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A Religião Mais Negra do Brasil (Cód: 162991)

Oliveira,Marco Davi de

Mundo Cristão

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Descrição

Em 'A Religião Mais Negra do Brasil' Marco David de Oliveira se propõe a mostrar, com base em dados sólidos e confiáveis e uma pesquisa criteriosa que, ao contrário do que é tradicionalmente aceito como verdade inquestionável, as religiões de origem africana não constituem a fé predominante entre a população negra do país, cabendo ao pentecostalismo clássico esta condição. O autor lança um olhar sobre os anos de luta da negritude pelo reconhecimento de sua identidade no contexto do seguimento evangélico e alerta sobre a manutenção de um sistema que ainda mantém o negro longe das esperas de decisão, reproduzindo com freqüência, nas estruturas das igrejas, o preconceito ao qual suas lideranças afirmam se opor.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Mundo Cristão
Cód. Barras 9788573253764
Altura 20.60 cm
I.S.B.N. 8573253762
Profundidade 0.70 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2004
Idioma Português
País de Origem Brasil
Idade recomendada Adulto
Peso 0.14 Kg
Largura 13.70 cm
AutorOliveira,Marco Davi de

Leia um trecho

Apresentação O Brasil, nestas últimas três décadas, assistiu a mudanças impressionantes em todas as áreas: deixamos para trás a ditadura militar, aprimoramos nossa democracia, alcançamos relativa estabilidade econômica. Entretanto, penso que, de todas as mudanças que temos experimentado, a que mais se destaca aconteceu no campo religioso. Nestes últimos 30 anos, o mapa religioso do país passou por uma revolução imprevista, uma religião vinda de fora de nossas fronteiras e que chegou aqui na metade do século xxi, experimentou um crescimento explosivo; trata-se do movimento evangélico, uma variante da reforma protestante. Esse movimento, especialmente em sua vertente pentecostal, desde a década de 1970, vem experimentando um significativo e consistente crescimento. E, proeza maior, conseguiu tocar a base da cultura brasileira, conseguiu achar guarida na base da pirâmide social. Cresceu no segmento outrora dominado pelo catolicismo e pelas religiões de matriz africana. Esse crescimento, para além de alterar o mapa da distribuição do poder na sociedade brasileira, está alterando algumas crenças sociais. É da revisão de uma dessas crenças que trata este texto. Marco Davi propõe, a partir de dados consistentes, que houve uma reviravolta no arraial da negritude no Brasil. É mais do que uma mudança de religião, é uma alteração profunda na base da cultura que vale a pena conferir. Lembro-me de que, em meados da década de 1990, num encontro promovido pela Aliança Evangélica Brasileira sobre o crescimento da igreja brasileira, foi apresentada uma pesquisa realizada pelo ISER, Instituto Superior de Estudos da Religião, que apontava que a igreja tinha crescido entre os mais pobres. Na ocasião, chamou-me a atenção a reação dos pastores presentes. Alguns colegas pareciam estar lendo os dados como se nos fossem ofensivos. Lembro-me do esforço do membro do ISER, que nos apresentava os dados, no sentido de demonstrar, num misto de surpresa e de incredulidade, quão positivo e meritório era tal fenômeno. Temo que algo assim venha a acontecer com meu amigo Marco Davi, porque o que nos apresenta é, ao mesmo tempo, uma boa nova e uma denúncia, pois o fato de os negros terem se convertido em tal número, que se tornaram uma parcela muito expressiva da igreja evangélica brasileira, torna inexplicável a flagrante inexistência de negros na sua liderança. Marco é um ardente batalhador pela causa da emancipação do negro. Ele luta pelo resgate dessa imensa dívida que o país tem para com essa parcela da população tão decisiva na construção de uma nação, que, graças à contribuição negra, pousa como de riquíssima cultura e de proposta civilizatória que busca resgatar o significado de uma só humanidade; isto é bonito como postulação, mas precisa deixar de ser mera propaganda, o que só acontecerá quando o negro for de fato incluído nessa sociedade com todo o direito e respeito a que faz jus. Marco Davi, pastor batista, se destaca por sua militância e palavra relevante. É um amigo que respeito e ouço com redobrada atenção. Ariovaldo Ramos Prefácio Um dos temas mais recorrentes nas recentes produções ligadas à sociologia da religião refere-se ao pentecostalismo, sua evidência social e transformações vivenciadas decorrentes de sua expansão. Igrejas evangélicas que – ao possuírem uma forte presença entre as camadas inferiores, convivendo em sua liturgia o profano e o sagrado num espaço marcadamente de festa nos atos religiosos e de um sincretismo denominado pela literatura acadêmica de ecumenismo popular – são apontadas como nova expressão da religiosidade popular brasileira. A evidência dessas igrejas pentecostais acaba por obrigar os mais diversos setores da sociedade a refletir e aprofundar seus conhecimentos em relação a este fenômeno. Vários estudos e pesquisas estão sendo desenvolvidos em universidades, centros de pesquisa