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Big Love (Cód: 172624)

Dunn,Sarah

Nova Fronteira

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Big Love

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Descrição

Neste seu primeiro romance, Sarah Dunn apresenta a história de Alison Hopkins, uma mulher de trinta-e-poucos-anos que é abandonada pelo namorado no meio de um jantar entre amigos. Ele simplesmente sai para comprar mostarda e não volta, confessando por telefone estar apaixonado por outra. Essa situação constrangedora é o ponto de partida para Alison reavaliar a sua vida e estabelecer novas metas para encontrar um grande amor.
Em 'Big Love', Sarah Dunn consegue construir uma bem moldada comédia romântica, repleta de referências a seriados e filmes do gênero. Ao mesmo tempo, aborda com humor e sensibilidade o que a maioria absoluta das mulheres procura: “o” grande amor.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Nova Fronteira
Cód. Barras 9788520917145
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8520917143
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2005
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 206
Peso 0.24 Kg
Largura 14.00 cm
AutorDunn,Sarah

Leia um trecho

Um PARA SER JUSTA COM ELE, provavelmente não existiria no mundo uma maneira de Tom ir embora que eu considerasse satisfatória. Acontece que não estou a fim de ser justa com ele, mas garanto que vou fazer o possível para ser fiel aos fatos. Era final de setembro. Tínhamos convidado uns amigos para jantar. Quando eles estavam prestes a chegar, percebi que não tinha mostarda Dijon em casa, um ingrediente indispensável para o molho da galinha. Foi aí que pedi ao meu namorado, Tom — meu namorado “residente”, como minha mãe gosta de dizer —, que fosse até o mercado para comprar um pote. “Não traz daquela apimentada, não”, tenho certeza de que foram as últimas palavras que eu disse a ele. Uma das convidadas era a minha melhor amiga, Bonnie, que por acaso naquela época estava grávida de sete meses. Comidas apimentadas fazem Bonnie suar ainda mais do que ela já sua normalmente, então calculei que o pior que podia acontecer à minha festa era uma enorme grávida com suadouros. Acabou que isso não era a pior coisa que poderia acontecer à minha festa. A pior coisa que poderia acontecer à minha festa foi o que de fato aconteceu: uma hora depois de sair, Tom ligou de um telefone público para me dizer que continuasse sem ele, que não voltaria, não tinha comprado a mostarda e que, a propósito, estava apaixonado por outra mulher. E nós tínhamos visitas! Cresci ouvindo que não se deve fazer nada de estranho ou mal-educado quando se tem visita em casa, o que talvez explique o que fiz logo em seguida. Com muita calma, coloquei a cabeça para dentro da sala e disse: — Bonnie, será que você poderia vir aqui na cozinha um minutinho? Bonnie bamboleou até a cozinha. — Onde está o Tom? — Bonnie perguntou. — Ele não vem — esclareci. — Por que não? — Eu não sei — respondi. — Como não sabe? — Ele disse que não vai voltar pra casa. Acho que ele terminou comigo. — Pelo telefone? Isso é impossível — Bonnie protestou. — O que ele disse exatamente? Contei tudo para ela. — Oh, meu Deus, ele disse isso? — ela não acreditou. — Você tem certeza? Caí no choro. — Bem, isso é completamente inadmissível — Bonnie disse e me abraçou com força. — É imperdoável. Foi imperdoável, realmente foi. E o que tornava a coisa toda imperdoável, no meu modo de ver, não era apenas que ele tivesse terminado um relacionamento de quatro anos sem aviso, ou que tivesse feito isso pelo telefone, ou que tivesse feito isso no meio de um jantar, mas também o seguinte: o sujeito desligou o telefone antes que eu tivesse chance de dizer qualquer coisa. Isso para mim era quase inconcebível. Já na opinião de Bonnie, o que tornava tudo aquilo inconcebível era a certeza de que tudo não passava de uma manobra do Tom para tão cedo não ter de me pedir em casamento. Pensando que pudesse me acalmar, ela de fato articulou essa teoria enquanto ainda nos abraçávamos na cozinha. — Os homens estão tentando evitar o casamento — Bonnie me disse. — Para eles, não parece nada divertido. — Ela passou a mão no meu cabelo. — Os amigos deles que estão casados parecem acabados. Como que seguindo a deixa, Larry, o marido de Bonnie, entrou na cozinha com um pano de prato listrado preso na cintura e duas travessas de galinha ao molho marsala. Larry tinha ficado muito orgulhoso de seu prato. Quando viu que Tom estava demorando com a mostarda, se saiu com a idéia do marsala e usou os cogumelos