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Carcereiros (Cód: 4235922)

Varella, Drauzio

Companhia Das Letras

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Descrição

Em Estação Carandiru, que desde 1999 teve mais de 500 mil exemplares vendidos, Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Como médico voluntário, pôde revelar o intricado código de ética da cadeia, bem como descrever, sem julgamentos morais ou sentimentalismo, os habitantes daquela estrutura tão particular.
Mas os vinte e três anos que o autor tem passado atuando em presídios brasileiros também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram toda a população carcerária do Brasil.
Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. Em 2002, o governo do Estado demoliu a Casa de Detenção, mas o grupo seguiu se encontrando regularmente. E é a partir dessas reuniões, somadas à longa experiência no sistema carcerário de São Paulo, que o autor conduz os relatos de Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru (o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital).
Surgem, assim, as histórias das rebeliões vistas de dentro, por quem estava na derradeira linha de negociação com os presos. Do silêncio que antecede uma explosão de violência à crise em suas últimas consequências, acompanhamos de perto a atuação daqueles que, muitas vezes agindo em condições precárias, são os únicos capazes de lidar com as leis internas que regem uma prisão.
Pessoas que, na imensa maioria, não estão lá por vocação ou chamado. Atraídas pela segurança de um emprego público, tornam-se improváveis especialistas em psicologia, sociologia e tantos outros ramos das ciências humanas. Passam a detectar pequenos sinais, indícios e movimentações que, se não fossem previstos, acarretariam em tragédia. E levam, para o seio de suas vidas, as cicatrizes da violência.
Essas cicatrizes se manifestam também no dia a dia de trabalho, onde a pressão constante evidencia os atos de bravura e solidariedade, de egoísmo e violência, de compaixão e medo. Sem juízos fáceis, Drauzio descreve esse mundo onde os limites entre os criminosos e os responsáveis por guardá-los frequentemente se confundem.
E fala também, com franqueza e sem rodeios, de sua própria atividade como médico do sistema penitenciário: das frustrações, dos acertos e, sobretudo, da dificuldade em conciliar uma vida tão imersa nesta realidade com a de médico particular, apresentador de programas de divulgação científica, pesquisador de plantas, escritor e pai de família.
Conforme acompanhamos as mudanças nos cárceres brasileiros desde o massacre do Carandiru, quando o controle interno dos presídios foi tirado dos agentes e entregue às facções criminosas, notamos também a vida do próprio médico sendo transformada por aquelas pessoas.
Em histórias contadas ao redor de uma mesa de botequim, somos apresentados ao cotidiano dos carcereiros e às inúmeras situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com muito humor. Se há algo de comum a essas vidas, é a dimensão humana que nunca escapa aos relatos do autor.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535921694
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788535921694
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 262
Peso 0.29 Kg
Largura 14.00 cm
AutorVarella, Drauzio

