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A Interpretação do Assassinato (Cód: 1973839)

Rubenfeld, Jed

Companhia Das Letras

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Descrição

Em 29 de agosto de 1909, Sigmund Freud chega aos Estados Unidos acompanhado de seus discípulos Carl Jung e Sándor Ferenczi, para uma série de palestras que têm como intuito difundir a psicanálise no continente americano. No dia seguinte,Nova York amanhece com a notícia estarrecedora de que uma garota da alta sociedade foi torturada até a morte
em um luxuoso arranha-céu. Mais um dia, e surge uma segunda vítima, provavelmente do mesmo criminoso, embora
dessa vez ela tenha conseguido escapar com vida. Mas Nora Acton está sofrendo de histeria, perdeu a voz e não consegue
lembrar do que aconteceu na noite em que foi atacada.
Para ajudar a esclarecer o crime, a polícia de Nova York convoca um jovem psicanalista, que por sua vez pede ajuda
ao mestre Freud, em visita à cidade. Em meio a insinuantes sessões de análise, especulações teóricas sobre o caso e releituras da obra de Shakespeare, o jovem psicanalista leva às últimas conseqüências os pontos de contato entre o processo
psicanalítico e os métodos de investigação policial.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535910643
Altura 0.00 cm
I.S.B.N. 9788535910643
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 480
Peso 0.44 Kg
Largura 0.00 cm
AutorRubenfeld, Jed

