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Discurso do Método - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649249)

Descartes, René

Saraiva De Bolso

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Discurso do Método - Col. Saraiva de Bolso

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Descrição

Apontado por muitos como o marco de fundação do pensamento moderno, o “Discurso do método” constitui uma verdadeira declaração dos direitos e poderes da razão sobre um mundo por ela dominado e organizado. Com essa obra, Descartes busca escapar tanto à filosofia tradicional, de base aristotélica, quanto às limitações da teologia e valoriza acima de tudo a lógica, a geometria e a álgebra, pois só elas poderiam nos fornecer a certeza absoluta.

Tradução, prefácio e notas: João Cruz Costa

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925010
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925010
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorDescartes, René

Leia um trecho

I Na história do pensamento humano, a filosofia cartesiana representa um dos mais signifi cativos e importantes momentos do racionalismo e do espírito crítico. Com Descartes tem início uma nova fase da Filosofia que é, a um tempo, de respeito pelas ideias claras e de preocupação com os problemas do homem. Em uma de suas cartas, dirigida a seu amigo Beeckman, traçou, talvez, Descartes, em poucas linhas, todo o espírito de sua filosofia. Não lhe interessava, dizia ao amigo, somente a ciência e a sua melhor parte, que é a inteligência; interessava-o o problema do homem. Assim, sua fi losofi a não se perde na pura especulação. Sua infatigável procura da verdade — de que é exemplo a notável biografia intelectual que se vai ler — deve conduzir ao conhecimento da natureza para a pôr a serviço dos homens. E é este, ainda, apesar de tudo, o verdadeiro espírito da Filosofia. René Descartes nasceu na Touraine, em La Haye, hoje La Haye-Descartes, a 31 de março de 1596. Era filho de um conselheiro do Parlamento da Bretanha, Joachim Descartes, e de Jeanne Brochard, “mademoiselle du Perron”, nome este com o qual Descartes se matriculará como estudante em Leida, na Holanda, em 1630. Um ano depois do seu nascimento, morria-lhe a mãe, ficando então sob a guarda de sua avó materna, em companhia de um irmão, Pedro, e da irmã, Joana. Em 1600 seu pai tornava a casar com Ana Marin, pertencente também à classe de juízes, advogados e funcionários, que constituirá um dos elementos mais importantes da burguesia então em plena ascensão. Nos primeiros anos do século XVII, Descartes entrava para o Colégio de La Flèche, fundado por Henrique IV e dirigido pelos jesuítas. O filósofo refere-se com respeito a estes mestres e os elogia, embora critique o seu ensino. Não seria inexato dizer que eles talvez tenham deixado alguma influência sobre o seu espírito: aquela que aparece na diplomática sutileza que revela em seus escritos... A primeira parte do Discurso resume e critica o programa dos cursos de La Flèche, calcado na Ratio Studiorum. As Línguas Clássicas, a História — que “lida com discernimento ajuda a formar o espírito” — a Eloquência e a Poesia. Depois mais três anos de Filosofia: um curso sobre Aristóteles ou S. Tomás, com duas aulas de duas horas diárias. Aos sábados, discussões durante as quais os estudantes argumentavam a favor ou contra uma tese escolhida. Tal era a base pedagógica do ensino da Filosofia em La Flèche. As conclusões contraditórias, o verbalismo a que a disputa dá lugar, iriam fortemente impressionar Descartes. A Lógica — assunto do primeiro ano de Filosofia, que se acreditava e que muitos ainda acreditam constituir uma espécie de ginástica “cerebral” — era ensinada pelos manuais escolásticos do cardeal Talet e do conimbricense Pedro da Fonseca. Comentava-se ainda Aristóteles (Categorias, Os primeiros analíticos, diversos livros dos Tópicos). No segundo ano, estudava-se a Física, isto é, a física de Aristóteles, graças à qual ele tomará verdadeiro enjoo por todas “estas formas ou qualidades das quais se disputa nas escolas” (Discurso, 5a Parte), e as Matemáticas. O terceiro ano era dedicado à Metafísica aristotélica. O ensino