Leia um trecho

Um dia trágico Seu Araújo tem o andar, o ritmo da fala e a sabedoria de negro velho dos terreiros de candomblé. Somos amigos há mais de vinte anos, mas ainda fico em dúvida se o ar simplório lhe é natural ou se ele o cultiva com requinte profissional para esconder a sagacidade com que observa o ambiente e o interlocutor. Às sete da manhã do dia 2 de outubro de 1992, olhou as plantas no corredor, regou dois vasos de avenca e saiu de casa, como de rotina. Pegou o metrô na estação Tatuapé, desceu na Sé e fez a conexão para Santana. Dez para as oito entrava para ocupar o posto de chefe titular substituto do pavilhão Oito da Casa de Detenção, conhecida popularmente como Carandiru. Quando seu Araújo passou pela Portaria, um colega baixo e entroncado, com a barba por fazer, tomou o cuidado de avisá-lo: — Está havendo um probleminha no pavilhão Nove. Fica esperto. Como no pavilhão Oito a situação era de normalidade, no meio da manhã, acompanhado de três colegas, ele atravessou o Seu Araújo tem o andar, o ritmo da fala e a sabedoria de negro velho dos terreiros de candomblé. Somos amigos há mais de vinte anos, mas ainda fico em dúvida se o ar simplório lhe é natural ou se ele o cultiva com requinte profissional para esconder a sagacidade com que observa o ambiente e o interlocutor. Às sete da manhã do dia 2 de outubro de 1992, olhou as plantas no corredor, regou dois vasos de avenca e saiu de casa, como de rotina. Pegou o metrô na estação Tatuapé, desceu na Sé e fez a conexão para Santana. Dez para as oito entrava para ocupar o posto de chefe titular substituto do pavilhão Oito da Casa de Detenção, conhecida popularmente como Carandiru. Quando seu Araújo passou pela Portaria, um colega baixo e entroncado, com a barba por fazer, tomou o cuidado de avisá-lo: — Está havendo um probleminha no pavilhão Nove. Fica esperto. Como portão que separava os dois pavilhões, para ajudar os companheiros de plantão no Nove a solucionar o tal probleminha. O clima estava tão carregado que lhe veio um presságio: — Ou muito me engano ou a cadeia vai virar. De fato, virou. No começo da tarde os presos tomaram o pavilhão Nove, depredaram as dependências da Administração e levantaram barricadas atrás da porta de entrada. Por sorte, os funcionários de plantão conseguiram escapar, o que nem sempre é possível nessas eventualidades. Estava armado o cenário para a maior tragédia coletiva da história dos presídios brasileiros: o massacre do pavilhão Nove. No Oito, seu Araújo chamou os doze funcionários desarmados que se achavam de serviço para vigiar 1756 condenados reincidentes, naquela hora do dia espalhados pelo pátio interno e pelo campo de futebol, situado entre o prédio do pavilhão e as muralhas. Uma vez que o Oito era vizinho de parede do Nove, na parte do fundo da cadeia, dele separado apenas por um muro e um pequeno portão de ferro maciço, o grupo concluiu que seria mais prudente recolher os homens do campo para melhor controlá-los, porque, se os reincidentes aderissem, a rebelião se espalharia pelo presídio inteiro, como já havia acontecido em outra ocasião. A empreitada, no entanto, não era trivial: — Porque numa situação dessas o sentenciado fica cheio de medo de perder a vida. E nós, funcionários, também. Sem aparentar pressa, foram explicando às rodinhas formadas no campo que eles nada tinham a ver com os problemas alheios, que seria mais sensato irem para o pátio interno do pavilhão porque o pelotão do Choque já estava no presídio e os pms poderiam vir para cima deles, atrás dos desafetos que lhes causavam tantos dissabores nas ruas, como era hábito sempre que invadiam a Detenção. Era melhor não oferecer pretexto a eles. Com dificuldade, por volta das duas da tarde conseguiram reunir todos no pátio interno. Quando começou o fogo nos colchões e nos móveis do Nove, seu Araújo chamou os funcionários mais experientes na salinha da chefia do pavilhão: — Eram Osmar, Osvaldo, Silvão, Jeremias e eu. Não adiantava chamar os demais, porque eram novatos no trabalho. Ficamos apreensivos e resolvemos pedir encarecidamente aos sentenciados que subissem para as galerias, de modo que a gente pudesse trancar a gaiola de entrada do térreo. Osmar era na verdade o chefe titular do Oito, substituído por Araújo durante as férias que só terminariam na segunda-feira seguinte. Naquela sexta, seu último dia de folga, resolveu dar um pulo no pavilhão para inteirar-se do que havia acontecido em sua ausência: — Era meu sistema: na véspera de acabar as férias, dava uma passada na cadeia para não chegar perdido no primeiro dia. Em três ou quatro semanas corre muita água embaixo da ponte. Com os argumentos de que a situação no pavilhão vizinho se deteriorava e que serviriam de alvo fácil para os tiros dos pms na muralha caso permanecessem expostos no pátio, foi possível convencê-los a subir para os andares do Oito. Soltos nos andares, os presos tomaram a providência característica dos momentos de crise: desentocaram as facas. Nessas oportunidades costumam armar-se, menos para agredir os policiais que invadem a cadeia com cães e metralhadoras — a luta seria desigual — do que para fazer frente a eventuais ataques desfechados por inimigos internos que porventura se aproveitem da confusão. Os cinco funcionários fizeram nova reunião na salinha. Osmar teve a ideia: — Araújo, é o seguinte: você, eu, o Osvaldo e o Silvão subimos para os andares. O Jeremias monta guarda no portão que dá para o Nove; os outros ficam aqui na sala da chefia, porque eles têm pouco conhecimento com a malandragem. Vamos tentar trancar todo mundo: é a única saída. Se a polícia entrar, vai morrer muita gente, inclusive nós. No tropel, eles não vão perguntar quem é quem. A intenção era manter cada homem em sua cela para não desafiar os militares. Que justificativa haveria para invadir um pavilhão em paz? A estratégia fazia sentido, mas como convencer, um por um, quase 2 mil presidiários assustados que formavam grupos nervosos pelas galerias? Não se sabe de quem veio a proposição mais razoável: trancar os presos mas deixar o molho de chaves com os líderes da Faxina que ocupavam um dos xadrezes logo na entrada de cada andar, para que destrancassem os demais se assim decidissem. De hora em hora, um dos funcionários passaria pelas galerias para colocar todos a par dos acontecimentos. Seu Araújo subiu para o quinto andar, o mais problemático da cadeia inteira. Quando chegou na gaiola de entrada, os homens estavam encapuzados e ameaçadores, com as facas na mão. — Eram mais de cem facas, uma mais brilhante que a outra. Eu pensei: ô meu Deus, me ajude nessa situação, e entrei para dentro da gaiola: “Vamos conversar, gente boa. Vamos trocar uma ideia. É melhor trancar todo mundo para evitar que o Choque caia para dentro”. Os presos discordaram; um deles gritou mais alto: — Pessoal, não vamos entrar nessa. Vão trancar nós e abandonar o pavilhão nas mãos do Choque. Vamos morrer feito frango empoleirado no galinheiro. Naquele estado de ânimo, todos falavam ao mesmo tempo. Rodeado pelas facas, algumas das quais perigosamente próximas, seu Araújo insistia que podiam confiar, ele e os colegas já tinham passado o cadeado no portão de acesso ao Nove, e ali montariam guarda permanente, decididos a barrar a entrada da PM.

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Avaliações

Avaliação geral: 4

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MauCarvalhaes recomendou este produto.
04/04/2014

Muito Bom

Vale a pena ler, histórias muito boas, de dar risadas. E de parar para pensar sobre o sistema carcerário.
Esse comentário foi útil para você? Sim (8) / Não (3)
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