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A Explosão da Rússia - Uma Conspiração para Restabelecer o Terror da Kgb (Cód: 1970631)

Felshtinsky,Yuri; Litvinenko,Alexander

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Descrição

Em novembro do ano passado, o ex-agente secreto russo Alexander Litvinenko agonizou por três semanas após ter sido envenenado, em um restaurante londrino, com a substância radioativa polônio-210. O episódio, um dos mais obscuros casos de espionagem e assassinato ocorridos desde o fim da Guerra Fria, chocou o mundo e lançou suspeitas sobre a Rússia do presidente Vladimir Putin, de quem Litvinenko era ferrenho adversário.
No fim de junho, a Editora lança no Brasil o livro 'A EXPLOSÃO DA RÚSSIA - UMA CONSPIRAÇÃO PARA RESTABELECER O TERROR DA KGB', escrito por Litvinenko. Suspeita-se que o livro, lançado pela primeira vez na Grã-Bretanha cinco meses após a morte do ex-agente, tenha sido a verdadeira causa de sua morte. Nele, Litvinenko afirma que a eleição de Putin foi resultado de um golpe promovido pelo FSB, o serviço secreto que substituiu o KGB soviético.
Proibido na Rússia, baseado no conhecimento dos bastidores das campanhas secretas russas acumulado por Litvinenko ao longo de vinte anos, o livro mostra como as organizações que sucederam ao KGB conseguiram sobreviver depois de desvinculadas do comunismo. Retomando antigos métodos de terrorismo e guerra, elas conseguiram impor um 'estilo russo' de governo.
Yuri Felshtinsky relata como entrou em contato com Alexander Litvinenko, pedindo ajuda para investigar os atentados cometidos em prédios de apartamentos de Moscou em 1999. Enquanto efetuavam sua investigação, três pessoas que os ajudavam na Rússia foram violentamente mortas -duas a tiros e uma envenenada.
Após a leitura das revelações de Litvinenko e Felshtinsky, não parece restar dúvida de que, por trás da fachada democrática, a Federação Russa continua sendo uma ameaça para a comunidade internacional.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501076342
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 8501076341
Profundidade 0.00 cm
Ano da edição 2007
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 294
Peso 0.47 Kg
Largura 16.00 cm
AutorFelshtinsky,Yuri; Litvinenko,Alexander

Leia um trecho

1 O FSB FOMENTA A GUERRA SÓ UM LOUCO COMPLETO poderia pretender arrastar a Rússia para qualquer tipo de guerra, principalmente uma guerra no norte do Cáucaso. Como se o Afeganistão nunca tivesse acontecido. Como se não estivesse antecipadamente claro o rumo que tal guerra poderia tomar ou os possíveis resultados e conseqüências de uma guerra declarada por um Estado multinacional contra um povo orgulhoso, vingativo e guerreiro. Como pôde a Rússia envolver-se numa de suas guerras mais vergonhosas exatamente no período de seu desenvolvimento que se mostrava mais democrático na forma e mais liberal no espírito? Essa guerra exigiu a mobilização de recursos e orçamentos cada vez maiores para as agências de repressão, os departamentos governamentais e os ministérios. Aumentou a importância e a infl uência dos militares, marginalizando ou tornando irrelevantes os esforços dos promotores da paz, da democracia e dos valores liberais destinados a sustentar o ímpeto das reformas econômicas pró-ocidentais. Essa guerra levou ao isolamento do Estado russo frente à comunidade dos países civilizados, pois o resto do mundo não a apoiava nem conseguia entendê-la. Assim foi que um presidente até então popular e admirado sacrifi cou o apoio de seu próprio povo e da comunidade internacional. Depois de cair na armadilha, ele não teve alternativa senão renunciar antes fi m do mandato e entregar o poder ao FSB em troca da garantia de imunidade para si mesmo e sua família. Sabemos quem foi que se benefi ciou de tudo isto: os homens a quem Yeltsin entregou o poder. E sabemos como se chegou a esse resultado: por meio da guerra na Chechênia. Resta apenas descobrir quem deu início a esse processo. A Chechênia havia se tornado o elo mais fraco no mosaico multinacional da Rússia, mas o KGB não fez objeções quando Djokhar Dudaev chegou ao poder nesse território, pois o considerava um dos seus. Membro do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) desde 1968, o general Dudaev pôde perfeitamente ter sido transferido da Estônia para Grozny, sua cidade natal, especifi camente para se aposentar em 1990, apresentar-se como candidato de oposição aos comunistas locais, tornar-se presidente da República da Chechênia e, em novembro de 1991, proclamar sua independência, aparentemente demonstrando à elite política russa a inevitabilidade do esfacelamento da Rússia sob o regime liberal de Yeltsin. Provavelmente, não terá sido por acaso que um outro checheno próximo de Yeltsin, Ruslan Khasbulatov, foi responsável por um outro dano fatal infl igido a seu regime. Antigo funcionário do Comitê Central da Organização da Juventude Comunista e membro do Partido Comunista desde 1966, Khasbulatov tornara-se, em setembro de 1991, presidente do parlamento da Federação Russa. A história da escalada nas complexas e confusas relações entre a Rússia e a Chechênia