da Metafísica, como ele dirá mais tarde em carta a Mersenne, também lhe encheria as medidas acerca das “diversas entidades que existem em nossa alma”. (Carta de 16 de outubro de 1639, apud Adam e Tannery, Oeuvres de Descartes, vol. II, p. 598.) Mas, embora em sua obra Descartes se oponha ao ensino fi losófi co recebido em La Flèche, ela, no entanto, ainda guardará muito do mesmo. “A posição dos problemas e o vocabulário técnico de Descartes” — diz Génevive Lewis (René Descartes, p. 17) — “devem sempre ser aferidos em ligação com a escolástica.” Pouco se conhece, sobre a vida de Descartes, desde sua saída do Colégio de La Flèche — que uns dizem ter sido em 1612, outros em 1614 ou 1615 — até o ano de 1618, em que parte para servir no exército de Nassau. Sabe-se apenas que, em 1616, licenciava-se em Direito, em Poitiers, talvez apenas para satisfazer os desejos do pai, que nunca compreendeu o fi lho e que, mesmo quando os trabalhos deste já o haviam tornado célebre, a seu respeito dizia: “... de todos os meus fi lhos, só de um tenho queixa. Para que pus eu no mundo um filho suficientemente ridículo para querer encadernar-se em pergaminho?” (Géneviève Lewis, ob. cit., p. 21.) Na Holanda, Descartes vai conhecer Beeckman, que, como ele, mostrava interesse pelas questões de Física e de Matemática. É a este que deve o haver sido tirado do torpor próprio da caserna, em que afi rmava então encontrar- se. Desde o encontro com Isaac Beeckman (10 de novembro de 1618), o fi lósofo somente desejará “consagrar o tempo que me resta de vida” (Discurso, 6a Parte) ao conhecimento da natureza. Não verá porém ainda, com clareza, a maneira, o caminho que lhe permitirá penetrar nos mistérios dessa natureza. Só mais tarde, nos três sonhos pelos quais passa na noite de 10 para 11 de novembro de 1619, é que começará a “compreender os fundamentos de uma ciência admirável” que abrange todos os conhecimentos. Com este sonho, Descartes “descobre sua vocação, quase a sua missão. II “Há justamente oito anos que este meu desejo [o de se tornar digno da reputação de que gozava] decidiu-me a afastar-me de todos os lugares...” (Discurso, 3a Parte.) Desde 1628 Descartes procurará, pois, viver livre e solitário na Holanda e ali preparar as obras que anunciarão o nascimento de uma nova fase da história do espírito humano. “Mas todas as dificuldades da Física” — escreve Descartes a Mersenne — “[...] são de tal maneira encadeadas e dependem umas das outras que me seria impossível demonstrar uma sem as demonstrar todas juntas.” (Carta de 15 de abril de 1630, apud Adam e Tannery, ob. cit., vol. I, p. 140.) É a realização do seu projeto de uma ciência universal que se inicia; é o preparo do seu tratado Do mundo que começa a tomar corpo. Descartes detesta porém “o ofício de fazer livros” (Discurso, 6a Parte), e o seu trabalho avança lentamente. Trabalha devagar, geralmente deitado, levantando-se um pouco, de quando em quando, para tomar uma nota, e voltando logo à posição anterior para meditar. Tem mais medo que desejo de reputação. Mas, ainda assim, promete a Mersenne que terminará o livro no começo de 1633. (Carta de 15 de abril de 1630, apud Adam e Tannery, ob. cit., vol. I, p. 137.) Em novembro desse ano pede novo prazo ao amigo. É quando tem notícia da condenação de Galileu. O livro de Galileu — Massimi Sistemi — fora condenado em junho daquele ano à fogueira. À vista de tal fato, Descartes escreverá a Mersenne (fins de novembro de 1633): ...ele [Galileu] deve ter querido afirmar o movimento da Terra que, bem sei, já foi outrora censurado por alguns cardeais. Mas pensei ter ouvido que, depois do que se deu, não mais se deixou de ensinar isso, e até em Roma. Confesso que, se esse movimento é falso, todos os fundamentos de minha filosofia também o são, pois aquele se demonstra, evidentemente, por estes. E está de tal maneira ligado com todas as partes do meu Tratado, que não o poderia daí destacar sem tornar o restante completamente defeituoso. Mas como não desejo, por nada deste mundo, que de mim se origine um discurso em que se encontre a menor palavra que possa ser desaprovada pela Igreja, desse modo prefiro suprimi-lo do que fazer com que apareça estropiado. Nunca tive