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A Última Grande Lição - O Sentido da Vida - Brochura (Cód: 417833)

Albom, Mitch

Sextante / Gmt

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Descrição

Cada um de nós teve na juventude uma figura especial que, com paciência, afeto e sabedoria, nos ajudou a descobrir dimensões mais profundas e a escolher nossos caminhos com maior liberdade. Para Mitch Albom, esta pessoa foi Morrie Schwartz, seu professor na universidade. Vinte anos depois. Mitch reencontra Morrie nos últimos meses da vida de seu velho mestre, acometido de uma doença terminal. Durante quatorze encontros, eles tratam de temas fundamentais para a felicidade e realização humana. É uma lição de esperança sobre o sentido da existência, em que a experiência e reflexão são transmitidas de forma simples e comovente, que transformou a vida do autor, e que eles quis registrar como uma dádiva de Morrie para o mundo.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Sextante / Gmt
Cód. Barras 9788586796074
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8586796077
Profundidade 1.20 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 12
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 191
Peso 0.28 Kg
Largura 13.50 cm
AutorAlbom, Mitch

Leia um trecho

Prefácio Caro leitor, Faz 10 anos que este livro foi publicado e, por ocasião desse aniversário, me foi pedido que lhe acrescentasse algumas reflexões. Não é tarefa simples. Este livro mudou a minha vida e, a julgar pelo que os leitores de todo o mundo têm me passado, a de outras pessoas também. Por onde devo começar? Talvez por um episódio que deixei fora do original. Não era minha intenção, mas, por algum motivo, não o incluí. Pois aqui está, depois de todos esses anos. Quando pela primeira vez eu liguei para meu antigo professor Morrie Schwartz – a essa altura, já nas garras da esclerose lateral amiotrópica (ELA) –, senti necessidade de me reapresentar. Afinal, haviam se passado 16 anos desde a última vez que nos faláramos.Talvez ele nem se lembrasse do meu nome. Na faculdade, eu costumava chamá-lo de “Treinador”. Sabe Deus por quê. Coisas do esporte, sabe como é, já naquela época. Oi,Treinador. Como vai,Treinador? Seja como for, quando o ouvi dizer “Alô” naquele dia ao telefone eu engoli em seco e disse: – Morrie, meu nome é Mitch Albom. Fui seu aluno na década de 70. Não sei se você se lembra de mim. E a primeira coisa que ele disse foi: – E por que não me chamou logo de Treinador? Minha jornada começou com essa frase. Ela esteve comigonaquele telefonema, esteve comigo na minha primeira visita carregada de culpa a West Newton e em todas as terças-feiras que se seguiram, durante o lento declínio e agonia de Morrie e em sua morte silenciosa e digna. Ela esteve comigo em seu enterro, em meu luto particular, em meu porão enquanto escrevia as páginas que você está lendo, na pequena edição inicial deste livro e nas inesperadas 200 edições que se seguiram. Ela esteve ao meu lado por todo este país, em muitos outros países, ao ver este livro sendo adotado em escolas e lido em casamentos e funerais. Ela me acompanhou em milhares e milhares de cartas, e-mails, abraços emocionados e comentários de pessoas estranhas, que podem ser todos resumidos da mesma forma: sua história me comoveu. Mas não era a minha história. Era a história de Morrie, o convite de Morrie.A última aula de Morrie. Eu era seu convidado.E por que não me chamou logo de Treinador? Eu esqueci. Ele lembrou. Essa era a diferença entre nós. Morrie me mudou desse jeito.Agora me lembro de tudo. E poderia não lembrar? Todos os dias da minha vida alguém me pergunta pelo meu antigo professor. Eu costumo brincar dizendo que este livro é a sua vingança por eu tê-lo ignorado durante tantos anos. Agora sou seu aluno eterno, aquele que retorna sempre, todo outono, primavera e verão, para a mesma aula. Tudo bem. Eu sempre achei que Morrie tinha algo a ensinar. Achava isso há 30 anos, quando ele usava costeletas e blusa de gola rulê amarela e mexia freneticamente as mãos na frente da turma, e continuei achando anos depois, quando a terrível doença já o deixara frágil e inerte numa poltrona em sua