Frete Grátis
  • Google Plus

Assassinato No Expresso do Oriente - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649203)

Christie, Agatha

Saraiva De Bolso

Ooopss! Este produto está temporariamente indisponível.
Mas não se preocupe, nós avisamos quando ele chegar.

Ooops! Este produto não está mais a venda.
Mas não se preocupe, temos uma versão atualizada para você.

Ooopss! Este produto está fora de linha, mas temos outras opções para você.
Veja nossas sugestões abaixo!

R$ 12,90 R$ 6,40 (-50%)
Cartão Saraiva R$ 6,08 (-5%) em até 1x no cartão

Crédito:
Boleto:
Cartão Saraiva:

Total: R$0,00

Em até 1x sem juros de R$ 0,00


Assassinato No Expresso do Oriente - Col. Saraiva de Bolso

R$6,40

Descrição

Viajando no luxuoso Expresso do Oriente, Hercule Poirot é abordado por Ratchett, um americano desesperado que teme pela própria vida. Efetivamente o pior acontece, e o sujeito é encontrado morto com 12 facadas em sua cabine. Então, o famoso detetive belga precisa pôr sua massa cinzenta para funcionar a fim de reunir as pistas que o levarão ao assassino. No fim, uma surpresa: depois de se debruçar sobre uma complicada trama que envolve mentiras e falsos indícios, Poirot apresenta não uma, mas duas geniais soluções para o crime.

Tradutor: Archibaldo Figueira

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520924969
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520924969
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorChristie, Agatha

Leia um trecho

PARTE I
OS FATOS
Um passageiro importante do Taurus Express

Eram cinco horas de uma manhã de inverno na Síria. Ao longo da plataforma de Aleppo, o trem pomposamente anunciado nos guias turísticos como o Taurus Express: carro-restaurante, carro-dormitório, dois vagões com poltronas para os passageiros. À subida para o carro-dormitório, um jovem tenente francês, resplandecente em seu uniforme, conversava com um homem pequenino, agasalhado até as orelhas, e do qual tudo que se podia ver era a ponta avermelhada do nariz e as pontas de um bigode curvo, voltadas para cima.

O frio estava de congelar, e a tarefa de apresentar as despedidas a uma visita importante não era de causar inveja a ninguém. Mas o tenente Dubosc a desempenhava resolutamente, com frases graciosas num francês polido. Não que ele tivesse qualquer noção sobre o que se passava. Tinha havido rumores, é claro, como sempre ocorre nesses casos. O general — o seu general — ficara dia a dia mais irritado. Foi quando chegou o belga, parece que da Inglaterra.

Uma semana se passara — semana de curiosa tensão. E certas coisas haviam acontecido. Um oficial muito distinto se suicidara, outro se demitira. Rostos angustiados subitamente perderam a sua angústia, certas precauções militares foram relaxadas. E o general — o general do tenente Dubosc — de repente pareceu ter ficado dez anos mais jovem.
Dubosc recordou parte da conversa que ouvira entre o general e o estrangeiro: — Você nos salvou, mon cher — dissera ele, emocionado, os grandes bigodes brancos tremendo. — Você salvou a honra do Exército francês e evitou um grande derramamento de sangue! Como poderia agradecer-lhe por ter atendido ao meu chamado? Por ter vindo tão longe...

O estrangeiro (seu nome, M. Hercule Poirot) dera uma resposta adequada, na qual incluiu a pergunta: “Mas o senhor não se lembra de ter-me salvo a vida uma vez?” O general fez outra observação adequada, afastando qualquer mérito pelo que fizera no passado e, sem mais falar em França, Bélgica, glória, honra ou coisas semelhantes, os dois se abraçaram, encerrando a conversa.

O tenente Dubosc permanecia sem saber nada sobre o que significava aquilo tudo, mas, como recebera a missão de acompanhar M. Poirot até o Taurus Express, tratava de cumpri-la com todo aquele zelo e dedicação que caracterizam um oficial com uma carreira promissora pela frente.
— Hoje é domingo — disse o tenente — e amanhã à tarde o senhor estará em Istambul.
Aquela não era a primeira vez que fazia tal observação. As conversas de plataforma, antes da partida de um trem, costumam ser repetitivas.
— Isso mesmo — concordou M. Poirot.
— E o senhor, creio eu, pretende demorar-se por alguns dias, não?
— Mais oui... Nunca estive antes em Istambul... Seria uma pena passar por lá comme ça. — Estalou os dedos, significativamente. — Não há pressa. Ficarei lá, como turista, por alguns dias.
— A igreja de Santa Sofia é muito bela — observou o tenente, embora jamais tivesse estado lá.
Um vento frio passou sibilando pela plataforma. Os dois homens tremeram. O tenente Dubosc olhou de relance para seu relógio. Cinco para as cinco, só cinco minutos mais!
Notando que o outro reparara no seu movimento, tratou de retomar a conversa:
— Pouca gente viaja nesta época do ano — observou, lançando um olhar para as janelas do carro-dormitório, pouco acima deles.
— Isso mesmo — concordou M. Poirot.
— Faço votos que o senhor não fique gelado no Taurus!
— Isso acontece?
— Tem acontecido, sim, mas este ano ainda não.
— Façamos votos, então — disse Poirot. — As previsões do tempo da Europa não são boas.
— Muito ruins. Há muita neve nos Bálcãs.
— Na Alemanha também, ouvi dizer.
— Eh bien — observou o tenente Dubosc, percebendo que outra pausa estava para acontecer. — Amanhã às 7h40 da noite o senhor estará em Constantinopla.1
— Sim — concordou M. Poirot, com desespero. — A igreja, ouvi dizer, é muito bonita.
— Magnífica, creio eu.
Pouco acima, a persiana de uma das janelas do carro-dormitório se abriu e uma moça olhou para fora.
Mary Debenham tinha dormido pouco desde que deixara Bagdá na quinta-feira anterior. Não tinha dormido o suficiente nem no trem para Kirkuk, nem na casa de repouso de Mosul, nem na noite seguinte, novamente no trem. Agora, cansada de estar acordada naquela cabina superaquecida, levantava-se e observava o exterior.

