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Contos de Mamãe Gansa - L&pm Pocket (Cód: 4259039)

Perrault,Charles

L&PM

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Descrição

O nome de Charles Perrault (1628-1703) está intimamente ligado a algumas das histórias mais conhecidas do mundo inteiro, como a de Chapeuzinho Vermelho, da Gata Borralheira e do Pequeno Polegar. Originalmente de cunho popular e oral, sem autoria conhecida, esses e outros contos foram recolhidos e registrados pelo autor entre 1691 e 1697, e adaptados aos mais variados formatos para os mais diversos públicos.

Frequentemente transformados em histórias infantis, os 'Contos de Mamãe Gansa' encontram-se aqui restituídos à forma dada por Perrault, em que o humor e o fantástico dão o tom principal, sem deixar de lado um verdadeiro retrato da sociedade da época, contendo ainda uma visão de mundo muitas vezes traduzida por “morais da história” irreverentes e maliciosas. A presente edição, com nova tradução, disponibiliza este tesouro da língua e da cultura francesa a leitores de todas as idades, em toda sua riqueza e elegância originais.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora L&PM
Cód. Barras 9788525426888
Altura 17.80 cm
I.S.B.N. 9788525426888
Profundidade 0.90 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Ivone C. Benedetti
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 160
Peso 0.13 Kg
Largura 10.70 cm
AutorPerrault,Charles

Leia um trecho

Introdução
Perrault ou a inocente delação de uma época Ivone C.