casa, a voz sussurrada e o corpo tão fraco que eu precisava virar sua cabeça para ele poder me ver.E ele, como sempre, sábio e carinhoso. Ele realmente cumpriu seu antigo desejo de ser professor até o fim. Para prová-lo, quando comecei a pensar neste prefácio voltei aos registros das nossas conversas. Eu havia transcrito todas as fitas e as organizara por temas. Em minhas divagações ao som da voz de Morrie, eu me perguntava se toparia com alguma coisa que soasse diferente, algo a dizer que desse um novo sentido a tudo o que aconteceu. E dei com este tema: vida após a morte. Ora,Morrie fora agnóstico durante muitos anos, como ele próprio admitia. Mas depois de seu diagnóstico de ELA, começou a repensar. Mergulhou em ensinamentos religiosos. Numa terça-feira de agosto de 1995, segundo meus registros, nós falamos sobre esse assunto. Morrie me disse que no passado havia acreditado que a morte era fria e definitiva. – A gente vai para debaixo da terra e se acabou. Mas depois ele passou a pensar diferente. – Qual é a sua idéia agora? – perguntei. – Ainda não me fixei em nenhuma... – ele disse, sincero como sempre. – Mas o universo é demasiado harmônico, grandioso e avassalador para se acreditar que é tudo obra do acaso. Que coisa para ser dita por um ex-agnóstico! O universo é demasiado harmônico, grandioso e avassalador para se acreditar que é tudo obra do acaso. Isso, é bom lembrar, foi quando o corpo de Morrie já era uma casca oca, quando ele já precisava ser lavado e vestido, quando já precisava que lhe assoassem o nariz e lhe limpassem o traseiro. Harmônico? Grandioso? Se ele, naquela situação terrível, naquele depauperamento, conseguia enxergar a majestade do mundo, por que haveria de ser difícil para nós? Muita gente me pergunta qual a característica de Morrie de que sinto mais falta. Eu sinto falta daquela crença na humanidade. Sinto falta daqueles olhos que conseguiam ver a vida demodo tão positivo. E sinto falta da sua risada. Sério. No mesmo dia em que me falou de vida após a morte, Morrie confessou sua vontade de reencarnar, dizendo que se pudesse voltar como outra coisa gostaria de ser uma gazela.Ao reler as transcrições, notei que fiz uma graça depois do que ele disse: – A boa notícia é que você estaria reencarnado – eu disse. – A má notícia é que você estaria vivendo em algum deserto. Ele disse: – Correto. E caiu na gargalhada. Nós ríamos um bocado com essas coisas.Talvez seja difícil de acreditar, mas, mesmo com a morte esperando na esquina, nós ríamos. Ninguém gostava de rir mais do que Morrie. Ninguém ria durante tanto tempo com piadinhas infames. É verdade, havia dias em que ele se arrebentava de rir com qualquer bobagem que eu dissesse. De modo que sinto falta disso. E de sua paciência. E de suas alusões acadêmicas. E de sua paixão por comida. E de como ele fechava os olhos para escutar música. Mas aquilo de que eu mais sinto falta, por mais simples e egoísta que possa parecer, são os olhos de Morrie piscando quando eu entrava no quarto. É que quando uma pessoa fica feliz – genuinamente feliz – por vê-lo, você se derrete. É como chegar em casa. Naquelas terças em que eu entrava em seu escritório, o hibisco ao lado da janela, qualquer coisa que eu estivesse trazendo comigo – problemas pessoais, assuntos de trabalho, pensamentos opressivos – se dissipava quando as orelhas dele se erguiam e sua boca abria aquele sorriso engraçado de dentes tortos e soltava uma saudação. Outras pessoas me relataram que se sentiam da mesma forma quando estavam com Morrie. Quem sabe a sua devastadora doença, ao privá-lo de distrações e apagar a preocupação com as coisas do cotidiano, opermitia estar “totalmente presente”? Ou quem sabe ele apenas valorizava mais o próprio tempo? Eu não sei. O que sei é que aquelas terças que passamos juntos eram como o longo abraço de um homem que já não podia mover os braços. Sinto falta delas mais que tudo. Nesses 10 anos desde que este livro foi publicado, inúmeras vezes me perguntaram se eu imaginava que ele seria lido por tanta gente. Minha resposta é, geralmente, um aceno de cabeça, um sorriso e um “Nem em um milhão de anos”.A verdade é que foi um bocado difícil conseguir quem o publicasse – várias editoras nem sequer manifestaram interesse; um editor chegou a me dizer que eu não fazia a menor idéia do que era um livro de memórias. Em outras circunstâncias, eu teria desistido da idéia. A razão de eu não ter desistido – e a razão pela qual eu creio que o livro bateu no coração das pessoas – é que eu não estava tentando escrever um livro popular. Estava tentando ajudar Morrie a pagar as despesas do seu tratamento. Isso tornou a minha obstinação mais forte que qualquer poder de dissuasão. Continuei tentando, até achar uma editora. E quando disse a Morrie que tinha conseguido – e que as contas iriam ser pagas – ele chorou. Costumo dizer que aquilo foi, para mim, o fim de A última grande lição, apesar de eu mal ter começado a escrevê-lo. Eu havia feito o que queria: um pequeno ato de bondade em retribuição aos incontáveis que ele me dedicara no passado. Mas a jornada, na verdade, mal havia começado. Desde então, o livro foi publicado em dezenas de países onde eu nunca estive e traduzido para muitas línguas que não domino. Foi adaptado para um filme de TV e o grande Jack Lemmon me disse que Morrie era o seu papel favorito. Uma adaptação para o teatro foi encenada em todo o continente.Olivro foi acolhido em escolas, universidades, capelas mortuárias, hospitais, igrejas, sinagogas, grupos de leitura e instituições de caridade. Não consigo exprimir com palavras a minha humilde satisfação com tudo isso e o orgulho que sinto ao ver a suave sabedoria de Morrie se assentando como flocos de neve nas ruas de todo o mundo. Diante disso, não posso senão concordar com a sua máxima: o universo é harmônico e grandioso demais para se acreditar que é tudo obra do acaso. Espero, portanto, que este livro ajude a abrir os olhos das pessoas para a ELA até que a ciência descubra como curá-la. Espero que ele continue lembrando às pessoas quão precioso é o tempo que dedicamos ao outro. Espero, também, que ele celebre sempre os professores, nosso mais valioso recurso. E espero que Morrie esteja dançando onde quer que esteja agora. Porque ele merece poder dançar outra vez. Quando eu lhe pedi, naquele dia, que me descrevesse o cenário perfeito para a sua vida após a morte, foi este o que ele escolheu: – Que minha consciência permaneça... Que eu seja parte do universo. Penso nas pessoas que já leram este livro, e nas que ainda o farão, e creio, com imensa gratidão, que o desejo de Morrie se realizou. Mitch Albom Julho de 2007 O currículo As últimas aulas da vida do meu velho professor foram dadas uma vez por semana na casa dele, ao pé de uma janela do estúdio de onde ele podia olhar um hibisco pequenino lançar suas folhas róseas. As aulas eram às terça-feiras, depois do café da manhã. O assunto era o sentido da vida. A lição era tirada da experiência. Não havia notas, mas havia exames orais toda semana. O professor fazia perguntas, e o aluno também podia perguntar. O aluno devia também praticar atividades físicas de vez em quando, tais como colocar a cabeça do professor em posição confortável no travesseiro ou ajeitar os óculos dele no cavalete do nariz. Beijar o professor antes de sair contava ponto. Não havia compêndios, mas muitos tópicos eram debatidos – amor, trabalho, comunidade, família, envelhecimento, perdão e, finalmente, morte. A última palestra foi breve, só algumas palavras. Em vez de colação de grau, um enterro. Mesmo não havendo exame final, o aluno devia apresentar um trabalho extenso sobre o que ele aprendera. Esse trabalho é apresentado aqui. O derradeiro curso da vida do meu velho professor só teve um aluno. Que sou eu.Uma tarde quente e úmida de sábado, no fim da primavera de 1979. Centenas de alunos sentados lado a lado em cadeiras de dobrar, no gramado maior do campus. Usamos becas de náilon azul. Escutamos impacientes os discursos compridos. Acabada a cerimônia, jogamos nossos chapéus para o alto e somos oficialmente declarados graduados, os alunos do último ano de faculdade da Universidade Brandeis, sediada em Waltham, Massachusetts. Para muitos de nós, baixava-se a cortina da infância. A seguir encontro Morrie Schwartz, meu professor predileto, e o apresento a meus pais. Morrie é baixinho e caminha a passos curtos, como