Isso deve ser Aleppo. Nada para ver, é claro. Só uma longa e mal-iluminada plataforma, onde, de algum lugar, vinha o barulho de uma furiosa altercação em árabe. Dois homens falando francês, logo abaixo da janela. Um, oficial francês; outro, um homem pequenino com bigodes enormes. Ela sorriu sem entusiasmo. Jamais vira uma pessoa tão agasalhada. Deveria estar muito frio lá fora. Esta era a razão de terem aquecido tanto o trem. Tentou forçar a janela para baixo, mas ela não desceu.

O despachante aproximou-se dos dois homens. O trem ia partir, avisou. Melhor o senhor subir. O homem pequeno tirou o chapéu, mostrando uma cabeça oval. Apesar de suas preocupações, Mary Debenham sorriu. Um sujeito ridículo, aquele. O tipo de homem que ela jamais consideraria seriamente.

O tenente Dubosc dizia suas frases de despedida. Havia pensado nelas de antemão, guardando-as até o último minuto. Um belo fraseado, muito polido.
Para não ser sobrepujado, M. Poirot respondeu no estilo.
— A bordo, Monsieur — disse o despachante.
Com um ar de infinita relutância M. Poirot subiu ao trem, o despachante atrás dele. Acenou. O tenente Dubosc fez uma continência. O trem, guinchando nos trilhos, começou a movimentar-se lentamente.
— Enfin! — murmurou Hercule Poirot.
— Brrrrr! — exclamou o tenente, sentindo nos ossos o ar gelado.
— Voilà, Monsieur. — O condutor apontou, num gesto dramático, a beleza de sua cabina e a perfeição com que sua bagagem fora disposta. E prosseguiu:
— A pequena valise, Monsieur, eu a coloquei aqui...
Sua mão estendida era bem sugestiva. M. Poirot colocou nela uma cédula dobrada.
— Merci, Monsieur. Já tenho seus bilhetes e preciso, por favor, do passaporte. Sua viagem termina em Istambul, certo?
M. Poirot fez que sim com a cabeça.
— Não há muitos passageiros no trem, imagino.
— Non, Monsieur. Tenho apenas dois outros passageiros, ambos ingleses. Um coronel da Índia e uma jovem senhora de Bagdá. O senhor quer alguma coisa?

Poirot pediu uma garrafa pequena de Perrier. Cinco da manhã é um horário aborrecedor para tomar um trem. Faltavam ainda duas horas até clarear. Lembrando-se da noite maldormida e da missão delicada que acabava de cumprir com êxito, encostou-se num canto e adormeceu. Quando acordou, eram 9h30. Dirigiu-se ao carro-restaurante, para um café quente.

Havia apenas um passageiro, naquele momento, a moça inglesa da qual o condutor falara. Era morena, alta e esguia, talvez uns 28 anos de idade. Havia um quê de eficiência na sua maneira de tomar o desjejum e no modo de pedir mais café ao garçom, o que revelava seu conhecimento do mundo e das viagens. Usava um traje escuro de viagem, feito de um tecido eminentemente adequado à atmosfera aquecida do trem. Sem mais o que fazer, M. Poirot distraiu-se estudando-a disfarçadamente.

“Ela era”, pensou, “o tipo de moça que sabe tomar conta de si mesma com facilidade, esteja onde estiver. Tinha equilíbrio e eficiência.” Ele chegou a gostar da regularidade das suas feições e da delicada palidez de sua pele. Apreciou o negro dos cabelos ondulados e os olhos frios, impessoais, cinzentos. Mas era apenas um pouco eficiente demais para merecer ser chamada daquilo que ele considerava jolie femme.