é tema para um outro livro. Seja como for, em 1994 a liderança política da Rússia já sabia que não tinha como conceder a independência à Chechênia, como acontecera na Bielo-Rússia e na Ucrânia. O reconhecimento da soberania da Chechênia poderia representar uma autêntica ameaça de desintegração da Rússia. Mas será que eles estavam em condições de dar início a uma guerra civil no norte do Cáucaso? O “partido da guerra”, encastelado entre os militares e nos ministérios ligados à ordem pública, achava que sim, desde que o público fosse preparado neste sentido, e que seria fácil infl uenciar a opinião pública, se fosse possível mostrar que os chechenos estavam recorrendo a táticas terroristas em sua luta pela independência. Bastava para isso providenciar atentados terroristas em Moscou e deixar pistas que conduzissem à Chechênia. Sabendo que as tropas russas e as forças da oposição anti-Dudaev podiam iniciar seu ataque a Grozny a qualquer momento, no dia 18 de novembro de 1994 o FSK fez sua primeira tentativa conhecida de insufl ar sentimentos antichechenos: cometeu um ato de terrorismo e pôs a culpa nos separatistas chechenos. Se fosse possível infl amar os sentimentos chauvinistas dos moscovitas, seria fácil dar prosseguimento à repressão do movimento independentista na Chechênia. Cabe notar que, no dia 18 de novembro e em casos posteriores, os supostos “terroristas chechenos” promoveram suas explosões nos momentos mais inoportunos e nunca chegaram a assumir publicamente a responsabilidade (tornando o próprio atentado irrelevante politicamente). Seja como for, em novembro de 1994, a opinião pública na Rússia e em todo o mundo estava do lado do povo checheno, cabendo perguntar, então, por que haveriam os chechenos de cometer um atentado terrorista em Moscou. Faria muito mais sentido tentar sabotar a mobilização de tropas russas no território checheno. Mas os partidários russos da guerra com a Chechênia estavam ansiosos por apontar a Chechênia como responsável por qualquer atentado terrorista, e em cada uma dessas oportunidades sua reação consistia em logo desfechar um golpe desproporcionalmente maciço contra a soberania chechena. Criou-se naturalmente, assim, a impressão de que os militares e as agências de imposição da ordem pública da Rússia, apesar de perfeitamente despreparados para enfrentar os atentados terroristas, estavam extraordinariamente bem preparados para lançar contramedidas. A explosão de 18 de novembro de 1994 atingiu um ramo ferroviário que atravessa o rio Yauza, em Moscou. Segundo os especialistas, foi causada por duas poderosas cargas de aproximadamente 1,5 quilo de TNT. Cerca de vinte metros do leito da ferrovia foram arrancados, e a ponte quase ruiu. Ficou perfeitamente claro, contudo, que a explosão ocorreu prematuramente, antes da passagem de um trem pela ponte. Pedaços do corpo do terrorista foram encontrados a cerca de cem metros do local da explosão. Era ele o capitão Andrei Shchelenkov, empregado da empresa petrolífera Lanako. A bomba explodira no momento em que ele a instalava na ponte. Foi somente graças a esse descuido do agente encarregado de plantar a bomba que se pôde conhecer a identidade dos responsáveis imediatos pelo atentado. O dono da Lanako, que batizara a empresa com um nome que começava com as duas primeiras letras do seu próprio nome, era Maxim Lazovsky, 35 anos, agente muito prezado no Departamento de Moscou e da região moscovita do FSB, conhecido nos círculos da criminalidade pelos apelidos de “Max” e “Aleijado”. Antecipando-nos um pouco aos acontecimentos, podemos também frisar o signifi cativo fato de que cada um dos empregados da Lanako era também agente contratado ou freelance das agências russas de contra-espionagem. No dia da explosão no rio Yauza, 18 de novembro de 1994, alguém afi rmou em um telefonema anônimo à polícia que um caminhão cheio de explosivos se encontrava diante da sede da Lanako. Em conseqüência, o departamento do FSB efetivamente descobriu um caminhão ZIL-131 perto dos escritórios da empresa com três minas MON-50, cinqüenta cargas de lançagranadas, quatorze granadas RGD-5, dez granadas F-1 e quatro pacotes de explosivos plásticos, pesando no total seis quilos. O FSB alegou, todavia, que não foi possível estabelecer a propriedade do caminhão, embora um cartão de identidade da Lanako tenha sido encontrado nos restos mortais de Shchelenkov e os explosivos utilizados no atentado no rio Yauza fossem do mesmo tipo dos encontrados no caminhão. A guerra na Chechênia representava uma maneira muito fácil de acabar politicamente com Yeltsin, o que estava perfeitamente claro para os que provocaram a guerra e organizaram atentados terroristas na Rússia. Havia, além disso, um dado fi nanceiro importante nas relações entre a liderança russa e o presidente da República da Chechênia: os russos estavam permanentemente extorquindo dinheiro de Dudaev. Tudo começou em 1992, quando foram rece bidas propinas dos chechenos em pagamento de armas soviéticas deixadas na Chechênia naquele ano. As propinas em troca dessas armas foram extorquidas pelo chefe do SBP, Korjakov, pelo chefe do FSO, Barsukov, e pelo primeiro