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Bruxa da Noite (Cód: 8763390)

Roberts, Nora

Arqueiro

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Bruxa da Noite

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Descrição

“Quando se trata de romance, ninguém é melhor do que Nora.” – Booklist. De uma das autoras mais queridas do mundo chega uma trilogia sobre a terra a que nos conectamos, a família que guardamos no coração e as pessoas que desejamos amar... Com pais indiferentes, Iona Sheehan cresceu ansiando por carinho e aceitação. Com a avó materna, descobriu onde encontrar as duas coisas: numa terra de florestas exuberantes, lagos deslumbrantes e lendas centenárias – a Irlanda. Mais precisamente no Condado de Mayo, onde o sangue e a magia de seus ancestrais atravessam gerações – e onde seu destino a espera. Iona chega à Irlanda sem nada além das orientações da avó, um otimismo sem fim e um talento inato para lidar com cavalos. Perto do encantador castelo onde ficará hospedada por uma semana, encontra a casa de seus primos Branna e Connor O’Dwyer, que a recebem de braços abertos em sua vida e em seu lar. Quando arruma emprego nos estábulos locais, Iona conhece o dono do lugar, Boyle McGrath. Uma mistura de caubói, pirata e cavaleiro tribal, ele reúne três de suas maiores fantasias num único pacote. Iona logo percebe que ali pode construir seu lar e ter a vida que sempre quis, mesmo que isso implique se apaixonar perdidamente pelo chefe. Mas as coisas não são tão perfeitas quanto parecem. Um antigo demônio que há muitos séculos ronda a família de Iona precisa ser derrotado. Agora parentes e amigos vão brigar uns com os outros – e uns pelos outros – para manter viva a chama da esperança e do amor.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580413847
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580413847
Profundidade 1.60 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Maria Clara de Biase
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 320
Peso 0.33 Kg
Largura 16.00 cm
AutorRoberts, Nora

