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Amor (Cód: 176996)

Morrison,Toni

Companhia Das Letras

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Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Bill Cosey era um homem de personalidade forte, dono de um hotel onde, nas décadas de 40 e 50, apresentavam-se os principais músicos de jazz, atraindo clientes ricos e poderosos da comunidade negra norte-americana. Viúvo, com ele moravam a nora, May, e a neta, Christine (o filho morrera de pneumonia), que ficam chocadas quando ele resolve se casar de novo, com Heed, uma das jovens amigas de Christine. Quantos tipos de amor existem? Toni Morrison não tenta responder essa pergunta impossível. Trinta anos depois do acontecido (o hotel, após uma longa decadência, já não existe), o romance vai desenrolando as relações, sempre conturbadas, de seis mulheres com aquele mesmo homem, tendo como pano de fundo a dolorosa história da América negra.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535906646
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8535906649
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 248
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorMorrison,Toni

Leia um trecho

As pernas da mulher estão bem abertas, então eu cantarolo. Os homens ficam irritados, mas sabem que é tudo para eles. E relaxam. Ficar ali de lado sem poder fazer nada além de olhar é difícil, mas não digo nem uma palavra. Minha natureza é calada mesmo. Quando criança, me consideravam respeitosa; quando jovem me chamavam de discreta. Depois, passaram a achar que eu tinha a sabedoria da maturidade. Hoje em dia, silêncio é considerado esquisito e a maioria da minha raça esqueceu a beleza de dizer muito falando pouco. Agora, as línguas trabalham sozinhas sem ajuda da mente. Mas eu era capaz de uma conversa normal e, quando havia necessidade, era capaz de defender uma posição a ponto de enfrentar um útero - ou uma faca. Não mais, porque nos anos 70, quando as mulheres começaram a sentar a cavalo na cadeira e dançar com os fundilhos de fora na televisão, quando toda revista começou a mostrar traseiros e coxas como se fosse tudo que uma mulher tem, bom, eu calei minha boca de uma vez. Antes de as mulheres resolverem se abrir em público, havia segredos - alguns para serem guardados, outros revelados. Agora? Não. Como o descaramento é a ordem do dia, eu cantarolo. As palavras dançam na minha cabeça acompanhando a música da minha boca. As pessoas entram aqui atrás de um prato de lagostim, ou para passar o tempo, e nem notam ou nem se importam de falar sozinhas. Eu sou pano de fundo - a música dos filmes que toca quando os namorados se vêem pela primeira vez, ou quando o marido está andando sozinho na praia imaginando se alguém viu ele fazer aquela coisa ruim que não conseguiu evitar. O meu canto anima as pessoas; organiza as idéias delas igual quando Mildred Pierce resolve que tem de ir para a cadeia no lugar da filha. Desconfio que, mansa como é, minha música também tem essa influência. Do jeito que "Mood Indigo" flutuando nas ondas pode mudar o jeito de você nadar. Não faz você mergulhar, mas pode marcar o seu ritmo, ou fazer você acreditar que é esperto, que tem sorte. Então, por que não nadar um pouquinho mais e mais um pouquinho ainda? Até onde dá pé para você? Vai lá no fundo e isso não tem nada a ver com uma coragem que vem dos trompetes e das teclas de piano, não é? Claro, não estou dizendo que tenho esse poder. Meu canto quase sempre fica por baixo, onde não se nota; condizente com uma velha que tem vergonha do mundo; é o jeito dela protestar contra o rumo que o século está tomando. Onde tudo é sabido e nada é entendido. Talvez tenha sido sempre assim, mas foi só há uns trinta anos que entendi que as