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A Rainha Normanda (Cód: 8620531)

Bracewell, Patricia

Arqueiro

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Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia.
Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa.
Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida.
Baseado em acontecimentos reais registrados na Crônica Anglo-saxã, “A Rainha Normanda” conduz o leitor por um período histórico fascinante e esquecido, no qual fantasmas vigiam os salões do poder, a mão de Deus está presente em cada ação e a morte é uma ameaça sempre à espreita.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580413779
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580413779
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Maria Luiza Newlands
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 400
Peso 0.41 Kg
Largura 16.00 cm
AutorBracewell, Patricia

Leia um trecho

Prólogo Véspera da Festa de Santa Hilda, novembro de 1001 Proximidades de Saltford, Oxfordshire Ela fez o circuito da clareira entre os carvalhos, três vezes ao redor e três vezes de volta, sussurrando feitiços de proteção. Houvera um presságio naquela noite: uma cortina de luz vermelha brilhara e dançara no céu da meia-noite como seda escarlate lançada contra as estrelas. Certa vez, no ano anterior ao de seu nascimento, uma luz como aquela tinha assinalado a morte de um membro da realeza. Agora certamente assinalava outra, e, embora sua magia não pudesse banir a morte, ela entrelaçou feitiços enquanto andava em círculos para afastar desgraças que pudessem cair sobre o reino. Quando terminou sua tarefa, alimentou o fogo que ardia no centro do antigo anel de pedras que se erguia no meio da clareira e, sentando-se ao lado esperou aquela que viria em busca de profecia. Antes que o sol se deslocasse pela grossura de um dedo no céu, a figura de uma mulher, oculta por manto e véu, surgiu na parte mais alta do terreno, a mão pousada na pedra-sentinela. Lentamente, ela desceu pela trilha através das árvores, passou pela dança dos gigantes e também veio sentar-se junto ao fogo, com prata na mão. – Queria saber o destino de minha senhora – disse. A prata mudou de mãos e, sem querer, a vidente vislumbrou um coração, partido e estéril, que amava com um amor sombrio e pervertido. Mas a prata fora paga e, a um aceno seu, uma mecha de cabelo foi lançada às chamas. Ela procurou visões no fogo, e elas vieram em turba e atropelo até seus olhos doerem e seu coração ficar marcado. – Sua senhora será unida a um senhor poderoso – decretou ela, afinal –, e os filhos dela serão reis. No entanto, por causa das trevas naquele coração sobre o fogo, nada disse a respeito da outra, da dama que viria de longe, e dos dois fios de vida tão amarrados e emaranhados um no outro que seria impossível separá-los por uma vida inteira, ou para sempre. Não falou da terra verdejante que seria queimada e reduzida a cinzas nos dias vindouros, nem dos inocentes que morreriam, tudo pelo preço de um trono. Haveria presságios no céu outra vez naquela noite, ela sabia, e, lá no alto, as estrelas chorariam sangue. Esperou aquela que viria em busca de profecia. Antes que o sol se deslocasse pela grossura de um dedo no céu, a figura de uma mulher, oculta por manto e véu, surgiu na parte mais alta do terreno, a mão pousada na pedra-sentinela. Lentamente, ela desceu pela trilha através das árvores, passou pela dança dos gigantes e também veio sentar-se junto ao fogo, com prata na mão. – Queria saber o destino de minha senhora – disse. A prata mudou de mãos e, sem querer, a vidente vislumbrou um coração, partido e estéril, que amava com um amor sombrio e pervertido. Mas a prata fora paga e, a um aceno seu, uma mecha de cabelo foi lançada às chamas. Ela procurou visões no fogo, e elas vieram em turba e atropelo até seus olhos doerem e seu coração ficar marcado. – Sua senhora será unida a um senhor poderoso – decretou ela, afinal –e os filhos dela serão reis. No entanto, por causa das trevas naquele coração sobre o fogo, nada disse a respeito da outra, da dama que viria de longe, e dos dois fios de vida tão amarrados e emaranhados um no outro que seria impossível separá-los por uma vida inteira, ou para sempre. Não falou da terra verdejante que seria queimada e reduzida a cinzas nos dias vindouros, nem dos inocentes que morreriam, tudo pelo preço de um trono. Haveria presságios no céu outra vez naquela noite, ela sabia, e, lá no alto, as estrelas chorariam sangue. 