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As Terras Devastadas - Col. A Torre Negra Vol. III (Cód: 4043960)

King, Stephen

Suma De Letras

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Descrição

Com este novo título da saga épica 'A Torre Negra', entramos mais uma vez no reino de uma das imaginações mais poderosas de nossa época: a do escritor norte-americano Stephen King. Neste romance emocionante, Roland, o último Pistoleiro, se aproxima ainda mais da Torre Negra de seus sonhos e pesadelos - atravessando um deserto amaldiçoado em um mundo macabro que é uma imagem distorcida do nosso próprio mundo. Junto com Roland estão dois daqueles que ele levou consigo para esse universo: o ex-viciado nova-iorquino Eddie Dean e Susannah, nova identidade da mulher que combina em um mesmo corpo duas personalidades distintas. À sua frente estão as extraordinárias revelações sobre quem ele é e o que o motiva em sua busca. E contra ele se perfila uma legião cada vez mais numerosa de inimigos, humanos ou não.
À medida que o ritmo da ação e aventura, da descoberta e do perigo se acelera cada vez mais, o leitor é irremediavelmente absorvido por um drama espetacular ao mesmo tempo assustador como um pesadelo... e estranhamente familiar.
Inspirada no universo imaginário de J.R.R. Tolkien, no poema épico do século XIX 'Childe Roland à Torre Negra Chegou', e repleta de referências à cultura pop, às lendas arturianas e ao faroeste, a Coleção A Torre Negra mistura ficção científica, fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Suma De Letras
Cód. Barras 9788581050232
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788581050232
Profundidade 3.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2005
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 528
VOLUME 3
Peso 0.76 Kg
Largura 16.00 cm
AutorKing, Stephen

Leia um trecho

A Torre Negra - Volume III: As Terras Devastadas Tradução de Alda Porto I Urso e Osso Era a terceira vez dela com munição de verdade… e a primeira vez a sacar do coldre que Roland lhe preparara. Tinham bastante balas; Roland trouxera mais de trezentas do mundo onde Eddie e Susannah tinham vivido até o momento em que foram escolhidos. Os deuses não viam com bons olhos os vagabundos. Roland fora criado, primeiro pelo pai e depois por Cort, seu maior Professor, para acreditar nisso, e portanto ainda acreditava. Esses deuses podiam não punir logo, mas cedo ou tarde a penitência teria de ser paga… e quanto maior a espera, maior o peso. A princípio não houvera necessidade de munição de verdade mesmo. Roland vinha atirando havia mais anos do que acreditaria a bela mulher de pele escura na cadeira de rodas. Corrigira-a no início apenas olhando sua mira e disparos com cartuchos sem bala nos alvos que ele montara. Ela aprendia rápido. Ela e Eddie aprendiam rápido. Como ele desconfiava, os dois eram pistoleiros natos. Nesse dia Roland e Susannah tinham ido a uma clareira a menos de um quilômetro e meio do acampamento, na floresta que já era o lar deles havia quase dois meses. Os dias haviam passado com sua gostosa semelhança. O corpo do pistoleiro sarara enquanto Eddie e Susannah aprendiam as coisas que ele tinha a lhes ensinar: atirar, caçar, estripar e limpar o que haviam matado; primeiro esticar, depois curtir e tratar os couros dessas caças; aproveitar o possível máximo delas, para não desperdiçar parte alguma do animal; encontrar o norte pelo Velho Astro, ou o Sul pela Velha Mãe; escutar a floresta em que agora se encontravam, cem quilômetros ou mais a nordeste do mar Ocidental. Nesse dia Eddie ficara para trás, e o pistoleiro não se aborrecera com isso. As lições mais tempo lembradas, ele sabia, são sempre as aprendidas por si mesmo. Mas o que sempre fora a lição mais importante ainda era a mais importante: atirar e acertar toda vez