Outra pessoa entrou no restaurante. Era um homem alto de seus quarenta ou cinquenta anos, de figura magra e pele morena, com os cabelos das têmporas embranquecendo.
— O coronel da Índia — disse Poirot a si mesmo.
O recém-chegado inclinou-se na direção da moça.
— Bom dia, Miss Debenham.
— Bom dia, coronel Arbuthnot.
O coronel estava de pé, com uma das mãos na cadeira em frente à dela.
— Importa-se?
— Claro que não. Sente-se.
— A senhorita sabe, o desjejum não é bem uma refeição para conversas...
— Compreendo. Mas eu não mordo.
O coronel sentou-se.
— Rapaz — chamou —, traga-me ovos e café.

Seus olhos pousaram um momento sobre Hercule Poirot, mas com indiferença. Conhecendo bem os ingleses, Poirot imaginou o que ia no pensamento do outro: apenas mais um maldito estrangeiro. Fazendo justiça à sua nacionalidade, os dois ingleses não conversavam muito. Apenas trocavam uma palavra ou outra, e logo a moça levantou-se, dirigindo-se à cabina. No almoço, os dois voltaram a sentar-se à mesma mesa, e mais uma vez ignoraram o terceiro passageiro.

Mas sua conversa foi mais animada que no café. O coronel Arbuthnot falava de Punjab, e de vez em quando fazia uma ou outra pergunta sobre Bagdá, sendo informado de que a moça trabalhara como governanta. Ao longo da conversa, descobriram que tinham alguns amigos comuns, o que imediatamente os tornou mais próximos e menos secos. Falaram de um tal de Tommy e de um Jerry Qualquer Coisa. O coronel perguntou se ela ia diretamente à Inglaterra ou se pararia um pouco em Istambul.
— Não, vou direto.
— Mas não é uma pena?
— Fiz esta viagem na vinda, há dois anos, e passei três dias em Istambul.
— Ah, sim. Mas fico contente por estar indo diretamente à Inglaterra, porque também vou. — O coronel, ao dizer isso, inclinou-se um pouco e seu rosto ficou levemente mais corado.
Hercule Poirot pensou: “Oportunista, o nosso coronel... viajar de trem é tão perigoso quanto por mar!”
Miss Debenham limitou-se a dizer que isso seria bom. E o fez num tom de reprimenda.
O coronel — Hercule Poirot observou — acompanhou-a até sua cabina. Pouco depois, paravam para apreciar a magnífica paisagem que se mostrava ao Taurus. Ao passarem pelos Cilician Gates, a moça, ao lado do coronel no corredor, deixou escapar um suspiro. Poirot, perto deles, pôde ouvi-la dizer baixinho:
— É tão lindo! Eu... eu gostaria...
— Sim?
— Gostaria de poder aproveitar tudo aquilo.
Arbuthnot não respondeu. Seu rosto adquiriu um aspecto mais austero e brutal.
— Agradeceria a Deus que você estivesse fora de tudo isso.
— Apresse-se, por favor. Apresse-se.
— Oh, mas é claro!
O coronel lançou um olhar aborrecido na direção de Poirot, e prosseguiu:
— Não me agrada a ideia de vê-la como uma governanta, à disposição do estalar dos dedos de mães dominadoras e seus filhos mimados.
Ela deu uma gargalhada, sem poder controlar-se, e disse:
— Você não deve pensar assim. A governanta do tipo gata borralheira tornou-se hoje um mito. Posso garantir-lhe que, comigo, os patrões é que têm medo de serem incomodados por mim.
Calaram-se. Arbuthnot talvez tivesse ficado envergonhado do conceito precipitado. Poirot disse para si mesmo que acabava de ver uma pequena comédia. E, mais tarde, teria de lembrar-se dela.

Cerca de 23h30, o trem chegou a Konya. Os dois ingleses saíram para esticar as pernas, caminhando para cima e para baixo ao longo da plataforma gelada. Poirot passou algum tempo observando da janela a movimentação, e decidiu que um pouco de ar fresco não seria de todo mal. Vestiu todos os agasalhos de que dispunha, incluindo as galochas, e desceu à plataforma, caminhando na direção da locomotiva. Ouvindo vozes, percebeu dois vultos perto de um vagão de carga. Arbuthnot falava:
— Mary...
— Agora não. Por favor, não. Quando tudo estiver acabado, quando tudo estiver para trás, então...
Poirot deu meia-volta, discretamente. Pensou como era difícil, naquela voz, reconhecer a frieza de Miss Debenham, e achou tudo muito estranho. No dia seguinte, ficou perguntando a si mesmo qual seria a razão daquela discussão. Os dois falavam-se pouco, e a moça, com olheiras profundas, parecia angustiada.