vice-primeiro-ministro da Federação Russa, Oleg Soskovets. Naturalmente, o Ministério da Defesa estava informado do acordo. Alguns anos depois, os ingênuos cidadãos da Rússia começaram a se perguntar como todas aquelas armas que os chechenos estavam usando para matar soldados russos podiam ter sido dei xa das na Chechênia. A resposta não podia ser mais prosaica: foram compradas por Dudaev com milhões de dólares de propinas pagas a Korjakov, Barsukov e Soskovets. Depois de 1992, os burocratas de Moscou deram prosseguimento a sua bem-sucedida colaboração com Dudaev à base de propinas, e a liderança chechena continuou enviando dinheiro a Moscou regularmente, pois era a única maneira de Dudaev resolver qualquer questão política. Em 1994, contudo, o sistema começou a falhar, à medida que somas cada vez maiores eram extorquidas por Moscou em troca de favores políticos relacionados à independência da Chechênia. Dudaev começou a se recusar a pagar. O confl ito fi nanceiro acabou evoluindo para um impasse político — e logo para uma queda-de-braço entre as lideranças russa e chechena. Pairava no ambiente uma pesada ameaça de guerra. Dudaev solicitou um encontro com Yeltsin, talvez até pretendendo contar-lhe o que vinha acontecendo. Mas a trinca, que controlava o acesso a Yeltsin, exigiu uma propina de vários milhões de dólares para organizar um encontro dos dois presidentes. Dudaev recusou-se a pagar e exigiu que o encontro com Yeltsin fosse marcado sem qualquer pagamento antecipado. Além disso, pela primeira vez ameaçou as pessoas que o ajudavam em troca de pagamentos com a revelação de documentos em seu poder que continham informações comprometedoras a respeito das negociatas dos funcionários com os chechenos. Dudaev acreditava que a posse desses documentos era sua garantia de que não seria detido. Ele não podia ser detido; podia apenas ser morto, pois era testemunha ocular dos crimes cometidos por membros da equipe de Yeltsin. Dudaev calculara mal. Sua chantagem falhou, e o pretendido encontro nunca aconteceu. O presidente da Chechênia era agora uma perigosa testemunha que precisava ser eliminada. Assim foi que se provocou deliberadamente uma guerra cruel e sem sentido. Vamos traçar a seqüência de acontecimentos. No dia 22 de novembro de 1994, o Comitê de Defesa do Estado da República da Chechênia, criado por decreto de Dudaev no ano anterior, acusou a Rússia de provocar uma guerra contra a Chechênia. Até onde os jornalistas podiam ver, não havia guerra, mas Dudaev sabia que o “partido da guerra” já tomara a decisão de iniciar atos de hostilidade militar. O Comitê de Defesa do Estado da Chechênia, integrado, além de Dudaev, pelos chefes militares e de outras agências de repressão, bem como por certos ministérios e departamentos governamentais, reuniu-se em sessão de emergência em resposta à “ameaça de incursão militar” na Chechênia. Uma declaração do Comitê de Defesa do Estado distribuída em Grozny afi rmava que “unidades regulares russas estão ocupando o distrito de Nadterechny, no território da República da Chechênia”, e acrescentava que se pretendia nos dias subseqüentes “ocupar o território dos distritos de Naursk e Shelkovsk. Com esta fi nalidade, estão sendo usadas unidades regulares do distrito militar do norte do Cáucaso, subunidades especiais do Ministério do Interior russo e aviões militares do distrito militar do norte do Cáucaso. De acordo com informações obtidas pelo Conselho de Defesa do Estado, subunidades especiais do FSK russo também participam da operação”. O quartel-general das forças armadas da Chechênia confi rmou que unidades militares estavam sendo concentradas na aldeia de Veselaia, região de Stavropol, na fronteira com o distrito checheno de Naursk: havia tanques pesados, artilharia e nada menos que seis batalhões de infantaria. Soube-se depois que o grosso das forças reunidas para a investida contra Grozny consistia em uma coluna de veículos blindados russos mobilizada por iniciativa do FSK, que pagou por ela e também contratou soldados e ofi ciais, entre eles membros do corpo de elite das divisões blindadas de Taman e Kantemirov. No dia 23 de novembro, nove helicópteros militares russos do distrito do norte do Cáucaso, presumivelmente do modelo MI-8, lançaram foguetes contra a aldeia de Shali, a cerca de quarenta quilômetros de Grozny, na tentativa de destruir os veículos blindados de um regimento de tanques ali situado, enfrentando, em reação, fogo de artilharia antiaérea. Houve feridos no lado checheno, que anunciou dispor de um vídeo mostrando helicópteros com sinais de identifi cação russos. A 25 de novembro, sete helicópteros de uma base militar russa na região da Stavropol lançaram várias salvas de foguetes contra o aeroporto de Grozny e prédios de apartamentos próximos, danifi cando a pista de aterrissagem e o avião civil que nela se encontrava. Seis pessoas morreram e cerca de vinte e cinco fi caram feridas. Em resposta a esse ataque, o Ministério de Relações Exteriores da Chechênia emitiu um comunicado às autoridades da região de Stavropol afi rmando, entre outras coisas, que os dirigentes da região “são responsáveis por tais atos, e no caso de