gosto em fazer livros e apenas comprometera-me convosco e com outros amigos, para que o desejo de cumprir a palavra mais me obrigasse a estudar, pois de outro modo nunca chegaria ao fi m. Mas estou certo de que não me enviareis um polícia para que me obrigue a pagar a dívida e tereis assim muita sorte de eximir-vos do trabalho de ler cousas más. (Apud Adam e Tannery, ob. cit., vol. I, p. 271.) E, desse modo, o texto inacabado do tratado Le Monde só seria publicado em 1664. “Bene vixit qui bene latuit” — bem viveu quem bem se escondeu — tal era a divisa cartesiana. No entanto, grande número de católicos inteligentes, Mersenne, Arnauld e outros, desolados e desencantados com a condenação do Santo Ofi cio, insistiam para que Descartes publicasse seus trabalhos. Mas — escrevia a Mersenne, ainda na referida carta — “já há tantas opiniões em Filosofi a que têm aparência [de verdade] e que podem ser sustentadas em disputa que, se as minhas nada têm de mais certo e não podem ser aprovadas sem controvérsia, eu não as quero publicar”. Seus amigos de Paris voltavam porém a insistir. Embora não ame excessivamente a glória, ou mesmo, se ouso dizê-lo, a odeie até onde a julgo contrária à tranquilidade — que estimo sobre todas as coisas —, todavia também nunca procurei esconder as minhas ações como se fossem crimes nem usei de muitas precauções para passar por desconhecido, já porque acreditasse que isso me prejudicaria, já porque isso me produziria alguma inquietação que, em suma, seria contrária à perfeita tranquilidade de espírito que procuro. E, por me haver assim conservado sempre indiferente entre o receio de ser conhecido ou de o não ser, não pude impedir que adquirisse alguma reputação, e pensei que devia fazer tudo quanto pudesse para me livrar, ao menos, de a ter má. (Discurso, 6a parte.) Deste modo explica o próprio Descartes mais outras razões que o levaram a publicar o Discurso do método. Em março de 1636, em carta a Mersenne datada de Leida, onde se encontrava, Descartes falava da impressão de um livro seu: Le Projet d’une Science Universelle qui puisse élever notre nature à son plus haut dégré de perfection; plus la Dioptrique, les Météores et la Géométrie; ou les plus curieuses Matières que l’Autheur ait pû choisir, pour rendre preuve de la Science Universelle qu’il propose, sont expliquées en telle sorte, que ceux mêmes qui n’ont point etudié les peuvent entendre. (Apud Adam e Tannery, ob. cit., vol. I, p. 339.) Neste projeto descobria Descartes “uma parte de seu método” (carta citada). Logo depois, modifi cava o título para Discurso do método. Muita obrigação lhe devo a propósito das objeções que me escreve e peço que continue a mandar todas aquelas que ouvir e da maneira mais desvantajosa que seja para mim; será um grande prazer que me fará, pois não tenho o costume de me queixar quando me pensam as feridas, e aqueles que me fi zerem o favor de instruir-me e que me ensinarem alguma cousa encontrar-me-ão sempre dócil. Mas não compreendi bem o que me objeta em relação ao título, pois eu não ponho Tratado do método, mas Discurso do método, o que é o mesmo que Prefácio ou Aviso relativo ao método, para mostrar que não tenho intenção de o ensinar, mas somente de falar dele, pois, como se pode ver do que ali digo, ele consiste mais em prática do que em teoria. (Carta a Mersenne, de março de 1637, apud Adam e Tannery, ob. cit., vol. I, p. 349.) III O Discurso do método tem uma comprida e complicada história. Não é aqui o lugar próprio para nos alongarmos a seu respeito. É sufi ciente que assinalemos a sua importância como autobiografia intelectual, como história de um espírito. Ao desencanto que sofrera, ao saber da condenação do livro de Galileu, vai suceder agora nova fase de entusiasmo. “Não se compreenderia bem Descartes”, escreve Léon Brunschvicg (Descartes, p. 14), “e simpatizaríamos menos com ele, se não o sentíssemos mais próximo de nós pelas suas desigualdades de temperamento.” Descartes não teve, pois, medo de ser notado pela Igreja. Não quis publicar sua obra porque não desejava dar combate a favor de uma verdade nas condições em que ela se encontrava, desarmada de antemão pela resistência cega de preconceitos que, absurdos em si, cobriam-se sob o pretexto da autoridade da religião. Não era de frente que convinha abordar a luta, e, uma vez superadas as primeiras tentações de desencorajamento, Descartes põe-se novamente ao trabalho. Destaca, de sua Física, a Dióptrica [...], a doutrina dos Meteoros [...]