Cerca das 14h30, o trem parou. Das janelas, viam-se as cabeças de várias pessoas. Um pequeno grupo de homens, do lado de fora, discutia e apontava para alguma coisa debaixo do carro-restaurante. Poirot saiu da cabina e perguntou ao camareiro o que havia acontecido. Ao ter a resposta, voltou a cabeça e quase esbarrou em Miss Debenham, que estava bem atrás dele. A moça, quase sem poder respirar, perguntou-lhe em francês:
— O que houve? O que está nos retendo?
— Nada, Mademoiselle. Apenas alguma coisa que pegou fogo sob o carro-restaurante. Nada de sério. Eles estão consertando tudo agora. Não há qualquer perigo, posso garantir.
Miss Debenham gesticulou como se pouco se importasse com a ideia do perigo.
— Sim, sim, compreendo. Mas o tempo!
— O tempo?
— Sim, isso vai nos atrasar...
— Possivelmente.
— Mas não podemos ter qualquer atraso! O trem chega às 18h55 e ainda se tem de cruzar o Bósforo para pegar o Expresso do Oriente, do outro lado, às nove horas. Se houver um atraso de uma ou duas horas, perderemos a conexão.
— É bem possível.
Poirot olhou-a com curiosidade. A mão pousada na janela não estava firme, seus lábios tremiam.
— Isso a perturba muito, Mademoiselle?
— Sim, muito. Preciso pegar aquele trem.

Miss Debenham afastou-se de Poirot e foi ao encontro do coronel Arbuthnot, no outro extremo do corredor. Sua apreensão, entretanto, era injustificada. Dez minutos após, o trem retomou a viagem. Chegaram a Haydapassar com apenas cinco minutos de atraso, recuperando parte do tempo perdido. O Bósforo estava bravio, e Poirot não gostou da travessia. Separara-se dos companheiros de viagem e desde então os perdera de vista. Chegando à ponte Galata, rumou diretamente para o hotel Tokatlian.

O hotel Tokatlian

No Tokatlian, Hercule Poirot pediu um apartamento à recepção e encaminhou-se à portaria, em busca da correspondência. Três cartas e um telegrama o esperavam. Suas sobrancelhas se elevaram um pouco ao ver o telegrama. Afinal, aquilo era algo inesperado. Abriu-o com a calma habitual. A mensagem datilografada era clara: “Tudo o que previa sobre o Caso Kassner aconteceu inesperadamente. Favor regressar imediatamente.”
— Voilà, que isso é de pasmar — murmurou, olhando o relógio na parede. E voltou ao chefe da portaria:
— Tenho de partir esta noite. A que horas sai o Simplon Orient?
— Às nove, Monsieur.
— Poderia arranjar-me um leito?
— Certamente, Monsieur. Não há problema nesta época do ano. Os trens andam quase vazios. Primeira classe, ou segunda?
— Primeira.
— Très bien, Monsieur. Até onde o senhor vai?
— Londres.
— Bien, Monsieur. Vou arranjar uma passagem para Londres e reservar-lhe um leito no carro-dormitório do coach Istambul-Calais.
Poirot olhou novamente para o relógio. Eram 19h50.
— Há tempo para jantar?
— Estou certo que sim, Monsieur.
O pequenino belga agradeceu com um aceno de cabeça, foi à recepção, cancelou a reserva do apartamento e atravessou o salão, seguindo para o restaurante. Fazia o pedido ao garçom, quando uma mão tocou-lhe o ombro, e, de trás, alguém lhe disse:
— Ah, meu velho, que prazer inesperado!
Era um homem idoso, atarracado, os cabelos cortados en brosse. Sorria prazerosamente. Poirot levantou-se.
— M. Bouc!
— M. Poirot!
Bouc, um belga, era diretor da Compagnie Internationale des Wagons Lits. Há muitos anos conhecia a ex-estrela da Força Policial Belga.
— Está bem longe de casa, mon cher.
— Um pequeno caso na Síria.
— Ah! E quando volta?
— Esta noite.
— Excelente, eu também. Quero dizer, vou até Lausanne, onde tenho alguns negócios. O senhor viaja no Simplon Orient?
— Sim. Acabo de pedir que me arranjem um leito. Pensava em ficar alguns dias por aqui, mas recebi um telegrama chamando-me à Inglaterra em face de uma coisa importante.
— Ah! Les affaires... les affaires! Mas o senhor, o senhor está no alto, mon vieux!

Hercule Poirot tentou parecer modesto. Bouc sorriu, dizendo que mais tarde voltariam a se encontrar. O detetive concentrou-se no trabalho de manter os bigodes fora da sopa. Acabando, olhou à sua volta, aguardando o segundo prato. Havia uma meia dúzia de pessoas no restaurante. Entre elas, duas pareceram-lhe de especial interesse. Sentavam-se não muito longe. O mais jovem era um americano simpático de uns trinta anos. Mas não fora ele, e sim o seu companheiro, que despertara a atenção do detetive.