medidas adequadas tomadas pelo lado checheno”, qualquer queixa “deve ser encaminhada a Moscou”. A 26 de novembro, as forças do “Conselho Provisório da Chechênia” (a oposição chechena) atacaram Grozny de todos os lados, apoiadas por helicópteros e veículos blindados russos. Participaram da operação mais de 1.200 homens, cinqüenta tanques, oitenta veículos blindados de transporte de pessoal e seis aviões SU-27 da oposição. Um comunicado do centro moscovita do “Conselho Provisório da Chechênia”, organismo fantoche, alegava que “as forças desmoralizadas dos partidários de Dudaev praticamente não oferecem resistência, e a operação provavelmente estará encerrada pela manhã”. Na verdade, a operação foi um completo fracasso. Os atacantes perderam cerca de 500 homens e mais de vinte tanques, sendo outros vinte capturados pelas forças de Dudaev. Cerca de 200 membros das forças armadas foram feitos prisioneiros. A 28 de novembro, uma coluna de prisioneiros foi conduzida em marcha pelas ruas de Grozny, “para assinalar a vitória sobre as forças da oposição”. Simultaneamente, a liderança chechena divulgava uma lista de quatorze soldados e ofi ciais das forças armadas russas que haviam sido capturados. Os prisioneiros confessaram diante das câmeras de televisão que em sua maioria serviam nas unidades militares 43162 e 01451, das cercanias de Moscou. O Ministério da Defesa da Federação Russa respondeu que os indivíduos em questão não eram membros das forças armadas russas. Em resposta a um pedido de informações a respeito de dois prisioneiros, o capitão Andrei Kriukov e o tenente Ievgueni Jukov, o Ministério da Defesa afi rmou que os ofi ciais efetivamente serviam na unidade 01451, mas não se apresentavam desde 20 de outubro de 1994, e estava sendo providenciada uma ordem para seu desligamento das forças armadas. Em outras palavras, o Ministério da Defesa russo declarava que os militares capturados eram desertores. No dia seguinte, o pai de Ievgueni Jukov refutou a declaração do ministério. Em entrevista à agência russa de informação Novosti, disse que seu fi lho deixara a unidade a 9 de novembro, informando aos pais que havia sido designado para um período de dez dias em Nijny Tagil. Os pais de Ievgueni só voltariam a vê-lo em 27 de novembro, no noticioso semanal da televisão Itogi, fazendo parte do grupo de soldados russos capturados em Grozny. Quando lhe perguntaram como ele fora parar na Chechênia, o comandante da unidade, Jukov, recusou-se a responder. Viria em seguida o relato dos acontecimentos de 26 de novembro feito pelo major Valery Ivanov, após sua libertação, a 8 de dezembro, num grupo de sete membros das forças armadas russas: De acordo com a ordem do dia da unidade, todos os recrutados receberam licença por motivos de família. Em sua maioria, eram ofi ciais sem vida doméstica organizada. Metade deles não tinha apartamento — teoricamente era possível recusar, mas quem recusasse fi caria de fora quando eles começassem a entregar os apartamentos. No dia 10 de novembro, chegamos a Mozdok, no norte da Ossétia. Em duas semanas, aprontamos quatorze tanques com tripulações chechenas e vinte e seis tanques para soldados russos. Em 25 de novembro, avançamos sobre Grozny... Eu estava num grupo de três tanques que assumiu o controle da televisão em Grozny ao meio-dia do dia 26. As forças do Ministério do Interior que defendiam a torre não ofereceram resistência. Mas três horas depois, sem comunicação com o nosso comando, fomos atacados pelo famoso batalhão Abkhazio. Fomos cercados por tanques e infantaria e decidimos que não teria sentido responder ao fogo, já que as forças da oposição [anti-Dudaev] imediatamente fugiram e nos abandonaram, e dois de nossos três tanques haviam sido incendiados. As tripulações conseguiram render-se aos guardas do centro de TV, que nos entregaram à guarda pessoal do presidente Dudaev. Fomos bem tratados, nos últimos dias praticamente não estávamos sob guarda, mas de qualquer maneira não tínhamos para onde fugir. A impressão deixada por tudo isto era de que a coluna blindada fora introduzida em Grozny no dia 26 de novembro deliberadamente para ser dizimada. A coluna não era capaz de desarmar Dudaev e seu exército nem de tomar a cidade e mantê-la sob controle. O exército de Dudaev estava bem armado e totalmente mobilizado. A coluna só podia ser mesmo um alvo fácil. O ministro da Defesa russo, Grachyov, deu a entender que nada tinha a ver com aquela irresponsável tentativa de tomar Grozny. Do ponto de vista militar, declarou Grachyov em entrevista coletiva em 28 de novembro de 1996, seria absolutamente impossível tomar Grozny “em duas horas com um único regimento de pára-quedistas. Todavia, todo confl ito militar é resolvido, em última análise, por métodos políticos na mesa de negociação. Introduzir tanques na cidade sem cobertura de infantaria realmente não fazia o menor sentido”. Mas por que então foram enviados? Posteriormente, o general Guenadi Troshev nos falaria das dúvidas de Grachyov a respeito da campanha na Chechênia: “Ele tentou fazer alguma coisa a respeito. Tentou obter de Stepashin e seu serviço especial uma avaliação clara da situação, tentou