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Bellini e o Labirinto (Cód: 7929050)

TONY BELLOTTO

Companhia Das Letras

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Descrição

O detetive Remo Bellini ficou afastado das páginas, mas não das ruas. Depois de quase dez anos da publicação de Bellini e os espíritos, Tony Bellotto volta à sua criação máxima, o áspero (e ocasionalmente sensível) investigador que é fã de blues, de mulheres e de uma boa dose de ação. O tempo passou, mas Bellini ainda mora sozinho num apartamento na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Algumas manias também permanecem, como almoçar todos os dias no Luar de Agosto, boteco próximo à sua casa.
O crime para o qual será atraído, no entanto, não tem nada de comum. Depois de receber um telefonema de Marlon, parte da famosíssima dupla sertaneja Marlon & Brandão, Bellini terá de sair da sua conhecida São Paulo e viajar ao coração de Goiânia, onde se verá embrenhado num universo de música sertaneja, césio-137, intriga e pelo menos uma dama fatal. Contratado para negociar com os sequestradores do milionário Brandãozinho, ele vê o cliente ser baleado e morto durante o resgate, o que o lança numa espiral de traições e desconfianças que o fará suspeitar de sua própria sanidade.
Para auxiliá-lo na missão, Bellini conta com alguns aliados que seus leitores reconhecerão de romances passados, como Dora Lobo, chefona da agência de detetives Lobo, e Gisele, a hacker paralítica (e às vezes amante) que costuma ajudá-lo em questões tecnológicas. Com uma trama que prenderá o leitor até seu explosivo final, Bellini e o labirinto é a volta em grande estilo de um dos mais icônicos personagens da literatura policial brasileira.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535924770
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788535924770
Profundidade 1.50 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2014
Classificação Indicativa Livre para todos os públicos
Número de Páginas 280
Peso 0.31 Kg
Largura 13.00 cm
AutorTONY BELLOTTO