Tratava-se de um homem de uns sessenta ou setenta anos que, de perto, tinha o aspecto suave de um filantropo. Cabeça ligeiramente calva, testa alta, sorriso mostrando a brancura dos dentes artificiais, tudo indicava uma personalidade benevolente, à exceção de uns olhos pequenos, fundos, estudiosos. E não era só isso: quando o homem, observando qualquer coisa ao companheiro, deu uma espiada em volta, seus olhos pousaram por alguns segundos sobre Poirot, e, naquele momento, mostraram-se tensos e maliciosos. Levantou-se:
— Pague a conta, Hector — disse, num tom seco, mas suave, perigoso.
Quando Poirot voltou a encontrar-se com o amigo, no saguão, os dois preparavam-se para deixar o hotel. A bagagem estava sendo trazida para baixo, sob a supervisão do mais jovem.
— Tudo pronto agora, Mr. Ratchett — disse ele, abrindo a porta de vidro.
O mais velho concordou, num resmungo, e saiu.
— Eh bien — disse Poirot —, que acha daqueles dois?
— São americanos — respondeu Bouc.
— Certamente são americanos. Mas perguntei o que achava deles.
— O mais jovem parece muito simpático.
— E o outro?
— Para dizer-lhe a verdade, meu amigo, não me importei muito com ele. Deu-me uma impressão desagradável. E a você?
Poirot pensou um pouco, e respondeu:
— Quando passou por mim no restaurante, tive uma impressão muito estranha. Foi como se um animal selvagem, um animal muito selvagem, você compreende, passasse por mim.
— E ainda assim ele parecia ser muito respeitável...
— Précisément! O corpo, a jaula, tudo muito respeitável. Mas um animal sempre alerta, olhando tudo de trás das grades.
— Você é muito engraçado, mon vieux — disse o M. Bouc.
— Talvez. Mas não pude me livrar da sensação de que o diabo tivesse passado bem perto de mim.
— Aquele respeitável cavalheiro americano?
— Aquele respeitável cavalheiro americano.
— Bem — disse Bouc, afável —, há muitos diabos à solta pelo mundo.
Naquele momento, a porta de vidro abriu-se, e o chefe da portaria, num ar preocupado, apareceu.
— Extraordinário, Monsieur! Não há um só leito disponível na primeira classe daquele trem.
— Comment? — bradou Bouc. — Mas nesta época do ano? Ah! Com certeza há uma caravana de jornalistas... ou de políticos?
— Não sei, meu senhor — disse o empregado do hotel, respeitosamente. — Mas as coisas estão realmente nesse pé.
— Bem, bem — Bouc voltou-se para Poirot —, não se preocupe, meu amigo. Arranjaremos alguma coisa. Há sempre uma cabina, a número 16, que não pode ser ocupada. O condutor providenciará tudo — sorriu, olhou para o relógio na parede —; mas venha, é hora de partir.
Na estação, M. Bouc foi recebido respeitosamente pelo condutor no uniforme marrom de Wagon Lit.
— Boa noite, Monsieur. Sua cabina é a número 1.
Os carregadores começaram a levar a bagagem para o vagão. Os letreiros proclamavam o seu destino:
Istambul-Trieste-Calais
— Ouvi dizer que o senhor está lotado hoje.
— É incrível, Monsieur. Parece que todo o mundo resolveu viajar esta noite!
— Tanto faz, mas preciso arranjar lugar para este cavalheiro. É um amigo meu. Ele pode ficar com a número 16.
— Está ocupada, Monsieur.
— O quê? A número 16?
Estabeleceu-se um clima de compreensão, e o condutor sorriu. Era um homem alto, amarelado, de meia-idade.
— Mas sim, senhor. Como lhe disse, estamos lotados, lotados...
— Afinal, o que está havendo? — perguntou Bouc, irritado. — Há uma conferência em algum lugar? É uma caravana?
— Não, Monsieur. Puro acaso. Simplesmente parece que todo mundo escolheu esta noite para viajar.
Bouc estalou a língua, aborrecido.
— Em Belgrado — disse — haverá o noturno de Atenas. Há também o coach Bucareste-Paris, mas não chegaremos a Belgrado antes das oito de amanhã. O problema é para hoje. Há algum leito vago na segunda classe?
— Há um, Monsieur...
— Bem, então...
— Mas só pode ser tomado por uma mulher. Já existe uma senhora alemã na cabina, uma dama de companhia.
— Là, là — disse Bouc —, isto é horrível!
— Não se aborreça, meu amigo — interrompeu Poirot —, viajarei num carro comum.
— Ainda não, ainda não — retrucou Bouc, dirigindo-se de novo ao condutor. — Todos os passageiros já chegaram?
— É verdade — lembrou-se o homem —, há um passageiro que ainda não se apresentou.
— Qual?
— Leito número 7, segunda classe. O cavalheiro ainda não chegou, e já são 20h56.
— Quem é ele?
— Um inglês — respondeu o condutor, consultando a lista. — Mr. Harris.
— Um nome de bom presságio — disse Poirot. — Li Dickens: Monsieur Harris não chegará.
— Ponha a bagagem de Monsieur na número 7 — ordenou Bouc. — E se esse Mr. Harris chegar, diga-lhe que está muito atrasado e os leitos não podem ser retidos por tanto tempo. Daremos um jeito de um modo ou de outro. Quem se importa com Mr. Harris?
— Como quiser, Monsieur — respondeu o condutor, e instruiu o carregador sobre a bagagem. Em seguida, deu passagem para que Poirot subisse ao trem.
— Tout à fait au bout, Monsieur — indicou —, a penúltima cabina.
Poirot atravessou o corredor com dificuldade. Todos os passageiros estavam fora de suas cabinas. Seus pardons, ditos com polidez, eram ouvidos com a regularidade de um relógio. Finalmente, chegou à cabina. Mas lá dentro, mexendo numa mala, estava o americano jovem e alto do Tokatlian. Demonstrou mau humor à chegada do detetive.
— Com licença — observou —, mas o senhor parece ter-se enganado. Je crois que vous avez un erreur.
Poirot respondeu em inglês:
— O senhor é Mr. Harris?
— Não, meu nome é MacQueen. Eu...
O condutor da Wagon Lit interrompeu, por sobre o ombro de Poirot. Num tom apologético, quase sem ar, disse:
— Não há mais leitos disponíveis, senhor. O cavalheiro terá de ficar aqui.