adiar a entrada de tropas até a primavera, tentou até chegar a um acordo pessoal com Dudaev. Hoje sabemos que esse encontro ocorreu. Eles não chegaram a acordo nenhum.” O general Troshev, que a essa altura estava no controle da segunda guerra na Chechênia, não entendia por que Grachyov não conseguira chegar a um entendimento com Dudaev. O motivo, naturalmente, era que Dudaev insistia num encontro pessoal com Yeltsin, e Korjakov se recusava a promover o encontro se não recebesse dinheiro. De fato, a brilhante operação militar na qual uma coluna blindada russa foi incendiada não fora organizada por Grachyov, mas pelo diretor do FSK, Stepashin, e pelo chefe do UFSB moscovita, Savostianov, encarregado das questões relacionadas à derrubada do regime de Dudaev e à introdução de tropas na Chechênia. Aqueles que denunciavam insistentemente o grosseiro erro dos comandantes militares russos, que haviam enviado a coluna blindada à cidade para ser destruída, ignoravam os sutis cálculos políticos dos provocadores que organizavam a guerra na Chechênia. Os homens que planejaram a introdução das tropas em Grozny queriam que a coluna fosse espetacularmente dizimada pelos chechenos. Só assim poderiam forçar Yeltsin a iniciar uma guerra contra Dudaev. Imediatamente depois do massacre da coluna blindada em Grozny, o presidente Yeltsin fez um apelo público aos russos envolvidos no confl ito na República da Chechênia, e o Kremlin começou a preparar a opinião pública para uma guerra iminente. Em entrevista à agência russa de informações Novosti, Arkady Popov, um consultor do centro de análises da presidência, anunciou que a Rússia poderia assumir um papel de “pacifi cador compulsório” na Chechênia, e que havia todas as indicações de que o presidente russo pretendia tomar medidas decisivas. Se o presidente decretasse estado de emergência na Chechênia, as autoridades russas poderiam recorrer a “uma forma de intervenção limitada, para promover o desarmamento de ambos os lados do confl ito mediante a introdução de um contingente limitado de tropas russas em Grozny” — exatamente o que se havia tentado no Afeganistão. Assim, depois de provocar o confl ito na Chechênia apoiando política e militarmente a oposição chechena, o FSK pretendia agora lançar uma guerra contra Dudaev, a pretexto de operações de pacifi cação. O lado checheno tomou o comunicado de Yeltsin como um “ultimato” e uma “declaração de guerra”. Um comunicado emitido pelo governo checheno confi rmava que a declaração russa e qualquer tentativa de levá-la a efeito iam “de encontro às normas do direito internacional”, dando ao governo da Chechênia “o direito de reagir com medidas adequadas para a proteção de sua independência e da integridade territorial de seu Estado”. Na opinião do governo da República da Chechênia, a ameaça de declaração de estado de emergência no território checheno por parte dos russos deixava claro “o indisfarçado desejo de dar prosseguimento a operações militares e interferir nas questões internas de outro Estado”. No dia 30 de novembro, Grozny foi submetida a ataques aéreos pela aeronáutica russa. A 1º de dezembro, o comando militar russo recusou autorização para a entrada na cidade de um avião transportando uma delegação de membros da Duma. A delegação desembarcou em Nazran, capital da Inguchétia, e seguiu por terra para Grozny, para um encontro com Dudaev. No percurso até a capital chechena, por volta das 14h de 1º de dezembro, oito aviões SU-27 efetuaram uma segunda investida contra a cidade, deparandose com intenso fogo antiaéreo. Os aviões bombardearam especifi camente o bairro em que Dudaev vivia. De acordo com o lado checheno, as forças antiaéreas derrubaram um deles. No dia 2 de dezembro, o presidente da Comissão de Defesa da Duma, Serguei Yushenkov, que estava à frente da comissão que chegara a Grozny, declarou que se valer da força nas relações russo-chechenas era um recurso fadado ao fracasso. Yushenkov também afi rmou que o contato direto in loco o convencera de que a negociação era a única maneira de resolver a situação criada e destacou que o lado checheno não estabelecera quaisquer precondições para as negociações. A opinião pública ainda estava do lado dos chechenos, mas a liderança do FSB já estava absolutamente convencida de que ela poderia ser manipulada pela utilização de atos de terrorismo atribuídos aos chechenos. No dia 5 de dezembro, o FSK comunicou aos jornalistas que mercenários estrangeiros haviam entrado na Chechênia pela fronteira e que, portanto, “não se pode mais descartar em outras regiões do país atividades de grupos terroristas que estão sendo infi ltrados na Rússia”. Foi este, da parte do FSK, o primeiro anúncio indisfarçado de que logo teriam início na Rússia atos de terrorismo “com pistas levando à Chechênia”. A essa altura, contudo, eles ainda falavam de infi ltração de agentes estrangeiros na Rússia, manobra certamente extraída das páginas dos velhos manuais do KGB soviético. Em 6 de dezembro, Dudaev declarou numa entrevista que a política da Rússia estava levando a um crescente sentimento islamista na Chechênia: “O recurso ao ‘trunfo checheno’ pode pôr em jogo os