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A Face da Guerra (Cód: 2620616)

Gelhorn,Marta

Objetiva

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Descrição

A Face da Guerra é uma seleção de reportagens enviadas pela correspondente internacional Martha Gellhorn diretamente dos campos de batalha da Espanha, em 1937, da Segunda Guerra Mundial, do Vietnã, da Guerra dos Seis Dias, das guerras na América Central e da invasão norte-americana do Panamá, em 1990.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573027051
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788573027051
Profundidade 1.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2009
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 416
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorGelhorn,Marta

Leia um trecho

A GUERRA NA ESPANHA No verão de 1936, eu estava fazendo pesquisas para um romance na Weltkriegsbibliothek de Stuttgart. Os jornais nazistas começaram a falar sobre confl itos na Espanha. Não falavam sobre guerra: a impressão que tive era de que se tratava de uma turba sanguinária atacando as forças da decência e da ordem. Essa horda espanhola, que nada mais era que a República da Espanha democraticamente eleita, era sempre chamado de “Cães Vermelhos Abjetos”. Os jornais nazistas tinham uma utilidade concreta: podia-se ser pró qualquer coisa que eles fossem contra. Pouco depois de completar 21 anos, eu fui trabalhar na França e lá tornei-me parte de um grupo de jovens pacifistas franceses. Tínhamos em comum a pobreza e nossa paixão. Nosso objetivo na vida era enxotar os velhos perversos, que claramente nos arrastavam para mais uma guerra. Acreditávamos que não havia possibilidade de paz na Europa sem uma reaproximação franco-germânica. Nosso raciocínio estava certo, mas aí chegaram os nazistas. Conhecemos os jovens nazistas em 1934, em Berlim. Na fronteira, a polícia alemã havia entrado no trem, parado no nosso vagão de terceira classe e confiscado nossos jornais. Apesar de não representarmos ninguém além de nós mesmos, líamos e discordávamos de todas as opiniões, dos monarquistas aos socialistas, passando pelos reformistas liberais (eu). Para variar, nos unimos ao considerar a apreensão dos jornais uma afronta. Ao descermos do trem, formamos nosso costumeiro bando de maltrapilhos falantes, sempre discutindo tudo. Fomos recebidos pelos jovens nazistas, organizados numa impecável formação loura trajando cáqui. Ficou claro que, juntando todos, eles possuíam o equivalente a um cérebro de papagaio, e não gostávamos deles. Fizemos um esforço sincero para justifi car o que faziam: tentamos acreditar que eram socialistas, conforme eles afirmavam, e não nacional-socialistas. Depois de ambas as guerras mundiais, sentir pena dos alemães derrotados pareceu natural para muitas pessoas; naquela época eu era uma delas. Mas eu era também uma pacifista, e observar os acontecimentos com meus próprios olhos interferia em minhas convicções. Em 1936, já não adiantava me agarrar a convicções: eu via como eram e o que estavam tramando aqueles agressivos grosseirões nazistas. Mas lá estava eu, com uma determinação infeliz, fazendo pesquisas para um romance sobre jovens pacifi stas na França. Permaneci alguns meses na Alemanha, discutindo liberdade de pensamento, direitos individuais e a situação dos Cães Vermelhos Abjetos da Espanha com qualquer um que ainda tivesse coragem de discutir tais temas. Depois voltei para os Estados Unidos, terminei o livro, enfi ei-o numa gaveta para sempre e comecei a pensar em como poderia chegar à Espanha. Eu havia deixado de ser uma pacifi sta e me tornara uma antifascista. No final de 1937, as democracias ocidentais haviam proclamado a doutrina da não-intervenção, o que, em termos práticos, significava que pessoas e suprimentos não poderiam entrar livremente no território da República Espanhola. Procurei as autoridades francesas em Paris para conseguir os carimbos e documentos necessários para sair do país. Conforme já terá percebido qualquer um que tenha tido contato com um deles, o funcionário público francês é um boçal diplomado. Fica alheio, sentado atrás do seu guichê rabiscando garranchos com a tinta desbotada de sua afi ada caneta governamental. Não devo ter me saído bem com esse sujeito, pois me lembro apenas de abrir um mapa, tomar um trem, descer na estação mais próxima à fronteira entre Andorra e a Espanha, caminhar um pequeno trecho entre um país e outro e então tomar outro trem — uns vagõezinhos antigos e frios, cheios de soldados republicanos que voltavam para Barcelona de licença. Eles mal pareciam soldados, vestidos como podiam. Era evidente que neste exército cada um tinha de cuidar da própria alimentação, já que o governo não tinha condições de fazê-lo. Eu estava num vagão de madeira junto com seis rapazes que comiam lingüiça de alho e pão feito de pedra moída. Eles me ofereceram comida, cantaram e gargalharam. Toda vez que o trem parava, outro rapaz, possivelmente o comandante, enfiava a cabeça pela porta do vagão e dava instruções aos rapazes. Imagino que estivesse instruindo os soldados a se comportarem de modo exemplar. Eles se comportavam exemplarmente, mas não sei o que diziam porque eu não falava espanhol. Barcelona estava ensolarada e festiva com suas faixas vermelhas. O motorista de táxi se recusou a receber pela corrida — parecia que tudo era de graça. Parecia que todos eram irmãos. Considerando que poucas pessoas tiveram a oportunidade de viver num ambiente assim, mesmo por apenas alguns minutos, posso dizer que é o ambiente mais agradável que existe. Fui passada de uma pessoa para outra com alegria e gentileza, como se fosse um pacote. Andei em caminhões e em carros lotados de gente. Por fim, depois de passar por Valência, chegamos de noite a Madri, que era imensa, estava fria e completamente