Frete Grátis
  • Google Plus

As Andorinhas de Cabul (Cód: 1799224)

Khadra, Yasmina

Sá Editora

Ooopss! Este produto está temporariamente indisponível.
Mas não se preocupe, nós avisamos quando ele chegar.

Ooops! Este produto não está mais a venda.
Mas não se preocupe, temos uma versão atualizada para você.

Ooopss! Este produto está fora de linha, mas temos outras opções para você.
Veja nossas sugestões abaixo!

R$ 25,00 R$ 22,00 (-12%)
Cartão Saraiva R$ 20,90 (-5%) em até 1x no cartão
Grátis

Cartão Saraiva

Descrição

Este belíssimo romance conta a história de quatro personagens marcantes que vivem na Cabul do ano 2000, quando os talebans imprimem ao Afeganistão um regime atroz: Mohsen, um intelectual, descendente de prósperos comerciantes que o conflito levou à ruína; Zunaira, sua mulher, outrora uma brilhante advogada, condenada à vida doméstica e a esconder sua beleza atrás dos véus; Atiq, um carcereiro, que não suporta mais viver nas ante-câmaras da morte, enquanto tem em casa, sua própria mulher, Mussarat, sofrendo de doença incurável.
Um gesto insensato de Mohsen, envolvido pela histeria da multidão no apedrejamento de uma adúltera, joga os personagens em uma tragédia maior e expõe o universo de contradições vividas em um mundo de guerra político-religiosa. Raramente um escritor apresentou com tanta clareza e lucidez a complexidade de comportamentos e de situações que permeiam as sociedades muçulmanas, fendidas entre o feudalismo e a modernidade.
Em uma soberba homenagem à mulher, Khadra revela angústias, expõe faces e dramas obrigados a se ocultar atrás das burcas, que condenam as mulheres a viverem como 'nuvens de andorinhas (...), azuis ou amareladas, por vezes descoloridas, em atraso de várias estações, e que emitem um som triste quando passam perto dos homens'.
Revelado ao público brasileiro com O atentado (Sá Editora, 2006), o escritor argelino de língua francesa Yasmina Khadra já está traduzido em vinte e dois países. Depois deste As andorinhas de Cabul, sobre o Afeganistão, publicado originalmente na França em 2002, veio O atentado, dedicado ao conflito árabe-israelense; teremos ainda a publicação este ano de As sirenes de Bagdá, enfocando a guerra do Iraque, fechando-se assim a trilogia que o autor consagrou ao 'diálogo de surdos' que se trava hoje entre o Oriente e o Ocidente.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Sá Editora
Cód. Barras 9788588193307
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8588193307
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 176
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorKhadra, Yasmina