Leia um trecho

Capítulo 1 Inverno de 1263 Perto da sombra do castelo, no fundo da floresta, Sorcha conduzia seus filhos na penumbra de volta para casa. Os dois mais novos estavam montados no pônei robusto, com Teagan, de apenas 3 anos, balançando a cabeça a cada passo penoso. Sorcha estava cansada depois da empolgação de Imbolc, do festival e das fogueiras. – Cuide de sua irmã, Eamon. Para Eamon, de 5 anos, cuidar da irmã bebê era o mesmo que acordá-la com uma rápida cutucada antes de ele voltar a mordiscar as broas que a mãe assara naquela manhã. – Logo você estará na cama, em casa – sussurrou Sorcha quando Teagan gemeu. – Estamos quase chegando. Ela havia demorado demais na clareira, pensava. E embora Imbolc celebrasse os primeiros movimentos no útero da Mãe Terra, no inverno a noite caía rápida e dura. Tinha sido uma estação de ventos gelados, chuvosa e fustigada pela neve. O nevoeiro durara todo o inverno, rasteiro, encobrindo o sol e a lua. Vezes de mais, no vento e na névoa, ouvira chamarem seu nome – um chamado que se recusou a atender. Vezes de mais, naquele mundo branco e cinzento, vira a escuridão. Recusava-se a se meter com ela. Seu homem lhe implorara para levar as crianças e ficar com seu fine, ou clã em gaélico irlandês, enquanto ele travava suas batalhas durante aquele interminável inverno. Como esposa do cennfine,o chefe do clã, todas as portas estariam abertas para ela. E por direito, pelo que e por quem era, sempre seria bem-vinda. Mas ela precisava de sua floresta, sua cabana, seu lar. Precisava ficar só tanto quanto precisava respirar. Sempre cuidaria dos seus, de sua casa e família, sua arte e suas obrigações. E, acima de tudo, dos preciosos filhos que tivera com Daithi. Ela não tinha nenhum medo da noite. Era conhecida como a Bruxa da Noite, e seu poder era enorme. Mas naquele momento se sentia apenas uma mulher com saudade de seu companheiro, ansiando pelo calor dele, pelo corpo firme e bonito pressionado contra o seu na escuridão fria e solitária. Para que servia a guerra? Para a ganância e as ambições de todos os reis mesquinhos? Ela só queria seu homem em casa, são e salvo. Assim que ele voltasse, fariam um novo bebê e ela voltaria a sentir a vida em suas entranhas. Ainda lamentava a que perdera em uma terrível noite escura quando o primeiro vento do inverno soprara por sua floresta com um som de pranto. Quantas pessoas ela havia curado? Quantas salvara? Contudo, quando o sangue vertera dela, no momento em que aquela vida frágil se esvaíra, nenhuma magia, nenhuma oferenda, nenhuma barganha com os deuses a salvara. Mas ela sabia muito bem que curar os outros era mais fácil do que curar a si mesma. E os deuses eram tão instáveis quanto uma garota frívola. – Olhe! Olhe! – Brannaugh, sua filha mais velha, de 7 anos, saltitava pelo caminho duro com o grande cão deles em seus calcanhares. – O abrunheiro está florescendo. É um sinal! Agora ela via o indício daqueles botões brancos leitosos entre os galhos pretos entrelaçados. Seu primeiro pensamento amargo foi que, enquanto Brígida, a deusa da fertilidade, abençoava a terra, seu útero estava vazio. Então observou a filha, de olhar aguçado e bochechas rosadas, seu maior orgulho, rodopiando em meio à neve. Sorcha lembrou a si mesma de que havia sido abençoada. Três vezes. – Isso é um sinal, mãe. – Com os cabelos escuros voando a cada giro, Brannaugh ergueu o rosto à luz que diminuía. – Da chegada da primavera. – É, sim. Um bom sinal. – Como tinha sido o dia sombrio, quando a velha bruxa Caileach não conseguira encontrar lenha sem o sol brilhando. Então a primavera viria cedo, como rezava a lenda. O abrunheiro floria, resplandecente, tentando as flores a imitá-lo. Sorcha viu a esperança nos olhos da filha, como a tinha visto ao pé da fogueira em outros olhos e ouvido nas vozes. E procurou em si mesma aquela centelha de esperança. Mas só encontrou apreensão. Ele viria de novo esta noite – já podia senti-lo à espreita, esperando, tramando. Entre, pensou, fique dentro da cabana atrás da porta aferrolhada, com seus amuletos espalhados para proteger as crianças. Para se proteger. Ela emitiu um comando para o pônei acelerar o passo e assoviou para o cão. – Vamos, Brannaugh, sua irmã já está quase dormindo. – Papai vem para casa na primavera. Embora