prostitutas, admiradas pela honestidade, sempre ditaram a moda. Bom, talvez não fosse a honestidade; talvez fosse o sucesso que elas faziam. Então, montadas numa cadeira ou dançando meio nuas na televisão, essas mulheres dos anos 90 não são assim tão diferentes das mulheres respeitáveis que vivem por aqui. Aqui é zona de litoral, úmida e temente a Deus, onde o atrevimento das mulheres se esconde muito lá no fundo para elas usarem short curto, sandália de dedo ou câmera. Mas seja antigamente, seja hoje, com roupa de baixo decente ou sem nenhuma, mulher sem-vergonha não consegue nunca esconder a inocência - uma esperança de gatinha abandonada de que o príncipe está a caminho. Principalmente as duronas com seus estiletes e a boca suja, ou as sebosas com carros de dois lugares e uma carteira cheia de droga. Nem aquelas que mostram as cicatrizes como se fossem medalhas do governo e com meia enrolada no tornozelo conseguem esconder a criança doce, a menininha encantadora encolhida em algum canto lá de dentro, no meio das costelas, digamos, ou debaixo do coração. Claro que todas têm uma história triste: cuidados demais, ou de menos, ou do tipo pior. Alguma história de pai dragão ou de homem de coração fingido, ou de mamãe perversa e de amigos que fizeram mal para elas. Cada história tem um monstro que as fez ficarem duras em vez de valentes, de forma que elas abrem as pernas em vez do coração onde aquela criança está dobrada e guardada. Às vezes, o corte é tão fundo que nenhuma história de sofrimento dá conta. Então a única coisa que funciona, que explica a loucura cada vez maior, que bota para baixo e faz uma mulher odiar a outra e arrasar com os filhos é um mal que vem de fora. As pessoas em Up Beach, a cidade onde nasci, falavam de umas criaturas chamadas Cabeças-de-polícia - umas coisas sujas de chapéu grande que saíam de dentro do mar para fazer mal para mulheres perdidas e para comer criancinhas desobedientes. Minha mãe sabia dessas coisas quando era menina e as pessoas sonhavam acordadas. Elas desapareceram durante algum tempo, mas voltaram de chapéu novo e maior a partir dos anos 40 quando aconteceram na praia umas coisas do tipo "Está vendo, eu não disse?". Como aquela mulher que foi farrear na praia com o marido da vizinha e no dia seguinte teve um ataque na fábrica de conservas, a faca de descascar ainda na mão. Não tinha nem vinte e nove anos completos na época. Outra mulher - que morava em Silk e não tinha nada a ver com o povo de Up Beach -, bom, ela escondeu uma lanterna e uma escritura de compra na areia da praia da casa do sogro de noitinha e durante a noite uma tartaruga marinha desenterrou. A coitada da nora se arrebentou tentando impedir o vento e o Klan de chegar perto dos papéis que tinha roubado. Claro que ninguém viu mesmo nenhum Cabeça-de-polícia durante a vergonha dessas mulheres culpadas, mas eu sabia que eles estavam por perto e sabia também a cara que tinham porque já os vira em 1942, quando uns cabeças-duras de uns meninos nadaram além da corda de segurança e morreram afogados. Assim que eles afundaram, se juntou uma nuvem de tempestade em cima da mãe que gritava e de umas pessoas que estavam fazendo piquenique e ficaram sem fala, aí, num piscar de olhos, as nuvens viraram umas caras com bocas enormes e chapéus de abas largas. Teve gente que ouviu trovoada, mas juro que eu ouvi foram gritos de alegria. Desde aquela época, durante todos os anos 50, eles espreitaram por cima das ondas ou por cima da praia, prontos para atacar de tardezinha (sabe, quando a luxúria é mais forte, quando as tartarugas caçam ninhos e pais descuidados ficam com sono). Claro que a maioria dos demônios fica com fome na hora do jantar, igual à gente. Mas os Cabeças-de-polícia gostavam de atacar de noite também, principalmente