O condutor levantou a janela, ao mesmo tempo em que falava, e começou a arrumar a bagagem de Poirot, que se divertia com a confusão. Aquele passageiro certamente prometera ao condutor uma boa gorjeta se pudesse ficar só na cabina. Mas a mais eficiente das gorjetas de nada vale quando o diretor da companhia está a bordo e sai dando ordens.
O condutor retirou-se depois de colocar as malas nas prateleiras.
— Voilà, Monsieur — apontou —, tudo arrumado. O seu leito é o de cima, número sete. Partiremos num minuto.
Saiu depressa, e Poirot acomodou-se afinal na cabina.
— Coisa rara, esta — observou num tom amável —, um condutor de Wagon Lit arrumando a bagagem! Isto é inédito!
O americano sorriu. Evidentemente, já se passara o aborrecimento, e ele provavelmente decidira que de nada adiantava irritar-se. Melhor seria encarar o problema filosoficamente.
— O trem está realmente lotado — disse.
Um apito soou, ouviu-se o grito comprido, melancólico, do motor. Os dois homens foram ao corredor. Lá fora, alguém gritava:
— En voiture!
— Estamos partindo — disse MacQueen.
Mas o trem não saíra ainda. Um outro apito soou. de baixo, que é mais confortável, está o.k. para mim.
Sujeito simpático.
— Não, não — protestou Poirot —, eu jamais o incomodaria.
— Mas seria bom...
— O senhor é muito amável... É apenas uma noite — explicou Poirot — até Belgrado.
— Ah, sim. O senhor fica em Belgrado...
— Não exatamente. O senhor sabe...
Houve um súbito sacolejo, e os dois homens ficaram à janela, observando a longa plataforma iluminada, enquanto o trem partia. O Orient Express começava a sua viagem de três dias através da Europa.

Poirot recusa um caso

No dia seguinte, Hercule Poirot entrou um pouco atrasado para o almoço no carro-restaurante. Acordara cedo, tomara café quase sozinho, e passara a manhã relendo as notas do caso que o levava de volta a Londres. Pouco vira de seu companheiro de viagem.

M. Bouc, que já se sentara, gesticulou convidando o amigo a ocupar o lugar em frente. Poirot aceitou, e logo descobriu estar naquela invejável posição que sempre é servida primeiro e com os melhores petiscos. A comida estava excelente. Só quando já estavam no requeijão, M. Bouc abordou assunto diverso da alimentação. Estavam naquele período da refeição em que as pessoas se tornam filosóficas.
— Ah! — suspirou. — Se ao menos eu tivesse a pena de Balzac! Como eu descreveria esta cena!
— Uma boa ideia...
— Ah, você concorda? Mas isto já foi feito, não? E ainda leva ao romance, meu amigo. Tudo à nossa volta
é gente de todas as classes, nacionalidades, idades. Durante três dias esta gente, estranhos uns para os outros, é colocada junta. Dormem e comem sob o mesmo teto, não podem fugir uns dos outros. E, no fim dos três dias, separam-se, tomam diversas direções, talvez para não mais se ver novamente.
— Ainda assim — retrucou Poirot —, suponha que um acidente...
— Ah, não, meu amigo...
— Do seu ponto de vista seria lastimável, concordo. Mas, apesar disso, permita-nos, só por um momento, a suposição. Então, talvez, todos que estão aqui seriam ligados por um único elo, a morte.
— Um pouco mais de vinho — ofereceu Bouc, passando a servir-se. — Mas como você é mórbido, mon cher. Talvez a digestão...
— É verdade — concordou Poirot —, aquela comida da Síria talvez não fosse muito adequada ao meu estômago.
Poirot provou do vinho e, recostando-se, correu o olhar, pensativamente, pelo carro-restaurante. Havia 13 pessoas sentadas e, como Bouc observara, de todas as classes e nacionalidades. Começou a estudá-las. Na mesa em frente, três homens. Na certa viajavam sozinhos e tinham sido colocados juntos pelo pessoal do restaurante. Um italiano grandalhão palitava os dentes. Em frente, um típico inglês, com ar de desaprovação de um criado bem-treinado. Ao lado do inglês, um americano corpulento, num terno de cor berrante, possivelmente um caixeiro-viajante.
— Você tem de terminar bem isso, grandão — dizia o americano, numa voz anasalada.
O italiano parou com o palito, para gesticular.
— Isso mesmo. É o que vivo dizendo.
O inglês olhou para a janela e tossiu. O olhar de Poirot dirigiu-se para outro ponto.
Numa mesa pequena, aprumada, sentava-se uma das senhoras mais feias que já vira. E estranhamente sua feiura era mais de fascinar que de repelir. E como se enfeitava!