se um vento forte pudesse levá-lo para as nuvens a qualquer momento. Com a beca para o dia de formatura, ele parece uma mistura de profeta bíblico e elfo natalino. Tem olhos azul-verdes brilhantes, cabelo prateado ralo caído na testa, orelhas grandes, nariz triangular e espessas sobrancelhas acinzentadas. Apesar dos dentes superiores tortos e dos inferiores inclinados para dentro – como se ele tivesse levado um soco na boca –, o sorriso é sempre o de quem acabou de ouvir a primeira piada contada no mundo. Diz a meus pais que eu fiz todos os cursos ministrados por ele e que sou “um garoto especial”. Encabulado, baixo os olhos para os pés.Antes de nos separarmos, entrego a meu professor um presente, uma pasta castanha com as iniciais dele, que eu havia comprado no dia anterior. Eu não queria esquecê-lo. Ou talvez não quisesse que ele me esquecesse. – Mitch, você é dos bons – diz ele admirando a pasta. Depois me abraça. Sinto os braços magros me envolvendo. Sou mais alto do que ele e, quando me abraça, sinto-me canhestro, mais velho, como se eu fosse o pai e ele o filho. Pergunta se vou manter contato. Sem hesitar, respondo que sim. Quando ele me solta, vejo que está chorando. O programa A sentença de morte dele foi dada no verão de 1994. Mas agora tudo indica que Morrie já sabia bem antes que alguma coisa ruim estava para acontecer. Ficou sabendo no dia em que parou de dançar. Meu velho professor sempre fora dançarino. Não importava a música. Rock-and-roll, jazz, blues.Apreciava de tudo. Fechava os olhos e, com um sorriso beatífico, começava a se mexer no seu próprio ritmo. Nem sempre era bonito de se ver. Mas também ele não se preocupava com o par.Morrie dançava sozinho. Ia a uma igreja de Harvard Square toda noite de quarta-feira, porque lá havia o que chamavam de “Dança Grátis”. Entre luzes piscantes e som alto, Morrie se movimentava na multidão quase toda de estudantes, usando uma camiseta branca, calça preta de malha e uma toalha no pescoço. Qualquer música que tocassem era a música que ele dançava. Dançava o lindy no compasso de Jimi Hendrix. Contorcia-se e rodava, agitava os braços como regente sob efeito de anfetaminas, até o suor escorrer pelo meio das costas. Ninguém ali sabia que ele era um famoso doutor em Sociologia, com longa experiência e muitos livros importantes publicados. Pensavam que fosse um velhote excêntrico. Uma vez ele levou uma fita de tango e pediu que a tocassem no sistema de som. Depois, tomou o comando da pista, correndo para lá e para cá como um ardente amante latino. Quando acabou, todos aplaudiram. Ele podia ter permanecido para sempre vivendo aquele momento.De repente, a dança terminou. Depois dos sessenta anos, ele começou a ter asma. A respiração ficou difícil. Um dia, passeando pela margem do rio Charles, um sopro de vento frio deixou-o com falta de ar. Levado às pressas para o hospital, deram-lhe adrenalina injetável. Anos depois, Morrie começou a ter dificuldade de andar. Numa festa de aniversário de um amigo, ele cambaleou inexplicavelmente. Outra noite, caiu ao descer os degraus de um teatro, assustando um grupo grande de pessoas. – Afastem-se, ele precisa de ar – alguém gritou. Nessa altura, ele tinha mais de setenta anos, por isso atribuíram o acidente à velhice e o ajudaram a levantar-se. Mas Morrie, que sempre estava em contato com o seu organismo mais do que estamos com o nosso, sabia que alguma coisa se desarrumara nele. Não era só problema de idade. Sentia-se sempre cansado. Não dormia bem. Sonhava que estava morrendo. Passou a consultar médicos. Muitos médicos. Examinaramlhe o sangue. A urina. Enfiaram-lhe uma sonda pelo ânus e examinaram os intestinos. Finalmente, nada descobrindo, um médico pediu uma biópsia de músculo. Para isso extraíram um pedacinho da barriga da perna dele. O laudo do laboratório indicava a possibilidade de algum problema neurológico, e Morrie foi internado para mais uma série de exames. Num desses exames, sentaram-no numa cadeira especial e o submeteram a uma corrente elétrica – espécie de cadeira elétrica – e estudaram as reações neurológicas. – Precisamos ir mais fundo nisso – disseram os médicos diante dos resultados. – Por quê? – perguntou