quando o hotel estava cheio de hóspede bêbado com a música de dança, com o ar salgado, com a tentação da luz das estrelas na água. Era no tempo em que o Cosey's Hotel e Resort era o melhor lugar de férias do povo de cor da Costa Leste, e o mais conhecido. Todo mundo vinha aqui: Lil Green, Fatha Hines, T-Bone Walker, Jimmy Lunceford, os Drops of Joy e hóspedes lá de Michigan e Nova York que mal podiam esperar para chegar aqui. A Sooker Bay fervia de primeiros-tenentes e mães novinhas; de moços professores, proprietários, médicos, empresários. Por todo lado as crianças andavam montadas nas canelas dos pais ou enterravam os tios até o pescoço na areia. Homens e mulheres jogavam croqué e formavam times de beisebol que só queriam era rebater a bola para dentro da água. Avós cuidavam de garrafas térmicas vermelhas com alças brancas e de cestos grandes com salada de caranguejo, presunto, galinha, broa e bolo de limão, minha nossa! Depois, de repente, em 1958, com a ousadia de um bando armado, os Cabeças-de-polícia apareceram na claridade da manhã. Um clarinetista e a mulher, recém-casados, morreram afogados antes do café-da-manhã. A câmara de ar em que eles estavam boiando foi jogada na praia com uns chumaços de pêlos de barba cheios de escamas. Chegaram a pensar e fazer intriga que a noiva podia ter pulado a cerca durante a lua-de-mel, mas os fatos eram meio turvos. Claro que ela teve todas as oportunidades. O Cosey's Resort tinha mais solteiros bonitos por metro quadrado do que qualquer lugar fora de Atlanta ou até mesmo de Chicago. Eles vinham em parte pela música, mas principalmente para dançar à beira-mar com mulheres bonitas. Quando o casal afogado foi separado - mandados para casas funerárias diferentes -, era de se imaginar que mulheres desgarradas e crianças teimosas fossem aprender a lição, porque sabiam que não havia escapatória: rápidos como um raio, de dia ou de noite, os Cabeças-de-polícia podiam surgir das ondas e castigar mulheres vadias ou engolir crianças malcomportadas. Só quando o recurso falhava é que eles saíam sorrateiros como um batedor de carteira na fila do pão. Pouca gente que ainda afunda armadilhas para caranguejos nas baías de trás talvez lembre deles, mas sem as grandes orquestras e os casais em lua-de-mel, sem os barcos, os piqueniques e os banhistas, quando a Sooker Bay virou um tesouro de lixo do mar e a própria Up Beach se afogou, ninguém mais precisava nem queria se lembrar dos chapéus grandes e das barbas com escamas. Mas isso já faz quarenta anos agora; os Cosey desapareceram dos olhos do público e temo por eles quase todo dia. A não ser por mim e por umas poucas cabanas de pesca, Up Beach está quase sete metros debaixo da água; mas a parte do hotel do Cosey's Resort ainda está de pé. Meio de pé. Parece mais que está caindo para trás - para longe dos furacões e do vento sempre soprando a areia. Estranho o que o litoral pode fazer com prédios vazios. Nos degraus a gente encontra as conchas mais lindas, como pétalas ou camafeus caídos de um vestido de domingo, e a gente fica pensando como foram parar ali, tão longe do mar. Os montes de areia que sobem nos cantos da varanda e entre os pilares da balaustrada são mais brancos que a praia, e mais macios, igual farinha peneirada duas vezes. Em volta do gazebo crescem dedaleiras que batem na cintura, e rosas, que sempre detestam nosso solo, crescem feito loucas lá, com mais espinhos que amoreiras e semanas de botões vermelhos cor de beterraba. O revestimento de madeira do hotel parece folheado a prata, a tinta descascada como as manchas de um aparelho de chá que não foi polido. A grande porta dupla está fechada com cadeado. Até agora, ninguém quebrou os painéis de vidro. Ninguém tem coragem porque os painéis refletem a cara da pessoa, além da