aquilo em que se atirava. Matar. As bordas daquela clareira haviam sido formadas por abetos escuros e cheirosos que se curvavam em volta num irregular semicírculo. Ao sul, o terreno cedia e caía mais de 90 metros numa série de plataformas de barro xistoso desmoronadas e penhascos fraturados, como uma gigantesca escada. Um rio de águas límpidas saía da mata e cruzava o centro da clareira, primeiro borbulhando por um fundo canal na terra esponjosa e na pedra friável, depois despejando-se pelo leito de rocha quebradiça que descia para o ponto onde a terra despencava. A água descia os degraus numa série de cascatas e formava inúmeros arco-íris belos e ondulantes. Além da borda do precipício estendia-se um magnífico vale, entupido de mais abetos e alguns grandes olmos que se recusavam a ser expulsos. Estes últimos destacavam-se verdes e luxuriantes, árvores que poderiam já ser velhas quando a terra de onde Roland viera ainda era jovem; ele não via sinal algum de que o vale algum dia houvesse queimado, embora achasse que devia ter atraído raios uma vez ou outra. Nem os raios haveriam sido o único perigo. Houvera gente naquela floresta em alguma época distante; Roland encontrara seus detritos em várias ocasiões nas últimas semanas. Eram artefatos primitivos na maior parte, mas incluíam cacos de cerâmica que só poderia ter sido moldada no fogo. E o fogo era uma coisa má que adorava escapar das mãos que o criavam. Acima dessa cena de historinha ilustrada arqueava-se um céu azul no qual alguns corvos circulavam a alguns quilômetros de distância, crocitando com suas vozes velhas, enferrujadas. Pareciam agitados, como se uma tempestade estivesse a caminho, mas Roland farejara o ar e ele não continha chuva. Uma rocha erguia-se à esquerda do rio. Roland pusera seis lascas de pedra em cima dela. Todas eram muito salpicadas de mica e reluziam como lentes na cálida luz da tarde. - Última chance - disse o pistoleiro. - Se esse coldre estiver desconfortável… mesmo que só um pouco… me diga agora. Nós não viemos aqui para desperdiçar munição. Ela virou-lhe um olho sardônico, e por um momento ele pôde ver que Detta Walker estava ali. Era como a nublada luz do sol piscando de uma barra de aço. - O que você faria se estivesse desconfortável e eu não lhe dissesse? Se eu errasse todas essas seis coisinhas de nada? Ia me dar um cascudo, como fazia aquele seu velho professor? O pistoleiro sorriu. Vinha sorrindo mais nas últimas cinco semanas do que nos cincos anos anteriores. - Eu não posso fazer isso, e você sabe. Nós éramos crianças, para começar… crianças que não tinham passado ainda pelos ritos de coragem. A gente bate numa criança para corrigi-la, mas… - No meu mundo, bater nas crianças também é malvisto pelas pessoas melhores - disse Susannah, secamente. Roland deu de ombros. Era-lhe difícil imaginar aquele tipo de mundo - não dizia o Grande Livro: "Não poupe a vara de marmelo para não estragar as crianças"? - mas não achava que Susannah estivesse mentindo. - Seu mundo não foi em frente - disse. - Muitas coisas são diferentes aqui. Eu mesmo não providenciei para que assim fosse? - Acho que sim. - De qualquer forma, você e Eddie não são crianças. Seria errado eu tratar vocês como se fossem. E se foram necessárias provas, os dois passaram. Embora não o dissesse, pensava em como a coisa acabara na praia, quando ela mandara três das pesadonas lagostrosidades para o inferno a tiros antes que elas pudessem esfolá-lo a ele e a Eddie até os ossos. Viu o sorriso de resposta dela e pensou que talvez ela se lembrasse da mesma coisa. - Então que tu vai fazê se eu cagá os tiro? - Olhar para você. Acho que é só o que preciso fazer. Ela pensou um pouco nisso, depois assentiu com a cabeça. - Pode ser. Testou de novo a cartucheira. Trazia-a atravessada no peito quase como um coldre de axila (um arranjo