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A Harmonia do Mundo (Cód: 1433976)

Gleiser, Marcelo

Cia Das Letras

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Descrição

Misturando reminiscências do mestre aos diários que Kepler lhe enviou pouco antes de morrer, este belo romance histórico reconstrói a trajetória de um pesquisador determinado, rumo a uma nova astronomia e sua obra-prima, 'A Harmonia do Mundo' - síntese do conhecimento humano com que Kepler pretendeu demonstrar a perfeição da obra divina, da geometria à música, da astrologia à astronomia.

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Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Cia Das Letras
Cód. Barras 9788535908893
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8535908897
Profundidade 2.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2006
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 328
Peso 0.40 Kg
Largura 14.00 cm
AutorGleiser, Marcelo

Leia um trecho

[…] Uma sensação de calor bem acima da costela direita interrompeu os pensamentos do mestre. Era o diário que o chamava. Antes de abri-lo, procurou localizar uma vez mais os estudantes. Curiosamente, viu apenas três deles ao longe. O quarto, aquele de compleição frágil, desaparecera. 15 de fevereiro de 1599 Sinto-me um prisioneiro, trancado numa cela sem janelas nem teto. Enquanto apodreço, um tribunal invisível, que não me escuta, decide meu destino. Só o que posso fazer é olhar para cima, para os céus. As cartas que tenho trocado com Herwart são minha única salvação, a luz que dispersa as trevas ao redor. O interesse dele por astronomia, pela relação entre eventos históricos e eventos celestes, mantém minha mente viva, abre novos caminhos para investigações futuras. Claro, tenho também Koloman, meu caro amigo, para conversar sobre assuntos mais práticos, e Bárbara e Regina, para lembrar-me dos laços familiares e das coisas simples porém não menos importantes da vida. Nas ruas reina o mais completo caos, estou convencido de que o pior ainda está por vir, temo por minha vida. O ventre de Bárbara cresce a cada dia. Deus zele por essa criança. Não sei se minha mulher suportaria outra perda. O inverno tem dificultado a vida de todos. O dinheiro de Bárbara, concentrado em imóveis, está desaparecendo rapidamente, por causa dos impostos absurdos sobre as propriedades pertencentes a luteranos. Estão fazendo de tudo para tornar insuportável nossa vida aqui. Maestlin não responde mais às minhas cartas, aos meus pedidos de emprego, o que quer que seja, em Tübingen ou mesmo em Württemberg. Só o que obtive dele foi um pronunciamento absurdo afirmando que a Igreja Católica está a serviço do Diabo, tentando destruir os luteranos. Como sofro ao ver meu que-rido mestre, homem conhecido por sua clareza de pensamento e pela força de seu intelecto, sucumbir à propaganda e ao extremismo religioso que corrói nossa Alemanha. Por que me abandonou assim? Será que minhas idéias são tão ameaçadoras? Evito sair, evito ver o que se passa lá fora, a censura, as torturas, as execuções públicas. Enquanto o mundo segue afundando nas tenebrosas águas da intolerância, busco com energia redobrada as verdades que Deus imprimiu nos céus, verdades imunes à estupidez humana. Busco a harmonia secreta que controla tudo o que existe no cosmo. Harmonia! Os pitagóricos já sabiam que a estrutura mais íntima do mundo vem da combinação de música e movimento. É essa a revelação que tenho de encontrar, o êxtase vislumbrado por Pitágoras. Meu Mistério foi apenas um modesto primeiro passo em direção ao meu destino: desvendar a mente de Deus. Quando olho para os céus, não vejo as paredes da minha cela, cada vez mais próximas. Ah, como a fraqueza dos homens é ridícula, desprezível, quando vista do altar eterno da harmonia cósmica! Maestlin interrompeu a leitura e ergueu os olhos. Viu o sol, que brilhava com intensidade, já