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A Herança de Ana Bolena (Cód: 2533398)

Gregory, Philippa

Record

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A Herança de Ana Bolena

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Descrição

No ano de 1539, a jovem Ana de Cleves é trazida da Alemanha para desposar Henrique VIII. Mas Catarina Howard e Jane Bolena, prima e cunhada, respectivamente, de Ana Bolena, também querem ocupar o trono mais alto da Inglaterra. A herança de Ana Bolena é a continuação de A irmã de Ana Bolena.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501081001
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 8501081000
Profundidade 1.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 476
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorGregory, Philippa

Leia um trecho

Jane Bolena, Blicking Hall, Norfolk, julho de 1539 Faz calor hoje, o vento sopra sobre as planícies e pântanos com o mau cheiro da peste. Em tempo como este, se meu marido estivesse ainda comigo, não ficaríamos presos a um lugar, observando um alvorecer plúmbeo e um pôr-dosol vermelho, sem lustro; estaríamos viajando com a corte do rei, avançando pelos descampados e planaltos de Hampshire e Sussex, a região rural mais fértil e mais bela de toda a Inglaterra, cavalgando as íngremes estradas montanhosas e avistando o mar. Sairíamos para caçar todo o amanhecer, almoçando sob a proteção das densas copas das árvores ao meio-dia e dançando no salão de alguma casa de campo à noite à luz amarela e bruxuleante das tochas. Éramos amigos das famílias mais eminentes da região, éramos os favoritos do rei, aparentados com a rainha. Éramos amados; éramos os Bolena, a família mais sofisticada e bela da corte. Ninguém era capaz de conhecer George sem desejá-lo, ninguém resistia a Ana, todos me cortejavam como passaporte para obter sua atenção. George era estonteante com seus cabelos e olhos escuros, sempre montado nos mais belos cavalos, sempre ao lado da rainha. Ana estava no auge de sua beleza e inteligência, tão sedutora quanto mel escuro. E eu estava sempre com eles. Os dois costumavam cavalgar juntos, competindo, emparelhados como amantes, e eu ouvia suas risadas acima do bater dos cascos quando passavam velozmente. Às vezes, ao vê-los juntos, tão imponentes, tão jovens, tão belos, não saberia dizer qual dos dois eu amava mais. A corte toda ficava admirada com os dois, com aqueles olhos Bolena, escuros, que sabiam flertar, com a sua vida de luxo: jogadores, amantes da aventura, mas também defensores ardorosos da Reforma da Igreja, tão audaciosos em sua leitura e pensamentos. Do rei ao auxiliar da cozinha, não havia uma só pessoa que não se deslumbrasse com os dois. Mesmo hoje, três anos depois, não consigo acreditar que não mais os veremos. Certamente, um casal tão jovem, tão cheio de vida, não pode simplesmente morrer, pode? Na minha cabeça, no meu coração, continuam cavalgando juntos, ainda jovens, ainda belos. E por que eu não desejaria apaixonadamente que isso fosse verdade? Só fazia três anos que não os via: há três anos, dois meses e nove dias foi a última vez que os dedos desatentos dele roçaram os meus, quando sorriu e disse: “Bom dia, esposa, tenho de ir, tenho de resolver tudo hoje.” Era uma manhã de maio e estávamos nos preparando para o torneio. Eu sabia que ele e sua irmã estavam com problemas, mas não sabia se eram graves. Todo dia da minha nova vida, caminho até a encruzilhada na aldeia, onde há um marco sujo assinalando a estrada para Londres. Distinto na lama e líquen, o entalhe diz: “Londres, 120 milhas.” É tão longe, tão longe. Todo dia me curvo e o toco, como um talismã, e depois retorno à casa do meu pai, que me parece muito pequena, depois de ter vivido nos maiores palácios do rei. Vivo da caridade do meu irmão, da boa vontade de sua mulher que não gosta de mim, de uma pensão de Thomas Cromwell, o agiota presunçoso, o novo grande amigo do rei. Sou uma vizinha pobre vivendo à sombra da suntuosa casa que antes me pertencia, uma casa Bolena, uma das muitas casas. Vivo calmamente, pobremente, como uma viúva sem casa própria, que nenhum homem quer. E é porque sou uma viúva sem casa que nenhum homem me quer. Uma mulher de quase 30 anos, com a expressão marcada pela decepção, mãe de um filho ausente, uma viúva sem perspectiva de se casar de novo, a única sobrevivente de uma família desafortunada, herdeira do escândalo. Meu sonho é que, um dia, essa sorte mude. Verei um mensageiro de libré dos Howard vindo por essa mesma estrada, me trazendo uma carta do duque de Norfolk, me chamando de volta à corte, dizendo que há trabalho para mim de novo: servir à rainha, segredos a cochichar, conspirações a tramar, a eterna vida hipócrita do cortesão, em que ele é um perito, e eu sou a sua principal discípula. Meu sonho é que o mundo vai mudar de novo, vai virar de cabeça para baixo, e nós ficaremos em cima, mais uma vez, e serei reintegrada. Salvei o duque uma vez, quando corremos grave perigo, e em troca, ele me salvou. Nossa grande tristeza foi não poder salvar os dois, os dois que agora cavalgam, riem e dançam somente em meus sonhos. Toco no marco mais uma vez e imagino que o mensageiro vai chegar amanhã. Ele estenderá um papel selado com o emblema dos Howard: fundo e brilhante na cera vermelha: “Mensagem para Jane Bolena, a viscondessa de Rochford”, dirá ele, olhando para a minha veste simples e a lama na bainha do meu vestido, minha mão manchada com o barro no marco de Londres. “Eu a receberei”, direi. “Sou ela. Tenho esperado por isso.” E a pegarei com minha mão suja: minha herança.

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