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À Mesa Com Proust (Cód: 5514555)

Borrel,Anne; Naudin,Jean-Bernard; Senderens,Alain

Sextante / Gmt

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Descrição

“À Mesa com Proust” recria o universo de um dos maiores escritores franceses, um mago das palavras e dos sabores. Por meio de uma primorosa seleção de textos de Em busca do tempo perdido, o leitor acompanha a trajetória de vida de Marcel Proust, participando da intimidade das refeições em família e do requinte dos grandes salões parisienses. A reconstituição da atmosfera e das receitas da época é um convite para desfrutar de momentos privilegiados, testemunhas de uma arte de viver esquecida.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Sextante / Gmt
Cód. Barras 9788575429280
Altura 27.00 cm
I.S.B.N. 9788575429280
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Capa dura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 192
Peso 1.80 Kg
Largura 21.00 cm
AutorBorrel,Anne; Naudin,Jean-Bernard; Senderens,Alain

Leia um trecho

Encerrado em um quarto atapetado de cortiça, o escritor escreve febrilmente em seus cadernos. Às vezes, sai no meio da noite para oferecer aos amigos ceias suntuosas, em que apenas toca. De que vive esse recluso voluntário? Do que se alimenta? De palavras; de um banquete escrito, cuja fartura parece nunca se exaurir. Sua vida transborda perfumes, sabores; ele vive na plenitude de sua criação. Com uma minúcia mágica, o eremita do bulevar Haussmann se recorda; redescobre a exata nuance de uma sebe de espinheiro e, sobretudo, detalha com uma pena glutona os pratos deliciosos do passado. Pois tudo começou ali, de um paladar sutil e anódino que subitamente fez emergir de uma xícara de chá mundos antigos, que pareciam perdidos: ... Num dia de inverno, chegando eu em casa, minha mãe, vendo-me com frio, propôs que tomasse, contra meus hábitos, um pouco de chá. A princípio recusei e, nem sei bem por que, acabei aceitando. Ela então mandou buscar um desses biscoitos curtos e rechonchudos chamados madeleines, que parecem ter sido moldados na valva estriadade uma coquille de Saint-Jacques. E logo, maquinalmente, acabrunhado pelo dia tristonho e a perspectiva de um dia seguinte igualmente sombrio, levei à boca uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madeleine. Mas no mesmo instante em que esse gole, misturado com os farelos do biscoito, tocou meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira- me um prazer delicioso, isolado, sem a noção de sua causa. Rapidamente se me tornaram indiferentes as vicissitudes da minha vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, da mesma forma como opera o amor, enchendo-me de uma essência preciosa; ou antes, essa essência não estava em mim, ela era eu. Já não me sentia medíocre, contingente, mortal. De onde poderia ter vindo essa alegria poderosa? Sentia que estava ligada ao gosto do chá e do biscoito (...). E de súbito a lembrança me apareceu. Aquele gosto era o do pedacinho de madeleine que minha tia Léonie me dava aos domingos pela manhã em Combray (porque nesse dia eu não saía antes da hora da missa), quando ia lhe dar bom- -dia no seu quarto, depois de mergulhá-lo em sua infusão de chá de tília. (...) E logo que reconheci o gosto do pedaço da madeleine mergulhado no chá que me dava minha tia..., logo a velha casa cinzenta que dava para a rua, onde estava o quarto dela, veio como um cenário de teatro se colar ao pequeno pavilhão, que dava para o jardim, construído pela família nos fundos...; e com a casa, a cidade, da manhã à noite e em todos os tempos, a praça para onde me mandavam antes do almoço, as ruas onde eu ia correr, os caminhos por onde se passeava quando fazia bom tempo. E... todas as flores do nosso jardim e as do parque de M. Swann, e as ninfeias do Vivonne, e a boa gente da aldeia e suas pequenas residências, e a igreja, e toda Combray e suas redondezas, tudo isso que toma forma e solidez saiu, cidade e jardins, de minha xícara de chá. (No caminho de Swann) Em busca do tempo perdido, escrito por um doente submetido à dieta mais estrita, dissimula, entre outros ensinamentos, um tratado do paladar e