da salada para preparar a galinha. Olha, eu vou contar um negócio para você a respeito do Larry: ele traiu a Bonnie quando eles ainda eram namorados. Na verdade, ele traía a Bonnie a torto e a direito, mas agora estava ali, pai de dois filhos, cozinheiro de galinha ao molho marsala, o próprio retrato da tranqüilidade doméstica. Pode ser que estivesse acabado, mas estava acabado e fiel. — Tom não vem — Bonnie deu a notícia a Larry. — Ele disse que está apaixonado por outra pessoa. — Por quem? — foi a pergunta de Larry. É claro que eu sabia por quem ele estava apaixonado. Nem me dei ao trabalho de perguntar. Ele estava apaixonado por Kate Pearce. E eu sabia disso! Eu sabia! Bonnie também sabia — estava escrito na cara dela. Na verdade, já fazia um bom tempo que Bonnie e eu vínhamos confabulando sobre Kate, a velha amiga de faculdade do Tom. A gente falava nela desde que ela havia convidado Tom para o primeiro de uma série de almocinhos amigáveis. Isso aconteceu na mesma época em que Bonnie comprou um aparelho de telefone daqueles que prendem na cabeça e deixam as mãos livres. E eu só menciono o novo aparelho porque depois que Bonnie o comprou o que ela mais queria fazer na vida era falar ao telefone. — Tom começou a fazer abdominais na noite passada enquanto assistia ao noticiário — comentei com Bonnie durante uma de nossas conversas telefônicas. — Você acha que isso significa alguma coisa? — Provavelmente não — Bonnie respondeu. — Eu não acho que uma pessoa começa a fazer abdominais de um dia para o outro a troco de nada — eu disse. — Algumas semanas atrás passou Rocky na televisão, e no dia seguinte Larry montou na garagem o banco de levantar pesos, então pode ser que não seja nada. — Ele disse quem era? — Larry perguntou, enquanto colocava a galinha ao molho marsala na bancada da cozinha. — Ele contou por quem estava apaixonado? — Ele está apaixonado pela Kate Pearce — eu disse. Era incrivelmente doloroso dizer a frase em voz alta. Me sentei à mesa da cozinha e rapidamente emendei: — Pelo menos ele pensa que está apaixonado por ela. — Provavelmente é apenas um caso passageiro — Bonnie disse. — Isso é permitido? — Larry perguntou. — É claro que não — Bonnie se apressou em responder. — Eu só quero dizer que talvez tudo acabe logo. — Você nunca viu a Kate — eu disse. — Ela é bonita. — Você é bonita — Bonnie disse, e então alcançou minha mão do outro lado da mesa e me fez um carinho, o que não contribuiu para que eu me sentisse bonita. Não se faz carinho na mão de uma pessoa bonita quando se diz que essa pessoa é bonita. Simplesmente não é necessário. Minha amiga Cordelia entrou na cozinha para ver o que estava acontecendo e bastou que eu olhasse para ela para cair no choro outra vez. Cordelia caiu no choro também, eu me levantei e nós ficamos ali, sobre o chão cinza da cozinha, por um tempo que me pareceu interminável, abraçadas, do jeito que se faz quando um parente morre. Só mais tarde fui descobrir que naquele momento Cordelia realmente achou que houvesse um parente morto envolvido; se ela soubesse o real motivo não teria chorado daquele jeito. Ela é bastante filosófica quanto às questões do coração, filosófica de uma maneira que você só pode ser se algum dia já foi casada e não tem a menor intenção de se casar novamente. Cordelia fora casada com Richard por quase dois anos. Eles tinham o que consideravam os problemas usuais, então apelaram para a solução usual: foram fazer terapia juntos. Na atmosfera aberta e de aceitação mútua criada pelo terapeuta de casal, Richard confessou a Cordelia que se interessava por pornografia amadora. Cordelia pensou, O.K., talvez não seja ideal, mas a sexualidade humana é mesmo complicada, e ela era capaz de manter a cabeça aberta a respeito dos pequenos pecados do marido. Sentindo-se encorajado, Richard foi adiante para trazer à tona o que viria a se tornar um esclarecimento crucial: ocorre que ele estava de fato envolvido em pornografia amadora, e Cordelia se deu conta de que a cabeça dela não era assim tão aberta. — Bem, ele não pode terminar com você pelo telefone — Cordelia disse, depois que Bonnie contou para ela o que havia acontecido. — Vocês vivem juntos. Vocês compraram um sofá juntos. — Eu nunca lhe disse isso antes — Bonnie confessou —, mas sempre detestei aquele sofá. — Foi o Tom que escolheu — eu disse. Isso me fez começar a chorar outra vez. — Eu não quis que ele pensasse que viver comigo significava que ele não fosse mais ter o direito de escolher sofás. — Aquele sofá — Bonnie disse a Larry — é o motivo pelo qual eu não deixo você escolher sofás. Em seguida, Bonnie foi