. E, enquanto se imprimem estas amostras, Descartes redige a sua Geometria [...]. É no último momento, enfim, que Descartes faz preceder os seus três Ensaios com um Prefácio em que ele queima os seus navios. (Brunschvicg, ob. cit., p. 18-19.) Dividido em seis partes, o notável prefácio do pensamento moderno que é o Discurso do método contém, na primeira parte, diversas considerações relativas às ciências. Para começar, nesta série de considerações é mister não esquecer que a razão (o bom senso), a faculdade de bem julgar, é igual em todos os homens. Se divergimos nas nossas opiniões, diz Descartes, se uns são mais capazes de chegar à verdade do que outros, é porque uns conduzem bem a sua razão e porque, naturalmente, outros a conduzem mal. Crê o filósofo que o seu método é um instrumento capaz de levar seu espírito à conquista da verdade, e é desse método que se ocupará sem pretender impô-lo e, menos ainda, ensiná-lo. Depois disto, conta ele os estudos que fez e a impressão que dos mesmos lhe fi cara. Parecia-lhe não haver restado de tanto esforço aquilo que esperava, ou que lhe prometiam — “um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à conduta da vida”. (E. Gilson, in René Descartes, Discours de la méthode, 20a ed., Vrin, Paris, 1946, p. 29.) Afim de aprender, de conhecer o mundo e os homens, deixa os livros e põe-se a viajar na esperança de assim descobrir a verdade. Mas ainda aí só percebe diversidade e contradição. Procura isolar-se e indagar da verdade de outro modo — com outro método. E qual é esse método? É o que ele nos dirá na segunda parte de seu livro. É então que nos dá as principais regras do método. Numa aldeia dos arredores de Ulm, bem-aquecido por um fogão que já Montaigne julgava superior aos usados na França, Descartes arranja-se de modo tal que nada lhe perturbe a tranquilidade da reflexão. Desfaz-se ou faz todo o possível para desfazer-se das opiniões que lhe haviam ensinado — e decide seguir apenas a sua própria razão. Todavia, para a reforma de seu próprio pensamento, que encontrou? Encontrou apenas quatro preceitos, talvez menos simples do que supunha: 1°: Nunca receber coisa alguma como verdadeira, desde que não se evidenciasse como tal. Isto é, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção e não aceitar senão aqueles juízos que se apresentassem clara e distintamente ao seu espírito, de modo a não ser possível a dúvida a respeito deles; 2°: dividir as dificuldades que teria que examinar em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las; 3°: conduzir por ordem os seus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros; 4°: fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que pudesse estar seguro de nada haver omitido. Estas duas partes indicam qual a sua intenção da indagação da verdade e dão-nos as condições mais simples para atingi-la. Na terceira parte, Descartes oferece-nos as regras da moral provisória. Não basta, antes de começar a reconstituir a casa em que se mora, derrubá-la e prover-se de novos materiais... É mister ainda procurar outra casa. Desse modo, não podemos ficar irresolutos em nossas ações, embora a razão nos obrigue a sê-lo em nossos juízos. Daí a necessidade de uma moral provisória, enquanto outra não se constitui, baseada na ciência. Estas regras são, pois, na sua forma pragmática, as seguintes: 1a) — Obedecer às leis e aos costumes de nosso país, guardando a religião em que nos instruíram durante a infância, e governar-nos segundo as opiniões mais moderadas dos homens mais sensatos entre os quais vivemos; 2a) — sermos o mais firmes que pudermos em nossas ações; e seguirmos, com constância, as opiniões pelas quais nos decidimos. Numa floresta não devemos parar nem vaguear de um lado para outro, mas caminhar direito, sempre no mesmo rumo; 3a) — procurar sempre vencer-nos antes a nós do que à fortuna, e modificar antes os nossos desejos do que a ordem do mundo. Enfim, para