paisagem atrás dela: metros e metros de capim chegando até a praia cintilante, um céu de tela de cinema e um mar que chama a gente mais do que qualquer outra coisa. Apesar da solidão do lado de fora, quando se olha lá dentro, o hotel parece que promete o êxtase e a companhia de todos os seus melhores amigos. E música. O giro da dobradiça de uma janela soa como a tosse de um trompete; as teclas do piano tremulam uma nota no vento, de forma que você sente falta do sentimento que enchia aqueles salões e quartos fechados. Nosso clima é ameno, quase sempre, com uma luz especial. A manhã pálida se desmancha em meio-dia branco, mas às três da tarde as cores são tão berrantes que dá medo. Ondas de jade e safira brigam umas com as outras, levantando tanta espuma que dá para lavar um lençol. O céu da noite se comporta como se fosse de algum outro planeta - um planeta sem regras, onde o sol pode ficar roxo-ameixa se quiser e as nuvens vermelhas como papoulas. Nossa costa é como açúcar, que foi o que os espanhóis pensaram quando chegaram aqui pela primeira vez. Sucre, eles chamaram, nome que os brancos locais estraçalharam para sempre em Sooker. Ninguém se fartava do nosso clima, a não ser quando o cheiro da fábrica de conservas chegava até a praia e entrava no hotel. Aí, os hóspedes descobriam o que o povo de Up Beach tinha de agüentar todo dia e pensavam que por causa daquilo é que Mr. Cosey tinha tirado a família do hotel e construído aquela casa grande na rua Monarch. O cheiro de peixe não era uma coisa assim tão ruim por aqui. Assim como o fedor do pântano e das latrinas, era só mais uma variedade para os sentidos. Mas nos anos 60 virou um problema. Uma nova geração de mulheres reclamava do que o cheiro fazia com os vestidos delas, com o apetite, com a idéia de romance. Foi por volta da época em que o mundo resolveu que o nariz só existia para cheirar perfume. Me lembro de Vida tentando acalmar a namorada de um cantor famoso que estava reclamando porque o filé estava com gosto de marisco. Aquilo me machucou porque eu nunca falhei na cozinha. Depois, Mr. Cosey disse para as pessoas que isso é que havia acabado com os negócios dele - que tinha sido enganado pelos brancos, que deixaram que comprasse quanta praia quisesse porque a fábrica de conserva, tão próxima, deixava tudo sem valor. O cheiro de peixe tinha transformado o hotel dele numa piada. Mas o que eu sei é que o cheiro que cobria Up Beach chegava a Sooker Bay só uma ou duas vezes por mês - e nunca entre dezembro e abril, quando as armadilhas para caranguejos ficavam vazias e a fábrica fechada. Não. Não me importa o que ele disse para as pessoas, foi outra coisa que acabou com este hotel. Liberdade, May disse. Ela tentou muito fazer o local continuar funcionando quando o sogro perdeu o interesse e ela se convenceu de que os direitos civis tinham destruído sua família e seus negócios. Com isso ela queria dizer que gente de cor estava mais interessada em explodir cidades do que em dançar no litoral. Ela era assim, a May; mas o que começou como cabeça-dura acabou como cabeça-torta. O fato é que as pessoas que se gabavam de férias no Cosey nos anos 40, nos 60 se gabavam do Hyatt, do Hilton, de cruzeiros pelas Bahamas e por Ocho Rios. A verdade é que a culpa não era nem dos frutos do mar nem da integração. Não importa a mulher que achou que o filé estava com cheiro de marisco, os clientes sentam até do lado da privada se for o único jeito de ouvirem Wilson Pickett ou Nelli Lutcher. Além disso, quem é capaz de diferenciar um cheiro de outro quando está apertado com seu par numa pista de dança lotada ouvindo "Harbor lights"? E quando May ficava todo dia colocando a culpa dos seus problemas em Martin Luther King, o hotel ainda dava dinheiro, só que com uma clientela diferente. Escute