até a sala e despachou o restante dos convidados. Então ela e Larry limparam a cozinha para que eu não tivesse que acordar e dar de cara com uma grande pilha de pratos sujos. Depois, Cordelia me botou na cama e me deixou com uma garrafa de vinho. Eu disse que queria ficar sozinha e os três finalmente foram embora. Preciso dizer a você que o primeiro pensamento que me ocorreu depois de desligar o telefone com Tom foi que o episódio do anel provavelmente havia sido um erro. O que aconteceu exatamente foi o seguinte: alguns meses antes, eu tinha visto numa revista a foto de um anel de noivado que me agradou muito. Pois bem, me envergonho de dizer que recortei a foto, e mais ainda de tê-la colocado na pasta do Tom enquanto ele tomava banho. Eu não esperava que ele saísse correndo no dia seguinte para comprar o anel. Pensei que pudesse ser o tipo de informação que ele gostaria de arquivar para usar em algum momento indeterminado no futuro. Quando Larry perguntou a Bonnie de que tipo de anel ela gostava, ela disse que não queria um solitário, queria algo diferente e ele disse tudo bem, diferente, eu posso dar um jeito. Então Bonnie teve um flash repentino do que ele poderia arranjar por conta própria — Larry sendo o homem que um dia grampeou duas toalhas marrons bem velhas na janela do quarto dele e as deixou penduradas lá durante quatro anos —, então ela pegou um guardanapo e desenhou um anel largo com brilhantes cravados em trilho e embaixo escreveu as palavras platina, tamanho seis, GRANDE e RÁPIDO. Obediente, Larry levou o guardanapo a uma joalheria, e agora Bonnie tem no dedo algo que se parece com uma reluzente porca de pneu. É claro, é possível que eu esteja dando muita ênfase à história do anel, mas a minha tendência é focar num detalhe e ignorar todo o resto. Sempre fui assim. Cursei uma disciplina de nu artístico na faculdade e no final de duas horas a única coisa que eu conseguia pintar era uma representação esquisita do gigantesco pênis não circuncidado do modelo. Enfim, de qualquer maneira, eu obviamente não deveria ter posto a foto daquele anel na pasta do Tom. Obviamente eu deveria ter sido mais firme com relação àquela história da Kate desde o começo. Agora eu vejo tudo com clareza. Apenas nunca me passou pela cabeça que o Tom realmente tivesse um caso! Não, não é verdade. Várias vezes a idéia me passava pela cabeça, mas, sempre que eu trazia isso à tona, Tom me garantia que era loucura minha. “Eu não posso viver desse jeito”, ele reclamava. “Se você não confia em mim, então talvez seja melhor a gente terminar tudo agora”, ele avisava. E falava isso com tanta calma, controle e lógica que eu pensava: ele tem razão, isso é coisa minha, é paranóia minha, isso está acontecendo porque o meu pai saiu de casa quando eu tinha cinco anos, eu estava numa fase edipiana, tenho um medo irracional de ser abandonada e preciso superar isso. Em seguida eu era tomada por pensamentos do tipo “Não esmague o pardal, segure-o com a mão aberta; se voltar para você é porque era seu, se não, é porque nunca foi”. E aí ficava numa boa, num verdadeiro estado zen, até que tentava me lembrar de onde tinha vindo a história do pardal, o que me fazia pensar em O pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, embora entre uma coisa e outra não houvesse nenhuma ligação, a não ser uma obviedade adolescente boba, o que me fazia pensar na coisa de que o Tom mais gostava — uma camiseta meio bobinha do Pequeno príncipe que a Kate fez para ele quando ainda estavam na faculdade, a mesma Kate com quem ele estava ocupado almoçando — e então eu começava tudo de novo. — Escuta aqui — eu disse ao Tom durante uma de nossas discussões sobre a Kate. — Eu simplesmente não me sinto confortável com essa história de você ficar almoçando toda hora com a sua antiga namorada. — Eu sou capaz de continuar amigo de uma pessoa com quem eu saía — Tom disse. — Você ainda é amiga do Gil. — Em primeiro lugar, eu não sou mais amiga do Gil — esclareci. — Em segundo lugar, o Gil é gay, portanto, mesmo que eu ainda fosse amiga dele, isso não contaria, porque ele não tem interesse em fazer sexo comigo. E mesmo quando ele fazia sexo comigo, não era porque estivesse interessado. — Kate tem namorado — Tom disse. Revirei os olhos. — Ela e Andre moram juntos — continuou. Eu estava quase bufando. — Não vou mais conversar sobre isso — Tom disse e depois saiu para jogar squash. Não que essa brigalhada toda me trouxesse algum benefício. Ele continuou a almoçar com ela. Até mesmo quis que eu almoçasse com ela! Deu a ela o telefone do meu trabalho e tudo o mais. — Kate vai