interesses globais dos países muçulmanos, o que poderia tornar impossível o controle dos acontecimentos. Uma terceira força acaba de surgir na Chechênia, os muçulmanos, que aos poucos estão assumindo a iniciativa.” Dudaev assim caracterizava o clima da movimentação em Grozny: “Já não somos os seus soldados, Sr. Presidente, somos soldados de Alá”, e resumindo: “A situação na Chechênia começa a sair do controle, o que me preocupa.” Como se estivesse respondendo a Dudaev, o ministro da Defesa russo, Grachyov, entregou-se a um exercício de relações públicas que assumiu externamente a forma de um gesto de paz, mas na realidade provocou uma nova escalada do confl ito. Grachyov propôs o desarmamento da oposição chechena liderada por Avturkhanov, que era fi nanciada, armada e tinha seus contingentes formados pelo FSK, com a condição de que os partidários de Dudaev concordassem em depor suas armas simultaneamente. Em outras palavras, estava sugerindo a Dudaev que os chechenos se desarmassem unilateralmente (já que não se propunha o desarmamento do lado russo). Naturalmente, o governo da República da Chechênia não aceitou a proposta. No dia 7 de dezembro, Grachyov encontrou-se com Dudaev, mas os entendimentos não frutifi caram. No mesmo dia, em Moscou, o Conselho de Segurança reuniu-se para tratar dos acontecimentos na Chechênia, e a Duma convocou uma sessão fechada, para a qual foram convidados os dirigentes dos departamentos governamentais responsáveis pelas forças armadas e outras agências de manutenção da ordem pública. Todavia, eles não compareceram à Duma, pois não queriam responder às perguntas dos parlamentares sobre a origem das ordens de recrutamento de membros das forças armadas russas e do bombardeio de Grozny. Hoje sabemos que o pessoal militar russo foi recrutado pelo FSK por ordem de Stepashin e que as diretivas de bombardeio de Grozny foram emitidas pelo Ministério da Defesa. Em 8 de dezembro, o lado checheno anunciou dispor de informações de que a Rússia se preparava para avançar com suas forças em território checheno e dar início a uma guerra total contra a república. Em entrevista coletiva realizada na Duma, em Moscou, no dia 9 de dezembro, o presidente da Comissão de Questões Federais e Política Regional do parlamento, Vladimir Lysenko, também presidente do Partido Republicano da Rússia, anunciou que, nesse caso, apresentaria uma moção para a destituição do governo russo. Em 8 de dezembro, a Comissão de Trabalho para Negociações por um Acordo no Confl ito na República da Chechênia logrou um acordo entre os representantes do presidente Dudaev e a oposição, segundo o qual às 15h do dia 12 de dezembro teriam início as negociações em Vladikarkaz. A delegação das autoridades federais russas para as negociações seria formada por doze membros, chefi ados pelo vice-ministro das nacionalidades e da política regional, Vyacheslav Mikhailov. A delegação de Grozny teria nove membros, chefi ados pelo ministro checheno da economia e das fi nanças, Taimaz Abubakarov. A oposição enviaria uma delegação de três membros, liderados por Bek Baskhanov, o promotor geral da Chechênia. Decidiu-se provisoriamente que os principais problemas a serem negociados entre Moscou e Grozny seriam o fi m do derramamento de sangue e o estabelecimento de relações normais. As negociações com a oposição chechena deveriam limitar-se a questões de desarmamento. Tudo isto aumentava as chances de preservação da paz, deixando o “partido da guerra” com muito pouco tempo até o dia 12 de dezembro. Na verdade, o anúncio feito pela Comissão de Trabalho por um Acordo no Confl ito Checheno determinou a data em que deveriam começar as operações militares por terra. Se as negociações de paz teriam início no dia 12, a guerra precisava começar no dia 11. A liderança russa não se eximiu de passar à ação: no dia 11 de dezembro, forças terrestres atravessaram a linha de demarcação e entraram na República da Chechênia, e nos primeiros dias os relatórios militares russos afi rmavam que não havia verdadeira resistência nem baixas. No dia 13 de dezembro, Soskovets já estabelecera suas principais linhas de ação e informou aos jornalistas que o custo total de implementação de medidas de normalização da situação na Chechênia poderia chegar a cerca de um trilhão de rublos. (Este era o total a ser inicialmente destacado do orçamento, a fi m de que pudesse ser sistematicamente desviado.) Ele acrescentou que a maior prioridade do governo era levar ajuda à população da Chechênia, cuidando-se particularmente de evitar que tal ajuda fosse perdida ou roubada (hoje sabemos com certeza que nenhuma ajuda jamais chegou à Chechênia, tendo sido integralmente perdida e roubada). Soskovets frisou que os membros da diáspora chechena, vivendo em Moscou e outras cidades russas, não deviam ser considerados necessariamente como possíveis terroristas. Note-se bem esta frase. Até então, ninguém sequer sonhara em considerar os membros da diáspora chechena como possíveis terroristas e ainda não houvera atentados terroristas. A guerra com a Chechênia ainda nem era considerada uma guerra, mas algo mais parecido com uma operação policial, e ainda não