Morrie. – Do que se trata? – Não sabemos ao certo. Os seus ritmos estão lentos. Ritmos lentos? O que significava isso? Finalmente, num dia quente e úmido de agosto de 1994,Morrie e a esposa Charlotte foram ao consultório do neurologista, que os convidou a sentarem antes de ouvirem o diagnóstico: Morrie sofria de esclerose lateral amiotrópica (ELA), a doença de Lou Gehrig,1 enfermidade implacável do sistema nervoso. Doença ainda incurável. – Como a contraí? – perguntou Morrie. Ninguém sabia. – É terminal? Era. – Quer dizer que vou morrer? O médico confirmou, e disse que lamentava muito. Passou quase duas horas com Morrie e Charlotte, respondendo pacientemente às perguntas que eles faziam. Deu-lhes informações e folhetos sobre a doença como se eles estivessem querendo abrir uma conta em banco. Na rua o sol brilhava, gente andava apressada de um lado para outro. Uma senhora corria para introduzir dinheiro no parquímetro. Outra carregava compras. Pela cabeça de Charlotte passavam milhões de pensamentos. Quanto tempo nos resta? Como o administraremos? Como pagaremos as contas? Entretanto, o meu velho professor estava admirado da normalidade do dia em torno dele. O mundo não deveria parar? Ignoram eles o que me aconteceu? O mundo não parou, não tomou nenhum conhecimento e, quando Morrie quis abrir a porta do carro, sentiu-se como caindo num buraco. E essa agora?, pensou.semana a sem ana. Uma manhã, ao dar marcha a ré no carro para sair da garagem, não teve força para acionar a embreagem. Terminava aí a sua vida de motorista. Para não cair, comprou uma bengala. Assim terminou o seu tempo de andar livremente. Nadava regularmente na ACM, mas descobriu que não conseguia mais se despir. Assim, contratou o seu primeiro ajudante pessoal, um estudante de Teologia chamado Tony, que o ajudava a entrar e sair da piscina, a vestir e tirar o calção. No vestiário, os outros nadadores fingiam não olhar, mas olhavam. Aí terminava a sua privacidade. No outono de 1994, ele foi ao campus da Brandeis dar o seu derradeiro curso. Não precisava fazer isso, a universidade teria compreendido. Por que sofrer diante de tanta gente? Ficasse em casa. Pusesse a vida em ordem. Mas a idéia de desistir não ocorreu a Morrie. Assim, ele entrou claudicante na sala de aula, onde vivera durante mais de trinta anos.Apoiado na bengala, levou tempo para chegar à cadeira. Finalmente sentou-se, deixou cair os óculos e olhou para os rostos jovens, que o fitavam silenciosamente. – Meus amigos, imagino que estejam aqui para a aula de Psicologia Social.Venho ministrando esse curso há vinte anos, e esta é a primeira vez que posso falar do risco que existe em segui-lo, porque estou sofrendo de uma doença fatal. Posso morrer antes de terminado o semestre. Se acharem que isso é um problema, podem desistir do curso; eu compreenderei. Morrie sorriu. E assim terminava o seu segredo.A ELA é como vela acesa: derrete os nervos e deixa o corpo como uma estalagmite de cera. Geralmente começa nas pernas e vai subindo. A pessoa perde o comando dos músculos das coxas e não agüenta ficar de pé. Perde o comando dos músculos do tronco e não consegue sentar-se ereta. No fim, se continua viva, respira por um tubo introduzido num orifício aberto na garganta; e a alma, perfeitamente alerta, fica aprisionada numa casca inerte, podendo talvez piscar, estalar a língua, como coisa de filme de ficção científica – a pessoa congelada no próprio corpo. Isso não dura mais de cinco anos, contados do dia em que se contraiu a doença. Os médicos deram a Morrie mais dois anos. Ele sabia que seria menos. Mas o meu velho professor havia tomado uma decisão importante, na qual começara a pensar no dia em que saiu do consultório do médico com uma espada sobre a cabeça. Vou me entregar e sumir, ou aproveitar da melhor maneira o tempo que me resta? – indagou a si mesmo. Não ia se entregar. Não ia se envergonhar de sua morte decretada. Decidiu que faria da morte o seu derradeiro projeto, o ponto central de seus dias. Já que todos vão morrer um dia, ele poderia ser de grande valia. Podia ser um campo de pesquisa. Um compêndio humano. Estudem-me em meu lento e paciente processo de extinção. Observem o que acontece