Leia um trecho

Lá, onde o diabo perdeu as botas, uma ventania desdobra seu vestido de babados como a dança grandiosa de uma feiticeira em transe; ainda assim, em sua histeria não consegue espanar as duas palmeiras calcinadas, eretas contra o céu como os braços de um condenado. Um calor intenso absorveu as hipotéticas lufadas de ar que, na correria da debandada, a noite deixara para trás. Desde o fim da manhã, nenhuma ave de rapina conseguiu reunir motivação suficiente para sobrevoar as presas. Os pastores, que habitualmente levavam seus magros rebanhos até o sopé das colinas, desapareceram. A léguas ao redor, com exceção de algumas sentinelas ocultas em guaritas rudimentares, não se vê vivalma. Um silêncio mortal acompanha esse estado de abandono a perder de vista. As terras afegãs não são mais do que campos de batalha, arenas e cemitérios. As preces dispersam-se na fúria dos tiros, os lobos uivam desesperadamente todas as noites e o vento, quando sopra, mistura a cantilena dos mendigos ao grasnar dos corvos. Tudo parece abrasado, fossilizado, fulminado por um sortilégio inominável. A erosão esfrega, limpa, raspa e pavimenta o chão necrótico, esculpindo colunas, em total impunidade, com sua força estóica. Depois, sem aviso prévio, ao pé das montanhas raivosamente despeladas pelo sopro das fornalhas, surge Cabul... ou o que dela resta: uma cidade em avançado estado de decomposição. Nada será como antes, parecem dizer as estradas esburacadas, as colinas desnudas, o horizonte esbranquiçado de calor e o tinir das culatras. A ruína das muralhas atingiu as almas. A poeira aterrou os pomares, cegou os olhares e cimentou os espíritos. Em alguns lugares, o zumbido das moscas e o cheiro fétido dos animais mortos acrescentam algo de irreversível à desolação. Dirse-ia que o mundo está apodrecendo, que sua gangrena escolheu avançar a partir daqui, na região Pashtu, enquanto a desertificação prossegue seu implacável rastejar através da consciência dos homens e de suas mentalidades. Ninguém acredita no milagre da chuva, na magia da primavera e menos ainda nas auroras de um amanhã clemente. Os homens ficaram loucos; deram as costas ao dia para enfrentar a noite. Os santos padroeiros foram destituídos. Os profetas estão mortos e seus fantasmas crucificados na cabeça das crianças... No entanto, foi aqui também, no mutismo das pedras e no silêncio dos túmulos, entre a secura dos solos e a aridez dos corações, que nasceu nossa história — do mesmo modo que o nenúfar desabrocha nas águas estagnadas do pântano. Atiq Shaukat bate com o chicote à sua volta para abrir passagem entre a multidão andrajosa que se agita como uma nuvem de folhas mortas por entre as barracas do mercado. Está atrasado, mas é impossível andar mais depressa. Tem-se a impressão de estar numa colméia; os golpes que desfere com energia não abalam ninguém. É dia de feira e as pessoas estão como que fora de si. Atiq está tonto. Os mendigos chegam dos quatro cantos da cidade em grupos cada vez mais significativos e disputam com os carroceiros e os curiosos os hipotéticos espaços livres. As emanações dos carregadores e as exalações dos produtos apodrecidos enchem o ar de um odor insuportável, enquanto um calor implacável sufoca a esplanada. Algumas mulheres que parecem fantasmas, interditadas atrás de suas burcas encardidas, dirigemse aos transeuntes com a mão estendida, recolhendo, na passagem, uma moeda ou uma imprecação. Em muitos casos, quando insistem, o estalir irritado de um chicote obriga-as a recuar. O tempo da retirada não é longo e elas voltam a atacar recitando súplicas intoleráveis. Outras, ocupadas com a criançada de narinas rodeadas de moscas, aglutinam-se desesperadamente em volta dos vendedores de frutas, esperando, entre duas ladainhas, um tomate ou uma cebola podres que um cliente atento teria descoberto no fundo de suas cestas. — Não fiquem aí — grita-lhes um vendedor que agita furiosamente uma longa vara por cima das cabeças —, vocês atraem azar e todo tipo de insetos para minha barraca. Atiq Shaukat consulta o relógio. Suas mandíbulas cerram-se de raiva. O carrasco deve ter chegado há uns bons dez minutos, e ele ainda está atrasado nas ruas. Irritado, volta a bate para dispersar as ondas humanas, insiste inutilmente com um grupo de velhos tão insensíveis a suas chicotadas quanto aos soluços de uma menina perdida na confusão; depois, aproveitando uma brecha provocada pela passagem de um caminhão, consegue esgueirar-se até uma ruazinha menos agitada e, mancando um pouco, apressa-se em direção a uma construção estranhamente de pé no meio dos escombros que a rodeiam. Trata-se de um velho dispensário abandonado, há muito tempo tomado por espíritos, e que os talebans às vezes utilizam como casa de detenção eventual, quando umaexecução pública está prevista para o bairro. — Mas onde é que você estava? — grita um barbudo tamborilando sua kalachnikov. — Faz uma hora que mandei alguém buscá-lo. — Peço-lhe desculpas, Qassim Abdul Jabbar. — diz Atiq sem se deter. — Eu não estava em casa. Depois, com uma voz irritada, acrescenta: — Eu estava no hospital. Tive que levar minha esposa com urgência. Qassim Abdul Jabbar resmunga, de forma alguma convencido e, com o dedo