uma obra de 1.500 páginas. Deu-me cópias do período que vai de 1964 a 1976. Daí em diante, forneceu-me excertos e deu-me vista em outros casos. Naqueles cadernos, parcialmente lidos por Geisel, está o mais minucioso e surpreendente retrato do poder já feito em toda a história do Brasil. A esse material somam-se cerca de trezentas horas de gravações de conversas soltas e audiências formais, feitas com a colaboração e concor- dância expressa (escrita e gravada) de Geisel, e com o conhecimento de Golbery. Elas cobrem os últimos meses de 1973, quando se formava o governo, até março de 1974, quando ele foi empossado. Os principais colaboradores de Geisel nesse período, bem como seus familiares, sabiam da existência desse registro. Até 1992 Heitor Ferreira acompanhou a produção do manuscrito. Em todas as suas leituras teve um só interesse a defender: o idioma e a sua sintaxe. As poucas sugestões que fez ao conteúdo mantiveram-se sempre na estrita preocupação pela fi delidade aos fatos. Quis preservar a memória do período que tão intensamente acompanhou. Tendo-a preservado, nunca se interessou por revê-la. Nem sequer em discutir a maneira como está apresentada, diante da qual mantém reservas e discordâncias que a mim cabe apenas presumir, pois nunca as explicitou. Deve-se a ele não só a pertinácia, mas sobretudo a ousadia de quem agiu e viveu convencido de que fazia o certo e guardava o necessário. Inúmeras vezes tive de responder à mesma pergunta, que certamente ocorrerá ao leitor: “Por que eles guardaram esse material?”. Só há uma resposta: porque desejavam preservar o registro histórico de suas atividades públicas. Somam cerca de duzentas as pessoas com as quais busquei informações ao longo de dezoito anos. Algumas em demoradas conversas, outras em telefonemas breves. Nas notas de pé de página as referências a essas fontes mencionam seus nomes e a época em que a informação foi recebida. Os informantes vão listados no fi m do volume. A generosidade de Amália Lucy Geisel, qualidade que aprendi a reconhecer ainda durante o governo de seu pai, e a solicitude do velho amigo Humberto Barreto foram valioso socorro para esclarecimentos relacionados com a vida e os hábitos de Geisel. O professor Candido Mendes de Almeida ajudou-me a conhecer as nuances da ação política da Igreja católica. D. Eugênio Sales teve paciência para esclarecer algumas dúvidas. Ralph della Cava orientou-me, com seu conhecimento, suas lembranças e seu arquivo, na reconstrução da atividade das Igrejas cristãs. Ao embaixador Lincoln Gordon devo especial ajuda no trabalho de reconstituição da política americana em relação ao Brasil em 1964. Ao amigo Marcelo Medeiros, a preservação do arquivo de Carlos Medeiros Silva, parte do qual me confi ou. Ao professor Romualdo Pessoa Campos Filho, o acesso a dezenas de entrevistas relacionadas com a guerrilha do Araguaia. Ronald Levinsohn conseguiu-me cópias de papéis que pareciam ter desaparecido. Aos generais Leonidas Pires Gonçalves, Antonio Carlos Muricy, Gustavo Moraes Rego, José Maria de Toledo Camargo, Newton Cruz e Octavio Costa devo a narrativa de fatos históricos e boa parte do entendimento da estrutura militar. Por exemplo, a diferença entre um batalhão e uma brigada. Ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra devo longos esclarecimentos sobre a estrutura dos Destacamentos de Operações de Informações, os DOIs, e do Centro de Informações do Exército, o CIE. O professor Delfi m Netto, com sua prodigiosa memória, ajudou-me na reconstrução de episódios centrais para a história da gestão econômica do período. Dívida semelhante tenho com Mario Henrique Simonsen e João Manuel Cardoso de Mello. Antonio Carlos Magalhães, Franco Montoro, José Sarney, Paulo Brossard e Thales Ramalho deram-me seu tempo para reconstituir acontecimentos que corriam o risco de desaparecer debaixo do manto da discrição. Meus velhos amigos Armênio Guedes, Givaldo Pereira de Siqueira, Luiz Mário Gazzaneo, João Guilherme Vargas Neto e Salomão Malina permitiram-me conhecer melhor a ação do PCB, no qual ingressei em 1962. Francisco Carlos de Andrade, Ariston Lucena e José Carlos Giannini ensinaram-me muito da história da ALN e da VPR. Marcos Sá Corrêa, Getúlio Bittencourt e José Casado cederam-me os arquivos que acumularam em suas pesquisas na documentação do governo americano. Ayrton Baffa deu-me acesso aos papéis que guardou a respeito do SNI. Josias de Souza passou-me os relatórios da Operação Sucuri, o trabalho de infi ltração do Exército na região do Araguaia em 1973. Muitas outras são as gratidões. Quando possível, elas foram registradas nas notas que acompanham o texto. Dois informantes, ambos militares, permanecem anônimos. Ao historiador Marco Antonio Villa devo oportunas sugestões, a leitura atenta do original e a conferência das notas de pé de página dos documentos e livros citados. Devo aos profi ssionais dos serviços de documentação e pesquisa da Editora Abril, da Folha de S.Paulo, d’O Globo, do Jornal do Brasil e d’O Estado de S. Paulo a paciência no resgate da parte da história que obstinadamente preservam. A Fernando Gasparian devo o acesso à coleção do semanário Opinião. Cecília Coimbra e Marco Aurélio Garcia ajudaram-me a conseguir uma coleção completa do Projeto Brasil: nunca mais. Flora Abreu e Alcir Henrique da Costa foram solícitos dirimidores de dúvidas a respeito dos porões militares. Diversos amigos leram versões parciais do texto. Pela leitura do texto completo devo a Wanderley Guilherme dos Santos a imposição de rigorosas observações ao conteúdo. A ele devo também longas conversas que muito influenciaram a compreensão e os limites da documentação sobre a qual trabalhei. Manolo Florentino, além de discutir o texto, reestruturou a bibliografia de acordo com seu elevado padrão profissional. Márcio Thomaz Bastos, Luís Francisco Carvalho Filho e Fernando Lottenberg salvaram-me de erros jurídicos. Lilia Moritz Schwarcz, Claudio Haddad e João Moreira Salles fizeram correções e sugeriram caminhos que, espero, venham ajudar o leitor. Jonathan Kandell, correspondente do New York Times durante o governo Geisel, foi um leitor atento de uma das primeiras versões, levando-me a alterar o plano inicial. A ele se deve a existência dos dois capítulos que contam a deposição de João Goulart. Quando o livro tinha trezentas páginas, eu achava que isso era desnecessário. Este livro não existiria sem a ajuda dos seis modelos de computadores surgidos durante o tempo que levou para ser escrito. Sinto-me no dever de registrar que, por conta da insana política de reserva de mercado, os dois primeiros chegaram à minha mesa pelos desvãos da alfândega. Aos contrabandistas da época, minha homenagem. Luís Fernando Gonçalves desenvolveu uma versão pessoal de um banco de dados que permitiu a acumulação de 28 mil fichas e sua pesquisa. A sofisticação de seu trabalho, concluído em 1986, não foi alcançada pelos fabricantes do original americano. Maria da Gloria Faria guiou-me na desconhecida condição de autor. Maria da Glória Prado e José Mauro B. Prado copiaram o arquivo do general Golbery e de Heitor Ferreira, reconstruindo pacientemente cerca de 150 pastas. Até o início de 2001, minha ideia era só publicar o trabalho quando ele estivesse concluído, com o título de Geisel e Golbery, o Sacerdote e o Feiticeiro. Por mais de dez anos acreditei que, tendo escrito dois livros, estava na metade do terceiro. Acabei descobrindo que, a menos que decidisse publicar um