conclusão desta moral, Descartes examina as ocupações que os homens têm na vida. E escolhe esta: a do cultivo da razão, a de progredir, o mais que pudesse, na investigação da verdade, segundo o seu método. A quarta parte do Discurso expõe os lineamentos da metafísica cartesiana. Esta metafísica não é outra coisa, se meditarmos bem, que o resultado de uma cuidadosa crítica que precede a preparação da física cartesiana, pois, como justamente diz Henri Lefèbvre, Descartes “adquire verdades metafísicas, mas para voltar para o mundo físico”. (Descartes, p. 273.) Se Descartes rompe com a tradição da Física e da Metafísica, tal como lhe haviam sido ensinadas, é para se tornar capaz de edificar uma doutrina que, pela evidência dos seus princípios, pelo acordo de suas consequências com os dados da experiência, dê testemunho de seu valor eterno. (L. Brunschvicg, Descartes, p. 5.) A propósito da metafísica cartesiana têm sido levantadas diferentes interpretações. Não pretendemos aqui expô-las, pois isso nos levaria muito além do que se pretende com a publicação deste trabalho. Que se contém nesta discutida quarta parte do Discurso? Decidido a procurar ideias claras e distintas, Descartes começa por rejeitar tudo aquilo em que pudesse imaginar a dúvida. Assim, rejeita o que os sentidos nos dão a conhecer, rejeita até muitas ideias, pois com muitas delas podemos sonhar. Essa atitude é a de dúvida metódica. Mas, quando penso que tudo é falso, uma certeza me aparece — Penso, logo existo — que é sólida. Este é o primeiro princípio que a razão estabelece. Existimos porque pensamos. Só se apreende a existência pelo pensamento. Somos, pois, um pensamento, isto é, uma alma que existe independentemente de qualquer substância material. A alma é, assim, mais fácil de se conhecer que o corpo. Tendo deste modo encontrado um pensamento certo, pergunta Descartes de que maneira podemos saber se uma proposição é certa. O único critério da verdade é este: as ideias claras e distintas. A dúvida é, pois, uma imperfeição. Mas o perfeito é algo que os sentidos não podem dar. Mas de onde vem a perfeição? De Deus. Estabelecida a existência de Deus, o pensamento volta-se agora para as coisas exteriores acerca das quais duvidara. Na extensão — que é a única coisa do mundo exterior que percebemos clara e distintamente — vai o filósofo encontrar mais uma prova da existência de Deus. Na Quinta Parte de seu trabalho, estuda a ordem das questões da Física. Descartes vai ali explicar o universo. Aliás, era isto que constituía o seu tratado O mundo, que só seria publicado, como vimos, depois de sua morte. Esta Quinta Parte do Discurso resume, pois, o tratado d’O mundo. Sem apelar para as formas e qualidades acerca das quais tanto discutiam os escolásticos, o que Descartes procura agora mostrar é o caráter puramente mecânico de sua explicação e, por isso, dá como exemplo dela o mecanismo da circulação ou, mais exatamente, os movimentos do coração. Nesta descrição, como mostra Gilson, comete graves erros, erros que provinham da Idade Média e que Descartes sustentaria contra Harvey. O essencial desta Quinta Parte assim se pode resumir: Descartes admite que a matéria foi criada por Deus. A seguir, partindo da ideia de perfeição de Deus, deduz as leis do movimento e, sendo dados a matéria e o movimento — sem invocar a intervenção de qualquer outro princípio (mesmo de Deus, que agora serve apenas para conservar a existência da matéria) —, procura explicar como se formaram os seres. Graças a estas leis do movimento, formam-se, a partir da matéria, os céus, a Terra, o Sol. E, deste modo, ainda dentro de uma pura explicação mecânica, forma-se a água, o ar, assim como todos os corpos que existem na Terra. Para explicar a vida é sufi ciente o jogo mecânico dos órgãos, e é então que Descartes se utiliza, longamente, do exemplo que há pouco apontamos: o do movimento do coração. Nada aí lembra a ação de um princípio espiritual. Tudo se passa automaticamente. Surgem então duas ideias curiosas de Descartes: a dos espíritos animais, partes sutis do sangue que, agitadas, são levadas ao cérebro e daí se espalham por todo o corpo, e a do automatismo dos animais, que é consequência natural