seu coração continuasse apertado, Sorcha sorriu e pegou a mão da filha. – Ele vem, no Beltane, e teremos um grande festival. – Posso vê-lo esta noite, com você? No fogo? – Há muito a fazer. Precisamos cuidar dos animais antes de ir para a cama. – Só um pouquinho? – Brannaugh inclinou o rosto para trás, seus olhos cinza como fumaça suplicantes. – Apenas por um momento e depois poderei sonhar que ele está em casa de novo. Como ela própria faria, pensou Sorcha, sorrindo do fundo do coração. – Por um momento, m’inion, minha filha, depois que o trabalho estiver feito. – E tome seu remédio. Sorcha ergueu as sobrancelhas. – Devo tomar? Ainda pareço precisar dele? – Você continua pálida, mãe. – Brannaugh manteve sua voz mais baixa que o vento. – Só estou um pouco cansada, mas você não precisa se preocupar. Aqui, segure sua irmã, Eamon! Alastar sente o cheiro de casa e ela tende a cair. – Ela monta melhor do que Eamon e eu. – Sim. Bem, o pônei é seu talismã, mas ela está quase dormindo nas costas dele. Havia uma curva no caminho; os cascos do pônei ecoaram no chão gelado enquanto o animal trotava na direção do curral ao lado da cabana. – Eamon, dê a Alastar uma concha extra de cereal esta noite. Você comeu a sua porção, não é? – perguntou quando o filho começou a murmurar. Ele sorriu, bonito como uma manhã de verão, e, embora não pudesse pular rápido como um coelho, estendeu os braços. Eamon sempre estava pronto para um abraço, pensou Sorcha, aninhando-o e puxando-o para baixo. Ela não precisou ordenar que Brannaugh começasse suas tarefas. A garota cuidava da casa quase tão bem quanto a mãe. Sorcha pegou Teagan nos braços, murmurando, tranquilizando-a enquanto a carregava para dentro da cabana. – É hora de sonhar, minha querida. – Eu sou um pônei e galopo o dia inteiro. – Ah, sim, o mais lindo dos pôneis, e o mais rápido também. O fogo, transformado em cinzas quentes depois das horas sem ser reavivado, mal afastava o frio. Carregando a bebê para a cama, Sorcha estendeu a mão para a lareira. As chamas se ergueram de um salto. Ela acomodou Teagan no beliche e acariciou seus cabelos claros como a luz do sol, iguais aos do pai, e esperou até os olhos da filha – profundos e escuros como os da mãe – se fecharem. – Bons sonhos apenas – murmurou, tocando no talismã pendurado sobre as camas de seus filhos. – Sã e salva durante toda a noite. Que tudo que você é e tudo que você vê a ampare da escuridão para a luz. Ela beijou o rosto macio e, erguendo-se, estremeceu ao sentir a contração em sua barriga. A dor ia e vinha, e se tornava mais forte no inverno. Seguiria o conselho da filha e faria uma poção. – Brígida, neste seu dia, ajude-me a me curar. Tenho três filhos que precisam de mim. Não posso deixá-los sozinhos. Ela deixou Teagan dormindo e foi ajudar as crianças mais velhas nas tarefas. Quando a noite caiu, cedo e rápido demais, trancou a porta antes de repetir seu ritual noturno com Eamon. – Não estou nem um pouco cansado – disse ele, com os olhos se fechando. – Estou vendo. E também vejo que você está bem acordado e muito ansioso. Vai voar de novo esta noite, mhic, meu filho? – Vou, alto no céu. Você vai me ensinar mais amanhã? Posso sair com Roibeard pela manhã? – Vou. E pode, sim. O falcão é seu. Você o vê, conhece e sente. Agora descanse. – Ela despenteou os cabelos castanhos como casca de árvore e beijou os olhos fechados do filho, selvagens e azuis como os do pai. Quando desceu do sótão, encontrou Brannaugh já perto do fogo, com seu cão farejador. Irradiando saúde, pensou Sorcha – graças à deusa –, e com o poder que ainda não controlava ou entendia de todo. Haveria tempo para isso. Sorcha rezava para que ainda houvesse. – Fiz o chá – disse-lhe Brannaugh. – Exatamente como você me ensinou. Acho que vai se sentir melhor depois de bebê-lo. – É você que cuida de mim agora, mo chroi, minha querida? – A mãe sorriu, pegou o chá, cheirou-o e assentiu. – Você tem mão para isso. O dom da cura é forte. Com ele, será bem-vinda e necessária aonde for. – Não quero ir a lugar nenhum. Quero ficar aqui com você, papai, Eamon e Teagan. Sempre. – Um dia você poderá olhar para além da nossa floresta. E haverá um homem. Brannaugh bufou. – Eu não quero um homem. O que eu faria com um homem? – Bem, isso é uma conversa para outro dia. Ela