comigo. Aprendam comigo. Morrie ia atravessar a ponte entre a vida e a morte e narrar a travessia. O semestre do outono passou rápido. A quantidade de comprimidos aumentou. O tratamento tornou-se rotina. Morrie recebia enfermeiras em casa para lhe exercitarem as pernas flácidas, manterem os músculos em atividade, dobrarem as pernas paratrás repetidamente, como se bombeassem água de cisterna. Massagistas o visitavam uma vez por semana para aliviar o constante entorpecimento que ele sentia. Recebia professores de meditação, fechava os olhos e estreitava o campo do pensamento até reduzir o mundo ao simples inalar e exalar, inspirar e expirar. Um dia, apoiado na bengala, ele tropeçou no meio-fio e caiu na rua. A bengala foi substituída por um andador. Logo a ida ao banheiro ficou muito cansativa, e ele passou a urinar num caneco grande. Para fazer isso precisava ficar em pé, o que significava que alguém tinha de segurar o caneco para ele. A maioria das pessoas ficaria encabulada com isso, principalmente na idade de Morrie. Mas ele não era como a maioria. Quando um de seus colegas mais íntimos o visitava, ele dizia: “Olhe, preciso urinar.Você não se importa de me ajudar?” Para sua própria surpresa, eles não se importavam. Ele recebia uma procissão cada vez maior de visitas. Formou grupos de debate sobre a morte, o que significa o medo de morrer que as sociedades sempre tiveram, apesar de não compreenderem bem a morte. Disse aos amigos que, se quisessem mesmo ajudá-lo, não o tratassem com pena, mas com visitas, telefonemas, dividissem com ele os seus problemas,como sempre tinham feito, porque Morrie sempre fora um bom ouvinte. Apesar de tudo por que passava, a voz de Morrie era forte e estimulante, e sua mente trepidava com um milhão de pensamentos. Estava empenhado em mostrar que a palavra “morrente” não é sinônimo de “inútil”. O Ano-Novo veio e se foi. Mesmo sabendo que aquele seria o último ano de sua vida, Morrie não disse isso a ninguém. Já precisava de uma cadeira de rodas, e lutava contra o tempo para conseguir dizer às pessoas que amava tudo o que tinha para lhes dizer. Quando um colega da Brandeis morreu subitamente de enfarte, Morrie voltou deprimido do enterro.– Que pena Irv não ter ouvido aquelas homenagens todas – disse. Pensando nisso, teve uma idéia. Deu uns telefonemas, escolheu uma data. E numa tarde fria de domingo reuniu a família e um grupo pequeno – a mulher, os dois filhos e alguns de seus amigos mais íntimos – em sua casa para um “funeral ao vivo”. Um a um, todos homenagearam o meu velho professor. Uns choraram. Outros riram. Uma senhora leu um poema: Meu querido, meu amado primo... Seu coração intemporal enquanto você segue tempo afora, uma camada sobre outra, delicada sequóia... Morrie chorou e riu com eles.Tudo aquilo que sentimos bem no íntimo e nunca dizemos às pessoas que amamos foi dito por Morrie naquele dia.O “funeral ao vivo” foi um sucesso. Só que Morrie ainda não tinha morrido. Aliás, a parte mais extraordinária de sua vida estava por vir.O aluno Neste ponto, preciso explicar o que me aconteceu desde aquele dia de verão, quando abracei pela última vez o meu querido e sábio professor e prometi manter contato com ele. Não cumpri a promessa. Aliás, perdi contato com a maioria das pessoas que conheci na faculdade, inclusive meus amigos de cervejadas e a primeira mulher ao lado da qual acordei de manhã. Os anos após a formatura me endureceram e fizeram de mim uma pessoa bem diferente do formando gaguejante que deixou o campus aquele dia e embarcou para a cidade de Nova York, pronto para oferecer o seu talento ao mundo. O mundo, descobri, não estava tão interessado assim. Durante os meus primeiros anos da casa dos 20 vivi pagando aluguel, lendo classificados e indagando por que os sinais não ficavam verdes para mim. O meu sonho era ser músico famoso (eu tocava piano), mas depois de anos em boates escuras e vazias, de promessas não cumpridas, bandas que se desfaziam e produtores que se entusiasmavam por todo mundo menos por mim, o sonho deteriorou. Pela primeira vez na vida eu fracassava. Ao mesmo tempo, tive o meu primeiro encontro sério com a morte. Meu tio preferido, irmão de minha mãe, o tio que me ensinou música, me ensinou a dirigir carro, que me provocava a respeito de namoradas, jogava bola comigo – o único adulto que elegi quando criança e disse a mim mesmo que quandocrescesse queria ser como ele –, morreu de câncer no pâncreas aos 44 anos. Era de baixa estatura, bonito, de bigode espesso. Passei com ele o último ano de sua vida, morando num apartamento vizinho.Assisti ao definhamento de seu corpo robusto, ao inchaço, ao sofrimento dele noite após noite debruçado à mesa de jantar, comprimindo o estômago, os olhos fechados, a boca contorcida pela dor. “Ah, Deus!”, gemia ele, “Ah, Jesus!”