 Benedetti Perrault, um burguês bem situado
A biografia de Charles Perrault pode ser surpreendente para quem só conheça seus contos. Nascido em 1628, filho de um advogado no Parlamento de Paris, vinha ao mundo durante o reinado de Luís XIII, atingindo a maturidade numa fase de grande expansão militar e econômica de seu país: o reinado de Luís XIV, durante o qual exerceria funções importantes e prestigiosas. Portanto, Charles Perrault pertencia a uma família burguesa bem-situada e – cabe dizer desde já – sempre se integrou perfeitamente no ambiente palaciano pelo qual circulou e evoluiu ao longo da vida. Formou-se em direito. Estudante, já fazia versos e adorava debates. Com um companheiro de estudos e dois irmãos (talvez seja oportuno dizer que ele era o caçula de seis), empreendeu a tradução paródica do mais célebre livro da Eneida, o livro VI, narrando de modo cômico a descida de Eneias aos Infernos. Com esse primeiro empreendimento literário é como se Charles Perrault já delineasse a sua trajetória futura de demolidor da Antiguidade clássica. A intenção era dessacralizar os deuses e os heróis da mitologia antiga. Eneias é apresentado como um homem fraco e chorão. Caronte é um velho malandro. O estilo nobre da epopeia de Virgílio é substituído pela zombaria e às 8 vezes pela obscenidade. Mais tarde, os mesmos parceiros se dedicariam a outra paródia da antiguidade: Les Murs de Troye (Os muros de Troia). Charles Perrault dava os primeiros passos na carreira de advogado quando foi convidado por seu irmão Pierre para trabalhar com ele. Pierre era recebedor geral das finanças e tinha grande proximidade com Colbert, ministro das Finanças de Luís XIV. O cargo não exigia demais, e Charles tinha tempo para estudar e frequentar salões, onde se cultivava poesia e se praticava conversação. Compôs diversos textos que tiveram sucesso. Colbert, que se tornaria superintendente das Edificações do Rei (espécie de Ministério da Cultura), em 1663 nomeou Charles secretário da “Pequena Academia”; sua função seria aconselhar o ministro em assuntos literários e artísticos, para definir a política cultural do reino. Sua carreira avançava, portanto. Em 1668 era nomeado primeiro encarregado das edificações régias, posto-chave para o programa de construções do rei. Em 1671 ingressava na Academia Francesa e no mesmo ano assumia o posto prestigioso e rentável de controlador das Edificações de Sua Majestade. Charles trabalhava também com o irmão Claude, médico e apaixonado por arquitetura. No fim da década de 1660, Charles Perrault era um homem influente. Tinha papel essencial na política das artes e ciências da época. Luís XIV procurava afirmar o poderio da monarquia absoluta e a grandeza de seu reino. Era uma grande empreitada coletiva, e Perrault, um dos que cuidavam dela com mais zelo. Uma de suas atividades na Academia foi a modernização e a fixação da ortografia da língua francesa. Esta, liberta dos arcaísmos e do domínio do latim, deveria contribuir para o esplendor da monarquia. Perrault foi nomeado diretor da Academia Francesa em 1681. Em 1682, desentendeu-se com Colbert. Afastadode seus cargos, decidiu dedicar-se à escrita. Interessado em cantar a glória do rei, em 1687 compôs O século de Luís, o Grande. Lido perante a Academia, esse poema desencadearia o episódio que, mais que sua própria obra, faria de Perrault uma figura proeminente do mundo literário da época: trata-se da querela entre antigos e modernos. Adiante se encontram mais detalhes sobre o assunto. Em 1691, publicou o primeiro conto, Griselidis; em 1693, Desejos ridículos; em 1694, Pele de asno; em 1696, A Bela Adormecida no bosque. Em 1694, uma coletânea de contos em versos e, em 1697, uma de contos em prosa, intitulada Histoires ou Contes du temps passé (Histórias ou Contos do tempo passado). Perrault morre em 1703, depois de redigir Mémoires de ma vie(Memórias de minha vida). Perrault, o escritor A autoria dos contos publicados pela primeira vez em 1697 foi atribuída pelo próprio Charles Perrault a Pierre Darmancour, seu filho, que tinha então dezenove anos. Só a partir de 1781 a obra passaria a ser definitivamente atribuída a Charles Perrault. Considera-se que Perrault atribuiu a autoria ao filho com o objetivo de escapar a críticas virulentas por parte de seus opositores na famosa polêmica entre os defensores dos antigos e os dos modernos. Parece ter havido uma colaboração entre os dois. O filho teria posto no papel algumas histórias colhidas junto a amas, e o pai teria redigido as morais. No frontispício da publicação que tinha o título Histoires ou Contes du temps passé, via-se uma ama a fiar na roca e a contar histórias para três crianças de família abastada. A imagem, portanto, mostrava que se tratava de histórias da carochinha. Em segundo plano lia-se: Contes de ma Mère l’Oye, literalmente, Contosde Mamãe Gansa, título que passou a vigorar depois. A obra era dedicada à sobrinha de Luís XIV, Mademoiselle de Chartres. Em 1953 foi encontrada uma pequena encadernação manuscrita, com o brasão da princesa, o que indica que inicialmente os contos foram presenteados àquela alta personalidade da corte. Era um modo de Perrault colocar-se sob sua proteção. Esse manuscrito reúne cinco dos oito contos depois publicados: A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Barba Azul, O Gato