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Contos Reunidos (Cód: 4895745)

Nabokov,Vladimir

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

Escritos entre os anos 1920 e 1950, os 68 contos selecionados para Contos reunidos, de Vladimir Nabokov — sendo boa parte traduzida pela primeira vez no Brasil —, mostram toda a riqueza imaginativa do escritor russo, sua inventividade estilística e a ironia que o colocam entre os grandes escritores de seu tempo. Nabokov nasceu num meio familiar de posses na Rússia pré-revolucionária e viu sua família perder todos os bens durante a revolta que derrubou o Czar Nicolau II, mudando os rumos do país no início do século XX. Seu destino imediato, como o de muitos de seus contemporâneos, foi emigrar. Em 1923, passou a residir em Berlim, onde permaneceu por mais de uma década. A grande maioria dos 'Contos reunidos' foi escrita nessa fase, entre os anos 20 e 30, e apresenta uma face menos conhecida do notório romancista: a de cronista. São contos que vão das fábulas carregadas de emoção a relatos sobre perdas, de tom melancólico, que abordam questões trágicas da vida e a sobrevivência sem recursos em Berlim; das histórias cômicas de expatriados russos às impactantes recordações da infância. Lidos em sequência, os textos de 'Contos reunidos' oferecem uma visão da genialidade de Nabokov e de sua habilidade de transformar a linguagem em um instrumento de êxtase.

Características

Peso 1.04 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Alfaguara / Objetiva
I.S.B.N. 9788579621826
Altura 23.00 cm
Largura 15.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 832
Idioma Português
Tradutor Siqueira, José Rubens
Cód. Barras 9788579621826
Número da edição 1
Ano da edição 2013
País de Origem Brasil
AutorNabokov,Vladimir

