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Amor em Minúscula (Cód: 2229340)

Miralles,Francesc

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Descrição

'Entendi de repente que nosso futuro depende de atos tão mínimos como o de alimentar um gato... Mas qual era o sentido daquilo tudo? Significava que devia procurar Gabriela? Devia retomar minha vida a partir do ponto de onde a deixara trinta anos atrás? Aonde levavam os elos desta cadeia?
Amor em minúscula, pensei, esse é o segredo. Pareceu-me que estas palavras não vinham de mim, mas do raio de sol que atravessava o vidro do táxi, iluminando uma galáxia de partículas de pó.'

Na última noite do ano, Samuel, um professor, tem a certeza de que os 365 dias seguintes não serão muito diferentes daqueles que passaram: milhares de provas a corrigir e aulas a preparar. Em sua rotina, a atividade mais emocionante é a ida ao supermercado. No entanto, para não romper com a tradição, Samuel não se opõe às usuais 12 uvas e à taça de champanhe para celebrar o ano-novo.
Na manhã do novo ano, ao se levantar bem cedo, o professor está convencido de que nada de insólito irá lhe acontecer. No entanto, um estranho ruído o leva até a entrada do apartamento. Ali, à soleira da porta, encontra-se um pequeno visitante. Com menos de um palmo de altura e dono de pêlos tigrados, um gato saúda com um miado musical o novo amigo. Porém, o que Samuel não imaginava era que aquela visita seria o começo de uma incrível transformação em sua vida.
Disposto a não abandonar o novo dono, Mishima (nome recebido em homenagem a um velho escritor japonês) leva Samuel a conhecer Titus, vizinho com quem jamais trocara palavra, e o enigmático Valdemar. Desses dois encontros nasce uma curiosa e terna amizade que, como num passe de mágica, é responsável pelo reencontro do solitário professor com a misteriosa Gabriela... depois de trinta anos. Pela primeira vez em sua vida, Samuel tem a oportunidade de viver intensamente os pequenos acontecimentos cotidianos.
Escrito pelo espanhol Francesc Miralles, 'Amor em Minúscula' é uma delicada e terna história de amor e amizade, que vai comover o leitor e lhe revelar os pequenos segredos de uma vida plena.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501080646
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8501080640
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 288
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorMiralles,Francesc

Leia um trecho

I UM MAR DE NÉVOA 650 mil horas Faltava um suspiro para que um ano acabasse e começasse outro. Invenção humana para vender calendários. Afinal de contas, decidimos arbitrariamente quando começam os anos, os meses e até as horas. Organizamos o mundo como queremos e isso nos deixa tranqüilos. É possível que, sob um caos aparente, o universo tenha, apesar de tudo, uma ordem. Mas sem dúvida não será a nossa. Enquanto colocava sobre a solitária mesa da sala de jantar uma garrafa pequena de champanhe e 12 uvas, eu pensava nas horas. Havia lido em um livro que as baterias da vida humana se esgotam ao cabo de 650 mil horas. Pelo histórico médico dos homens da minha família, calculei que minha exp ectativa de horas era um pouco menor do que a média: umas 600 mil, no máximo. Aos 37 anos, era provável que estivesse na metade do percurso. A questão era: quantos milhares de horas eu já desperdiçara? Faltando pouco para a meia-noite daquele dia 31 de dezembro, minha vida não havia sido exatamente uma aventura. Com uma família limitada a uma irmã que não via quase nunca, minha existência transcorria entre o departamento de filologia germânica — onde sou professor adjunto — e meu obscuro apartamento. Fora minhas aulas de literatura, mal tinha qualquer contato social. No meu tempo livre, além de preparar as matérias e corrigir provas, me entregava às típicas ocupações de um solteirão malhumorado: ler e reler livros, ouvir música clássica, assistir ao noticiário... Uma rotina em que a coisa mais emocionante eram minhas idas ocasionais ao supermercado. Às vezes, me concedia um prêmio nos feriados e ia aos cinemas Verdi para ver um filme em sua versão original. Sempre na penúltima sessão. Saía tão só como quando entrara, mas o que vira me proporcionava distração até a hora de me deitar. Já entre os lençóis, lia o folheto que o cinema publica sobre o filme: contém ficha técnica, os elogios da crítica (as críticas negativas nunca aparecem) e entrevistas com o diretor ou os atores. A opinião que eu havia formado sobre o filme nunca mudava. Depois apagava a luz. E nesse exato momento me invadia uma sensação muito estranha. Pensava que não tinha certeza de que despertaria no dia seguinte. E, o que é pior, me angustiava calculando quantos dias, mesmo semanas, passariam até que alguém percebesse que eu havia morrido. Sentia essa inquietação desde que lera no jornal que um japonês fora encontrado em seu apartamento três anos depois de seu falecimento. Aparentemente ninguém sentira sua falta. Mas voltemos ao caso das uvas. Enquanto pensava nas horas perdidas, contei 12 uvas e coloquei-as num pratinho. Na frente dele, uma taça alongada e a pequena garrafa de champanhe. Nunca fui um grande bebedor. Abri a garrafinha quando ainda faltavam seis minutos para que os sinos começassem a tocar. Não iriam me pegar desprevenido. Depois liguei a televisão e sintonizei em um dos canais que exibiam um relógio emblemático. Creio que era o da Porta do Sol de Madri. Atrás do casal de apresentadores, belos e reluzentes, agitava-se uma multidão entusiasmada estourando rolhas de espumantes. Alguns cantavam ou pulavam com os braços erguidos para que fossem captados pelas câmeras. Como parece estranha a diversão das pessoas quando se está sozinho! Os sinos começaram finalmente a tocar e, ao som do relógio, cumpri o ritual de encher a boca com as uvas. Enquanto arejava o paladar com um gole de champanhe, não pude evitar me sentir ridículo por ter mordido a isca da tradição. Quem me mandava participar daquela pantomima? Resolvi que o assunto não merecia que lhe dedicasse mais tempo, enxuguei a boca com um guardanapo e desliguei a televisão. Enquanto tirava a roupa para me enfiar na cama, chegava da rua o estampido de fogos e gargalhadas. “São infantis”, disse a mim mesmo ao apagar a luz no fim de mais um dia. Naquela noite demorei a conciliar o sono. E não pela bagunça da rua — bastante perceptível já que vivia entre duas praças do bairro de Gracia —, pois tenho o hábito de ir para a cama com máscara de dormir e protetores de ouvido. Pela primeira vez naquelas festividades me senti só e desamparado, e desejei que a farsa natalina acabasse logo. Esperavam-me cinco dias tranqüilos, por assim dizer. Depois haveria o almoço de Reis com minha irmã e seu marido, um sujeito que sofre de depressão desde que o conheço. Não tiveram filhos. “Isso será difícil de engolir”, pensei, “pelo menos no dia seguinte tudo volta ao normal.” Reconfortado por esse pensamento, notei que minhas pálpebras se fechavam. Voltaria a abrilas? “Já estou em um novo ano”, foi meu último pensamento, “mas nada de novo virá.” E adormeci ignorando o quanto me equivocava.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: Amor em Minúscula

Raquel recomendou este produto.
09/12/2015

muito bom!

Como alguém já comentou aqui, você vai viajar com esse livro
Esse comentário foi útil para você? Sim (0) / Não (0)
SIBELE recomendou este produto.
23/12/2014

Emocionante

Se vc é igual a mim, que adora os animais, principalmente gatos, recomendo que leia este livro. Narrativa simples de rápida leitura e história de bom gosto. Vc vai viajar com este livro. Vale a pena. Recomendo.
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