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Almanaque 1964 (Cód: 7105663)

Bahiana,Ana Maria

Companhia Das Letras

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Descrição

Há 50 anos, em 1964, o mundo fervia. O Brasil começava a viver sob uma ditadura militar desde que, em 31 de março, o Exército tomara o poder, sufocando a democracia e restringindo diversos direitos individuais. Tudo mudava. No exterior, a Guerra do Vietnã, a tensão entre as potências que detinham a bomba atômica e a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos mostravam um mundo em convulsão. E não só na política. Antigos valores ruíam, anunciando um mundo novo — para o bem e para o mal. De Nara Leão a Bob Dylan, de Chico Buarque aos Beatles e Rolling Stones, passando por Glauber Rocha, os filmes de 007, o monoquíni, o frescobol em Ipanema — tudo na cultura e na sociedade daquele ano parecia estar em plena efervescência. Este é o universo que Ana Maria Bahiana recupera — com inteligência e texto pop, rigor no tratamento dos fatos e atenção àquelas deliciosas miudezas que ajudam a retratar uma época — no Almanaque 1964. Lançando mão da linguagem mais descontraída do almanaque, com muitas fotos, texto leve e altamente informativo, o volume é um passeio delicioso e instrutivo por um tempo que ajudou a definir, com violência, paixão, som e fúria, o mundo de hoje.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535923957
Altura 26.00 cm
I.S.B.N. 9788535923957
Profundidade 2.20 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2014
Idioma Português
Número de Páginas 240
Peso 0.35 Kg
Largura 18.00 cm
AutorBahiana,Ana Maria