Trazia um colar de pérolas enormes, que, muito provavelmente, eram verdadeiras. Suas mãos estavam cobertas de anéis. O casaco de peles caía pelas costas, pesadão. Um pequenino chapéu preto enfeitava-lhe o rosto amarelado. Falou com o garçom num tom claro, cortês, mas autoritário.
— O senhor poderia fazer-me a cortesia de levar à minha cabina uma garrafa de água mineral e um copo grande de suco de laranja? Providencie frango sem tempero algum para o jantar e peixe cozido.
O garçom, respeitosamente, disse que tudo seria arranjado. Agradeceu com um aceno de cabeça e levantou-se. Seu olhar alcançou Poirot com um desinteresse aristocrático.
— Aquela é a princesa Dragomiroff — explicou Bouc discretamente. — Russa. Seu marido fez fortuna antes da revolução e investiu todo o dinheiro no exterior. Ela é extremamente rica. Uma cosmopolita.
Poirot assentiu. Já tinha ouvido falar da princesa.
— Ela é uma personalidade — disse Bouc —; feia como o pecado, mas que se faz notada. Concorda?
Em outra das mesas grandes, Mary Debenham, com duas outras mulheres. Uma alta, de meia-idade, usava uma blusa num padrão escocês e saia de tweed. Os cabelos, de um louro esmaecido, estavam arrumados num rolo. Usava óculos, e suas feições alongadas, amáveis, lembravam uma ovelha. Escutava o que dizia a terceira, uma mulher alta, de rosto agradável, mais velha, que parecia falar sem parar nem para respirar:
— E então minha filha disse: por que não se podem aplicar métodos americanos neste país? É muito natural, para esta gente daqui, ser indolente. Eles não têm o menor ânimo! Mas, do mesmo modo, você ficaria surpresa de ver o que o nosso colégio tem conseguido com sua excelente equipe de professores. Não há nada como a educação. Temos de aplicar nossas ideias ocidentais e fazer o Oriente reconhecê-las. Minha filha diz... O trem entrou num túnel. O ruído sufocou aquela voz calma e monótona.

Na mesa seguinte, uma das pequenas, o coronel Arbuthnot sentava-se sozinho. Seu olhar se fixava nas costas de Mary Debenham. Eles não estavam juntos, ainda que aquilo pudesse ter sido facilmente arranjado. Por quê?
Talvez, Poirot imaginou, Mary Debenham tivesse feito alguma objeção. Uma governanta aprende a cuidar de si, a importar-se com as aparências. Uma moça assim tem de ser discreta. Seu olhar dirigiu-se para a outra ponta do vagão. No fundo, encostada à parede, uma senhora de meia-idade, vestida de preto, rosto inexpressivo.

 “Alemã ou escandinava”, pensou. Provavelmente dama de companhia! Logo vinha um casal conversando animadamente. O homem usava roupas inglesas de tweed, mas não era inglês. Embora só a parte de trás da cabeça fosse visível a Poirot, seu formato e a posição dos ombros o denunciavam. Um homem grande, de boa aparência. De repente, voltou-se e Poirot pôde ver o seu perfil. Um belo homem de trinta, com um bigode grande. A mulher à sua frente ainda era uma mocinha — vinte anos, mais ou menos. Usava um casaco justo e saias pretas, blusa de cetim branco, um chapeuzinho elegante caído para o lado.