houvera muitas baixas. Mas o primeiro vice-primeiro-ministro, não se sabe bem por que, parecia considerar possível que os chechenos promovessem atentados terroristas em território russo. A observação de Soskovets de que não seriam aplicadas medidas discriminatórias coletivas contra cidadãos chechenos e de que as autoridades federais sequer consideravam a hipótese de uma deportação forçada de chechenos era uma evidente indicação, da parte do “partido da guerra”, de que seria movida uma guerra contra toda a população chechena em toda a Rússia, inclusive com medidas discriminatórias e deportações forçadas. O general Alexander Lebed, comandante do 14º Exército Russo em Pridniestrovie (região à margem do rio Dniester, na Moldávia), opunha-se ferozmente ao “partido da guerra”, pois sabia perfeitamente o que Soskovets dava a entender e o preço que a Rússia teria de pagar. Em entrevista telefônica de seu quartel-general em Tiraspol, ele declarou que “o confl ito checheno só pode ser resolvido por meio de negociações diplomáticas. Na Chechênia, estão sendo repetidos ponto por ponto os acontecimentos do Afeganistão. Corremos o risco de desencadear uma guerra com todo o mundo islâmico. Combatentes isolados poderão continuar eternamente incendiando nossos tanques e abatendo nossos soldados. Na Chechênia, demos um tiro no pé, exatamente como fi zemos no Afeganistão, o que é muito triste. Com reforços e bem munida, Grozny poderá oferecer longa e pertinaz resistência”. Lebed lembrou a todos que, na era soviética, Dudaev comandara uma divisão de bombardeiros estratégicos capazes de sustentar uma guerra em escala continental — e que “não se costuma nomear tolos” para posições como esta. A partir de 14 de dezembro, Moscou foi levada à beira do estado de alerta militar, e os moscovitas foram deliberadamente assustados com a perspectiva de um inevitável terrorismo checheno. Os organismos do Ministério do Interior intensifi caram a proteção das instalações vitais da cidade, e o pessoal do FSK passou a trabalhar no sentido de aperfeiçoar sua segurança. Muitas instituições ofi ciais passaram a ser guardadas por patrulhas policiais munidas de armas automáticas. O Ministério do Interior anunciou que tudo isso fora determinado pela ameaça do envio de grupos terroristas de Grozny a Moscou. Começaram a ser procurados os primeiros suspeitos de serem terroristas chechenos. Na noite de 13 de dezembro, o checheno Israil Getiev, nativo de Grozny e residente na cidade, fora detido por lançar fogos de artifício de Ano-Novo defronte do restaurante Praga, na Rua Nova Arbat, sendo encarcerado na delegacia do 5º distrito policial de Moscou. A essa altura, notícias dessa natureza ainda podiam fazer sorrir, mas a 14 de dezembro anunciou-se abruptamente que, depois de menos de três dias de operações militares, “já chegam a centenas as baixas de ambos os lados”. A coisa toda já deixava de ser motivo de riso. Em 15 de dezembro, revelaram-se as verdadeiras dimensões da operação que estava sendo lançada. Duas divisões de exército do distrito militar do norte do Cáucaso e duas brigadas de assalto em formação plena avançavam em direção a Grozny, juntamente com subunidades do Ministério do Interior. Regimentos compostos também entravam no território da Chechênia com contingentes das divisões de forças aerotransportadas de assalto (VDV) de Pskov, Vitebsk e Tula, com 600 a 800 homens em cada uma delas. Na região de Mozdok, tivera início o desembarque de regimentos compostos das divisões de VDV de Ulyanovsk e Kostroma. A aproximação de Grozny se dava através de quatro principais linhas de avanço: uma pela Inguchétia, duas a partir de Mozdok e uma pelo Daguestão. As forças russas preparavam-se para atacar a cidade. Do lado checheno, segundo informações do Ministério do Interior russo e do FSK, mais de 13.000 homens armados haviam sido mobilizados em Grozny e ao redor da cidade. Yeltsin aproximava-se da beira de um abismo. Numa sessão do Conselho de Segurança realizada em 17 de dezembro sob sua presidência, foi passado em revista um plano para “a aplicação de medidas destinadas a restabelecer a legalidade constitucional, o império da lei e a paz na República da Chechênia”. O Conselho de Segurança incumbiu o Ministério da Defesa (Grachyov), o Ministério do Interior (Viktor Yerin), o FSK (Stepashin) e o Serviço Federal de Fronteiras (Nikolaev) de recorrer a todos os meios possíveis para desarmar e destruir grupos armados ilegais na Chechênia e garantir as fronteiras administrativas e de Estado da República da Chechênia. O trabalho seria coordenado por Grachyov. Este dia assinalou o fi m do período liberal-democrático na Rússia. O presidente Yeltsin cometera suicídio político. No dia 17 de dezembro, o Ministério de Relações Exteriores russo anunciou que, a partir da zero hora de 18 de dezembro, forças dos ministérios do Interior e da Defesa seriam obrigadas a entrar em ação decisivamente e recorrer a todos os meios a seu dispor para restabelecer a legalidade constitucional e o império da lei no território da Chechênia. Os grupos de bandidos seriam desarmados e, se oferecessem resistência, dizimados. A declaração do Ministério