Leia um trecho

TONY BELLOTTO BELLINI E O LABIRINTO 1. O toque agudo — e irritante — se destacava do ruído monótono dos carros que já invadiam a Paulista naquela manhã fuliginosa. Maldito Graham Bell. Oráculos vaticinam que quando o telefone toca antes das sete urge atender — ninguém liga a essa hora para um papinho furado. A não ser que você tenha amigos cocainômanos, o que não é uma possibilidade para quem não tem amigo nenhum. Há sempre a chance de um engano — “Alô, dona Mirtes?” —, mas apostar nisso poderia gerar uma dúvida capaz de aniquilar de vez um sono que não era exatamente o da Bela Adormecida. “Alô?” “Remo Bellini?” “Depende.” “Aqui é o Marlon. Marlon de Souza Brandão.” Silêncio. “O Marlon da dupla Marlon e Brandão. O senhor conhece?” A coisa sempre pode piorar. Quem não conhece Marlon e Brandão? Os irmãos boias -frias que abandonaram as plantações de cana para conquistar o Brasil com melosas canções com sotaque caipira. “Pode deixar o senhor de lado, é formalidade demais para uma conversa ao raiar do dia. Até o conde Drácula conhece Marlon e Brandão, os meninos -prodígio de Goiânia. O que você quer comigo a essa hora?” “O Brandão, meu irmão, foi sequestrado.” Marlon fez uma pausa. Obviamente contava que a frase fosse a deixa para que eu tomasse alguma atitude. “Sei”, eu disse, na falta de algo melhor. “Você já sabe?” “Fiquei sabendo agora, Marlon. Como posso ajudar?” “Me informaram que você é o cara certo para amparar minha família neste momento. Estamos desesperados.” “Imagino.” Agora, quem fez uma pausa sutilmente irritante fui eu. “Os sequestradores já entraram em contato?”, prossegui, antes que ele me mandasse tomar no cu. “Ainda não.” “Então você não tem certeza de que ele foi sequestrado.” Marlon hesitou: “Eu…”. “Me conta o que aconteceu.” “Não sei por onde começar.” “Pelo começo.” “O assunto é um pouco delicado.” “Costuma ser, a essa hora da manhã. Desembucha.” “Vou ser franco com você, Bellini: meu irmão é chegado numa… putaria.” Silêncio. “O Brandãozinho, quem é íntimo sabe, é seco numa foda profi ssional”, prosseguiu. “Apesar de importar de São Paulo e de Brasília as melhores piranhas à disposição no mercado, às vezes ele prefere se mocozear num puteirinho furreca, pra não perder a mão. O Brandão diz que homem não pode se acostumar só com mulher gostosa. Então, de vez em quando, ele vai pro sacrifício e encara uma, ou duas, às vezes até três, amburanas de beira de estrada.” “Não se pode negar que há alguma sabedoria nesse procedimento.” “Sei lá. Com a grana que meu irmão tem, pra que se arriscar nesses muquifos?” “Vamos deixar as dúvidas existenciais para os filósofos, Marlon. O sequestro, por favor.” “Ontem à tarde, o Brandãozinho foi até um desses puteiros chinfrins, ali pros lados de Anápolis, e, de noite, quando voltava pra casa, foi sequestrado.” “Testemunhas?” “Não que eu saiba. A Land Rover foi encontrada pela polícia rodoviária lá pela meia -noite, abandonada no meio da estrada, com as luzes acesas e o som ligado. Não levaram nada do carro, e até o celular e a carteira do Brandãozinho estavam lá, em cima do banco. A carteira com dinheiro, talões de cheques, cartões de crédito e todos os documentos.” “Como você sabe que ele foi sequestrado? O Brandão não pode ter entrado no carro de uma fã? Deve estar contemplando a alvorada no acostamento ou escornado num quarto de motel. Ele nunca desapareceu antes?” “Não desse jeito, largando o carro no meio da estrada e deixando a carteira e o celular pra trás.” “O Brandão bebe?” “Só energéticos. Somos abstêmios.” Luis Buñuel não confi ava em homens abstêmios. Infelizmente não posso me dar ao luxo de ser tão exigente com meus clientes. “Drogas?” “Não! Somos evangélicos. Nosso coração é puro, como o de Jesus.” “Não se fazem mais pop stars como antigamente”, eu disse. “Você é um cara estranho, Bellini.” “Muito cedo para elogios, Marlon. Relaxa. Daqui a pouco o Brandão aparece, vai por mim. Deve estar entalado numa buceta mais apertada que as de costume. Se ele não voltar em vinte e quatro horas, você me liga de novo. Que tal avisar a polícia? Ela deve servir para alguma coisa, afi nal de contas.” “Bellini, o buraco é mais embaixo, véio. Logo que soube que o carro do meu irmão foi encontrado, liguei para um delegado nosso amigo, dr. Filadelfo. Ele ordenou uma busca em toda a região. Postos da polícia rodoviária, hospitais, puteiros, hotéis, bares, boates, farmácias e até necrotérios de Goiânia e das cidades próximas foram checados. Amigos, conhecidos, parentes, funcionários e ex -funcionários da nossa empresa foram contatados de madrugada. O Fila também interrogou as pessoas que estavam no bordel de Anápolis e deu uma busca pessoalmente nas imediações da BR -060, onde o carro foi encontrado. Meu irmão desapareceu.” “Isso ainda não prova que foi um sequestro.” “Só se ele foi abduzido por um disco voador.” “Melhor não trabalhar com essa hipótese. Por enquanto.” “Meu irmão largou o celular no carro. Nem pra cagar o Brandãozinho larga a porra do celular. Ele foi levado à força da Land Rover, tenho certeza. Foi o Fila mesmo que sugeriu a possibilidade de sequestro e indicou seu nome para nos ajudar, Bellini.” “Com tanta grana em caixa, por que vocês não contratam seguranças?” “Usamos seguranças quando estamos viajando, fazendo shows. Mas não em Goiânia. Conhecemos todo mundo na cidade. Somos queridos pelo povo, conhecidos na região. Nunca pensei que uma coisa assim pudesse acontecer aqui. De qualquer jeito, um puteiro não é um lugar pra ir com guarda -costas, certo?” “Com a grana que seu irmão tem, por que se arriscar nesses muquifos?” “Eu não acabei de te fazer a mesma pergunta?” “Pra você ver como argumentos também podem sair pela culatra. A que horas você pode me encontrar? O Fila tem o endereço do meu escritório?” “Bellini, você tem que vir para Goiânia. Não posso sair daqui agora. A família, entende? Precisamos fi car juntos, estamos todos muito nervosos. Além do mais, o sequestro aconteceu aqui.” Nunca subestime um telefonema às sete da manhã. Ele pode virar um problema de verdade. “Goiânia?” “Eu pago a passagem, claro. Ou, se