no mostrador do relógio, comunica-lhe que por causa dele todo mundo está impaciente. Atiq encolhe o pescoço e se dirige para a construção onde o esperam homens armados, agachados de um lado e de outro da entrada. Um deles se ergue limpando o salta para dentro da cabine, liga o motor e vem, de marcha a ré, encostar-se diante da entrada da prisão. Atiq extrai um molho de chaves de dentro de seu colete comprido e entra no cárcere, seguido de perto por duas milicianas embuçadas em suas burcas. Num canto da cela, exatamente onde uma lucarna deixa passar uma réstia de luz, uma mulher toda coberta acaba de rezar. As duas milicianas convidam o guarda a se retirar. Ao ficarem sozinhas, esperam que a prisioneira se levante para se aproximarem dela e, brutalmente, ordenam-lhe que fique em pé e começam a amarrar-lhe fortemente os braços e as coxas. Em seguida, depois de verificarem se os cordões estão bem esticados, enrolam um grande saco de lona em volta de seu corpo e a empurram diante delas no corredor. Atiq, que esperava na entrada, avisa Qassim Abdul Jabbar que as milicianas estão chegando. Este último pede aos homens que estão no pátio para se afastarem. Intrigados, alguns transeuntes se reúnem em silêncio diante do edifício. As duas milicianas saem à rua, pegam a prisioneira por debaixo dos braços, põem-na no banco de trás da caminhonete e se instalam bem junto dela. Abdul Jabbar fecha a porta do carro e abaixa as travas. Depois de uma última olhada para as duas milicianas e a prisioneira, a fim de se certificar de que tudo está correto, sobe do lado do motorista e dá uma coronhada no assoalho para partirem. Imediatamente, a caminhonete se põe em movimento, escoltada por um grande 4X4, equipado com sinalizador giroflex e carregado de milicianos de má aparência. Mohsen Ramat hesita durante muito tempo antes de tomar a decisão de se juntar ao aglomerado da praça. Anunciaram a execução pública de uma prostituta. Será apedrejada. Algumas horas antes, operários vieram descarregar carrinhos de mão cheios de seixos no lugar da execução e cavaram um pequeno fosso de uns cinqüenta centímetros de profundidade. Mohsen assistiu a vários linchamentos desse tipo. Só ontem, dois homens, dos quais um quase adolescente, foram enforcados no alto de um guindaste de onde foram retirados somente ao cair da noite. Mohsen detesta as execuções públicas. Elas o fazem tomar consciência de sua fragilidade e tornam mais graves as perspectivas de sua finitude; de repente, ele descobre a futilidade das coisas e dos seres, e nada mais o reconcilia com suas certezas de outrora, quando só elevava os olhos para o horizonte para proclamá-las. A primeira vez em que assistiu a uma execução — era a decapitação de um assassino por um parente de sua vítima — ficara doente. Durante várias noites, seu sono era cheio de visões de pesadelo. Freqüentemente, acordava gritando como um possesso. Depois, à medida que os dias vão estabilizando seus cadafalsos e cultivando seu rebanho expiatório a ponto de as pessoas de Cabul ficarem angustiadas diante da idéia de que uma execução possa ser adiada, Mohsen parou de sonhar. Sua consciência apagou-se. Adormece assim que fecha os olhos e só ressuscita pela manhã, com a cabeça tão vazia como uma moringa. A morte, para ele e para os outros, não é mais do que uma banalidade. Aliás, tudo é banalidade. Com exceção das execuções que reconfortam os sobreviventes todas as vezes que os mulás varrem diante de suas portas, não há nada. Cabul tornou-se a antecâmara do além. Uma antecâmara escura em que os pontos de referência são falsos; um calvário pudico; uma insustentável latência observada na mais estrita intimidade. Mohsen não sabe para onde ir nem o que fazer de sua ociosidade. Desde o amanhecer, não pára de vagar pelos arrabaldes devastados, com o espírito vacilante e o rosto inexpressivo. Antes, ou seja, há vários anos-luz, ele gostava de passear, à noite, pelas avenidas de Cabul. Na época, as vitrines das lojas não tinham grande coisa a propor, mas ninguém vinha açoitar seu rosto com o chicote. As pessoas empenhavam-se em suas ocupações com motivação suficiente para conceber, em seus delírios, projetos mirabolantes. As lojinhas estavam superlotadas; as vozes espalhavam-se pelas calçadas como uma onda de bonomia. Amontoados em cadeiras de vime, os velhos fumavam seus cachimbos com o olho fechado por um raio de sol e o leque pousado negligentemente sobre a barriga. E as mulheres, apesar do véu que recobre todo o corpo e só tem uma espécie de rede bordada à altura dos olhos, circulavam com seu perfume como ondas de calor. Os condutores de caravanas de outrora garantiam que, ao longo de suas peregrinações, em nenhum lugar haviam encontrado huris1 tão fascinantes. Como vestais impenetráveis, o riso delas era um cântico, e sua graça, uma alucinação. É por isso que o uso da burca tornou-se uma necessidade; trata-se muito mais de preservá-las do mau-olhado do que depoupar os homens de sortilégios desmedidos... Como esse tempo está distante! Será que teria origem numa pura fabulação? De agora em diante, as avenidas de Cabul não divertem mais. As fachadas áridas, que ainda estão de pé não se sabe graças a que milagre, atestam que os