catálogo telefônico, já eram quatro. Aquilo que foi um ensaio virou um livro e acabou em quatro segue um plano. É este: Nos dois primeiros vai contado o período de 31 de março de 1964 ao fi nal do governo do general Emílio Médici, no início de 1974. Um vai da deposição de João Goulart, em 1964, ao período imediatamente posterior à edição do Ato Institucional no 5, em dezembro de 1968. O outro vai daí à aniquilação da guerrilha do Araguaia, ocorrida entre dezembro de 1973 e o primeiro semestre de 1974. De certa forma, constituem um preâmbulo à história do Sacerdote e do Feiticeiro. Nos outros dois são contadas a vida de Geisel e a de Golbery, a trama que os levou de volta ao Planalto e os quatro primeiros anos do governo de Geisel. Terminarão na noite de 11 de outubro de 1977, quando o ministro do Exército, general Sylvio Frota, foi dormir, depois de ter visto um fi lme de James Bond, sem saber que Geisel o acordaria chamando-o ao palácio para demiti-lo. Até esse ponto, depois de dezoito anos, os textos estão escritos. Falta escrever a história que vai da manhã de 12 de outubro de 1977 até o dia 15 de março de 1979, quando Ernesto Geisel, tendo acabado com a ditadura do AI-5, tirou a faixa presidencial e foi-se embora para Teresópolis. Como não tenho interesse pelo governo do general Figueiredo, sua administração ficará no esquecimento que pediu. Dois posfácios levarão até a explosão da bomba no Riocentro, em 1981, e ao fi nal das existências do Sacerdote e do Feiticeiro, quando continuavam ligados pela amizade, porém separados na política. Em nenhum momento passou pela minha cabeça escrever uma história da ditadura. Falta ao trabalho a abrangência que o assunto exige, e há nele uma preponderância de dois personagens (Geisel e Golbery) que não corresponde ao peso histórico que tiveram nos 21 anos de regime militar. O que eu queria contar era a história do estratagema que marcou suas vidas. Fizeram a ditadura e acabaram com ela. Durante o período estudado, o Brasil teve duas moedas (cruzeiro e cruzeiro novo), bem como uma infl ação capaz de destruir o signifi cado de qualquer referência monetária. Por isso, sempre que julguei conveniente, a moeda nacional foi convertida em dólares no mercado paralelo da época, com base na tabela de Clarice Pechman, em seu trabalho O dólar paralelo no Brasil. Feito isso, convém esclarecer que um dólar daquela época equivale, aproximadamente, a sete dólares em 2013. Por último, pelo relevo, devo a Dorrit Harazim a paciência para aturar um marido que, no meio de um jantar, passava a contar-lhe uma nova versão para um fato ocorrido no século passado. Ademais, teve de ler um mesmo livro quatro vezes. A ela devo as sugestões de reconstrução de capítulos estruturados desastrosamente e uma voz permanente de sábio rigor. Sua perseverante indignação foi uma baliza que o tempo não abateu.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: A Ditadura Envergonhada - Col. Ditadura - Vol. 1 - 2ª Ed. 2014

paulo r.santos recomendou este produto.
31/03/2016

Todos deveriam ler

para poder discutir o assunto temos que ter conhecimento de causa
e a obra de Elio Gaspari é documentada e sem "achismo" se foi usada a força pelo governo, não foi gratuita mas a perda foi maior do lado inocente pois os guerrilheiros foram treinados para matar sem o menor criterio Militar é um cidadão armado que tem por objetivo cumprir ordens e se necessario matar, mas mesmo assim não vejo covardes guerrilheiros sendo punidos, uma moeda de uma unica face. o heroi é criminoso e o bandido heroi estando muitos aposentados e sendo idolatrados e homenageados com nomes de ruas Que tal ponte mariguela para o novo nome da Rio Neteroi
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