foi tomar o chá sentada com a filha perto da lareira, um largo xale ao redor das duas. Quando Brannaugh tocou sua mão, Sorcha entrelaçou os dedos aos da filha. – Tudo bem, mas só por um momento. Você precisa ir para a cama. – Posso fazer isso? Posso trazer a visão? – Sim, veja o que tem. Faça o que quiser. Veja-o, Brannaugh, o homem do qual você veio. É o amor que o traz. Sorcha observou a fumaça girar, as chamas aumentarem e depois diminuírem. Bom, pensou ela, impressionada. A garota aprendia muito rápido. A imagem tentou se formar nas cavidades e depressões da chama. Fogo dentro de fogo. Silhuetas, movimentos e, por um momento, o murmúrio de vozes muito distantes. Ela viu a intensidade no rosto da filha, o leve brilho de suor proveniente do esforço. É de mais para alguém tão jovem, pensou. – Faremos isso juntas – disse Sorcha em voz baixa. Ela evocou seu poder e o combinou com o de Brannaugh. Um rápido rugido, um giro de fumaça, uma dança de fagulhas. Depois clareza. E lá estava ele, o homem que ambas queriam por perto. Sentado próximo ao fogo, dentro de um círculo de pedras. Os cabelos claros trançados caíam sobre a capa escura ao redor de seus ombros largos. Preso nela, o dealg – ou espinho – de sua posição hierárquica brilhava à luz das chamas. O broche que Sorcha forjara com fogo e magia – o cão, o cavalo, o falcão. – Ele parece cansado – disse Brannaugh, apoiando a cabeça no braço da mãe. – Mas tão bonito! O mais bonito dos homens. – Sim, ele é. Bonito, forte e corajoso. Ah, como ansiava por ele! – Pode ver quando ele vai voltar para casa? – Nem tudo pode ser visto. Talvez eu receba um sinal quando ele estiver mais perto. Mas esta noite vemos que está seguro e bem, e isso é suficiente. – Ele pensa em você. – Brannaugh olhou para o rosto da mãe. – Posso sentir isso. Ele pode nos sentir pensando nele? – Ele não tem o dom, mas tem o coração, o amor. Talvez possa. Agora vá para a cama. Subirei logo. – O abrunheiro está florindo e a velha bruxa não viu o sol hoje. Ele voltará logo. – Brannaugh se levantou e beijou a mãe. O cão subiu a escada com ela. Sozinha, Sorcha observou seu amor no fogo. E chorou. Mesmo enquanto enxugava as lágrimas o ouviu. O chamado. Ele a confortaria, ele a aqueceria – essas eram suas mentiras sedutoras. Ele lhe daria tudo que ela desejasse, e mais. Bastava entregar-se a ele. – Nunca serei sua. Você será. Você é. Venha e conheça todos os prazeres, toda a glória. Todo o poder. – Você nunca me terá, nem o que guardo dentro de mim. A imagem no fogo mudou. E ele veio nas chamas. Cabhan, cujo poder e objetivo era mais sombrio que a noite invernal. Ele a queria – desejava seu corpo, sua alma, sua magia. Sorcha sentia a luxúria dele como mãos suadas em sua pele. Mas sabia que, mais do que isso, ele cobiçava seu dom. O peso da cobiça pairava no ar. Nas chamas, ele sorriu, bonito e implacável. Eu a terei, Sorcha da Noite. Você e tudo o que você é. Fomos feitos um para o outro. Somos iguais. Não, pensou ela, não somos iguais. Somos como o dia e a noite, a luz e a escuridão, que só se juntam nas sombras. Você está só, e sobrecarregada. Seu homem lhe deixou uma cama fria. Venha se aquecer na minha; sinta o calor. Faça esse calor comigo. Juntos, governaremos todo o mundo. Sua energia fraquejou, a dor e a contração a afligiram. Então ela se levantou e deixou o vento quente soprar seus cabelos. Deixou o poder fluir até fazê-la brilhar. E viu, mesmo nas chamas, a luxúria e a cobiça no rosto de Cabhan. Sabia que era isso que ele queria, a glória que corria em seu sangue. E era isso que nunca teria. – Conheça minha mente e sinta meu poder, antes, agora e em todas as horas. Você me oferece seu desejo sombrio, vem a mim na fumaça e no fogo. Para trair meu sangue, meus bebês, meu homem, governar todos, basta pegar sua mão. E minha resposta para você vem na forma de vento e mar, da trindade de donzela, mãe e anciã. Que assim seja. Ela estendeu os braços, liberou a fúria totalmente feminina, rodopiando, e a lançou na direção de onde o coração dele batia. Houve um instante de puro e louco prazer em seu íntimo ao ouvir o grito de raiva e dor, ao ver a raiva e a dor explodirem no rosto dele contra as chamas. Então o fogo se tornou apenas fogo, queimando baixo durante a noite, trazendo um pouco de calor para