em que Roland pensava como um gancho de estivador), que parecia muito simples, mas tomara muitas semanas de experiência e erro - e muita modelagem - apenas para acertar. O cinturão e o revólver cujo gasto cabo de sândalo saía do antigo coldre oleado fora um dia do pistoleiro; o coldre pendurado em seu quadril direito. Ele passara grande parte das últimas cinco semanas tentando aceitar que jamais voltaria a ser pendurado ali. Graças às lagostrosidades, ele agora só atirava com a mão esquerda. - E então? - tornou a perguntar. Dessa vez ela riu para ele. - Roland, essa cartuchêra véia tá munto confotave pur dimais. Agora, quer que eu atire ou vamos só ficar aqui sentados ouvindo a música dos corvos daquele lado? Ele sentiu que a tensão agora insinuava dedinhos agudos sob sua pele, e supôs que Cort às vezes se sentira assim sob aquele exterior rabugento e rude. Queria que ela fosse boa… precisava que ela fosse boa. Mas mostrar como queria e precisava desesperadamente - isso podia levar ao desastre. - Recite a lição de novo, Susannah. Ela deu um suspiro, em fingida irritação… mas quando falou o sorriso desapareceu e o rosto escuro e belo ficou solene. E dos lábios dela ele ouviu de novo o catecismo, que se tornou novo naquela boca. Jamais esperara ouvir aquelas palavras de uma mulher. Como pareciam naturais… mas como pareciam estranhas e perigosas também. - "Eu não miro com a mão; aquela que mira com a mão esqueceu o rosto de seu pai. - "Eu miro com o olho. - "Eu não atiro com a mão; aquela que atira com a mão esqueceu o rosto de seu pai. - "Eu atiro com a mente. - "Eu não mato com a arma…" Interrompeu-se e apontou as pedras reluzentes de mica sobre a rocha. - Eu não vou matar nada mesmo… são só umas pedrinhas de nada. A expressão - meio arrogante, meio travessa - sugeria que ela esperava que Roland ficasse irritado, talvez mesmo furioso com ela. Ele, porém, já estivera onde ela estava agora; não esquecera que os aprendizes de pistoleiro são rebeldes e esquentados, nervosos e capazes de morder exatamente no momento errado… e descobrira uma inesperada capacidade em si mesmo. Sabia ensinar. Mais, gostava de ensinar, e via-se imaginando, de vez em quando, se também Cort fora assim. Achava que sim. Agora mais corvos, os das florestas atrás deles, começavam a gritar, roucos. Uma parte da mente de Roland registrou o fato de que os novos gritos eram mais agitados que apenas belicosos; as aves soavam como se houvessem sido espantadas de qualquer coisa que estivessem comendo. Ele tinha coisas mais importantes em que pensar do que o que quer que fosse que havia assustado um bando de corvos, porém, e por isso simplesmente arquivou a informação e tornou a focalizar a concentração em Susannah. Agir de outro modo com um aprendiz era provocar uma segunda mordida, menos de brincadeira. E a quem culpar por isso? Quem, senão o professor? Pois ele não a estava ele treinando para morder? Treinando os dois para morder? Não era isso que era um pistoleiro, quando se tiravam as poucas linhas de ritual e calavam as poucas notas graciosas do catecismo? Não era ele (ou ela) apenas um falcão humano, treinado para morder segundo ordens? - Não - disse - não são pedras. Ela ergueu um pouco as sobrancelhas e tornou a sorrir. Agora que via que ele não ia explodir com ela como às vezes fazia quando ela se mostrava lerda ou rebelde (ou pelo menos não ainda), seus olhos assumiram um zombeteiro brilho de sol em aço que ele associava com Detta Walker. - Não são? A provocação em sua voz ainda era afável, mas ele achou que poderia tornar-se má se permitisse. Ela estava tensa, incitada, as garras já metade à mostra. - Não, não são - disse, devolvendo a gozação dela. Seu próprio sorriso começou a retornar, mas era preso e sem humor. - Susannah, lembra-se dos racistas fanáticos? O sorriso dela começou a se