na metade de seu arco, cada dia mais alto, através do firmamento. Viu a sombra espectral da lua crescente, uma mancha sutil no fundo azul, suas imperfeições plenamente visíveis, as mesmas que os aristotélicos diziam ser vapores atmosféricos, os luteranos, os pecados dos homens condensando-se nos céus, e Galileu, a sombra de vales e montanhas como os que temos aqui na Terra. Maestlin sabia que Kepler concordava com o italiano, ou com quem quer que discordasse das posições peripatéticas. Quanto a ele, por toda a vida tinha medido os céus sem se preocupar com as causas por trás dos movimentos. Nunca teria ousado voar tão alto, questionar o estabelecido. E, ainda que o tivesse feito, jamais teria elaborado a pergunta certa, a que levaria ao novo... Veio-lhe à mente a imagem de um cavalo preso por rédeas e com viseiras que só lhe permitiam olhar para a frente. A vida inteira o animal trotou para cima e para baixo na mesma estrada, sem ver a relva viçosa dos campos em volta. Às vezes, quando o vento soprava até ele o perfume fresco do pasto, o pobre, tremendo de prazer, punha-se a trotar na sua direção. Contudo, o chicote do dono rasgava-lhe a carne, forçando-o a continuar na estrada. Um dia, depois de anos de servidão, quando as pernas do bicho já estavam tão cansadas que mal se moviam, suas viseiras e rédeas foram finalmente retiradas. Mas era tarde. Ao ver o que o cercava, o que sempre o havia cercado, o cavalo sofreu um choque tão grande, que caiu morto. Maestlin sentiu-se amaldiçoado por não ter morrido ainda. 21 de julho de 1599 Que mais pode acontecer para desgraçar minha existência? Que fiz para merecer tal punição? Minha pobre Susanna, tão fraquinha, pereceu após somente trinta e oito dias, consumida por uma febre. Bárbara está perdida em sua melancolia, incapaz de comunicar-se, quase não come; é praticamente uma morta viva. Regina, assustada e confusa, agarra-se a mim, sem saber o que fazer. Como poderia entender tanto sofrimento? Não foi apenas em frente à minha casa que o Diabo amarrou seu cavalo. Calamidades e pestilência vêm ocorrendo em toda parte. Na Hungria, pessoas têm sido afligidas por uma misteriosa doença que provoca feridas avermelhadas em forma de cruz no corpo inteiro. Alguns relatos dizem que manchas semelhantes, pintadas pelo anjo da morte, apareceram também na porta das casas dos doentes. Que eu saiba, sou o primeiro em Graz a sofrer do mesmo mal: ontem vi uma ferida em forma de cruz em meu pé esquerdo, no começo vermelha e agora amarelada. Não é esse o símbolo do Judeu Errante, condenado a vagar pela Terra até o dia do Juízo Final? Será esse o meu destino? As autoridades católicas apertam o cerco a cada dia. Negaram-me o direito de enterrar minha filhinha segundo os ritos luteranos. E, quando descobriram que desobedeci à ordem, obrigaram-me a pagar uma multa de cinco coroas pela "transgressão"! A quantia era ainda maior inicialmente, dez coroas; só consegui diminuí-la depois de protestar muito. Um ultraje! Que sua pobre alma possa descansar em paz. Preciso sair daqui, encontrar refúgio em algum outro lugar antes que seja tarde. A luz da razão tem de continuar a brilhar, não pode ser ofuscada pela ignorância dos homens. Está na hora de escrever uma carta a Tycho, lembrando-lhe seu convite... Meu único consolo é o trabalho. Tenho passado os dias no escritório, mergulhado em cálculos com intensidade proporcional à da dor que insiste em querer destruir minha vida. No capítulo 10 do livro I de Sobre as revoluções, Copérnico escreveu que uma das vantagens do sistema heliocêntrico é revelar "uma maravilhosa comensurabilidade no arranjo dos céus, uma harmonia expressa na relação entre os movimentos dos planetas e suas distâncias ao Sol, que não é encontrada em nenhum outro arranjo". Ele havia entendido que o conceito-chave na construção do cosmo é a harmonia, o casamento entre a geometria e o movimento. A isso, acrescento que o