preferir, mando nosso jatinho te apanhar.” “Calma”, eu disse, embora fosse eu a demonstrar uma inesperada ansiedade. “Me ligue em quinze minutos, por favor. Preciso ver se consigo me ausentar. É complicado, assim de repente.” “Claro, claro. Eu entendo. Ligo em quinze minutos. Mas pense no meu caso com carinho, por favor. Estamos desesperados. O Fila te mandou um abraço.” “Manda outro pra ele”, eu disse, embora não me lembrasse de nenhum dr. Filadelfo. Bem, havia coisas mais estranhas das quais eu não me lembrava. “Até já”, disse Marlon, e desligamos. Debrucei -me sobre o dilema por alguns segundos: ir ou não ir para Goiânia? Complicado, sem dúvida. Resolvi a questão virando para o lado e dormindo de novo. 2. Uma das poucas coisas imutáveis em São Paulo é o aeroporto de Congonhas. Embora várias reformas tenham acontecido desde sua inauguração em 1936, o aspecto do edifício continua o mesmo há quase oitenta anos. Na minha infância, meus pais me levavam até Congonhas aos domingos para ver aviões subir e descer. Íamos também ao parque do Ibirapuera, ou ao Salão do Automóvel. Em ocasiões especiais assistíamos ao Holiday On Ice, um espetáculo de patinação no gelo em que eu me deliciava com a visão de patinadoras deslizando na superfície gelada. Um pequeno humanista em formação, já naquela época preferia contemplar patinadoras a carros, eucaliptos ou aviões. Pedi um expresso duplo e dois pães de queijo num café no saguão central do aeroporto. Sentei a uma mesinha atrás de uma coluna e liguei o discman no bolso interno do paletó. Deixei que a fi losofi a profunda de John Lee Hooker embalasse meus neurônios enquanto eu mastigava o pão de queijo: “The best thing in life is free, but you can give it to the birds an’ bees”. John Lee Hooker tem um estilo único de cantar, pois parece estar falando. Se você prestar bastante atenção, vai perceber que ele não está falando, mas cantando como um demônio com calos nas cordas vocais. Difícil, no corre -corre da vida cotidiana, é arranjar tempo para perceber coisas assim. “I need some money, need some money…” Mais urgente que o café, ou o pão de queijo, a dose diária de melancolia desceu como morfi na. Quem precisa de crack, se tem o blues? Olhei as pessoas andando pra lá e pra cá e bocejei. Dei um gole no café, abri o jornal e olhei as notícias: inundações, incêndios, assaltos, assassinatos, deslizamentos, terremotos, intrigas, miséria, ruína, desespero, casas desabando, ações despencando e capotas polares se transmutando em prosaicas poças d’água. Bocejei de novo. Corri para o horóscopo, o único refúgio visível: Num dia como hoje, melhor deixar a água do rio correr livremente enquanto você apenas a contempla. Hum. Consultei o relógio. É tudo uma questão de interpretar corretamente os desígnios astrológicos: o fl uxo do tempo não é como a água que corre no leito de um rio? Além de meio brocha, a idade está me deixando meio zen. E distraído. Corri até o portão cinco, onde já se encerrava o embarque do voo 3925. Entrei no espaçoso Airbus com John Lee Hooker ainda pairando na minha caixa craniana. “Money don’t get ever’thing it’s true, but what it don’t buy, daddy, I can’t use…” A melancolia perene deu lugar a uma inusitada sensação de alívio. Ainda bem que não optei pelo jatinho particular de Marlon e Brandão. Não contente em me deixar meio brocha, zen e distraído, o passar do tempo tem me causado claustrofobia em aviões pequenos. “I need money, I need money, yeah…” Sim, eu também preciso de dinheiro. Se a montanha não vem a Maomé, Bellini vai a Goiânia. 3. Em Goiânia Marlon Brandão me esperava no aeroporto. Apesar do nome, que soava como um bizarro aumentativo do nome do lendário ator norte -americano Marlon Brando, o cantor sertanejo em nada lembrava uma versão dilatada do já rotundo coronel Kurtz, de Apocalipse Now. Marlon Brandão era um rapaz magérrimo que me pareceu ainda mais desconsolado ao vivo. De sua fi gura, o que mais chamava a atenção, além do jeans justíssimo — que parecia lhe apertar as bolas do saco à exasperação —, era um estranho topete descolorido, que, por um instante, me lembrou um arranjo kitsch com bagaços de cana. Tive certeza de que os irmãos Brandão nunca deveriam ter abandonado as plantações de cana -de -açúcar. Era aos canaviais que eles pertenciam, e o penteado de Marlon Brandão comprovava isso. Ao lado de Marlon, um sujeito de óculos escuros e barriga pontiaguda sorria para mim com volúpia, como se minha presença lhe proporcionasse algum tipo de satisfação secreta. Não foi difícil deduzir que se tratava do tal dr. Filadelfo. Posso reconhecer um tira sorridente a quilômetros de distância, pelo brilho dos dentes. Aprende -se alguma coisa em vinte e cinco anos de trabalho. “Bellini”, disse, estendendo a mão. “Lembra de mim?” Lembra de mim? é uma pergunta sádica, pois quem pergunta sabe que você não lembra. Ainda mais quando a pessoa em questão não se digna a tirar os óculos escuros. “Dr. Filadelfo.” Filadelfo apertou minha mão como só um tira sabe fazer. É uma dessas coisas que eles aprendem na Academia de Polícia. “Que memória!” “Nenhuma memória. Na verdade eu não me lembro de você, mas não é nada pessoal. Não me lembro de quase ninguém. Mas suponho que seja você. Só um policial permaneceria mais de trinta segundos apertando com tanta força a mão de outro homem.” Ele largou minha mão na hora. Seu sorriso também desapareceu do rosto. Marlon Brandão deu uma risada que moveu graciosamente os bagaços de cana de seu topete. “E você é o Marlon”, eu disse, estendendo a mão para meu provável futuro cliente. “Eu, você conhece”, ele afi rmou enquanto me cumprimentava. E logo soltou minha mão. “O topete é inconfundível.” “Vamos?”, sugeriu Filadelfo, fazendo um sinal em direção ao estacionamento. Não só o sorriso tinha se evaporado de seu rosto: um rancor sutil podia ser observado na maneira nervosa como movia os maxilares. “De onde nos conhecemos?”, perguntei. “Isso pode fi car pra mais tarde. Temos coisas mais importantes pra resolver.” Sádico e ressentido. O pior tipo de tira que se pode encontrar.

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