apagar. - Os fanáticos terroristas da cidade de Oxford, Mississipi? O sorriso desaparecera. - Lembra-se do que eles fizeram com você e seus amigos? - Não era eu - ela disse. - Era outra mulher. Seus olhos haviam assumido um tom baço, mal-humorado. Ele detestava essa expressão, mas também gostava muito. Era a expressão certa, a que dizia que os gravetos estavam ardendo e logo as toras maiores iam pegar. - Sim. Era. Goste você ou não, era Odetta Susannah Holmes, filha de Sarah Walker Holmes. Não você como você é, mas você como você era. Lembra-se das mangueiras de incêndio, Susannah? Lembra-se dos dentes de ouro, de como os viu quando eles usaram as mangueiras em você e seus amigos em Oxford? De como os viu brilhar quando eles riam? Ela lhes contara essas coisas, e muitas outras, nas várias e longas noites à beira da fogueira do acampamento ardendo baixa. O pistoleiro não entendera tudo, mas ouvira com atenção mesmo assim. E se lembrava. A dor era uma ferramenta, afinal. Às vezes a melhor. - O que há com você, Roland? Por que quer trazer de volta esse lixo à minha mente? Agora os olhos mal-humorados faiscavam perigosamente para ele; lembravam-lhe os olhos de Alain quando o bondoso Alain finalmente se enfurecia. - Aquelas pedras ali são aqueles caras - disse Roland em voz baixa. - Os caras que trancaram você numa cela e deixaram que você se sujasse. Os homens dos porretes e cachorros. Os caras que chamaram você de puta crioula. Apontou-os, correndo o dedo da esquerda para a direita. - Ali está o que beliscou o seu seio e deu uma risada. Ali está o que disse que era melhor checar se você tinha alguma coisa enfiada no rabo. Ali está o que a chamou de chimpanzé com um vestido de quinhentos dólares. Ali está o que ficou passando o porrete nos raios de sua cadeira de rodas até você achar que o barulho iria deixá-la louca. Ali está o que chamou seu amigo Leon de bicha louca. E o último, Susannah, é Jack Mort. - Ali. Aquelas pedras. Aqueles caras. Ela respirava depressa agora, o colo subindo e descendo em rápidos pequenos saltos sob a cartucheira do pistoleiro com sua pesada carga de balas. Deixara de olhar para ele: olhava as lascas de pedra salpicadas de mica. Atrás deles, a alguma distância, uma árvore rachou-se e desabou. Mais corvos gritavam no céu. Mergulhados no jogo que não era mais um jogo, nenhum deles notou. - Ah, é? - ela sussurrou. - É mesmo? - É. Agora recite a lição, Susannah Dean, e seja sincera. - "Eu não miro com a mão; aquela que mira com a mão esqueceu o rosto de seu pai. - "Eu miro com o olho." - Ótimo. - "Eu não atiro com a mão; aquela que atira com a mão esqueceu o rosto de seu pai. - "Eu atiro com a mente." - Assim sempre foi, Susannah Dean. - "Eu não mato com a arma; aquela que mata com a arma esqueceu o rosto de seu pai. - "Eu mato com o coração." - Então MATE, por seu pai! - berrou Roland. - MATE ELES TODOS! A mão direita dela era um borrão entre o braço da cadeira e a coronha do revólver de Roland. Saiu em um segundo, a mão esquerda descendo, caindo sobre o cão em adejos quase tão rápidos e delicados quanto as asas de um beija-flor. Seis estalos secos ecoaram pelo vale, e cinco das seis lascas de pedra em cima da rocha deixaram de existir num piscar de olhos. Por um instante, nenhum dos dois falou - nem sequer respirou, pareceu - enquanto os ecos rolavam de um lado para outro, diminuindo. Até os corvos se calaram, pelo menos no momento. O pistoleiro quebrou o silêncio com quatro palavras sem entonação mas curiosamente enfáticas: - Foi muito bom. Susannah olhava o revólver em sua mão como se jamais o houvesse visto antes. Um fio de fumaça subia do cano, numa perfeita reta, no silêncio do vento. Depois, devagar, ela devolveu-o ao coldre sob o colo. - Bom, mas não perfeito - disse por fim. - Errei uma. - Errou? - Ele foi até a rocha e pegou a lasca de