um tratado do estilo. Em seu quarto austero, invadido pelo vapor das fumigações, tão semelhantes às da tia Léonie, Marcel Proust saboreia o sortimento inesgotável de sua memória. Ele se deixa levar, deleitado, pelo gosto que tem pelas palavras, material de suas recordações. Sua obra poderia ter o subtítulo: a cozinha considerada como uma das belas-artes. A arte de viver que evoca com uma sensualidade nostálgica é a de uma época em que os prazeres da mesa eram os fundamentos da vida familiar e mundana. A existência era pontuada por refeições cujo refinamento e prodigalidade fazem o leitor de hoje sonhar. Essas duas qualidades, aparentemente opostas, são marcas características do estilo de Proust: a profusão de imagens e a precisão extrema do detalhe. A cozinha é uma das chaves que abrem o labirinto sabiamente ordenado de Em busca do tempo perdido. Reviver a própria infância é possível graças a um sentido primitivo negligenciado pela maioria dos adultos: o paladar. Para a criança, o mundo continua a ser o vasto palácio das Mil e uma noites, onde tudo é comestível, mesmo o impalpável, onde até o quarto de tia Léonie se metamorfoseia e se torna apetitoso: Aquele ar era saturado da fina flor de um silêncio tão nutritivo, tão suculento que eu por ali só andava com uma espécie de gula, principalmente nas primeiras manhãs ainda frias da semana da Páscoa, quando melhor o saboreava pois acabava de chegar em Combray (...); e o fogo, cozinhando como a uma massa os aromas apetitosos de que se achava repleto o ar do quarto e já tinham sido trabalhados e “erguidos” pelo frescor úmido e ensolarado da manhã, folheava-os, dourava-os, enrugava-os, estufava- os, e deles fazia um invisível e palpável bolo provinciano, uma imensa torta em que, mal degustados os odores mais picantes, mais finos, mais respeitados, mas também mais secos do armário embutido, da cômoda, do papel de ramagem, eu sempre voltava, com uma cobiça inconfessa, a me besuntar no cheiro medíocre, pegajoso, insípido, indigesto e frutal da colcha de flores. (No caminho de Swann) Esse “devaneio gustativo” nos faz penetrar nos bastidores do romance. Para elaborar sua obra, Proust cozinhou, como a uma massa, os diversos ingredientes que a realidade lhe oferecia. Assim, Combray é o amálgama de dois lugares, Auteuil e Illiers, onde passou os melhores momentos de sua infância. Auteuil é a casa em que nasceu em 10 de julho de 1871, na rua La Fontaine, no 96; a casa, que hoje desapareceu para dar lugar à avenida Mozart, pertencia a seu tio-avô materno, Louis Weil. Na época áurea, a família se reunia no jardim para os longos bate-papos na obscuridade, que se tornarão as recordações de jantares e trocas de receitas de frango à caçadora. Lá estavam os avós maternos de Marcel, Adèle e Nathée Weil, o tio Georges, os primos Weil e as primas Crémieux, filhas e netas da figura eminente da família, o ministro Adolphe Crémieux. O professor Adrien Proust, pai de Marcel, não se demora muito nesse oásis campônio às portas de Paris. Este médico brilhante, chefe de clínica no hospital de la Charité, é designado a várias missões oficiais. Reside na rua Roy, no 8 (bulevar Haussmann), e, a partir de 1873, no bulevar Malesherbes, no 9, endereços de Proust “na cidade”. Mas é durante as longas noites ociosas no jardim de Auteuil que o menino pode usufruir a presença da mãe, Jeanne Weil; a menos que um convidado inoportuno a solicite, tirando-a dele e provocando o drama de se deitar sem o beijo materno, evocado desde as primeiras páginas de seu livro. Para ele, este alimento espiritual é inseparável de todos os outros, tão abundantes em Auteuil e em Illiers. Illiers é o berço da família Proust. A partir do século XVI, os ancestrais paternos de Marcel estão entre os notáveis desse pequeno burgo vizinho de Chartres. São merceeiros, comerciantes de velas e autoridades de Illiers. Adrien Proust, bolsista brilhante do liceu de Chartres, ao optar por estudar medicina em Paris, tornou-se o primeiro membro da família a deixar a região da Beauce. Seu pai, Louis Proust, previu o progresso e, com o surgimento da vela de estearina, criou um cirieiro próspero.

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