combater a amargura. A cabana era apenas uma cabana, silenciosa e escura. E ela era apenas uma mulher sozinha com seus filhos, que dormiam. Sorcha desabou na cadeira, pondo um braço sobre sua barriga contraída. Cabhan se fora, por enquanto. Mas o medo que tinha dele permanecia. Assim como persistia o medo de que nenhuma poção lhe curasse o corpo e ela acabasse deixando seus filhos sem mãe. Indefesos. Sorcha acordou com a filha mais nova aconchegada a ela e isso lhe deu conforto, mesmo tendo que se levantar e começar seus afazeres. – Mamãe, fique. – Tenho que trabalhar, meu raio de sol. E você devia estar na sua cama. – O homem mau veio. Ele matou meus pôneis. O pânico apertou o coração de Sorcha. Cabhan tocando em seus filhos – seus corpos, suas mentes, suas almas? Aquilo lhe trouxe um medo e uma raiva indescritíveis. – Foi só um sonho, minha querida. – Ela puxou Teagan para perto, embalou-a e acalmou-a. – Só um sonho. Mas os sonhos tinham poder e traziam riscos. – Meus pôneis gritaram e eu não consegui salvá-los. Ele ateou fogo neles, e eles gritaram. Alastar veio e derrubou o homem mau. Eu fugi montada em Alastar, mas não consegui salvar os pôneis. Tenho medo do homem mau no sonho. – Ele não vai machucar você. Nunca permitirei que ele a machuque. Só pôneis no sonho. – Com os olhos firmemente fechados, beijou os cabelos claros e desgrenhados e as bochechas de Teagan. – Vamos sonhar com mais pôneis. Verdes e azuis. – Pôneis verdes! – Sim, verdes como as colinas. – Aconchegando-se, Sorcha ergueu uma das mãos, fez um círculo com o dedo, até que pôneis azuis, verdes, vermelhos e amarelos dançaram no ar acima de suas cabeças. Ouvindo as risadinhas da filha mais nova, Sorcha guardou seus medos e sua raiva, encerrando-os com determinação. Ele nunca machucaria seus filhos. Ela o veria morto, e a si mesma com ele, antes de permitir isso. – Todos os pôneis vão comer aveia agora. E você venha comigo fazer o desjejum. – Tem mel? – Sim. – O simples desejo de uma guloseima fez Sorcha rir. – Haverá mel para as boas meninas. – Eu sou boa! – Você tem o mais puro e doce dos corações. Sorcha pegou Teagan, que se agarrou firmemente a ela, sussurrando em seu ouvido: – O homem mau disse que me levaria primeiro porque sou a mais nova e mais fraca. – Ele nunca a levará, juro pela minha vida. – Sorcha afastou Teagan para que a filha pudesse ver a verdade em seus olhos. – Eu juro. E, minha queri da, você não é fraca e nunca será. Então ela alimentou o fogo, despejou mel no pão e preparou o chá e a aveia. Todos eles precisavam de força para o que ela faria naquele dia. O que precisava fazer. O filho desceu do sótão, com os cabelos desgrenhados e embaraçados de quem acaba de acordar. Ele esfregou os olhos e cheirou o ar como um cão. – Eu lutei contra o bruxo negro. Não fugi. O coração de Sorcha disparou. – Foi um sonho. Conte-me. – Eu estava na curva do rio onde guardamos o bote e ele veio. Eu soube que era um bruxo negro, porque o coração dele é negro. – O coração dele! – Eu vi dentro do coração dele, embora ele sorrisse como um amigo e me oferecesse bolo de mel. “Ei, garoto”, disse. “Tenho uma guloseima para você.” Mas o bolo estava cheio de vermes e sangue preto dentro. Dava para ver que estava envenenado. – Você viu dentro do coração dele e dentro do bolo? – Vi, eu juro. – Acredito em você. – Então seu homenzinho tinha mais poder do que ela imaginava. – Eu disse para ele: “Coma você o bolo, porque é a morte na sua mão.” Mas ele o atirou para o lado e os vermes rastejaram para fora e queimaram até virar cinzas. Ele pensou que me afogaria no rio, mas atirei pedras nele. Aí Roibeard veio. – Você chamou o falcão em seu sonho? – Eu quis que ele viesse e ele veio, mostrando as garras. Então o bruxo preto foi embora, como fumaça no vento. E eu acordei na minha cama. Sorcha o puxou para perto e acariciou seus cabelos. Ela lançara sua fúria contra Cabhan, por isso ele foi atrás de seus filhos. – Você é corajoso e leal, Eamon. Agora coma. Temos que cuidar do gado. Sorcha se aproximou de Brannaugh, parada ao pé da escada. – E você também. – Ele veio em meu sonho. Disse que me tornaria sua noiva. Ele... tentou me tocar. Aqui. E aqui. – Pálida, ela levou as mãos aos seios e depois entre as pernas. Tremendo, pressionou o rosto contra o da mãe