botequins, as tabernas, as casas e os edifícios desapareceram. As ruas, antigamente asfaltadas, não são mais do que atalhos de terra batida que as sandálias e os tamancos raspam ao longo do dia. Os donos de lojas puseram seu sorriso na prateleira. Os fumadores de tchelam volatilizaram-se. Os homens entrincheiraram-se por trás das sombras chinesas e as mulheres, mumificadas em sudários cor de pavor ou de febre, são totalmente anônimas. Mohsen tinha dez anos quando da invasão soviética; uma idade em que não se compreende por que, 1 Huri: mulher muito bonita, mulher do paraíso, beldade celeste que o Corão promete ao muçulmano fiel, no paraíso de Alá. (N.T.) de repente, os jardins são abandonados e os dias são tão perigosos quanto as noites; uma idade em que se desconhece, sobretudo, que uma desgraça chegou rapidamente. Seu pai era um negociante próspero. Moravamnuma casa grande em pleno centro da cidade e recebiam regularmente parentes ou amigos. Mohsen não se lembra muito dessa época, mas tem certeza de que sua felicidade era plena, que nada contestava seus acessos de riso ou condenava seuscaprichos de menino mimado. Depois, houve essa invasão russa, com sua armada do fim do mundo e seu gigantismo conquistador. O céu afegão, no qual se entreteciam os mais belos idílios da terra, cobriuse de repente de aves de rapina blindadas: sua limpidez cerúlea foi cortada por trilhas de pólvora e as andorinhas assustadas dispersaram-se no balé dos mísseis. A guerra estava ali. Ela acabava de encontrar uma pátria para si... A buzina o projeta para o lado. Ele leva instintivamente sua longa echarpe ao rosto para se proteger da poeira. A caminhonete de Abdul Jabbar passa perto dele, quase derruba um almocreve e entra em alta velocidade na praça, seguida de perto pelo possante 4X4. Ao ver o cortejo, um clamor incongruente abala o agrupamento em que adultos hirsutos disputam os primeiros lugares com garotos faunescos. Os milicianos têm que distribuir socos com a maior violência para acalmar os ânimos. O carro pára diante do fosso aberto há pouco. Fazem a pecadora descer enquanto injúrias partem daqui e dali. De novo a movimentação volta a alterar as filas, arremessando para trás os menos atentos. Insensível aos impropérios que tentam ejetá-lo, Mohsen aproveita as brechas que a agitação provoca na confusão para chegar às primeiras filas. Erguendose na ponta dos pés, vê um colossal energúmeno “plantar” a mulher impura no fosso, recobri-la de terraaté as coxas de modo a mantê-la de pé e impedi-la de se mexer. Um mulá joga as pontas de seu albornoz por cima dos ombros, olha com desprezo pela última vez o amontoado de véus sob o qual um ser se prepara para perecer, e grita: — Há seres que escolheram chafurdar na abjeção como porcos. No entanto, eles conheceram a Mensagem, aprenderam os malefícios das tentações, mas não desenvolveram a fé suficiente para lhes resistir. Seres miseráveis, cegos e fúteis preferiram um momento de luxúria, tão efêmero quanto irrisório, aos jardins eternos. Retiraram seus dedos da água lustral das abluções para mergulhá-los na água suja, taparamos ouvidos ao chamamento do muezim para escutar apenas as licenciosidades de Satã, aceitaram sofrer a cólera de Deus em vez de abster-se dela. Que lhes dizer a não ser nossa dor e nossa indignação?... (Seu braço estende-se como uma espada em direção à múmia). Esta mulher nada ignorava do que fazia. A embriaguez da fornicação desviou-a do caminho do Senhor. Hoje, é o Senhor que lhe dá as costas. Ela não tem direito a sua misericórdia nem à piedade dos crentes. Ela vai morrer na desonra do mesmo modo que nela viveu. Ele se cala para pigarrear e desdobra uma folha de papel em meio a um silêncio ensurdecedor. — Allahou aqbar! — gritam no fundo da multidão. O mulá ergue a mão majestosa para acalmar aquele que gritou. Depois de recitar um versículo corânico, lê alguma coisa que se assemelha a uma sentença, coloca a folha de papel num bolso interno do colete e, no final de uma breve meditação, convida a multidão a se armar de pedras. É o sinal. Numa corrida indescritível, as pessoas se lançam sobre os montes de seixos que foram intencionalmente dispostos na praça algumas horas antes. Imediatamente um dilúvio de projéteis se abate sobre a condenada que, amordaçada, vibra com a fúria dos impactos sem um grito. Mohsen apanha três pedras e as lança no alvo. As duas primeiras se perdem por causa do frenesi em volta, mas, na terceira tentativa, ele atinge a vítima em cheio na cabeça e vê, com uma insondável jubilação, uma mancha vermelha surgir no lugar em que a tocou. Nofim de um minuto, ensangüentada e alquebrada, a condenada desaba e não se mexe mais. Sua imobilidade eletriza ainda mais os apedrejadores que, com os olhos transtornados e a boca molhada, redobram a ferocidade, como se procurassem ressuscitá-la para prolongar-lhe o suplício. Na histeria coletiva, persuadidos de que exorcizam seus demônios por meio dos da súcuba, nenhum deles percebe que o corpo atingido por todos os lados não reage mais às agressões, que a mulher imolada jaz sem vida, já meio enterrada, como um monte de atrocidades jogado aos abutres.

Avaliações

Avaliação geral: 0

Você está revisando: As Andorinhas de Cabul