1001 d.C. Nesse ano houve grande comoção na Inglaterra em consequência de uma invasão dos dinamarqueses, que espalharam terror e devastação por onde passaram, saqueando, queimando e arruinando o país... Levaram grande quantidade de espólio para seus navios, e seguiram depois para a ilha de Wight e nada os deteve; nenhuma esquadra ousou ir por mar ao seu encontro; nem muito menos forças terrestres. Então, de todas as formas foi um tempo difícil, porque eles nunca paravam de cometer suas maldades. — Crônica Anglo-Saxã Capítulo Um 24 de dezembro de 1001 Fécamp, Normandia Se alguém tivesse mantido esse tipo de registro, o inverno de 1001 no noroeste da Europa teria entrado para a história como o mais frio e inclemente em 75 anos. No final de dezembro daquele ano, uma tempestade vinda do norte do Ártico se desencadeou com terrível velocidade, varrendo toda a Europa, mas se abatendo com maior violência sobre os dois reinos que se defrontavam às margens do mar Estreito. Na Normandia, começou com uma queda brusca de temperatura e uma chuva gelada que banhou as preciosas árvores frutíferas no vale fértil do rio Sena. Rajadas de vento seguiram-se à chuva, arrancando frágeis galhos congelados e dispersando a promessa da colheita do verão seguinte sobre vastos campos cobertos de gelo. Durante um dia e uma noite inteiros a tempestade rugiu e, quando o pior passou, a neve fina caiu silenciosa como uma bênção sobre a paisagem assolada. De dentro da abadia, os monges de Jumièges e de Saint-Wandrille contemplaram a perda de sua colheita de maçãs, curvaram as cabeças e rezaram para aceitar a vontade de Deus. Camponeses, encolhidos juntos para se aquecer em precárias cabanas de madeira e temendo que o fim do mundo tivesse chegado, rezavam por libertação. No recém-construído palácio ducal de Fecamp, onde o duque Richard e sua família estavam reunidos para comemorar a temporada da Natividade de Cristo, a irmã do duque, Emma, de 15 anos, calçou em silêncio suas botas pesadas por cima das meias compridas de lã grossa e torceu para não acordar a irmã – em vão. – O que você está fazendo? A voz de Mathilde, áspera e num tom de reprovação de irmã mais velha, veio do ninho espesso de cobertas da cama. Emma continuou a puxar a bota. – Vou às estrebarias, lá embaixo – disse ela. Lançou um olhar de esguelha para a irmã, tentando avaliar seu humor. O cabelo castanho e fino de Mathilde estava preso numa trança apertada que conferia a ela um semblante repuxado, contraído, e intensificava a expressão carrancuda que ela dirigia à caçula. – Não pode sair com essa tempestade – ralhou Mathilde. – Vai ficar doente. Ia continuar a falar, mas foi sacudida por um repentino e violento ataque de tosse. Emma aproximou-se dela, pegou na mesa ao lado da cama a taça de vinho misturado com água e deu à irmã para beber. – Parou de nevar – disse, enquanto Mathilde dava um gole. – Vou ficar bem. Além disso, ao contrário dela, Emma raramente ficava doente, refletiu. Pobre Mathilde. Era uma falta de sorte ela ser a única filha miúda, morena e propensa a doenças. Todos os outros filhos de sua mãe – oito no total – eram gigantes louros e vigorosos. Quando Mathilde acabou de beber, Emma apanhou um xale que estava ao pé da cama e jogou-o por cima de sua cabeleira abundante, lustrosa. – Vai ver aquele seu cavalo detestável, imagino. – A voz de Mathilde soou quase como um grunhido gutural. – Não vejo por quê. Sabe Deus que todas aquelas criaturas são tão bem