pedra restante. Olhou-a, e depois a atirou para ela. Susannah pegou-a com a mão esquerda; a direita permaneceu perto do revólver no coldre, ele notou com aprovação. Ela atirava melhor e com mais naturalidade que Eddie, mas não aprendera essa lição tão rápido quanto ele. Se ela houvesse estado com eles no tiroteio na boate de Balazar, poderia ter aprendido. Agora, via Roland, estava pelo menos aprendendo isso também. Ela olhou a pedra e viu a marca, mal discernível no canto de cima. - Acertou de raspão - disse ele, voltando para ela - mas num tiroteio, às vezes só é preciso isso. Você atinge o cara de raspão, desvia a mira dele… - Ele fez uma pausa. - Por que está me olhando desse jeito? - Você não sabe, sabe? Não sabe mesmo. - Não. Sua mente muitas vezes é fechada para mim, Susannah. Não havia defensiva em sua voz, e ela balançou a cabeça, irritada. A dança de rápidos volteios de sua personalidade às vezes o desanimava; a aparente incapacidade dele de dizer qualquer outra coisa além de exatamente o que pensava jamais deixava de fazer a mesma coisa com ela. Ele era o homem mais literal que ela já conhecera. - Tudo bem - ela disse. - Eu vou lhe dizer porque estou olhando pra você desse jeito, Roland. Porque o que você fez foi um truque sujo. Disse que não ia me bater, não podia me bater, mesmo que eu errasse… mas ou mentiu ou é muito idiota, e eu sei que você não é idiota. As pessoas muitas vezes não batem com as mãos, como pode atestar qualquer homem ou mulher da minha raça. De onde eu venho a gente tem um ditado: "Paus e pedras quebram meus ossos…" - "…mas insultos jamais vão me ferir" - concluiu Roland. - Bem, não é exatamente assim que a gente diz, mas acho que fica muito perto. É bobagem de qualquer jeito que se diga. Não é por nada que chamam o que você fez de vergastar. Suas palavras me machucaram, Roland… vai me dizer que não sabia que iam machucar? Ela ficou ali em sua cadeira, olhando-o de baixo com uma viva e severa curiosidade, e Roland pensou - não pela primeira vez - que os fanáticos da terra dela que a perseguiam deviam ser ou muito corajosos ou muito idiotas para contrariá-la, com cadeira de rodas ou não. E, havendo estado entre eles, ele não achava que coragem fosse a resposta. - Eu não penso nem ligo para o seu machucado - disse, paciente. - Vi você mostrar os dentes e sabia que você pretendia morder, por isso pus um pedaço de pau na sua boca. E funcionou… não funcionou? A expressão dela era agora de magoado pasmo. - Seu sacana! Em vez de responder, ele tirou o revólver do coldre dela, abriu meio sem jeito o tambor com os dois dedos restantes da mão direita e começou a recarregar as câmaras com a mão esquerda. - De todos os mais brutais, arrogantes… - Você precisava morder - ele disse, no mesmo tom paciente. - Se não precisasse, teria errado todos os tiros… com a mão e o revólver em vez do olho, mente e coração. Isso foi truque? Foi arrogante? Eu acho que não. Eu acho, Susannah, que era você quem tinha arrogância no coração. Acho que era você quem estava a fim de vir com truques. Isso não me perturba. Muito pelo contrário. Um pistoleiro sem dentes não é um pistoleiro. - Eu não sou pistoleira, porra! Ele ignorou isso; podia permitir-se. Se ela não era pistoleira, ele era um paspalho caipira. - Se estivéssemos brincando, eu podia ter agido diferente. Mas isto não é brincadeira. É… Levou a mão boa à testa por um instante e deixou-a ali, os dedos em concha acima da têmpora esquerda. Viu que as pontas tremiam um pouco. - Roland, está sentindo alguma coisa? - ela perguntou em voz baixa. Ele baixou a mão devagar. Rodou o tambor de volta ao lugar e repôs o revólver no coldre dela. - Nada. - Não, está, sim. Eu vi. Eddie também. Começou assim que deixamos a praia. É alguma coisa errada, e está piorando. - Não tem nada errado - ele respondeu. Ela estendeu as