e institutos teológicos na tentativa de compreender os motivos que levam as massas a aderir a esta opção religiosa. Este livro representa uma abordagem inédita sobre a presença do negro na sociedade brasileira exatamente por voltar seu olhar para o interior dessas igrejas evangélicas pentecostais. São exatamente estas – muitas vezes associadas a charlatanismo ou manipulação – que reúnem entre os seus fiéis contingente significativo de afro-descendentes, segundo dados oficiais do governo. Essa constatação merece a atenção de todos aqueles que se dispõem a pensar questões como negritude, racismo ou mesmo sobre a desigualdade social que campeia no país e que atinge especialmente esta parcela da população. Ao olharmos o negro e o seu lugar social, é importante levarmos em consideração a informação de que entre estes a opção pelo pentecostalismo é cada vez mais recorrente. O que motiva Marco Davi de Oliveira a escrever é entender o porquê dessa opção dos negros pelo pentecostalismo, e é a partir desta compreensão que o autor se propõe a destacar os elementos positivos e a denunciar os negativos. E é exatamente ao salientar as lacunas presentes nas igrejas pentecostais em relação à negritude que temos a sua principal contribuição. Os recentes conflitos mundiais reafirmaram uma das principais tensões existentes em nossa era, a qual se encontra na relação entre a fé e a cultura. São recorrentes as reflexões que questionam o papel do evangelho distante das mais diversas culturas; o problema do sincretismo ou mesmo, no caso específico do pentecostalismo, a demonização das práticas e ritos oriundos da cultura africana. Este é um tema ainda espinhoso e pouco discutido por teólogos evangélicos dos mais variados matizes e filiações eclesiásticas. O desafio que o trabalho de Marco Davi propõe nos remete à tentativa de viver e encarnar o evangelho na cultura, certamente um grande desafio para todos os cristãos. Compreender aquilo de essencial da mensagem do evangelho, seu contexto cultural, e a partir desta percepção viver e transmitir a mensagem bíblica nas mais diferentes realidades, tendo condições e coragem para não perceber o diferente como “errado”. Em muitos momentos da história, a cultura serviu como instrumento de dominação. Povos europeus utilizaram a antropologia para legitimar todos os massacres que nosso continente vivenciou no passado. Neste contexto, o papel da cultura seria o de estabelecer uma “escala de civilização”. Assim, conceitos como o de etnocentrismo – que ao apontar uma determinada cultura (anglo-saxã) como central e como o ponto final desta escala evolutiva – indicam determinadas civilizações como “melhores” e mais “corretas” do que outras. O desenvolvimento tecnológico é entendido como complexidade e qualidade de vida, aquilo que é “certo”; o que não se enquadra nisto é “primitivo” e “bárbaro”. Somente no final do século xix e início do xx é que a antropologia deixou de lado esta percepção preconceituosa da cultura. Vários trabalhos antropológicos passaram a apontar que as diferenças entre os hábitos e costumes dos mais variados povos não deveriam ser compreendidas a partir de uma evolução, mas sim da consciência de que as diferentes culturas guardam lógicas distintas. Sistemas de interpretar e classificar o mundo diferenciados, os quais nos ajudam a entender atos e posturas inicialmente encarados como exóticos, mas facilmente compreendidos caso inseridos dentro de seu sistema classificatório específico. Conceitos como o de relativização serviram para nortear uma nova forma de encarar aquilo de diferente dos outros povos. Neste processo de aceitação do diferente, vocábulos como direitos humanos ou ecologia ganharam força. Passamos a conviver com mulheres lutando por igualdade, grupos indígenas se organizando na tentativa de preservar seus hábitos, grupos negros de “resistência” e ecologistas de todos os tipos. Ainda mais recentemente, vivemos uma realidade que busca pensar a vida urbana e a cidadania, resgatando valores como o da dignidade humana e da solidariedade. Realidades como a da África do Sul ruíram após anos de uma vergonhosa estrutura, a qual contou com toda uma “teologia do apartheid”. O fazer teológico encontrou-se contaminado por todo o preconceito resultante de conceitos como o de etnocentrismo, produzindo um cristianismo assassino e preconceituoso. Assassino, porque – apesar de apregoar o amor e a fraternidade – foi responsável por uma série de barbaridades. Preconceituoso, porque – apesar de ter a igualdade como referencial – acabou sendo o motivo para o sepultamento de uma série de culturas, como também de relações racistas no decorrer da história. Com os ventos do neoliberalismo pairando fortemente sobre a nossa sociedade, a questão da exclusão social se tornou obrigatória entre aqueles que acreditam na possibilidade de um Reino de justiça e paz. A questão igualdade/diferença toma proporções que obrigam um maior número de reflexões. A afirmação do sociólogo português Boaventura Santos nos auxilia nesta discussão: “Temos o direito de ser iguais sempre que as diferenças nos inferiorizam; e temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza”. O livro que está em suas mãos enfrenta exatamente a questão da diferença que representa ser negro na sociedade brasileira, especialmente no interior das igrejas pentecostais. Meu desejo é que este texto possa ser instrumento de provocação e de motivação para que tenhamos mais pessoas dispostas a enfrentar a questão da negritude num contexto em que o “racismo cordial”, de tão arraigado, nem é percebido. Ricas iniciativas têm ocorrido a partir da periferia dos centros urbanos, experiências como a que se expressa no rap dos Racionais MC’s, oriundos de um contexto de pobreza, violência e de predominância pentecostal. É exatamente em suas “músicas profanas” que a figura do “evangélico” surge como uma opção concreta para o enfrentamento da pobreza, da desigualdade e da violência urbana a partir de significativas letras de protesto e resistência. Potencialmente, as igrejas pentecostais têm condições para desempenhar importante papel num processo de enfrentamento das desigualdades que inclua a questão racial em sua pauta. A predominância dos negros em suas fileiras, ao lado de sua capilaridade social e capacidade de agregação, abre possibilidades que não podem ser menosprezadas e que devem ser acionadas por aqueles que seriamente se propõem a discutir o espaço e a importância dos negros para o Brasil. Alexandre Brasil Fonseca Introdução Escrever sobre um assunto que já está saturado é mais fácil que tentar defender alguma questão em que muitos pensam, mas sobre a qual não têm a clareza necessária para argumentar de forma lógica. Muitos livros já foram escritos sobre a questão racial. Nos últimos anos, vários acadêmicos têm se debruçado sobre os problemas que afetam os negros no Brasil. São sociólogos, psicólogos, filósofos, antropólogos e teólogos, todos se esforçando para dar contribuições importantes ao tema. Mesmo assim, na literatura brasileira ainda existe uma grande lacuna sobre o assunto. Poucos são os pensadores que apresentaram seus comentários, seja em ensaios, periódicos ou livros, sobre a relação da Igreja – em especial, a evangélica – e os negros brasileiros. Surpreende perceber quanto temas como o racismo, a igualdade racial, as políticas de ações afirmativas, entre outros, estão distantes dos discursos dos evangélicos em geral. Falar sobre segregação racial, racismo e preconceito nas igrejas sempre foi um tabu. Aparentemente, mexer nessas questões é como tocar alguns ferimentos mal cicatrizados, certas mazelas que insistem em incomodar a Igreja brasileira. A proposta deste livro é refletir sobre a atuação da Igreja Pentecostal junto aos negros deste país e entender por que ela se tornou uma espécie de opção aos excluídos brasileiros, tendo em vista que a Igreja Católica e o braço histórico do protestantismo ignoraram os negros do país. Não podemos incorrer no erro grave de afirmar que outras igrejas cristãs, além da pentecostal, não têm negros em suas comunidades de fé. A Igreja Católica Romana, é claro, tem o maior número de negros no país, com mais de 55 milhões de afro-descendentes.1 Entretanto, a maioria dos negros que professam o catolicismo não freqüenta ativamente a igreja, ao contrário do que acontece com os negros pertencentes a igrejas evangélicas, que participam de forma efetiva de suas comunidades locais. Se, por um lado, não podemos deixar de afirmar que os negros, em sua maioria, são católicos, também não podemos ignorar que o pentecostalismo pode ser considerado a Igreja mais negra do Brasil, se levarmos em consideração questões como liturgia, canto, aproximação do povo, linguagem, postura eclesiástica, etc. – características não observadas na Igreja Católica Romana, bem como no protestantismo histórico. Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 11.951.347 negros evangélicos. Desses, 8.676.997 (72,6%) são pentecostais, enquanto a população negra de umbandistas e candomblecistas não alcança 253.000 pessoas. Por que os negros fizeram opção pelo pentecostalismo? Que características os atraíram para o segmento pentecostal? Que aspectos dessa relação devem ser destacados e quais devem ser denunciados? Como é tratada a questão da cultura negra no segmento evangélico? Existe democracia racial, de fato? Por que, mesmo sendo maioria no segmento pentecostal, ainda se demoniza a herança africana? Como as igrejas lidam com a auto-imagem do negro pentecostal? Qual é o futuro da relação do negro com a Igreja Evangélica brasileira? Várias questões de fundo foram investigadas. Esperamos que esta leitura contribua para o entendimento do fenômeno da negritude no universo evangélico em geral e, em particular, no pentecostal. Compartilhe comigo da análise dessa questão tão delicada e perigosa, sabendo que o choque pode não ser tão forte, mas vai incomodar. Caso não incomode, faça nova leitura e você vai encontrar, após as dores (da revolta, da discórdia, da surpresa), um sentimento de respeito pelos negros e negras do país, além de uma paixão ainda maior por Cristo, que alcançou e dirige a Igreja brasileira.

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