o que eu digo: a culpa era de outra coisa. Além disso, Mr. Cosey era um homem esperto. Ele ajudou mais gente de cor do que quarenta anos de programas do governo por aqui. E não foi ele que lacrou o hotel e vendeu setenta e cinco acres para uma incorporadora Equal Opportunity para fazer trinta e duas casas tão mal construídas que o meu barraco envergonha elas todas. Pelo menos o meu piso é de carvalho aplainado à mão, não de um pinho ensebado qualquer; e as minhas vigas podem não ser retas feito uma régua, mas são legítimas e estão durando bem desde que foram levantadas. Antes de Up Beach se afogar num furacão chamado Agnes, houve uma seca sem nome nenhum. Tinham acabado de fechar a venda, os lotes mal estavam demarcados e as mães de Up Beach bombavam lama das torneiras. Os poços secos e a água salobra assustaram tanto as pessoas que elas desistiram da vista para o mar e solicitaram uma hipoteca do Departamento de Habitação a dois por cento. A água da chuva não servia mais para elas. Problemas, desemprego, furacões depois de secas, pântanos transformados em bolos de lama tão secos que até os mosquitos foram embora - eu via tudo isso simplesmente como a vida sendo ela mesma. Então levantaram as casas do governo e batizaram o bairro de Oceanside - coisa que não é. Os incorporadores começaram a vender para veteranos do Vietnã e aposentados brancos, mas quando Oceanside virou alvo das pessoas chutadas do emprego para os vales de alimentação, as igrejas e esse negócio de ação afirmativa entraram em cena. A previdência social ajudou um pouco até a renovação urbana chegar à cidade. Aí, tinha emprego por toda parte. Agora, está cheio de gente que pega condução para trabalhar nos escritórios e nos laboratórios do hospital trinta e cinco quilômetros para o norte. Viajam daquelas casinhas baratas e bonitinhas para os shoppings e os cinemas multiplex e estão tão contentes que não têm nem um pensamento sombrio, quanto menos uma lembrança dos Cabeças-de-polícia. Também não lembrei deles até começar a sentir saudade das mulheres Cosey e ficar pensando se elas afinal se mataram. Quem além de mim iria saber se elas estivessem mortas lá - uma vomitando na escada, ainda segurando a faca com que cortou a garganta daquela que lhe deu veneno? Ou se uma teve um ataque depois de dar um tiro na outra e, sem conseguir se mexer, morreu de fome bem na frente da geladeira? Não foram encontradas durante dias. Até o menino do Sandler precisar do pagamento semanal. Talvez seja melhor eu parar de ver televisão um pouco. Eu costumava ver uma delas dirigindo aquele velho Oldsmobile enferrujado - indo ao banco ou vindo aqui, de vez em quando, para comer um filé Salisbury. Fora isso, elas não saem da casa há anos. Não desde que uma voltou com uma sacola de compras do Wal-Mart e dava para dizer pela posição dos ombros dela que tinha apanhado da vida. A bagagem de Samsonite branca que levou quando foi embora não estava à vista. Achei que a outra ia bater a porta na cara dela, mas não bateu. Acho que as duas sabiam que se mereciam. Mais mesquinhas que ninguém e reservadas, o que elas recebem é a atenção normal que gente de quem ninguém gosta recebe. Vivem como rainhas na casa de Mr. Cosey, mas desde que aquela menina mudou para lá faz algum tempo com uma saia tão curta quanto uma calcinha e sem nenhuma calcinha, fiquei preocupada de elas me abandonarem aqui sem nada além de lembranças de velho. Sei que é bobagem: só mais uma história inventada para assustar mulheres ruins e corrigir crianças malcriadas. Mas é só isso que eu tenho. Sei que preciso de mais alguma coisa. Alguma coisa melhor. Como uma história que mostre como mulheres descaradas podem acabar com um homem bom. Posso cantarolar isso.

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