quando Sorcha a abraçou. – Eu o queimei. Não sei como, mas fiz os dedos dele queimarem. Ele me amaldiçoou e fechou as mãos em punhos. Kathel pulou para a cama, rosnando e mordendo. Então o homem foi embora. Mas ele tentou me tocar e disse que me tornaria sua noiva, e... A raiva despertou em meio ao medo. – Ele nunca fará isso. Eu juro. Ele nunca vai pôr as mãos em você. Agora coma, coma tudo. Há muito trabalho a fazer. Sorcha mandou todos eles irem dar de comer e beber aos animais, limpar os estábulos e ordenhar a vaca gorda. Sozinha, preparou-se reunindo seus utensílios. A tigela, os sinos, as velas, a faca sagrada e o caldeirão. Escolheu as ervas que havia plantado e secado. E os três braceletes de cobre que Daithe comprara para ela em uma feira de verão, muito tempo atrás. Saiu, respirou fundo e ergueu os braços para agitar o vento. Chamou o falcão. Ele veio com um grito que ecoou sobre as árvores e as colinas ao longe, fazendo os criados do castelo que estavam perto do rio olharem para cima. As asas do falcão, bem abertas, refletiram o brilho do sol de inverno. Sorcha ergueu o braço para que aquelas garras duras se firmassem em sua luva de couro. Olhou nos olhos do falcão, e ele a encarou de volta. – Rápido e sábio, forte e destemido. Você é de Eamon, mas meu também. Servirá ao que vem de mim. O que é meu servirá ao que vem de você. Preciso de você e peço isso por meu filho, seu amo e criado. Ela lhe mostrou a faca e o falcão não piscou. – Roibeard, eu lhe peço três gotas do sangue de seu peito e uma única pena de sua grande asa. Por essas dádivas canto seus louvores. Para guardar meu filho, isto é feito. Ela o espetou e segurou o pequeno frasco para colher as três gotas. Arrancou uma única pena. – Obrigada – sussurrou. – Fique por perto. Ele voou da mão de Sorcha, mas apenas até o galho de uma árvore. Fechou as asas e ficou atento. Ela assoviou, chamando o cão. Kathel a observou com amor e confiança. – Você é de Brannaugh, mas meu também – começou, e repetiu o ritual, pegando as três gotas de sangue e um pouco do pelo do flanco. Por último, foi até o estábulo, seguindo a direção do riso das crianças, que cumpriam suas tarefas. Sorcha tirava força disso. Acariciou o focinho do pônei. Teagan veio correndo quando viu a faca. – Não! – Eu não vou machucá-lo. Ele é seu, mas meu também. Servirá ao que vem de mim e você servirá ao que vem dele. Preciso de você, Alastar, e peço isso por minha filha, sua ama e criada. – Não o corte. Por favor! – É só uma espetadela, só um pouquinho e apenas se ele consentir. Alastar, eu lhe peço três gotas do sangue de seu peito e um pouco dos pelos de sua bela crina. Por essas dádivas louvo seu nome. Para guardar minha pequenina, isto é feito. Sorcha disse em voz baixa para a filha: – Apenas três gotas, um pouco da crina. E pronto. Embora Alastar continuasse quieto, com seus olhos sábios e calmos, Sorcha pôs as mãos no pequeno corte, usando sua magia para curá-lo. Pelo coração terno da filha. – Venham comigo agora, todos. – Ela ergueu Teagan, encaixando-a no quadril, e seguiu na frente, em direção à casa. – Vocês sabem o que eu sou. Nunca escondi. Sabem que também carregam o dom. Eu sempre lhes disse isso. A magia de vocês é jovem e inocente. Um dia será forte e rápida. Vocês devem honrá-la. Devem usá-la sem prejudicar ninguém, porque o mal que fizerem voltará em triplo. Sim, a magia é uma arma, mas não deve ser usada contra os fracos e inocentes. É um dom e um fardo, e vocês carregarão ambos. Passarão isso para aqueles que vierem de vocês. Hoje aprenderão mais. Prestem atenção em mim e no que faço. Observem, ouçam, compreendam. Ela foi até Brannaugh primeiro. – Seu sangue e o meu, com o sangue do cão. Sangue é vida. Perdê-lo é a morte. Três gotas suas, três gotas minhas e, com as do cão, o feitiço está feito. Brannaugh pôs a mão sobre a da mãe sem hesitação e se manteve firme quando Sorcha a espetou com a faca. – Meu filho – disse para Eamon. – Três gotas suas, três gotas minhas e mais três do peito do falcão, para selar três partes. Embora tivesse os lábios trêmulos, Eamon estendeu a mão. – E meu bebê. Não tenha medo. Teagan ficou com os olhos rasos d’água, mas ofereceu a mão e observou a mãe solenemente. – Três gotas suas, três gotas minhas, com o cavalo como seu guia, a magia