Leia um trecho

1. A felicidade não tem mistérios. As pessoas infelizes são todas parecidas. Uma ferida antiga, um desejo negado, um golpe na vaidade, um lampejo de amor extinto pelo desprezo - ou, pior, pela indiferença - aderem a elas, ou vice-versa, e assim elas vivem todos os dias envoltas num véu de ontens. O homem feliz não olha para trás. Ele não olha para adiante. Ele vive no presente. Entretanto, é nisso que reside o problema. Existe algo que o presente jamais pode oferecer: um sentido. Os caminhos da felicidade e do sentido não são os mesmos. Para encontrar a felicidade basta que o homem viva apenas o momento; ele não precisa senão viver para o momento. Mas se deseja encontrar um sentido - um sentido para os seus sonhos, para os seus segredos, para a sua vida -, o homem deve se reinstalar em seu passado, por mais sombrio que seja, e viver para o futuro, por mais que seja incerto. Assim, a natureza acena a todos com a felicidade e o sentido, insistindo apenas para que escolhamos entre eles. De minha parte, sempre escolhi o sentido. Essa a razão, imagino, pela qual me vi à espera, em meio à canícula e à multidão, no porto de Hoboken, no final de tarde do domingo, 29 de agosto de 1909, do vapor George Washington da Norddeutsche Lloyd, vindo de Bremen, que trazia para as nossas costas o homem que eu mais desejava encontrar no mundo. Às sete horas não havia sinal do navio. Abraham Brill, meu amigo e colega na medicina, aguardava no porto pela mesma razão que eu. Ele mal se continha, atormentado, e fumava sem parar. O calor estava de matar, o ar denso pelo cheiro desagradável de peixe. Uma névoa incomum se alçava da água, como se o mar estivesse em ebulição. Buzinas soavam com força ao longe, nas águas mais profundas, de fontes invisíveis. Até mesmo as gaivotas lamentosas podiam ser somente ouvidas, e não vistas. Fui assaltado pelo pressentimento ridículo de que o George Washington teria atolado na neblina, com seus dois mil e quinhentos passageiros se afogando aos pés da Estátua da Liberdade. A noite caiu, mas a temperatura não cedeu. E nós esperamos. De súbito, o imenso navio branco apareceu - não como um ponto no horizonte, mas gigantesco, emergindo da névoa diante dos nossos olhos. O cais todo, com um suspiro coletivo, recuou ante a aparição. Porém o encantamento se quebrou com a explosão de gritos de trabalhadores do porto, o arremesso e a agarração de cordas, a agitação e o acotovelamento que se seguiram. Em minutos, cem estivadores descarregavam a embarcação. Brill gritou para que eu o seguisse e abriu caminho pela rampa. Suas tentativas de subir a bordo foram rechaçadas; ninguém podia entrar ou sair do navio. Uma hora se passou até que Brill agarrou a minha manga e apontou para três passageiros que desciam a ponte. O primeiro do trio era um cavalheiro distinto, imaculadamente arrumado, de cabelos e barba grisalhos, que eu reconheci de imediato ser o dr. Sigmund Freud, o psiquiatra vienense. No início do século XX, Nova York foi varrida por um paroxismo arquitetônico. Torres gigantescas chamadas arranha-céus se ergueram, uma depois da outra, mais altas que tudo que o homem havia construído antes. Numa inauguração na rua Liberty, em 1908, os manda-chuvas aplaudiram quando o prefeito McClellan afirmou que o Edifício Singer, quarenta e três andares de tijolos vermelhos e arenito azulado, era a estrutura mais alta do mundo. Dezoito meses depois, o prefeito teve de repetir a mesma cerimônia no Metropolitan Life, de cinqüenta andares, na rua 24. Porém, à mesma época, já se abria o espaço para o impressionante zigurate de cinqüenta e oito andares do sr. Woolworth, no centro da cidade. Em todos os quarteirões apareciam imensos esqueletos de aço onde no dia anterior havia apenas terrenos vazios. O estrondo e o alarido de escavadeiras a vapor jamais cessavam. A única comparação possível era com a transformação operada por Haussmann em Paris meio século antes, embora em Nova York não houvesse uma visão única nos bastidores, nenhum plano unificador, nenhuma autoridade disciplinadora. O capital e a especulação regiam tudo, despertavam energias fantásticas, especificamente americanas e individualistas. A masculinidade daquilo tudo era inegável. No solo, o arcabouço implacável de Manhattan, com suas duzentas ruas numeradas de leste a oeste e as doze avenidas de norte a sul, conferia à cidade um cunho de ordem retilínea abstrata. Acima disso, na imensidão das estruturas altaneiras, com suas ornamentações pavonescas, tudo era ambição, especulação, concorrência, dominação, até mesmo avidez - por altura, porte e, sempre, dinheiro. O Balmoral, no Boulevard - os nova-iorquinos, à época, se referiam à Broadway entre as ruas 59 e 155 como o Boulevard -, era um dos novos edifícios grandiosos. Sua própria existência era um risco. Em 1909 os muito ricos moravam em casas, não apartamentos. Eles "mantinham" apartamentos para as estadias breves ou sazonais nas cidades, mas não compreendiam como alguém poderia de fato morar num deles. O Balmoral era uma aposta: de que os ricos poderiam ser induzidos a mudar de idéia caso as acomodações fossem suficientemente opulentas. O Balmoral tinha dezessete andares, mais alto e imponente que qualquer edifício de apartamentos - que qualquer edifício residencial - construído antes dele. Suas quatro alas ocupavam um quarteirão inteiro. No hall de entrada, onde focas cabriolavam numa fonte romana, brilhava mármore de Carrara branco. Nos lustres de todos os apartamentos cintilava cristal de Murano. A menor habitação tinha oito quartos; a maior ostentava catorze dormitórios, sete banheiros, um grande salão de festas com um teto de seis metros de altura e serviço completo de camareiras. Ele era alugado pela espantosa soma de quatrocentos e noventa e cinco dólares por mês. O proprietário do Balmoral, o sr. George Banwell, gozava da situação invejável de não ter como perder dinheiro com ele. Os investidores haviam adiantado seis milhões de dólares para a construção, dos quais ele não retivera um centavo para si e repassara, escrupulosamente, toda a soma para a American Steel and Fabrication Company, a construtora. O proprietário dessa empresa, entretanto, também era o sr. George Banwell, e o custo real da construção foi de quatro milhões e duzentos mil dólares. Em primeiro de janeiro de 1909, seis meses antes da inauguração do Balmoral, o sr. Banwell anunciou que todos os apartamentos haviam sido alugados, com exceção de dois. O anúncio era pura invenção, mas foi considerado verdadeiro, e, assim, no espaço de três semanas, passou a sê-lo de fato. O sr. Banwell se assenhoreara da grande verdade de que a verdade, como edifícios, pode ser fabricada. O exterior do Balmoral pertencia ao período mais rebuscado da escola Beaux Arts. A linha do telhado era coroada por um quarteto de arcos de concreto, de quase quatro metros de altura, que envolviam painéis de vidro, um em cada canto da propriedade. Uma vez que essas grandes janelas em arco denotavam os quatro dormitórios principais do último andar, alguém do lado de fora poderia ter uma visão comprometedora do interior. De fato, na noite do domingo, 29 de agosto, a visão de fora da ala Alabaster teria sido verdadeiramente chocante. No interior se veria uma jovem esbelta, iluminada por uma dúzia de velas ardentes, pouco vestida, de formas perfeitas, com os pulsos atados sobre a cabeça e o pescoço envolvido por outra amarra, uma gravata masculina de seda branca, presa por uma mão forte, extremamente apertada, que a sufocava. O corpo todo brilhava no calor insuportável de agosto. As longas pernas estavam nuas, assim como os braços. Os ombros elegantes também estavam quase nus. A consciência da garota desvanecia. Ela tentou falar. Havia uma pergunta que ela tinha de fazer. Estava ali; depois desapareceu. Em seguida sobreveio de novo. "Meu nome", ela sussurrou. "Qual é o meu nome?"

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