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Arqueologia dos Prazeres - Col. Filosófica (Cód: 1978509)

Santoro,Fernando

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Descrição

O professor e filósofo Fernando Santoro conta como e por que os gregos inventaram o conceito de prazer
Quantas vezes por dia você sente prazer, pensa em prazer, busca o prazer? Em Arqueologia dos Prazeres, o filósofo Fernando Santoro resgata a discussão originária dos gregos sobre o tema, que nos encanta e atormenta. Afinal, o prazer é um bem, identifica-se com a felicidade ou não? Deve ser perseguido, evitado, controlado?
O livro traz o levantamento das teses ontológicas do prazer, sua relação com o repouso e o movimento, o corpo e o intelecto, a ação e a paixão. Entenda como e por que algumas escolas defendem o prazer e por que outras o atacam. Saiba o que pensavam sobre o assunto os primeiros sábios, e como Empédocles, Demócrito, Aristóteles, Platão e Epicuro, entre outros gregos fundamentais, associavam o prazer à beleza e ao desejo.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
I.S.B.N. 9788573028522
Altura 18.50 cm
Largura 12.00 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 272
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788573028522
Número da edição 1
Ano da edição 2007
País de Origem Brasil
AutorSantoro,Fernando

Leia um trecho

I — Mitologia “Precisamos tentar, começando, quem sabe, pela própria Deusa, que Protarco aqui diz chamar-se Afrodite, mas cujo verdadeiro nome é Prazer.”3 Platão A origem da identidade dos gregos, sempre tão beligerantes e competitivos entre si, é miticamente narrada por Homero como resultante da campanha contra Tróia. Mas o que foi isto que pela primeira vez uniu os gregos sob um único comando? O mito começa com um acontecimento entre os deuses. Nas bodas de Peleu e Tetis, muitos nobres mortais e muitos deuses foram convidados, mas não foi convidada a Discórdia, porque ninguém a convida para um casamento. Mesmo sem convite, porém, ela chega. No casamento do rei dos mirmidões e da deusa marinha, a Discórdia trouxe para o banquete um pomo dourado. Aproximando-se da mesa onde estavam as deusas mais queridas, ela o ofereceu, dizendo: “Para a mais bela”. Estavam na mesa Hera, Atena e Afrodite. Quem seria tão estulto de escolher uma em detrimento das outras duas? Chamaram Páris, um belo mortal, para dar seu juízo. Hera ofereceu-lhe o governo de Tróia. Atena, uma vida sábia e prudente. Afrodite ofereceu-lhe os encantos de Helena. Entre o bem da política, o bem da prudência e o bem dos prazeres, todos conhecemos a escolha de Páris. O acontecimento dos deuses é paralelo ao que se faz entre os mortais. A belíssima princesa Helena é cobiçada por todos os nobres das várias cidades da Hélade. A situação é politicamente tensa porque tão logo seja escolhido um príncipe como marido, todos os demais cobiçarão a sua mulher e a situação de guerra estará lançada. O pai de Helena, Tíndaro, está acossado por este perigo e resolve tomar uma decisão diplomática: ele impõe a todos os pretendentes de Helena que selem um pacto como condição para concorrer à mão da bela. Todos os príncipes e reis acordariam em defender o tálamo de Helena, fosse quem fosse o escolhido. E se alguém ousasse atentar contra o seu casamento e o esposo escolhido, todos os demais se uniriam junto ao marido ofendido contra o desafi ante. Os pretendentes selam o pacto. Menelau é o escolhido. A paz é mantida sob as juras do acordo. Heitor e Páris, príncipes troianos, são convidados ao palácio de Menelau para estabelecer elos comerciais entre suas cidades. Páris enamora-se de Helena e, como estrangeiro ou apaixonado, desconhece o acordo diplomático-nupcial. Amparado pelos bons dotes de Afrodite, seduz a esposa de Menelau e a rapta consigo para Tróia. Não fora o pacto, o marido traído seria apenas objeto de escárnio dos demais gregos. Mas Menelau sente-se no direito de invocar o acordo e convocar todos os gregos para uma expedição punitiva. Se o raptor fosse um grego, a ousadia ainda estaria circunscrita às freqüentes disputas entre as cidades gregas e, isolado, o traidor seria facilmente esmagado. Sendo estrangeiro, as proporções da guerra tomaram dimensões continentais: todos os gregos ocidentais unidos contra a rica Tróia e suas alianças orientais. O objeto da disputa: os encantos de Helena. A causa do confl ito: a sedução de Afrodite. Podemos dizer que a primeira vez que os gregos entraram em acordo foi por desejar a mais bela mulher, por desejar a mesma beleza e suas graças. Mas o que os levou unidos à guerra foi a vingança por uma arrogância do prazer.