Leia um trecho

O duende da floresta

Pensativo, eu estava riscando o contorno da sombra trêmula do tinteiro circular. Numa sala distante, um relógio bateu as horas, enquanto eu, sonhador que sou, imaginei alguém batendo na porta, primeiro fraco, depois mais e mais forte. Ele bateu doze vezes e parou, à espera. “Sim, estou aqui, entre...” A maçaneta da porta rangeu timidamente, a chama da vela a escorrer oscilou, e ele saltou de lado saindo de um retângulo de sombra, curvado, cinzento, empoado com o pólen da noite fria, estrelada. Conhecia seu rosto — ah, há tanto tempo o conhecia! Seu olho direito ainda estava nas sombras, o esquerdo me espiava temeroso, comprido, verde-enfumaçado. A pupila brilhava como um ponto de ferrugem... O tufo cinza-musgo em sua têmpora, as sobrancelhas prata-pálidas quase imperceptíveis, a ruga cômica perto da boca sem bigode; como isso tudo provocava e vagamente afligia minha memória! Levantei-me. Dei um passo à frente. O casaquinho gasto parecia abotoado errado, do lado feminino. Na mão, segurava um boné, não, uma trouxa escura, mal amarrada, e não havia sinal de boné nenhum... Sim, claro, eu o conhecia, talvez até tivesse gostado dele, só que simplesmente não conseguia localizar o onde e o quando de nossos contatos. E devíamos ter nos encontrado muitas vezes, senão eu não teria uma lembrança tão firme daqueles lábios arroxeados, das orelhas pontudas, daquele divertido pomo de adão... Com um murmúrio de boas-vindas, apertei a mão leve, fria, e toquei o encosto de uma poltrona surrada. Ele se empoleirou nela como um corvo num toco de árvore e começou a falar depressa. “É tão assustador na rua. Então resolvi entrar. Entrei para visitar você. Me reconhece? Você e eu, a gente brincava muito e se provocava dias e dias. Lá na nossa terra. Não me diga que esqueceu.” A voz dele literalmente me cegava. Eu estava confuso e tonto: lembrava da felicidade, da insubstituível, reverberante, infindável felicidade... Não, não pode ser: estou sozinho... Isto é só algum delírio caprichoso. No entanto, havia realmente alguém sentado ao meu lado, ossudo e implausível, com botinas alemãs orelhudas, e sua voz tilintava, farfalhava dourada, verde-lustrosa, familiar, enquanto as palavras eram tão simples, tão humanas... “Então... você se lembra. É eu sou um antigo Elfo da Floresta, um duende malandro. E aqui estou, forçado a me retirar como todo mundo.” Deu um suspiro profundo, e mais uma vez tive visões de ondas de nuvens, altas ondulações folhosas, lampejos brilhantes de casca de bétula como borrifos de espuma do mar contra um murmúrio doce, perpétuo... Ele se curvou para mim e me olhou delicadamente nos olhos. “Lembra a nossa floresta, pinheiro tão negro, bétula tão branca? Cortaram tudo. A tristeza foi insuportável... Vi minhas queridas bétulas estralejando e caindo, e o que eu podia fazer? Para o pântano me expulsaram, eu chorei e uivei, gemi grosso como um abetouro, depois fugi a toda velocidade para uma floresta de pinheiros vizinha. “Lá sofri e não conseguia parar de chorar. Mal tinha me acostumado ali e pronto, não existia mais pinheiral, apenas cinzas azuladas. Tinha de andar mais. Me vi numa floresta — era uma floresta maravilhosa, densa, escura e fresca. Mas de alguma forma não era exatamente a mesma coisa. Antigamente, eu saracoteava de manhã à noite, assobiava furiosamente, batia palmas, assustava quem passava. Você se lembra: você se perdeu uma vez num canto escuro da minha floresta, você e um vestidinho branco, e eu ficava amarrando os caminhos, girando os troncos, tremeluzindo no meio da folhagem. Passei a noite inteira aprontando. Mas eu só estava brincando, era tudo bobagem, por mais que isso me diminuísse. Mas depois fiquei sério, porque minha nova morada não era alegre. Dia e noite coisas estranhas estalavam à minha volta. Primeiro, pensei que algum outro duende vivia por lá; chamei, depois escutei. Alguma coisa estalou, alguma coisa ressoou... Mas não, aqueles barulhos não eram do tipo que nós fazemos. Uma vez, quase de noite, saí para uma clareira e o que vejo? Gente à minha volta, algumas deitadas de costas, outras de bruços. Bom, pensei, vou acordar essas pessoas, botar para correr! E então me pus a trabalhar, sacudindo galhos, bombardeando com pinhas, farfalhando, piando... Batalhei uma hora inteira, não adiantou nada. Então olhei melhor e fui tomado pelo terror. Aqui um homem com a cabeça pendurada por um fino cordão escarlate, ali outro com um monte de grossos vermes em lugar da barriga... Não consegui suportar. Soltei um uivo, saltei no ar e fui embora correndo...“Durante muito tempo vaguei por diversas florestas, mas não conseguia encontrar paz. Ou era calmaria, desolação, tédio mortal ou horrores em que é melhor nem pensar. Por fim, me decidi e me transformei num matuto, um vagabundo com uma trouxa, e fui embora para sempre: Rus’, adeus! Então um bom espírito, um Elfo das Águas, me deu uma mão. O coitado estava fugindo também. Intrigado, ficava dizendo: que tempos os nossos, uma verdadeira calamidade! E mesmo que antigamente ele tenha tido lá sua diversão, costumava atrair as pessoas para a água (hospitaleiro, ele era!), em recompensa, como ele as mimava e agradava no fundo dourado do rio, com que canções as enfeitiçava! Hoje em dia, ele diz, só vêm cadáveres boiando, boiando aos montes, multidões deles, e a água do rio é como sangue, grossa, quente, pegajosa, e ele não tem como respirar... Então me levou com ele. “Foi dar em algum mar distante, e me deixou em terra numa costa enevoada: vá, meu irmão, tente encontrar uma folhagem amiga. Mas não encontrei nada e acabei aqui nesta cidade de pedra estranha, apavorante. E assim me tornei humano, completo, com colarinho engomado e botinas, e até aprendi a fala humana...” Calou-se. Seus olhos brilhavam como folhas úmidas, os braços estavam cruzados, e à luz oscilante da vela que se apagava umas mechas prateadas penteadas para a esquerda brilhavam muito estranhamente. “Sei que está aflito”, a voz dele tremulou de novo, “mas sua aflição, comparada à minha, à minha tempestuosa, turbulenta aflição, não é mais que a respiração regular de alguém que está dormindo. E pense um pouco: ninguém da nossa Tribo restou lá na Rus’. Alguns de nós evanesceram como fiapos de neblina, outros se espalharam pelo mundo. Nossos rios nativos estão melancólicos, não há mãos brincalhonas para agitar o luar refletido. Silentes estão os jacintos órfãos que ainda existem, por acaso, não cortados, os gusliazul-pálidos que um dia serviram a meu rival, o etéreo Elfo do Campo, para suas canções. O duende doméstico, peludo, amigo, abandonou, em lágrimas, a sua casa suja, humilhada, e os pomares murcharam, os pomares pateticamente luminosos, magicamente sombreados... “Nós, Rus’, é que éramos a sua inspiração, a sua inescrutável beleza, o seu arcaico encantamento! E nós fomos todos embora, embora, expulsos para o exílio por um enlouquecido inspetor. “Meu amigo, eu logo morrerei, diga alguma coisa para mim, diga que me ama, um fantasma sem teto, venha sentar mais perto, me dê sua mão...” A vela estralejou e se apagou. Dedos frios tocaram minha mão. A conhecida risada melancólica ressoou e silenciou. Quando acendi a luz, não havia ninguém na poltrona... Ninguém!... Nada restara a não ser um intrigante e sutil aroma na sala, de bétula, de musgo úmido...