Leia um trecho

O ano é bissexto e começa no meio da semana — uma quarta-feira, dia de Mercúrio, deus da comunicação, dos viajantes, da sorte, do comércio (vêm de seu nome palavras como Mercado e Mercantil), das fronteiras, dos truques e dos ladrões, e guia das almas dos mortos ao submundo. A lua começa a minguar. No rio de Janeiro, o tempo é bom passando a instável, com trovoadas esparsas à tarde e à noite, ventos variáveis e temperatura máxima de 37,2ºCE mínima de 20,5ºc. Na primeira página do Jornal do Brasil desse 1º de janeiro — por um acaso de ironia cósmica presciente, uma batelada de exemplares chega às bancas impressa com a data de 1º de janeiro de 1968 —, um classificado implora a quem encontrar “pulseira de ouro com medalha de cem pesos chilenos”, perdida “na Academia Militar das Aguuhas [sic] Negras, na festa do aspirantado”, que “tenha a bondade de avisar pelo telefone 26-8231. Generosa gratificação, dado o grande valor estimativo da joia”. Na página 8 do jornal carioca, o Professor Saturno, de Belo Horizonte, faz predições para o novo ano, anunciando a morte — “uma das quais violenta” — de cinco políticos, a continuação da seca no Nordeste, grandes incêndios, uma revolução e o casamento de Jacqueline Bouvier Kennedy, viúva do presidente norte-americano John F. Kennedy, assassinado em novembro do ano anterior. Com um foco “mais realista”, a primeira edição do ano da ilustradíssima revista Manchete faz outras previsões para o ano que começa: um “grande salto para a frente no domínio da energia elétrica” para o Brasil; aceleração da corrida espacial, com vantagem para a União Soviética; transmissão direta, ao vivo, da Olimpíada de Tóquio, em outubro, graças a “satélites do tipo Telstar” lançados pelos estados Unidos; e a cura do câncer pelo “emprego radical do cobalto”. No rio de Janeiro, não mais a capital da república (desde abril de 1960), mas ainda o centro da vida social, cultural e política do país, um grande baile de réveillon reúne mais de 3 mil pessoas em cinco salões do hotel copacabana Palace. Figuras da alta sociedade e autoridades do governo João Goulart pulam carnaval até as quatro da manhã e, observa o repórter José rodolpho câmara, da Manchete, “as mulheres preferiram vestidos curtos aos compridos”. Não muito longe dali, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, o ex-presidente Juscelino Kubitschek celebra o Ano-Novo em família, e a neta Jussara é o centro das atenções. O presidente João Goulart veraneia com a família no palácio rio Negro, em Petrópolis, na serra fluminense, mas não deixa de despachar com seus principais assessores. Até a viagem ao Mato Grosso para recepcionar o presidente do Paraguai, no dia 18, ele recebe visitas de, entre outros, San Tiago Dantas, Miguel Arraes e Leonel Brizola, além de Argemiro de Assis Brasil (chefe da casa Militar da Presidência da república) e Jair Dantas ribeiro (ministro da Guerra). Segue-se um verão desconfortável, pontuado por greves, alta dos preços, racionamento de água e energia elétrica — resultado da prolongada seca — e uma inflação cada vez mais fora de controle. “Há uma espécie de irritação generalizada, [...] mau humor”, diz um comentário na página de editoriais do Jornal do Brasil no dia 8. em 1962 e 1963, o índice de preços subiu 52% e 81,3% (o maior da história), respectivamente. Logo no primeiro dia do ano é anunciado um aumento de 100% no preço dos cigarros e mais um imposto, uma “contribuição compulsória” de até 20% da conta de energia elétrica, supostamente para capitalizar a eletrobras, criada pelo presidente João Goulart em 1962. “Para angustiar ainda mais a vida da população, forçada a custear as melhorias de salários que se renovam em razão da desvalorização do dinheiro, surgem pretextos para elevar ou criar impostos e taxas. […] A partir deste mês as contas de luz vêm acrescidas de uma taxa do tipo empréstimo visando a assegurar a existência de uma nova autarquia, que, para não fugir à regra, terá assessores, consultores e técnicos que absorverão a receita arrecadada”, escreve o colunista Martins Alonso no Jornal do Brasil do dia 8. O país entra o ano vendo sua moeda — o cruzeiro — atingida por uma erosão de 70% do seu valor. A cotação oficial do dólar no primeiro dia do ano é de cr$ 600,00 (compra) e cr$ 620,00 (venda), mas a cotação paralela, no fim do mês, vai até cr$ 1500,00. Segundo uma pesquisa do Instituto de Arquitetos do Brasil, 50% da população do país vive em favelas, mocambos, choças e outras “habitações irregulares” sem “condições mínimas de área, luz, salubridade, conforto e higiene”. A maioria dos jornais afirma que a inflação e a “comunização” do executivo federal são as grandes vilãs, a causa de todos os tormentos do país. Com raríssimas exceções (como os jornais cariocas Última Horae Correio da Manhã), quanto à presidência de João Goulart oscila e No rio de Janeiro, todo dia é dia de apagão anunciado e planejado — com as usinas da Light no vale do rio Paraíba do Sul funcionando precariamente, um rigoroso racionamento de energia leva a cortes diários de luz de até duas horas. O recém-adquirido ritual familiar de compartilhar o Repórter Esso, “testemunha ocular da história”, ancorado por Gontijo Teodoro, na TV Tupi do rio, vê-se temporariamente interrompido, substituído por silenciosa contemplação (ou acaloradas discussões, dependendo da família) à luz de velas e lampiões de querosene. Uma nota de serviço publicada pelo superintendente da Polícia Judiciária da Guanabara, Paulo Sales Guerra, autoriza policiais em serviço a matar suspeitos que resistam à prisão. Em São Paulo, a represa Billings está quase totalmente seca por conta da severa estiagem, e a capital paulista entra no racionamento no dia 20 de janeiro. A seca também causa uma enorme quebra nas safras agrícolas, chegando a 60% no estado. Uma matéria de quinze páginas em cores na primeira edição do ano da Manchete anuncia o fim dos problemas de abastecimento de água do rio de Janeiro: a “nova adutora do Guandu considerada a obra do século no rio […] resolverá o problema do abastecimento de água até o ano 2000”.

Avaliações

Avaliação geral: 5

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CRAZYLEGS recomendou este produto.
04/08/2014

PERFEITA COMPILAÇÃO DE UM ANO TERRÍVEL

VI ESTE LIVRO EM EXPOSIÇÃO E COMPREI COM A CERTEZA DE QUE ERA MUITO BOM, POR SABER QUE A AUTORA É SENSACIONAL. ACOMPANHO ANA MARIA BAHIANA DESDE QUE A CONHECI NA REVISTA ROCK A HISTORIA E A GLORIA. GRANDE JORNALISTA TAMBÉM!
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