. Nós – minha tia, os dois filhos dele e eu – ali calados, retirando os pratos, evitando olhar uns para os outros. Nunca me senti tão desorientado na vida. Uma noite, em maio, eu e meu tio ficamos sentados na varanda do seu apartamento. Soprava uma brisa e fazia calor. Ele olhou o horizonte e disse entre dentes que não veria a passagem de ano dos filhos na escola. Perguntou se eu poderia tomar conta deles. Pedi-lhe que não falasse assim. Ele me lançou um longo olhar triste. Semanas depois morria. Depois do enterro, minha vida mudou. De repente, o tempo ficou precioso para mim, água escorrendo de uma torneira aberta e eu não podendo me mexer com a rapidez necessária. Chega de tocar música em boates quase vazias. Chega de compor música que ninguém quer ouvir. Voltei a estudar. Formei-me em Jornalismo e peguei o primeiro emprego que me foi oferecido – redator de esportes. Agora, em vez de correr atrás de minha fama, eu escrevia sobre atletas famosos que corriam atrás da deles. Trabalhei para jornais e de freelancer para revistas. Trabalhava num pique que desconhecia horários e limites. Acordava de manhã, escovava os dentes, sentava-me à máquina com a roupa de dormir. Meu tio tinha trabalhado para uma empresa e detestado a mesma coisa todos os dias, e decidi que não ia acabar como ele. Fiquei pulando de Nova York para a Flórida, e acabei numemprego em Detroit, colunista da agência Detroit Free Press. O apetite da cidade por esportes era insaciável – tinham equipes profissionais de futebol americano, basquete, beisebol e hóquei –, o que convinha a meus planos. Em poucos anos, eu não apenas escrevia colunas mas também livros sobre esportes, fazia programas de rádio, aparecia regularmente na televisão, opinava sobre ricos jogadores do nosso futebol e sobre a hipocrisia dos programas de esporte universitário. Passei a fazer parte da tempestade de jornalismo esportivo que agora encharca o país. Eu era muito solicitado. Deixei de ser inquilino e comecei a ser proprietário. Comprei uma casa numa colina. Comprei carros. Investi em ações, formei uma carteira. Engrenei-me em quinta marcha, e tudo que fazia era de olho no relógio. Praticava exercícios físicos como louco. Dirigia a alta velocidade. Ganhava dinheiro numa quantidade que nunca imaginara. Conheci uma moça de cabelos negros chamada Janine, que conseguiu me amar apesar do meu pique de trabalho e de minhas freqüentes ausências. Casamos depois de sete anos de namoro, e uma semana depois voltei ao trabalho. Disse a ela – e a mim mesmo – que um dia começaríamos a formar uma família, o que ela queria demais. Porém esse dia nunca chegou. Em vez de família, eu enchia os dias com o trabalho, porque achava que assim podia comandar as coisas, podia sempre acrescentar mais uma dose de felicidade antes de adoecer e morrer, como meu tio, destino esse que eu considerava natural para mim. E Morrie? Bem, de vez em quando eu pensava nele, no que ele me ensinara quanto a “ser humano” e me “relacionar com os outros”, mas era sempre uma lembrança distante, de outra vida. Durante anos joguei fora toda correspondência que me vinha da Universidade Brandeis, imaginando que fossempedidos de dinheiro. Assim, não fiquei sabendo da doença de Morrie.As pessoas que podiam ter me avisado estavam esquecidas há muito tempo, os telefones delas perdidos em alguma caixa recolhida ao sótão. Poderia ter continuado assim, não fosse a casualidade de estar eu no fim de uma noite pulando os canais de televisão um a um e ouvir alguma coisa que prendeu minha atenção...

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