segue. Ela misturou o sangue e beijou a mãozinha de Teagan. – Pronto, está feito. Pegou o caldeirão e pôs os frascos na bolsa em sua cintura. – Tragam o restante. É melhor fazer isto lá fora. Escolheu o local, no chão duro coberto de neve à sombra das árvores. – Deveríamos buscar lenha? – perguntou-lhe Eamon. – Não para isto. Fiquem aqui, juntos. Ela foi para além deles e evocou a deusa, na terra, no ar, na água e no fogo. Lançou o círculo. A chama baixa veio do chão e o circundou até as pontas se encontrarem. Dentro dele surgiu um calor como o da primavera. – Isto é proteção e respeito. O mal não pode entrar, a escuridão não pode derrotar a luz. E o que é feito dentro do círculo é feito para o bem, por amor. Primeiro a água, do mar e do céu. – Ela pôs as mãos em concha e as abriu, derramando no caldeirão água azul como a de um lago iluminado pelo sol. – E a terra, nossa terra, nossos corações. Sacudiu uma das mãos, depois a outra, e uma preciosa terra castanha foi posta no caldeirão. – E o ar, canção do vento, respiração do corpo. Abriu os braços e soprou. E, como música, o ar se juntou à terra e à água. – Agora o fogo, chama e calor, início e fim. Ao erguer os braços e virar as mãos para baixo, ela estava resplandecente, os olhos azuis ardentes e o ar ao seu redor esquentando. Dentro do caldeirão surgiu o fogo, lançando chamas e centelhas dançantes. – Foi seu pai que me deu isto. São um sinal do amor dele e do meu. Vocês três são frutos desse amor. Ela atirou três braceletes de cobre no fogo e, circundando-o, acrescentou o pelo do cão, a crina do pônei, a pena do falcão e sangue. – A deusa me dá poder para ficar neste lugar, neste momento. Faço este feitiço para proteger de todo o mal meus três filhos e todos que vierem deles e de mim. O cavalo, o falcão, o cão, pelo sangue se obrigam para sempre a proteger e servir de uma vida para outra, na alegria, na tristeza, na saúde, na discórdia. Na terra, no ar, na chama, no mar. Como eu farei. Que assim seja. Sorcha ergueu os braços bem alto e virou o rosto para o céu. O fogo subiu em uma torre, vermelho e dourado, com um tom forte de azul no centro, girando em direção ao céu frio de inverno. A terra estremeceu. A água gelada do riacho rugiu. E o vento uivou como um lobo em busca de sua presa. Então tudo parou, sumiu, e restaram apenas três crianças de mãos dadas vendo a mãe – agora pálida como a neve – oscilar. Sorcha balançou a cabeça quando Brannaugh começou a caminhar em sua direção. – Ainda não. Magia é esforço. Dar e receber. Deve ser completada. – Ela pegou no caldeirão os três amuletos de cobre. – Para Brannaugh, o cão; para Eamon, o falcão; e para Teagan, o cavalo. – Aplicou um amuleto sobre a cabeça de cada criança. – Esses são seus sinais e escudos. Eles os protegem. Devem sempre mantê-los com vocês. Ele não poderá tocar no que vocês são se tiverem seu escudo, se acreditarem no poder do amuleto, no meu e no de vocês. Um dia passarão isso para um que vier de vocês. Saberão qual. Contarão a história a seus filhos e cantarão velhas canções. Receberão a dádiva e a transmitirão. Teagan admirou seu amuleto e sorriu ao virar o pequeno objeto oval na luz do sol. – É bonito. Parece Alastar. – É dele, seu, meu, de seu pai, de seu irmão e de sua irmã. Como não seria bonito? – Ela se abaixou para beijar a bochecha de Teagan. – Tenho filhos muito bonitos. Mal pôde se aguentar, e teve de conter um gemido quando Brannaugh a ajudou a ficar em pé. – Tenho que fechar o círculo. Devemos levar tudo para dentro agora. – Nós a ajudaremos – disse Eamon, pegando a mão da mãe. Com seus filhos, ela fechou o círculo, e os deixou carregar os utensílios para dentro da casa. – Você precisa descansar. Sente-se perto do fogo. – Brannaugh levou a mãe até a cadeira. – Vou lhe preparar uma poção. – Sim, uma forte. Mostre aos seus irmãos como se faz. Sorcha sorriu quando Teagan pôs um xale ao redor dos seus ombros e Eamon abriu um cobertor sobre seu colo. Mas assim que começou a estender a mão para pegar a xícara que Brannaugh trouxe, a filha a puxou de volta. Então apertou a carne ao redor do corte em sua mão até três gotas caírem dentro. – Sangue é vida. Sorcha suspirou. – Sim, é. Obrigada. Ela bebeu a poção e dormiu.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: Bruxa da Noite