às escuras, com as ruas silenciosas e perigosas marcadas com os buracos deixados pelas bombas. Tudo isso aconteceu no dia 27 de março de 1937, data que encontrei num caderno de anotações. Até aquele momento, eu ainda não tinha tido a sensação de estar no meio de uma guerra, mas agora eu sabia que estava. É uma sensação difícil de descrever. A cidade inteira transformada num campo de batalha, esperando na escuridão. Havia sem dúvida uma sensação de medo e coragem, que nos obrigava a andar com cuidado, a ouvir atentamente — uma sensação que elevava o coração. Em Nova York, um homem simpático e espirituoso, que na época era editor da Collier’s, havia me dado uma carta. O texto dizia, a quem pudesse interessar, que a portadora, Martha Gellhorn, era correspondente especial da Collier’s na Espanha. A carta foi escrita com a intenção de me ajudar, caso as autoridades estranhassem minha presença na Espanha ou a razão pela qual eu estava tentando chegar lá. Afora isso, não tinha valor algum. Eu não estava ligada a nenhum jornal ou revista. Acreditava que tudo o que se podia fazer numa situação de guerra era ir até lá numa demonstração de solidariedade e ser morto, ou ter a sorte de sobreviver até a guerra terminar. De acordo com as minhas leituras, isso tinha acontecido nas trincheiras da França. Estavam todos mortos ou então feridos demais para serem transferidos para outro local. Não sabia que era possível ser o que me tornei, uma turista de guerras que saía ilesa. Uma mochila e cerca de 50 dólares eram o meu equipamento para ir à Espanha. Qualquer coisa mais do que isto me parecia desnecessária. Grudei nos correspondentes de guerra, homens experientes que tinham coisas realmente sérias a fazer. Já que as autoridades lhes ofereciam transporte e passes militares (era muito mais difícil conseguir transporte do que obter permissão para acompanhar os acontecimentos — era uma guerra visível, íntima), circulei pelas frentes de batalha dentro da cidade e nos arredores de Madri. Ainda assim, não fi z nada além de aprender um pouco de espanhol, um pouco sobre a guerra, indo visitar os feridos na tentativa de diverti-los ou distraí-los. Era um esforço insatisfatório e, um dia, semanas após minha chegada a Madri, um amigo jornalista comentou que eu deveria escrever. Era a única maneira de servir à Causa — nome solene dado pelos espanhóis à guerra na República e adotado carinhosamente por nós. Afi nal, eu não era uma escritora? Mas como é que eu poderia escrever sobre a guerra? O que é que eu sabia sobre o assunto e para quem eu iria escrever? Para começo de conversa, de que era feita uma reportagem? Não era preciso que algo gigantesco e definitivo acontecesse para se começar a escrever um artigo? Meu amigo jornalista sugeriu que eu escrevesse sobre Madri. E que interesse teria isso para alguém? — perguntei. Era apenas vida cotidiana. Ele ressaltou que não era o cotidiano de todo mundo. Enviei meu primeiro artigo sobre Madri para a Collier’s pelo correio sem a expectativa de que fosse publicado; mas como eu tinha aquela carta, sabia o endereço da Collier’s. Eles aprovaram o texto e, depois da minha segunda matéria, colocaram meu nome no expediente. Eu soube disso por acaso. Uma vez constando do expediente, ficou claro que eu me tinha me tornado uma correspondente de guerra. Foi assim que começou. Esta é a oportunidade de expressar minha gratidão a uma revista que já não existe mais e a Charles Colebaugh, o editor que a chefi ava na época. Graças à Collier’s, tive a oportunidade de ver a vida do meu tempo, que foi a guerra. Eles nunca cortaram nem alteraram nada do que eu escrevi. Entretanto, inventaram títulos para quase todos os meus textos. Eu não gostava dos títulos que eles davam, e não vou usá-los aqui, mas este foi o preço irrisório que paguei pela liberdade que a Collier’s me deu. Durante oito anos, pude ir para onde quis, quando quis, e pude escrever o que testemunhei. O aspecto novo e profético da guerra na Espanha foi a vida dos civis, que fi cavam em suas casas e tiveram a guerra trazida até eles. Selecionei três reportagens sobre essa guerra do século XX que se desenrolou na cidade. O povo da República da Espanha foi o primeiro a sofrer com a totalidade implacável da guerra moderna. Durante vinte anos, defendi a Causa da República da Espanha por menor que fosse a provocação, e estou cansada de explicar que a República Espanhola não era nem um bando de comunistas sanguinários, nem um fantoche da Rússia. Há tempos parei também de repetir que os homens que lutaram e morreram pela República — qualquer que fosse sua nacionalidade, não importava quem fossem, comunistas, anarquistas, socialistas, poetas, encanadores, profi ssionais de classe média ou um príncipe abissínio — eram corajosos e abnegados, pois a Espanha não oferecia recompensas. Eles lutaram por todos nós contra a força combinada do fascismo europeu. Eles mereciam nosso agradecimento e nosso respeito, mas não receberam nem uma coisa nem outra. Na época, eu achava (e ainda acho) que as democracias ocidentais tinham duas obrigações inquestionáveis: preservar a própria honra, ajudando uma democracia jovem e ameaçada, e salvar a própria pele, lutando imediatamente contra Hitler e Mussolini na Espanha, em vez de adiar para mais tarde, quando o custo em sofrimento humano seria incalculavelmente maior. Esse debate foi inútil, durante e depois da Guerra Espanhola. O cuidadosamente construído preconceito contra a República da Espanha permanece impermeável à ação do tempo e dos fatos. Todos nós que acreditamos na Causa da República vamos chorar, para sempre, a derrota dessa República e a morte de seus defensores, e vamos continuar a amar a terra da Espanha e um povo lindo que está entre os mais nobres e desafortunados do mundo. Londres, 1959

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