mãos e tomou as dele. Sua raiva se fora, pelo menos por enquanto. Ela olhava seriamente nos olhos dele. - Eddie e eu… aqui não é o nosso mundo, Roland. Sem você, a gente ia morrer aqui. Nós teríamos suas armas, e poderíamos dispará-las, você nos ensinou a fazer isso muito bem, mas nos morreríamos mesmo assim. Nós… nós dependemos de você. Por isso me diga qual é o problema. Deixe que eu tente ajudar. Deixe que nós tentemos ajudar. Ele jamais fora homem que se julgasse compreendido ou cuidado; o conceito de consciência de si mesmo (para não falar em auto-análise) era-lhe alheio. Seu jeito era agir - consultar rápido seus mecanismos interiores, absolutamente misteriosos, e agir. Deles todos, ele fora o mais perfeitamente feito, um homem cujo núcleo profundamente romântico era encapsulado numa caixa brutalmente simples que consistia de instinto e pragmatismo. Deu uma dessas rápidas olhadas para dentro então e decidiu contar tudo a ela. Tinha um problema, sim, ah, sim. Sim mesmo. Um problema na mente, uma coisa simples como sua natureza e estranha como a vida estranha, fantástica e errante a que essa natureza o levara. Abriu a boca para dizer Vou lhe dizer qual é problema, Susannah, e vou fazer isso em três palavras. Estou ficando louco. Mas antes que pudesse começar, outra árvore desabou na floresta - caiu com um estrondo imenso, rangente. A árvore derrubada fora próxima, e desta vez eles não estavam profundamente empenhados num teste de forças de vontade disfarçado de lição. Os dois ouviram, e ouviram o agitado crocitar dos corvos que se seguiu, e registraram o fato de que a árvore havia caído perto do acampamento. Susannah olhara para o lado do barulho mas agora voltava os olhos arregalados e consternados para o rosto do pistoleiro. - Eddie! - disse ela. Um grito elevou-se da fortaleza verde escuro da floresta atrás deles - um imenso grito de raiva. Outra árvore se foi, depois outra. Caíam no que parecia uma saraivada de fogo de morteiro. Madeira seca, pensou o pistoleiro. Árvores mortas. - Eddie! - dessa vez ela gritou. - Seja o que for, está perto de Eddie! As mãos voaram para as rodas da cadeira e começaram o laborioso trabalho de girá-las. - Não há tempo para isso. Roland tomou-a por baixo dos braços e puxou-a. Carregara-a antes quando o caminho era muito difícil para a cadeira - os dois homens haviam feito isso - mas ela ainda estava espantada por sua fantástica rapidez. Num momento, ela estava na cadeira de rodas, um artigo comprado na melhor loja de equipamentos médicos da Cidade de Nova York no outono de 1962. No seguinte, achava-se precariamente equilibrada nos ombros dele como uma animadora de torcida, as coxas musculosas apertando-lhe os lados do pescoço, as palmas da mão dele acima da cabeça apertando a parte baixa das costas dela. Ele começou a correr com ela, as botas batendo na terra coberta de agulhas de pinheiro entre os sulcos deixados pela cadeira de rodas. - Odetta! - gritou ele, retornando nesse momento ao nome pelo qual a conhecera. - Não perca o revólver! Pelo amor do seu pai! Corria entre as árvores agora. Rendas de sombra e correntes de manchas de sol cruzavam-nos em móveis mosaicos enquanto Roland encompridava as passadas. Desciam agora. Susannah ergueu a mão esquerda para afastar um galho que queria arrancá-la dos ombros do pistoleiro. Ao mesmo tempo baixou a mão direita para o cabo do antigo revólver, envolvendo-o. Um quilômetro e meio, pensou. Quanto tempo para correr um quilômetro e meio. Com ele despencado assim? Não muito, se ele conseguir equilibrar-se nessas agulhas escorregadias… mas talvez tempo demais. Que ele esteja bem, Senhor - que meu Eddie esteja bem. Como em resposta, ouviu a fera invisível soltar de novo o seu grito. A voz imensa era como o trovão. Como o juízo final.

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