telefonar para você na semana que vem. Ela quer almoçar com você — ele disse. Passei o fim de semana todo matutando meu plano. Decidi que não telefonaria de volta. Não atenderia o telefone, e se ela deixasse recado eu simplesmente não responderia. Ela iria entender, mas sabe o que acabou acontecendo? Ela nunca telefonou! Naquele momento eu deveria ter sido capaz de perceber com que tipo de pessoa estava lidando. Não que isso fosse ajudar muito. Quando uma mulher como Kate Pearce quer roubar o seu namorado, acho que não há muito que se possa fazer para detê-la. Não quero dar a impressão de que Tom não teve nada com isso. Eu avisei: — Ela não quer ser só sua amiga. Não é assim que mulheres como ela funcionam. Ela não vai parar enquanto não for para a cama com você. Tom quis até mesmo convidá-la para o nosso jantar naquela noite! — Ela não tem muitos amigos — ele alegou. Certo, pensei. Primeiro eu convido Kate para jantar, então ela se insinua no meu círculo de amizades e, próxima notícia, ela está traçando o meu namorado. Sei como essas coisas funcionam, pensei. Infelizmente, eu não sabia como essa coisa em particular estava funcionando, porque Kate tinha pulado as preliminares. Ela já estava traçando o meu namorado. Estava nessa há cinco meses! — Não temos cadeiras suficientes para Kate e Andre — respondi quando Tom sugeriu o convite para o jantar. — Seria apenas Kate — Tom replicou. — E eu posso sentar numa cadeira dobrável. — O que aconteceu com o Andre? — perguntei. — Ele está fora da jogada — Tom revelou. — Como assim, fora da jogada? — Eles terminaram. Pensei que você soubesse. — Como é que eu poderia saber? Você deve estar provavelmente imaginando: se esse caso já vinha se desenrolando há cinco meses, por que Tom não saiu de casa antes? É uma excelente pergunta. Nós não éramos casados. Não tínhamos filhos. Ele poderia ter terminado comigo e ter se mudado, depois começado a sair com Kate e assim manter uma conduta moral adequada. Mas, no fim das contas, Tom não fez nada na ordem certa, porque Kate queria fazer tudo aos poucos! E ele não queria afugentála! Como se ela fosse uma gazelinha numa clareira na floresta ou coisa parecida! A parte mais desconcertante dessa história toda era o motivo pelo qual Kate não queria se apressar. Ao que parece, a mãe de Andre estava doente, muito doente — de fato, num estágio avançado de câncer no pâncreas —, e Kate não achava justo abandoná-lo num momento como aquele. Então ali estava Tom, esperando que a mãe de Andre morresse de câncer no pâncreas e que um período de tempo conveniente passasse para que Kate pudesse dar o bote em Andre com a consciência tranqüila; depois, só depois, ele começaria a se preocupar em terminar comigo. Gente, eu tenho 32 anos! Não tenho todo esse tempo! Só que na noite da mostarda eu não sabia de nada disso. Naquela primeira noite, tudo o que eu sabia ao certo era que Tom vinha almoçando com a ex-namorada durante todo o verão e andava lendo um livro de poemas japoneses sobre a morte chamado Poemas japoneses sobre a morte. Se nada mais tivesse me servido de sinal de alerta, toda essa história de poemas sobre a morte deveria ter bastado. Uma pessoa feliz não lê livros de poemas sobre a morte, especialmente poemas escritos no momento imediatamente anterior à morte de cada poeta, material que esse livro tinha de sobra. Escrito por monges zen e poetas de haicai diante da morte era o subtítulo. Tom lia alguns desses poemas todas as noites, antes de ir para a cama, e depois não tinha motivação para fazer sexo. Às vezes ele até lia um para mim em voz alta, o que por um tempo eu achei legal — Tom e eu nunca fomos um casal do tipo “um lê em voz alta para o outro”, nós éramos mais do tipo “depois que eu acabar, leia isso”, embora eu agora suspeite que ele estava fazendo isso apenas para que eu também não ficasse motivada para o sexo. Aqueles poemas eram muito deprimentes. Como um pedaço de tronco apodrecido/enterrado no chão pela metade — minha vida,/que não floresceu,/chega a este triste fim. De qualquer forma, eu estava na cama, folheando o livro de poemas sobre a morte, bebendo meu vinho, tentando não pensar em Tom, ou em Tom e Kate e no que precisamente eles estariam fazendo juntos, ou se estariam ou não fazendo aquilo naquele exato momento, quando tocou o telefone. Meu coração disparou. Deixei cair na secretária eletrônica. Era Nina Peeble, uma das convidadas daquele jantar, ligando do celular. — Eu só quero que você se lembre de uma coisa, Alison — Nina deixou gravado na secretária. — Eles sempre voltam.

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