Sabrina recomendou este produto.
12/05/2016

indispensável

Livro maravilhoso, leitura facil e apaixonante, capa linda letra em bom tamanho. Não é edição economica e foi etregue muito antes do prazo e em excelente estado.
Esse comentário foi útil para você? Sim (3) / Não (0)
Cibele recomendou este produto.
02/05/2016

Cativante

Um história maravilhosa.
Esse comentário foi útil para você? Sim (1) / Não (0)
Geisa recomendou este produto.
28/02/2016

Excelente historia

Super indico...A Nora sempre nos surpreendendo com suas histórias.
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Rosânia recomendou este produto.
27/01/2016

Muito Bommmmm!!!

Adoro NR e seus romances irlandês!!! Recomendo.
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Izabel Gomes recomendou este produto.
07/01/2016

amo muitooooo esse livro recomendo

Bom quando você começa à lê não vai mais consegui pára
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Juliana recomendou este produto.
03/11/2015

Apaixonante

Uma história leve, doce e apaixonante. Terminei o livro com gostinho de quero mais, já comprando o segundo da trilogia e contando os dias para o lançamento do terceiro.
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Eliane recomendou este produto.
08/07/2015

Excelente

Adoro os livros desta autora e este prende logo de inicio. Não da vontade de parar de ler.

Ansiossa pelo segundo volume.
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Patricia Ghelfi recomendou este produto.
01/07/2015

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Inico emocionante. A Nora sabe como escrever. Recomendo
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