fato de sermos capazes de perceber a beleza dos padrões geométricos, de sermos enfeitiçados por eles, não é uma coincidência: fomos criados assim para que nossa mente pudesse ler a escrita divina. Deus pôs uma centelha de Sua luz criadora em nossas almas, iluminando-as com a chama da geometria. Agora é claro para mim por que Pitágoras tanto buscou as harmonias do mundo. Não foi ele quem descobriu que, quando duas cordas são soadas conjuntamente e seus comprimentos estão na proporção correta, seus sons ressoam em harmonia? Não era ele capaz de ouvir essa mesma harmonia ressoando em tudo o que existe, das oscilações do relvado ao vento à coreografia das esferas celestes? A chave do mistério cósmico está na música. É ela que faz a alma ressoar em harmonia, transformando geometria em sensação, criando uma ponte entre o mundo das Formas Puras e o mundo dos homens. Nós a sentimos presente nos ritmos das danças e nas batidas dos tambores, nas rimas do poeta e na imensa variação de cheiros e gostos, nas proporções dos prédios e das estátuas, na intensidade do amor, do ódio e de todos os sentimentos. É essa a ligação que procuro, a lei universal que expressa a harmonia entre cosmo e alma, a dança do ser e do devir. Os planetas oferecem a primeira pista, encontrada no significado astrológico de seus aspectos: 0º, 60º, 90º, 120º e 180º. Apenas em ângulos bem determinados, harmônicos, existe uma ressonância entre a posição dos corpos celestes e nossas almas, exatamente como a encontrada nas cordas, que vibram em consonância somente em certas proporções: 1:2, 2:3, 3:4, 4:5 etc., mas não, por exemplo, 5:7 ou 7:8. Será, portanto, tão absurdo imaginar que nossas almas são feitas de cordas, não aquelas reais, mas aquelas feitas de um material imponderável, etéreo, capazes de ressoar com a música das esferas, de vibrar apenas em determinados arranjos? Qual outra explicação para a astrologia, qual outra justificativa teria ela se não a de ser expressão dessa harmonia cósmica? Aos meus críticos, incluindo Herwart von Hohenburg, o qual afirma que isso tudo não passa de adivinhação inspirada, digo que minhas idéias não têm nada de misticismo numérico; ao contrário, insisto que elas revelam a ordem que vemos no mundo, resultando da cuidadosa aplicação de princípios geométricos. Sei que um dia encontrarei o que procuro, a Lei Harmônica, a harmonia do mundo. Recentemente, comparei a escala das notas musicais baseadas nas harmonias pitagóricas com as razões das velocidades máximas e mínimas dos planetas em torno do Sol. Os resultados não foram de todo absurdos, uma pista de que estou na direção certa. Se ao menos tivesse dados melhores, medidas mais precisas das posições planetárias, sei que triunfaria, sei que revelaria ao mundo a beleza da harmonia cósmica. Ah, como preciso de dados, dos dados de Tycho... Alguém bate à porta de minha cela. É Regina, dizendo que a mãe não saiu do quarto o dia inteiro e que não responde aos seus chamados... Vivemos todos em celas aqui: a minha, aberta para os céus, e a de Bárbara, para um desespero que parece não ter fim. Maestlin ouviu Maria chamá-lo, estava na hora de comer. Tentou mover-se, mas a má circulação paralisara-lhe as pernas. Olhou para o diário reverentemente antes de fechá-lo e pô-lo de volta no esconderijo. Maria foi ao encontro dele, levando uma bengala. Ajudou-o a levantar-se e disse algo que ele não ouviu. Só o que o velho mestre via era o cavalo, morto na beira da estrada, cercado pelos campos viçosos. Também era prisioneiro numa cela, procurando as harmonias que haviam lhe escapado, buscando entender por que ainda vivia e Kepler já morrera.

Avaliações

Avaliação geral: 5

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Gui recomendou este produto.
07/04/2016

Excelente

Uma leitura que te prende até o final. Excelente romance escrito pelo Marcelo Gleiser.
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