do Interior afi rmava que a população civil da Chechênia fora informada da urgente necessidade de deixar Grozny e outros centros populacionais onde houvesse grupos rebeldes. O Ministério do Interior recomendava enfaticamente a cidadãos e jornalistas estrangeiros que se encontravam na zona de hostilidades que deixassem Grozny em busca de áreas seguras. (Apesar das advertências da liderança russa, a maioria dos jornalistas estrangeiros permaneceu em Grozny, e no hotel The French Courtyard, onde se hospedavam, eram como sempre escassos os quartos disponíveis.) No mesmo dia, Soskovets anunciou que o presidente Dudaev fora convocado a Mozdok para se encontrar com uma delegação do governo russo chefi ada pelo vice-primeiro-ministro Nikolai Yegorov e o diretor do FSK, Stepashin. Soskovets declarou que se Dudaev não fosse a Mozdok, as forças russas entrariam em ação em conformidade com as normas para a eliminação de grupos armados ilegais, anunciando também que os gastos com as operações da semana que acabava de transcorrer chegavam a sessenta bilhões de rublos por parte do Ministério do Interior e 200 bilhões de rublos pelo ministério da Defesa. Quatro horas antes de expirar o prazo, às oito da noite de 17 de dezembro, Dudaev fez sua última tentativa de evitar a guerra, comunicando por telegrama à liderança russa que estava de acordo em “iniciar negociações no nível adequado sem precondições e chefi ar pessoalmente a delegação governamental da República da Chechênia”. Em outras palavras, Dudaev mais uma vez solicitava um encontro com Yeltsin, mas, como insistia em se recusar a pagar para que o encontro fosse providenciado, seu telegrama fi cou sem resposta. Às nove da manhã do dia 18 de dezembro, as tropas russas que bloqueavam Grozny começaram a invadir a cidade. Unidades da força aérea e helicópteros do exército desfecharam “golpes de precisão contra o posto de comando de Dudaev em Khankala, perto de Grozny, contra as pontes sobre o rio Terek, ao norte, e também contra grupos de veículos blindados”. Um comunicado do Centro Provisório de Informação do Alto Comando Russo afi rmava que, após a destruição dos veículos blindados, o plano consistia em levar as forças que bloqueavam Grozny a avançar e proceder ao desarmamento dos grupos armados ilegais no território da Chechênia. O representante plenipotenciário do presidente Yeltsin na Chechênia anunciou que Dudaev não tinha agora outra alternativa senão render-se. No dia 18 de dezembro, Soskovets, nomeado para mais um cargo — comandante do quartel-general operacional do governo russo para a coordenação das agências das autoridades executivas —, informou à imprensa que “eles estão estudando a possibilidade”, em Grozny, de promover atentados terroristas contra alvos civis e militares na Rússia central e nos Urais e também de seqüestrar um avião de passageiros. A informação incrivelmente detalhada do primeiro vice-primeiro-ministro era, na verdade, uma indicação de que se podiam esperar atentados terroristas em poucos dias. Em 22 de dezembro, a assessoria de imprensa do governo da Federação Russa afi rmava que os chechenos estavam se suicidando com bombas para pôr a culpa em explosões promovidas pelo exército russo. Dizia o comunicado: Hoje, às 10 horas da manhã, o primeiro vice-presidente do governo, Oleg Soskovets, presidiu uma reunião à qual compareceram membros do governo, do Conselho de Segurança e representantes do gabinete da presidência. Na reunião, foram debatidas a situação na República da Chechênia e as medidas que estão sendo tomadas pelo presidente e o governo para restabelecer a legalidade constitucional e fornecer ajuda econômica à população das áreas liberadas do controle das formações armadas do regime Dudaev. Os relatos apresentados pelos presentes na reunião indicam que tiveram prosseguimento na noite de ontem as operações para desarmar os contingentes armados dos bandidos, sendo as suas posições bombardeadas. A cidade de Grozny não foi submetida a bombardeios. No entanto, os guerrilheiros tentaram imitar o bombardeio de bairros residenciais. Por volta de uma hora da manhã, um prédio de escritórios e um bloco de apartamentos foram explodidos. Os residentes, tanto chechenos quanto russos, não foram avisados sobre o ataque. A imitação de bombardeios foi promovida para demonstrar a tese de “uma guerra da liderança russa contra o povo checheno”. Esta tese foi defendida ontem no “apelo à comunidade internacional” feito por Dudaev. Em outras palavras, a assessoria de imprensa do governo russo tentava responsabilizar os chechenos pela destruição, pelas forças russas, de um prédio de escritórios e de um bloco de apartamentos onde se encontravam civis. Iniciativa de Soskovets, esse comunicado, vazado em prosa stalinista, foi dado a público um dia antes da explosão entre as estações de Kojukhovo e Kanatchikovo, na ferrovia circular de Moscou (não houve vítimas nem foram identifi cados os terroristas). O dia 23 de dezembro pode ser considerado o início da campanha terrorista do FSB contra a Rússia. A partir de então, os atentados terroristas se tornaram rotineiros.

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