cuidadas quanto crianças. É maldade sua me deixar aqui sozinha. Emma, que amava a vida ao ar livre, adorava cavalos, cães e caçadas, e era mais feliz quando cavalgava pela costa normanda sob as altas falésias brancas do que em qualquer outra ocasião, achou melhor não tentar explicar o motivo de sua saída à irmã, que detestava todas aquelas coisas. Emma sentia pena por Mathilde estar doente e entediada, mas enlouqueceria se não pudesse respirar um pouco de ar fresco e ficar sozinha por algum tempo. As duas estavam trancadas juntas dentro de casa havia três dias. Pegou uma pesada capa preta forrada de pele de seu gancho na parede e atirou-a sobre os ombros. – Não vou demorar – falou. Mathilde, no entanto, tinha pensado em outra objeção: – E se aqueles marinheiros voltarem quando você estiver lá embaixo? Não pode ter certeza de que os brutos dinamarqueses não vão molestá-la se a encontrarem sozinha e desprotegida. Emma prendeu o manto sob o queixo, pensando sobre o aviso. O rei dinamarquês, Swein Forkbeard, tinha solicitado ao irmão dela abrigo de inverno para os navios na costa norte da Normandia, e o duque Richard, não querendo ofender o feroz rei guerreiro, concedeu-o. Para grande irritação de Richard, porém, o próprio navio de Forkbeard e cerca de outros dez haviam fundeado no porto de Fécamp fazia dois dias, obrigando seu irmão a convidar o rei para se juntar à sua família no palácio. Forkbeard aceitara a oferta sem pestanejar e instalara-se no grande salão de Richard com vários de seus companheiros – guerreiros rudes, de rostos brutos, apenas minimamente civilizados apesar do ouro que ostentavam nos pulsos e braços. Mathilde, acometida pela febre, não saíra da cama. A mulher de Richard, Judith, que dera à luz poucas semanas antes, fizera o mesmo. Sendo assim, tinha sido a mãe de Emma, a duquesa viúva Gunnora, acompanhada apenas da filha mais nova, que oferecera ao rei a taça de boas-vindas quando ele entrou no castelo. A duquesa, apesar de ter orgulho de sua ascendência dinamarquesa e de seus laços de sangue com o trono daquele país, não alimentava ilusões a respeito de Swein Forkbeard. Apresentou-lhe Emma formalmente, depois a mandou se recolher a seus aposentos particulares junto com todas as outras moças. Emma não lamentou ter que se retirar. Forkbeard a cumprimentou com olhos frios, ferozes e calculistas, e um aceno silencioso da cabeça. Seu olhar melancólico pareceu avaliá-la como se fosse não uma mulher, mas uma mercadoria passível de compra e venda – uma bugiganga que se pudesse adquirir no mercado em Rouen. Ela enrubesceu sob aquele olhar fixo e repulsivo, e teve vontade de sair correndo dali. Mas obrigou-se a deixar o salão lentamente, o queixo erguido, consciente de todos aqueles homens do mar ao seu redor, que a esquadrinhavam com olhos impiedosos. Eram sujeitos que ganhavam a vida com assassinatos e estupros, homens que tinham sido batizados em Cristo mas cujas almas ainda pertenciam a deuses pagãos, segundo o que ela tinha ouvido falar. Seus rostos sombrios, marcados pelas intempéries, haviam assombrado os sonhos de Emma naquela noite, e, como seus irmãos, ela desejou que Forkbeard e seus marinheiros– E se aqueles marinheiros voltarem quando você estiver lá embaixo? Não pode ter certeza de que os brutos dinamarqueses não vão molestá-la se a encontrarem sozinha e desprotegida. Emma prendeu o manto sob o queixo, pensando sobre o aviso. O rei dinamarquês, Swein Forkbeard, tinha solicitado ao irmão dela abrigo de inverno para os navios na costa norte da Normandia, e o duque Richard, não querendo ofender o feroz rei guerreiro, concedeu-o. Para grande irritação de Richard, porém, o próprio navio de Forkbeard e cerca de outros dez haviam fundeado no porto de Fécamp fazia dois dias, obrigando seu irmão a convidar o rei para se juntar à sua família no palácio. Forkbeard aceitara a oferta sem pestanejar e instalara-se no grande salão de Richard com vários de seus companheiros – guerreiros rudes, de rostos brutos, apenas