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Como Falar dos Livros que Não Lemos (Cód: 2015994)

Bayard,Pierre

Objetiva

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Descrição

Neste ensaio, Pierre Bayard trata uma questão comum no dia-a-dia: como falar dos livros que não lemos? Numa mesa de bar, numa reunião em família ou numa roda de amigos é preciso ter noções dos assuntos em pauta para não passar vergonha. Bayard considera o “não-leitor” uma figura tão importante como o devorador de livros.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573028737
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788573028737
Profundidade 2.00 cm
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 208
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorBayard,Pierre

Leia um trecho

CAPÍTULO I OS LIVROS QUE NÃO CONHECEMOS ONDE O LEITOR VERÁ QUE É MENOS IMPORTANTE LER ESTE OU AQUELE LIVRO, O QUE É UMA PERDA DE TEMPO, DO QUE TER SOBRE A TOTALIDADE DOS LIVROS AQUILO QUE UM PERSONAGEM DE MUSIL CHAMA DE UMA “VISÃO DE CONJUNTO”. Existe mais de uma maneira de não ler, das quais a mais radical é não abrir nenhum livro. Tal abstenção completa diz respeito, para todo leitor, tão assíduo quanto ele possa ser neste exercício, à quase totalidade das publicações, e, portanto, constitui nosso modo principal de relação com o escrito. Com efeito, não se pode esquecer que mesmo um grande leitor só tem acesso a uma proporção ínfima dos livros existentes. E se vê portanto permanentemente, salvo se cessar em definitivo toda conversa e toda escrita, obrigado a se expressar a respeito de livros que não leu. Levando esta atitude ao extremo, chegaríamos ao caso de um não-leitor integral, que jamais abrisse qualquer livro, mas ainda assim não se considerasse impedido de conhecêlos e de falar deles. Tal é o caso do bibliotecário de O Homem sem Qualidades,1 personagem secundário do romance, porém essencial para nosso objetivo pelo radicalismo de sua posição e pela coragem com que não hesita em teorizá-la. O romance de Musil transcorre no começo do século passado em um país de nome Kakânia, transposição humorística do império austro-húngaro. Um movimento patriótico, a “Ação Paralela”, foi fundado em torno da idéia de aproveitar o próximo aniversário do Imperador para festejálo dignamente, ao mesmo tempo fazendo dessa celebração um exemplo redentor para o resto do mundo. Os dirigentes da Ação Paralela, apresentados por Musil como fantoches ridículos, estão, pois, todos à procura de uma “idéia redentora”, que eles não param de mencionar com uma fraseologia bastante vaga, a ponto de não terem a menor idéia do que ela poderia ser nem da maneira como seria capaz de exercer, fora do seu país, uma função salvadora. Dentre os dirigentes da Ação Paralela, um dos mais ridículos é o general Stumm (em alemão: mudo). Ele se comprometeu antes dos outros a encontrar essa idéia redentora e ir oferecê-la à mulher que ama, Diotima, outra personagem importante da Ação Paralela: Você se lembra que eu tomei a decisão de depositar aos pés de Diotima a idéia redentora que ela está procurando? Claro, parece haver muitas idéias importantes, mas, afi nal, uma há de ser mais importante do que todas as outras: lógico, não? Trata-se portanto apenas de pôr as idéias em ordem.2 Pouco habituado às idéias e a seu manuseio, e menos ainda aos procedimentos que permitem inventar novas, o general decide ir à biblioteca imperial, lugar supostamente ideal para se conseguir pensamentos insólitos, a fim de “informar-se a respeito das forças do adversário” e de se apossar, da maneira mais organizada possível, da idéia original que ele procura. A visita à biblioteca mergulha aquele homem pouco familiarizado com os livros em uma grande angústia, ao confrontá-lo com um saber que não lhe oferece nenhum ponto de referência e sobre o qual não pode exercer um controle completo, logo ele que, na qualidade de militar, está habituado a dominar: Percorremos as fileiras daquele depósito colossal e posso dizer-lhe que não me abalei tanto assim: aquelas fileiras de livros não são mais impressionantes do que um desfi le de guarnição. Mas depois de algum tempo, comecei a calcular mentalmente e cheguei a um resultado bastante inesperado. Tinha imaginado antes de entrar, veja você, que se eu começasse a ler um livro por dia, o que seria evidentemente bastante esgotante, terminaria conseguindo num dia ou num outro, e poderia então pleitear uma certa situação na vida intelectual, mesmo que me faltasse algo de tempos em tempos. Mas o que você acha que me respondeu o bibliotecário, quando vi que nosso passeio se eternizava e eu lhe perguntei quantos volumes continha exatamente aquela absurda biblioteca? Três milhões e meio, ele me respondeu! No momento em que ele me disse isso, nós estávamos mais ou menos no número 700 mil: mas a partir dali, fi quei calculando sem parar. Vou poupar-lhe os detalhes; de volta ao Ministério, refi z mais uma vez o cálculo com lápis e papel: da maneira como eu tinha imaginado, eu levaria 10 mil anos para chegar ao fi nal do meu projeto!3 2. MUSIL, Robert: O Homem sem Qualidades. Nesta citação como nas seguintes, Stumm se dirige a seu amigo Ulrich. 3. Ibid.

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