Tinha um rosto de estrangeira, bonito, pele muito branca, olhos castanhos, grandes, cabelos muito negros. Fumava um cigarro numa piteira longa. Suas unhas eram cuidadas, compridas, pintadas de vermelho. Usava uma esmeralda sobre platina. Havia coqueteria em seu olhar e na sua voz.
— Elle est jolie — Poirot murmurou. — Marido e mulher, não?
Bouc assentiu:
— Embaixada húngara, creio eu. Um belo casal.
Só mais duas pessoas almoçavam: o companheiro de viagem de Poirot, MacQueen, e seu patrão, Mr. Ratchett. Este último estava de frente para Poirot, que, pela segunda vez, estudou aquele rosto, notando uma falsa benevolência na expressão e olhos pequeninos e cruéis.
Bouc notou a mudança de expressão do amigo.
— Observa o seu animal selvagem?
Poirot fez que sim. O café foi trazido; Bouc levantou-se. Começara a refeição antes de Poirot.
— Volto à cabina. Venha em seguida conversar um pouco.
— Com prazer.
Poirot tomou seu café e pediu um licor. O atendente ia de uma a outra mesa com uma caixa de dinheiro, aceitando o pagamento de contas. Ouviu-se novamente a velha senhora americana:
— Minha filha dizia: leve um bloco de vales para as refeições e você não terá qualquer problema. Mas não é bem assim. Parece que eles têm de receber uma gorjeta de dez por cento, e há também aquela garrafa de água mineral, ou qualquer outra água diferente. Eles não têm nenhuma Evian ou Vichy, o que me parece muito estranho.
— A questão — explicou a senhora de rosto comprido — é que eles têm de servir a água da região.
— De qualquer maneira, é muito estranho, isto. — Olhou o troco à sua frente. — Olhe o dinheiro que estão me dando: dinares ou coisa parecida. Parece lixo, isto sim. Minha filha dizia...
Mary Debenham empurrou a cadeira para trás e levantou-se, despedindo-se com uma breve curvatura das outras duas. O coronel Arbuthnot a seguiu. Recolhendo o dinheiro desdenhado, a senhora americana saiu, o mesmo fazendo a outra mulher. Ficaram no restaurante apenas Poirot, Ratchett e MacQueen.
Ratchett disse qualquer coisa a seu companheiro, que saiu. Ergueu-se, mas, em vez de retirar-se, dirigiu-se inesperadamente ao lugar em frente a Poirot.
— Poderia ceder-me um fósforo? — perguntou, num tom anasalado, e apresentou-se: — Meu nome é Ratchett.
Poirot inclinou-se levemente, levando a mão a um dos bolsos e retirando uma caixa, sem abrir.
— Creio ter o prazer de estar falando com M. Hercule Poirot. É verdade?
Poirot inclinou-se novamente.
— O senhor está bem-informado, Monsieur.
O detetive sentiu que aqueles olhos estranhos o observaram atentamente, antes que seu dono falasse de novo.
— Em meu país — disse — gostamos de ir direto ao assunto. Sr. Poirot, quero dar-lhe uma tarefa.
— Minha clientela — respondeu Poirot, as sobrancelhas levantadas — é atualmente muito limitada, Monsieur. Só conduzo uns poucos casos.
— Naturalmente! Mas trata-se, M. Poirot, de muito dinheiro — e repetiu, em tom macio, persuasivo —, muito dinheiro.
Hercule Poirot calou-se por um minuto ou dois, e observou:
— O que quer que lhe faça, Monsieur... Ratchett?
— M. Poirot, sou um homem rico. Um homem muito rico. Homens nesta situação têm inimigos. E eu tenho um inimigo.
— Apenas um inimigo?
— O que quer dizer com isto? — perguntou Ratchett.
— Monsieur, minha experiência indica que quando um homem está numa situação de, como o senhor diz, ter inimigos, ele não os resume em apenas um.
Ratchett pareceu aliviado pela resposta de Poirot.
— Claro! Gostei de sua observação. Inimigo ou inimigos, pouco importa. O que importa é a minha segurança.
— Segurança?
— Minha vida foi ameaçada, M. Poirot. Mas sou dos homens que sabem cuidar de si. — Retirou uma pequena pistola automática do bolso do casaco, mostrou-a e guardou-a novamente. — Não sou o tipo de homem que pode ser apanhado dormindo. Mas quero estar duplamente seguro disso. Creio que o senhor é o homem indicado para o meu dinheiro, M. Poirot. E, lembre-se, muito dinheiro. Poirot olhou-o pensativamente por alguns minutos. Seu rosto não dizia absolutamente nada. Ratchett não poderia adivinhar o que lhe passava pelo pensamento.
— Lamento, Monsieur — disse com convicção —, mas tenho sido muito feliz na minha profissão.

Avaliações

Avaliação geral: 4.5

Você está revisando: Assassinato No Expresso do Oriente - Col. Saraiva de Bolso

Andréa recomendou este produto.
25/07/2015

Muito bom!

Muito envolvente,te prende a cada segundo!Só é meio parado e consegui descobrir quem cometeu o crime.
Esse comentário foi útil para você? Sim (1) / Não (0)
Jeniffer recomendou este produto.
04/10/2013

Envolvente!

O livro é muito bom, te envolve a cada página. Confesso que esperava mais, um desfecho mais surpreendente, mas ainda assim é uma ótima leitura. Li em 2 dias apenas. Recomendo!
Esse comentário foi útil para você? Sim (5) / Não (0)