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Antologia Poética - Fernando Pessoa - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649441)

Pessoa, Fernando

Saraiva De Bolso

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Antologia Poética - Fernando Pessoa - Col. Saraiva de Bolso

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Descrição

Esta Antologia poética de Fernando Pessoa reúne alguns dos poemas mais importantes da obra pessoana. Do ortônimo — chamado também Fernando Pessoa, ele mesmo, mas nem por isso a representação fiel da figura civil de Fernando Pessoa — aos heterônimos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Esta seleção nos dá um apanhado da impressionante obra de um dos maiores poetas da modernidade.

Organização: Walmir Ayala

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925188
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925188
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorPessoa, Fernando

Leia um trecho

Introdução Num texto sobre sociologia política, recentemente publicado, Fernando Pessoa escreveu: “Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um novo mundo!”. Referia-se à mediocridade do messianismo populista em confronto com o conceito aristocrático do liberalismo, repudiava o misticismo do estado mental dos revolucionários espelhando o caráter reacionário e religioso do bolchevismo no caráter reacionário e religioso do cristianismo. Em tese, digamos, já que é possível extrair nuances históricas conflitantes de ambas colocações, quer no aspecto político, quer no aspecto da religiosidade. Embora não estejamos aqui concentrados em analisar as posições políticas de Fernando Pessoa, mas a sua carismática poesia, é bom atrelar o carro a esta espécie de lucidez que se lança sempre em espelhar os opostos, em não acreditar na fixidez das convicções, em ser sempre um descobridor, fiel descendente da raça dos navegadores. Em Fernando Pessoa, especialmente na sua poesia, consuma-se aquele estado ideal de comunicação, pelo qual o leitor passa a ser parte integrante da ação poética, porque o que o poeta diz impregna-se de uma verdade de vida, que consiste exatamente em não decretar verdade nenhuma. Já no espantoso fenômeno da invenção dos heterônimos (vários poetas falando pela boca de um só poeta), Fernando Pessoa quis traçar seu mapa do tesouro, cuja paixão consiste na aventura da procura, mais do que no prazer definitivo da descoberta. Fernando Pessoa não quis o definitivo, deixou abertas todas as possibilidades conceituais da dúvida, e através dela permitiu ao leitor comum o supremo prazer de se reconhecer inventor, copartícipe de uma cínica e fascinante teoria do fingimento. Diz ele: O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. Neste poema, que não colocou na boca de nenhum de seus heterônimos, Fernando Pessoa concentra uma definição meridiana de seu desafio: a não necessidade de se engajar no conceito tradicional (e convencional) de fidelidade a si mesmo, tão caro aos poetas conservadores. É evidente que os sentimentos humanos são comuns, sejamos um filósofo ou um padeiro. O que diferencia as situações é o nível de invenção, é o “fingimento” que nos confere o direito de simular o genuíno, cabendo à voltagem dessa simulação a qualidade da experiência. Fernando Pessoa partiu do exemplo da literatura dramática (ou dramatúrgica), para se identificar como um poeta dramático — Lady MacBeth seria tão real quanto Shakespeare — e assim Álvaro de Campos teve a liberdade de nascer e morrer, como Caeiro e Ricardo Reis, do organismo integral e absoluto de Fernando Pessoa. Pode-se dizer até que o suporte desta invenção sem precedentes, a vida corrente e trivial do poeta, foi linear e medíocre. Estudos normais, instabilidade econômica, empregos irrelevantes, todo um curso asfixiante de dias sob os quais (ou acima dos quais) palpitava a genialidade de um criador que declarou: “Um passo mais na escala poética, e teremos o poeta que é uma criatura de sentimentos vários e fictícios, mais imaginativo do que sentimental, e vivendo cada estado de alma antes pela inteligência que pela emoção.” Diante desse cenário é pungente ouvir ainda de Fernando Pessoa a confissão desolada, pela boca de Caeiro: “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, / não há nada mais simples. / Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. / Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.” Numa carta reveladora que remeteu a João Gaspar Simões em 1931, Fernando Pessoa pretende entregar ao crítico, e ao leitor, a chave mestra de seu laboratório criador. Este enigma se multiplica em muitos textos teóricos de Fernando Pessoa, e mesmo nas linhas e entrelinhas de seus poemas, cuja grande maioria é uma permanente e obsessiva Arte Poética. Mas vamos a um trecho da citada carta que, pela síntese e prazer de definição, torna-se exemplar: O ponto central da minha personalidade como artista é que sou um poeta dramático; tenho, continuamente, em tudo quanto escrevo, a exaltação íntima do poeta e a despersonalização do dramaturgo. Voo outro — eis tudo. Do ponto de vista humano — em que o crítico não compete tocar, pois de nada lhe serve que toque — sou um hístero-neurastênico com a predominância do elemento histérico na emoção e do elemento neurastênico na inteligência e na vontade (minuciosidade de uma, tibieza de outra). Desde que o crítico fixe, porém, que sou essencialmente poeta dramático, tem a chave da minha personalidade, no que pode interessá-la a ele, ou a qualquer pessoa que não seja um psiquiatra, que, por hipótese, o crítico não tem que ser. Munido desta chave, ele pode abrir lentamente todas as fechaduras da minha expressão. Sabe que, como poeta dramático, sinto despegando-me de mim; que como dramático (sem poeta), transmudo automaticamente o que sinto para uma expressão alheia ao que senti, construindo na emoção uma pessoa inexistente que a sentisse verdadeiramente, e por isso, sentisse, em derivação, outras emoções que eu, puramente eu, me esqueci de sentir. O extraordinário nesta invenção de múltiplas pessoas, definidas em biótipo, fraquezas e virtudes, dentro de si mesmo, é a consciência que tem Fernando Pessoa da necessidade de ser ao mesmo tempo a afirmação do que ele jamais seria: Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim, personagens essas a que atribui poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e ideias, os escreveria. Vejamos uma síntese biográfica dessas personagens pelas quais a personalidade polêmica e dialética de Fernando Pessoa se manifestou. Trata-se de um trecho de uma carta que o poeta dirigiu a Adolfo Casais Monteiro, em 1931: ...Mais uns apontamentos nesta matéria... Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de outubro de 1890 (à 1h30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inatividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mais seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 metros de altura, mais dois centímetros do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara raspada todos — o Caeiro, louro, sem cor, olhos azuis; Reis, de um vago moreno mate; Campos, entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma — só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico, vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico, é um latinista por educação alheia e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o “Opiário”. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre. Como escrevo em nome desses três?... Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis depois de uma deliberação abstrata, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterônimo Bernardo Soares, que, aliás, em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterônimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu, menos o raciocínio e a afetividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de tênue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente, mas com lapsos como dizer “eu próprio” em vez de “eu mesmo” etc. Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis — ainda inédita — ou a de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso.) A convivência desses seres nem sempre é agradável no universo pessoano. Ele diria a respeito de um poema de Alberto Caeiro: “Escrevi com sobressalto e repugnância o poema oitavo de ‘Guardador de Rebanhos’, com sua blasfêmia infantil e seu antiespiritualismo absoluto.” Certamente Fernando Pessoa estava num momento de irreversível dúvida sobre sentimentos e verdades que o impregnavam, e usou o heterônimo para discutir consigo mesmo este processo. Ao discuti-lo se revoltou, e teria — como tantas vezes teve — a capacidade de questionar seu outro eu, pela liberdade com que se pôs a pensar fora dele, criando assim uma realidade mágica com que sobrepor-se à mediocridade da rotina. Seu processo de mentação chega ao ponto de colocar dois heterônimos em discussão. É o caso de Ricardo Reis, que num ensaio contesta Álvaro de Campos, com relação à diferença fundamental entre prosa e poesia, comparando as proporções do emotivo e do intelectual em ambos gêneros. Quando afirma “Viver não é necessário; o que é necessário é criar”, está chancelando seu mais alto desígnio. E não se trata de uma qualidade nascida com ele, e só nele revelada, porque a partir disso ele alerta todos os poetas para o mistério simples e imediato da transcendência, mesmo quando a concretude é instrumento direto da revelação. Em sua biografia lê-se, por exemplo, que o comovente poema “O menino de sua mãe”, foi motivado por uma litografia que viu numa pensão onde fora jantar com um amigo. Para os atletas da inspiração, trata-se de uma lição exemplar. Partindo de um dado possivelmente pouco expressivo ele criou um poema perene, no qual todos os dados perceptivos foram formulados pela inteligência, e pelo humanismo universal que só a inteligência sabe construir sobre a circunstância. Sobre a simultaneidade de suas visões e reflexões sobre o que existe, vamos ver o que Fernando Pessoa escreveu: “Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.” Curiosamente ele avança numa definição delicada e até perigosa quando diz “sou um temperamento feminino com inteligência masculina”, determinando uma certa timidez de origem, uma passividade que ele acentua ao se confessar, no amor, muito mais o que quer ser amado do que o que quer amar, o que contradiz uma natureza criativa. Mas em Fernando Pessoa não se pode visualizar contradições convencionais. Ele é a grande contradição em si mesma, e a afirmação e equilíbrio desta contradição em termos de exercício de inteligência. Não se trata da contradição que extravia, mas da que desafia e vence. Não me alongo mais nesta introdução que apenas atrasa o possível leitor no mergulho desta selva sufocante, sem dúvida a mais importante que a língua portuguesa produziu em poesia. Estou certo de que ninguém passará incólume por estas veredas. Bafejado de loucura, de santa loucura, imprime-se no tempo o perfil de pássaro seco do poeta, um pássaro cujo silencioso e perfurante olhar fosse a ordem do canto. Um poeta consumido na loucura da inteligência sem fronteiras, compensando a vida sem grandeza. Poeta que morreu quase inédito, amado por uns poucos iluminados por ele e quase como ele. Um poeta que falou assim, de sua profética loucura: Minha loucura, outros que a tomem Com o que nela ia. Sem loucura que é o homem Mais que a besta sadia. Cadáver adiado que procria? Rio de Janeiro, novembro de 1985. Walmir Ayala Fernando Pessoa - Ele mesmo De Mensagem Benedictus Dominus Deus noster qui dedit nobis signum. As quinas Segunda / D. Fernando, infante de Portugal Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça A sua santa guerra. Sagrou-me seu em honra e em desgraça, Às horas em que um frio vento passa Por sobre a fria terra. Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me A fronte com o olhar; E esta febre de Além, que me consome, E este querer grandeza são seu nome Dentro em mim a vibrar. E eu vou, e a luz do gládio erguido dá Em minha face calma. Cheio de Deus, não temo o que virá, Pois, venha o que vier, nunca será Maior do que a minha alma

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