de Botas e As fadas. Perrault escreve a partir de narrativas populares. Limita-se a transcrever historietas conhecidas, de circulação oral, e exime-se de usá-las como pretexto para a composição de uma obra pessoal. Nisso se alinha com o espírito de sua época. Ainda não tinha despontado o tempo em que os valores artísticos se congregariam em torno da genialidade criativa. A fidelidade às fontes orais, em sua prosa, manifesta-se pela manutenção de traços formais desse tipo de narrativa (por exemplo, repetições de falas ritmadas ou rimadas: “Só vejo que o sol dardeja, e a relva verdeja”; expressões cotidianas: “Era uma vez um rei e uma rainha que estavam tão aborrecidos por não terem filhos, tão aborrecidos que só vendo”), mas com grande clareza dos enunciados, estilo elegante, redação muito bem-cuidada. O autor, ortanto, busca atingir a arte por meio da simplicidade.Por outro lado, ao transitarem do âmbito oral para o escrito, seus contos perdem mobilidade, ganham fixidez. É móvel o conto narrado oralmente porque sua forma e seu conteúdo vão mudando ao sabor dos gostos de cada narrador. O escrito é congelado em determinada forma no tempo. Por isso hoje é próprio falar em “contos de Perrault”, ou seja, naqueles contos que todos conheciam, que ele não inventou, mas fixou por escrito, contos que passaram a ser lidos naquela dada forma. Logo, não há “contos de Perrault” como histórias propriamente inventadas por ele. Mas pode-se, sim, falar em morais de Perrault, que são de sua criação e acompanham os contos em prosa. Esses textos despertam interesse à parte. Nos textos poéticos as coisas são um pouco diferentes. Neles, embora se observe a mesma fidelidade à origem popular, a forma é fortemente determinada pelas exigências do metro e da rima: ao optar pela mudança da forma, Perrault transfere a história escolhida para outro universo, dando-lhe nova roupagem, imprimindo mais o seu cunho pessoal. Outros elos com a origem popular dos contos são: a constante presença do humor e a presença do maravilhoso, do fantástico. Mas esse maravilhoso não tem cunho cristão. Nos contos de origem francesa, em especial, está presente um fundo pré-cristão que sempre impregnou a literatura da região, que manteve suas marcas através dos tempos, chegando ainda muito forte ao século XVII. Em uma ocasião apenas Perrault se vale de referências religiosas para justificar o sofrimento da personagem. Trata-se do conto em versos Griselidis, e – fato interessante – essa única ocorrência lhe foi cobrada (veja-se, nesse sentido, a dedicatória do conto a um destinatário desconhecido, na p. 123, adiante). O trecho criticado diz: “De que a meta de Deus outra não é / Senão com este mal manter sempre desperta, Viva e constante a minha fé”. Ora, a história (folclórica) de Griselidis, significativamente, não se passa na França, mas na Itália. É, aliás, um dos contos do Decameron, de Boccaccio, e Perrault se mantém fiel ao cenário. A personagem chama-se Griselda em Boccaccio. Encantado com o conto, Petrarca o traduziu para o latim. Há também uma versão inglesa, de Chaucer, em versos. O crítico de Perrault afirma que essas considerações estão forad e lugar. Se seu parâmetro era o conto de Boccaccio, não há dúvida de que tinha razão. Elas não existem em Boccaccio. Mas existem em Petrarca e em Chaucer: não na boca da personagem, e sim como uma espécie de moral final: Deus sempre está nos pondo à prova. No entanto, lendo-se a crítica a Perrault, percebe-se que a estranheza pela presença desse texto tem forte fundo cultural. De fato, faz parte da tradição literária francesa abeberar-se em fontes não cristãs, e essa característica foi capaz de atravessar quase ilesa toda a cristianíssima Idade Média. A poesia cortês francesa (poesia que vigorou na corte francesa até o século XV), por exemplo, é de cunho eminentemente pagão. Nela é onipresente uma mitologia forjada nos meios palacianos, mas com origens ancestrais. Pensemos em Melusina* na saga da família Lusignan, na mitologia criada em torno do deus Amor pela poesia de Charles d’Orléans e outros, em que se manifesta um verdadeiro séquito de emoções personificadas (tristeza, pensamento, perigo, esperança, amor etc.), obedientes a um código próprio e peculiar, magnificamente compendiado no Tratado do amor cortês de André Chapelain.* Essa atitude sobrevive ao próprio Renascimento e ainda se faz presente no século XVII, como por exemplo na famosa Carte du Tendre, de Madame de Scudéry, mapa no qual se encontrava a representação topográfica alegórica dos diversossentimentos que permeiam a vida amorosa. Enfim, Perrault se insere numa tradição, muito forte em literatura, de valorização do patrimônio cultural francês e de sua língua, secularmente resistente aos valores culturais externos, representados no caso pelo ideário eclesiástico-cristão e pela veneração da cultura clássica antiga. A origem dos textos utilizados por Perrault não é datada. Como tudo o que pertence à cultura popular, não tem paternidade nem certidão de nascimento. No entanto, seus contos estão impregnados da época em que foram fixados por escrito. Roupagens, costumes, conceitos e preconceitos são do século XVII. E assim fixados chegaram até nós. A publicação dos contos não foi um fato isolado. Na época isso era comum.

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