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Caminhos de Sangue - Dustlands Livro 1 (Cód: 4069095)

Young, Moira

Intrinseca

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Descrição

Saba passou a vida inteira na Lagoa da Prata, uma imensidão de terra desértica assolada por constantes tempestades de areia. A miséria e a aridez do lugar não a incomodam, contanto que o irmão gêmeo, Lugh, esteja por perto. Um dia, porém, uma gigantesca tempestade de areia traz em seu rastro quatro cavaleiros de manto negro, e a vida que Saba conhece chega ao fim: seu pai é morto, Lugh é raptado e ela não tem escolha a não ser embarcar em uma perigosa jornada para resgatá-lo.
Repentinamente jogada na realidade selvagem e sem lei do mundo fora da Lagoa da Prata, Saba não sabe o que fazer sem Lugh para guiá-la. Por isso, talvez, sua maior surpresa seja o que descobre sobre si mesma: é uma lutadora incansável, uma sobrevivente feroz, a mais astuta das oponentes. Com a ajuda de um audacioso e atraente fugitivo e de uma gangue de garotas revolucionárias, a busca pelo irmão fará de Saba a protagonista de um confronto que vai mudar o destino de uma civilização.

Características

Peso 0.47 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
I.S.B.N. 9788580571943
Altura 23.00 cm
Largura 16.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Idioma Português
Acabamento Brochura
Tradutor Fábio Fernandes
Cód. Barras 9788580571943
Número da edição 1
Ano da edição 2012
AutorYoung, Moira

Leia um trecho

Se você já viu a gente junto, nunca que ia dizer que eu e o Lugh temos o mesmo sangue. Nunca que ia pensar que a gente cresceu junto no mesmo ventre. Ele tem cabelo louro. O meu é preto. Olho azul. Olho castanho. Forte. Magrela. Bonito. Feia. Ele é a minha luz. Eu sou a sombra dele. O Lugh reluz que nem o sol. Por isso que deve ter sido tão fácil acharem ele. Só precisaram seguir a luz dele. o dia tá quente. tão quente e tão seco que só consigo sentir gosto de poeira. É o tipo de dia tão quente, mas tão quente, que parece que dá pra ouvir a terra rachar. Num cai nem uma gotinha de chuva já faz quase uns seis meses. Até o riacho que desemboca na lagoa tá começando a secar. Agora a gente tem que andar um bocado pra encher um balde. Daqui a pouco num vai ter razão pra usar o nome dela.Lagoa da Prata. Todo dia o Pai tenta outra simpatia ou feitiço. E todo dia, nuvens grandes e barrigudas se juntam lá no horizonte. O coração da gente até bate mais depressa e a gente fica cheio de esperança quando elas vêm flutuando devagarzinho na nossa direção. Mas aí, muito antes de alcançarem a gente, elas se desfazem, se dissolvem e somem. Toda vez. O Pai nunca fala nada. Ele só olha pro céu, o céu claro e terrível. Aí ele junta as pedras, os galhos ou o que tinha colocado no chão dessa vez e separa pra amanhã. Hoje ele empurra o chapéu pra trás. Levanta a cabeça e fica um tempão estuando o céu.É, acho que vou tentar um círculo, ele diz. É, aposto que um círculo é a coisa certa. O Lugh tem falado isso já faz um tempo. O Pai tá piorano. A cada dia seco que passa, parece que um pouco mais do Pai... acho que desaparece é a melhor palavra. Antigamente sempre dava pra pescar um peixe na lagoa ou pegar um bicho com as nossas armadilhas. Pro resto, a gente plantava um pouco, pilhava um tanto e, no fi m das contas, conseguia se virar. Mas nesse último ano, por mais que a gente faça, por mais que a gente tente, num basta. Não sem chuva. A gente ficaveno a terra morrer, um pouquinho de cada vez. E com o Pai é igual. Um dia de cada vez, o que tem de melhor nele vai murchando. Sabe, ele já num tá bem faz tempo. Desde que a Mãe morreu. Mas o Lugh tá certo. Que nem a terra, o Pai tá fi cano pior e os olhos dele observam cada vez mais o céu em vez de enxergar o que tá aqui na frente dele. Acho que ele nem vê mais a gente. Não pra valer. Hoje em dia, a Emmi corre solta por aí, com o cabelo imundo e o nariz escorrendo. Se num fosse pelo Lugh, acho que nem banho ela tomava. Antes da Emmi nascer, quando a Mãe ainda tava viva e tudo era feliz, o Pai era diferente. A Mãe sempre conseguia fazer ele rir. Ele corria atrás de mim e do Lugh, ou então jogava a gente pro alto até a gente gritar pra ele parar. E ele contava pra gente como o mundo pra além da Lagoa da Prata era mau. Naquela época, eu achava que nunca tinha existido ninguém mais alto nem mais forte nem mais inteligente que o nosso Pai. Fico veno ele pelo canto do olho enquanto eu e o Lugh consertamos o telhado do barraco. As paredes até que são resistentes, porque são de pneus, tudo empilhado um no outro. Mas aqueles ventos quentes do diabo que batem na lagoa se enfiam pelas menores frestas e levantam pedações do telhado duma vez só. A gente tá sempre consertano o troço. Então, depois do vento quente de ontem de noite, eu tava com o Lugh no lixão assim que o sol nasceu procurano coisa. A gente cavou numa parte que nunca tinha tentado antes, e vou contar que a gente conseguiu arranjar umas tralhas de primeira dos Devastadores. Uma bela folhona de metal, não muito enferrujada, e uma panela ainda com o cabo. O Lugh trabalha no telhado enquanto eu faço o de sempre, que é subir e descer a escada e passar o que ele precisar. O Nero faz o de sempre, que é se empoleirar no meu ombro e gritar bem alto no meu ouvido, pra me dizer o que ele tá pensano. Ele sempre tem uma opinião, o Nero, e ele é muito esperto mesmo. Eu acho que se a gente entendesse a língua dos corvos a gente ia descobrir que ele tava dizeno uma ou duas coisas sobre o melhor jeito de consertar um telhado.Ele já pensou nisso, pode apostar. Já tem cinco anos que ele ficaveno a gente consertar o troço. Desde quando caiu do ninho e eu achei ele sem mãe nenhuma por perto. O Pai num gostou nem um pouquinho de me ver trazeno um fi lhote de corvo pra casa. Ele me disse que tem gente que acha que corvo traz morte, mas eu tava decidida a cuidar dele, e se eu boto uma coisa na cabeça ninguém tira. E tem a Emmi. Ela tá fazeno o de sempre, que é me infernizar e infernizar o Lugh. Ela fica no meu calcanhar enquanto eu vou e volto da escada até a pilha de lixo. Eu quero ajudar, ela fala. Então segura a escada, digo. Não! Eu quero ajudar de verdade! Toda vez você só me deixa segurar a escada!