minimamente civilizados apesar do ouro que ostentavam nos pulsos e braços. Mathilde, acometida pela febre, não saíra da cama. A mulher de Richard, Judith, que dera à luz poucas semanas antes, fizera o mesmo. Sendo assim, tinha sido a mãe de Emma, a duquesa viúva Gunnora, acompanhada apenas da filha mais nova, que oferecera ao rei a taça de boas-vindas quando ele entrou no castelo. A duquesa, apesar de ter orgulho de sua ascendência dinamarquesa e de seus laços de sangue com o trono daquele país, não alimentava ilusões a respeito de Swein Forkbeard. Apresentou-lhe Emma formalmente, depois a mandou se recolher a seus aposentos particulares junto com todas as outras moças. Emma não lamentou ter que se retirar. Forkbeard a cumprimentou com olhos frios, ferozes e calculistas, e um aceno silencioso da cabeça. Seu olhar melancólico pareceu avaliá-la como se fosse não uma mulher, mas uma mercadoria passível de compra e venda – uma bugiganga que se pudesse adquirir no mercado em Rouen. Ela enrubesceu sob aquele olhar fixo e repulsivo, e teve vontade de sair correndo dali. Mas obrigou-se a deixar o salão lentamente, o queixo erguido, consciente de todos aqueles homens do mar ao seu redor, que a esquadrinhavam com olhos impiedosos. Eram sujeitos que ganhavam a vida com assassinatos e estupros, homens que tinham sido batizados em Cristo mas cujas almas ainda pertenciam a deuses pagãos, segundo o que ela tinha ouvido falar. Seus rostos sombrios, marcados pelas intempéries, haviam assombrado os sonhos de Emma naquela noite, e, como seus irmãos, ela desejou que Forkbeard e seus marinheiros de Swein. Como todos os filhos da duquesa Gunnora, ele havia aprendido dinamarquês no colo da mãe. E, como a maioria de seus irmãos, abandonara a prática da língua ainda muito novo. Emma fora a única a adotá-la, e falava dinamarquês com tanta fluência quanto o frâncico, o bretão ou o latim. Chegou a aprender até um pouco do inglês falado pelos prelados que algumas vezes visitavam seu irmão, vindos do outro lado do mar Estreito. Nem Richard nem seu irmão Robert, o arcebispo, tinham conhecimento desse dom de Emma para os idiomas, como sua mãe o chamava. Gunnora aconselhara a filha a manter em segredo sua notável habilidade. Use-a para escutar, dissera,em vez de falar. Vai ficar surpresa com o que acabará descobrindo. Agora, Emma escutou e percebeu, com um sobressalto, que a conversa entre Richard e o rei dinamarquês havia passado da criação de cavalos para a criação de filhos. – Uma aliança de casamento seria do interesse de ambos – disse Swein Forkbeard. – Tenho dois filhos que precisam de esposas. Uma de suas irmãs poderia servir, e você ganharia muito com essa união, eu lhe garanto. E não a aceitando, é claro que pode perder muito. – Ele fez silêncio por um momento e então disse, num tom de voz especulativo, provocador: – Quanto, eu me pergunto, estaria preparado para perder? Emma cobriu a boca com a mão, chocada com a clara ameaça nas palavras de Forkbeard. O que ele faria? Enviaria seus homens por mar para assolar a Normandia a menos que Richard mandasse uma de suas irmãs para a Dinamarca a fim de se casar com um dos filhos de Forkbeard? Ela prendeu a respiração, esperando a resposta de Richard. – Minhas irmãs são jovens demais para casar. As palavras atropeladas de seu irmão foram ditas de modo tão espontâneo que Emma se perguntou se ele teria entendido bem o que o rei dinamarquês dissera. – A idade pouco importa – retrucou Forkbeard, dessa vez em tom amável. – Meu filho mais novo viu apenas dez invernos, mas, assim como seu irmão mais velho, ele já é um marinheiro e guerreiro qualificado. Quanto às suas irmãs – ele fez uma pausa e Emma torceu os dedos nervosamente na crina de Ange enquanto esperava que continuasse –, você deve tratá-las com mais rigor. Lady Emma me parece madura para a cama. Você deveria colocá-la para reproduzir agora, por um bom preço, ou acabará descobrindo que está tarde demais. Emma sentiu o sangue lhe subir ao rosto, humilhação