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Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Cód: 173578)

Soares, Jô

Companhia Das Letras

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Descrição

A princípio aquilo parecia um paradoxo ou uma brincadeira de mau gosto: durante seu discurso de posse, o senador Belizário Bezerra, o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras, caiu fulminado no salão do Petit Trianon. A morte de outro confrade, em circunstâncias semelhantes - súbita, sem sangue e sem violência aparente - trouxe uma tensão inusitada para a tradicionalmente plácida casa de Machado de Assis; um serial killer literário parecia solto pelo pacato Rio de Janeiro de 1924, e não estava pra brincadeira. Queria ver mortos todos os imortais. Os 'Crimes do Penacho', como a imprensa marrom apelidou a série de assassinatos, despertaram a curiosidade do comissário Machado Machado, um tipo comum na paisagem carioca não fosse o indefectível chapéu-palheta, a pinta de sedutor irresistível e a obstinação em provar que aquelas mortes jamais poderiam ser coincidências. Em sua investigação, que serpenteia entre um chope e outro no Café Lamas, reduto dos intelectuais e jornalistas, uma visita ao teatro São José (mais precisamente ao camarim da deslumbrante Monique Margot, a estrela da peça 'Alô... Quem Fala?'), uma passada no cemitério São João Batista e outra na Lapa, Machado Machado se vê às voltas com uma fauna exótica e muito particular. Os suspeitos estão em toda parte: políticos, jornalistas, religiosos, nobres falidos, embaixadores, crupiês, poetas maiores e menores, homens de letras, magnatas da imprensa, quase todos com um pendor inescapável para o assanhamento e a malandragem. 'Assassinatos na Academia Brasileira de Letras' combina o sabor da prosa de Jô Soares a uma pesquisa histórica que reconstitui nos mais ricos detalhes um Rio de Janeiro que até agora não estava nos livros: parecia estar apenas na memória de quem o viveu. Como quem não quer nada, Jô mistura erudição e humor, texto e imagens, suspense e comédia de costumes - fórmula secreta que, na mão dos grandes autores, garante a marca da melhor literatura.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535906172
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8535906177
Profundidade 2.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2005
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 256
Peso 0.36 Kg
Largura 14.00 cm
AutorSoares, Jô

Leia um trecho

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE ABRIL DE 1924 PULVIS EST ET IN PULVEREM REVERTERIS Uma chuva de gotas grossas caía sobre a cidade do Rio de Janeiro naquela tarde de céu encoberto, e relâmpagos festejavam a tempestade. Contrariando a crença de que aguaceiros aliviam o calor, os termômetros acusavam uma temperatura de trinta e nove graus. O clima não impediu que os partícipes se apresentassem a rigor para as últimas despedidas ao senador da República e emérito escritor Belizário Bezerra, no cemitério São João Batista. Havia mais gente ainda que no dia da posse. Sérgio Loreto viera de Pernambuco, e até a autoridade maior do país, o presidente Arthur Bernardes, estava lá, de cartola e sobrecasaca, prestigiando o amigo morto, apesar das preocupações com o estado de sítio, que vigorava desde o governo anterior. Turistas ocasionais também se amontoavam em volta do túmulo, dando mostras da curiosidade mórbida que se manifesta em catástrofes e nos enterros de pessoas ilustres. Imortais mais ansiosos já cabalavam, entre si, votos para futuros candidatos. Causava estranheza vê-los de fardão e guarda-chuva. Outros grupelhos contavam anedotas e riam disfarçadamente. Mulheres envoltas em renda negra trocavam idéias, em voz baixa, sobre os últimos lançamentos da moda em Paris e falavam do exótico Cuir de Russie, novo perfume de Coco Chanel. Deputados e senadores, conhecedores das tensões do momento político, dirigiam olhares para o presidente, conjecturando sobre possíveis rebeliões tenentistas, inspiradas pelos Dezoito do Forte. Enfim, como em qualquer funeral, o único silencioso era o morto. Todos pretendiam despachar o defunto com um necrológio pujante, porém o criminalista Aloysio Varejeira foi o mais pressuroso. Quando ele puxou do bolso o panegírico, um enorme círculo abriu-se à sua volta. O inescrupuloso advogado era temido pelo seu mau hálito. Os maledicentes imputavam-lhe o sucesso nos tribunais ao bafejo cáustico, cultivado por anos de vinho avinagrado e queijo-do-reino, que ele expelia, ameaçador, em direção aos jurados. Pura aleivosia: o talento de Varejeira era tão perigoso quanto seu bafo venéfico. A não ser por essa discutível qualidade, Aloysio era um homem comum. Portava bem seus setenta e oito anos, não escondia os cabelos brancos, e os dentes perdidos numa juventude descuidada haviam sido substituídos por belas dentaduras de marfim. O fardão, esmaecido por anos de baú, não conseguia atenuar-lhe a penosa figura. Desprendia-se dele um almíscar em que o odor da naftalina se confundia com o da bafagem malfazeja. Somando-se a tudo isso a transpiração abundante do advogado, ficava mais que justificado o largo espaço formado em seu redor. Mesmo assim, algumas senhoras protegiam as narinas com lencinhos perfumados, fingindo prantear o finado. Indiferente a tudo, Aloysio Varejeira ajustou no nariz o lorgnon que lhe facilitava a leitura, abriu a boca cheia de molares luzidios e, engrolando um ruidoso gorgolejo, tombou morto sobre o caixão do seu confrade.

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