e raiva misturadas ao choque e ao medo. Richard certamente não concordaria em vendê-la para a Dinamarca! Era um lugar árido, selvagem, quase não cristão. A linhagem de sua família remontava às terras do Norte, mas isso ficara no passado. Não fazia parte de seu futuro. A Dinamarca era uma terra de homens ferozes governada por um rei cruel. Swein Forkbeard não tinha herdado a coroa; ele a conquistara numa batalha travada até a morte contra o próprio pai. Richard não podia permitir que ela se casasse e fizesse parte de uma família como aquela! O sangue latejava em seus ouvidos, e Emma precisou se esforçar para ouvir a resposta de seu irmão a Forkbeard. – Sua proposta é uma grande honra para a nossa família – disse Richard. – Deve compreender, é claro – prosseguiu ele, a voz suave e persuasiva apesar de seu dinamarquês truncado –, que um noivado é assunto delicado demais para ser resolvido às pressas. Há muitas coisas a serem consideradas e pesadas, e, como sabe, tenho duas irmãs. Ainda precisa conhecer a mais velha, que, por tradição, deve naturalmente ser a primeira a se casar. Ela não escutou a resposta do rei dinamarquês, porque as vozes dos homens ficaram indistintas, substituídas pelo tilintar dos arreios quando os cavalariços levaram os cavalos para as baias. Emma permaneceu plantada no mesmo lugar, o rosto enterrado no pescoço de Ange, os pensamentos num turbilhão. A proposta de Swein Forkbeard devia ter grande importância para seu irmão. Richard era um realista. Ele iria considerar o sacrifício de uma irmã mais nova como um preço pequeno a pagar pela paz da Normandia com a Dinamarca. Seria terrível para a noiva, porém – banida para uma terra distante e hostil. Mathilde odiaria a possibilidade, tanto quanto Emma. Ela sentiu a garganta se contrair só de pensar naquilo. Não, seu irmão não poderia fazer tal coisa com nenhuma das duas. Não iria mandá-las para tão longe. Ele havia casado as irmãs mais velhas com grandes senhores da Bretanha e de Frância, protegendo suas fronteiras e contribuindo muito para o enriquecimento de seu tesouro. Com certeza usaria Mathilde e Emma de maneira semelhante, pois as fronteiras da Normandia eram extensas e Richard precisava de aliados. Mas Richard era ambicioso. Um casamento real, até mesmo com um filho do bárbaro Swein Forkbeard, aumentaria o prestígio de seu irmão por toda a Europa. Forkbeard podia ser um guerreiro viking, não um rei cristão devoto, mas toda a Europa o temia, o que fazia dele um valioso aliado. Ela conseguia facilmente imaginar Richard cedendo a esse argumento, e temia o que ele poderia estar tramando com o rei dinamarquês em seus aposentos particulares. Sussurrou algumas palavras carinhosas no ouvido de Ange e em seguida, com medo de que os homens de Forkbeard chegassem logo depois dele, voltou correndo para o palácio. Não contaria a Mathilde nada do que tinha ouvido. Sua mãe, com certeza, daria alguma opinião sobre o assunto, mas Emma ainda estava assustada por causa da irmã mais velha. Uma pontada de ansiedade começou a fazer suas entranhas se contraírem. Ela não confiava em Richard.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: A Rainha Normanda

Thais recomendou este produto.
21/05/2016

Perfeito

Além da história ser fascinante passa por períodos históricos, um livro mto interessante
Esse comentário foi útil para você? Sim (1) / Não (0)
Ana Maria Fonseca de Oliveira Batista recomendou este produto.
05/07/2015

Esperando pela continuação

Quando se fica esperando pela continuação de um livro é porque ele é no mínimo bom. Este, me supreendeu: tem glossário, listas das dinastias envolvidas, nota da autora, uma linda capa e principalmente epígrafes tiradas da crônica anglo-saxã. Não há ingenuidade exagerada, nem falta de romantismo - isto é tudo que posso dizer, evitando spoiler.
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A Rainha Normanda (Cód: 8620531) A Rainha Normanda (Cód: 8620531)
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