do seu mecanicismo. Na Sexta Parte, Descartes conta-nos as razões que o levaram a publicar seu livro e quais os requisitos necessários para progredir na investigação da natureza. Julga que deve divulgar os resultados a que chegou, pois eles ajudarão a melhorar a sorte dos homens e os tornarão senhores, dominadores da natureza. Mas para isso, acrescenta, são necessárias ainda muitas e variadas experiências. E ele, só, não terá vida nem posses para levá-las a bom termo. Não deseja, porém, perder-se em inúteis discussões e controvérsias, pois o maior bem que almeja é poder continuar as suas investigações e estudos em paz e em liberdade O Discurso do método é o prefácio do pensamento moderno. Já nas suas primeiras palavras há muito que meditar: “o bom senso é a coisa mais bem-repartida deste mundo...” Talvez seja a única... IV A bibliografi a sobre Descartes e o cartesianismo é muito grande. Limitamo-nos aqui a indicar apenas aquela que se nos afi gura mais importante. A — a) textos: A melhor edição das obras de Descartes é a de Charles Adam e Paul Tannery: Oeuvres de Descartes, 12 vols., in 4°, e mais um suplemento. Léopold Cerf, Paris, 1897-1913. b) textos do Discours de la méthode: René Descartes — Discours de la méthode (texte et commentaire). Edição de Etienne Gilson, Vrin, Paris, 1930. René Descartes — Discours de la méthode (introduction et notes). Pequena edição também de E. Gilson, Vrin, 20a ed., Paris, 1946. René Descartes — Discours de la méthode. Edição de Victor Brochard, Félix Alcan, 17a ed., Paris, 1927. René Descartes — Discours de la méthode. Edição de Elie Rabier, Delagrave, 17a ed., Paris, 1825. René Descartes — Oeuvres choisies. Edição de Louis Dimier, Garnier, Paris, 1930. René Descartes — Oeuvres philosophiques et morales. Bibliothèque des Lettres, Paris, 1948. c) trabalhos sobre Descartes: Cornelia Serrurier — Descartes — l’homme et le penseur. Presses Universitaires de France et Ed. Française d’Amsterdã, Amsterdã, 1951. Henri Gouhier — Essais sur Descartes. Vrin, Paris, 1937. Henri Gouhier — La Pensée réligieuse de Descartes. Vrin, Paris, 1924. Martial Guéroult — Descartes selon l’ordre des raisons (2 vols.). Aubier, Paris, 1953. J. Sirven — Les Années d’apprentissage de Descartes. Imp. Coop. du Sud-Ouest, Albi, 1928. Paul Mouy — Le Développement de la physique cartésienne. Vrin, Paris, 1934. Etienne Gilson — Études sur le rôle de la pensée mediévale dans la formation de système cartésien. Vrin, Paris, 1930. Jean Laporte — Le Rationalisme de Descartes. P.U.F., Paris, 1945. Ferdinand Alquié — La Découverte métaphysique de l’homme chez Descartes. P. U. F., Paris, 1950. Pierre Mesnard — Essai sur la morale de Descartes. Boivin, Paris, 1936. Gaston Milhaud — Descartes savant. Félix Alcan, Paris, 1921. Maxime Leroy — Descartes — le philosophe au masque (2 vols.). — Rieder, Paris, 1929. Alfred Fouillée — Descartes. Hachette, Paris, 1893. Louis Dimier — La Vie raisonnable de Descartes. Plon, Paris, 1926. Léon Brunsehvicg — René Descartes. Rieder, Paris, 1937. Léon Brunsehvicg — Descartes et Pascal, lecteurs de Montaigne. Brentano’s, New York, 1944. O. Hamelin — Le Système de Descartes. Félix Alcan, Paris, 1921. Henri Lefèbvre — Descartes. Hier et Aujourd’hui, Paris, 1947. Jean Boorsch — Etait présent des etudes sur Descartes. Belles-Lettres, Paris, 1937. Géneviève Lewis — Descartes. Mane, Paris, 1953. B — a) Traduções: Cremos que a primeira tradução em língua portuguesa do Discours de la méthode foi feita por Miguel Lemos, em publicação comemorativa do terceiro centenário do nascimento de Descartes (1896). É o Discurso sobre o método, vol. n° 163 do Apostolado Positivista do Brasil (81 p., 9 notas), publicado em março de 1896. Em junho de 1937, ao ser comemorado o terceiro centenário da publicação do Discurso, foi feita uma segunda edição do trabalho (84 p., 9 notas). A Organização Simões, do Rio de Janeiro, publicou uma 3a edição (que saiu inexatamente como sendo a 2a), em 1952 (107 p., 9 notas), sob o título Discurso sobre o método. Há ainda, publicada em São Paulo pela Atena Editora, na Biblioteca Clássica (93 p., 8 notas), a tradução de Paulo M. de Oliveira, com o título de Discurso sobre o método. O prof. Newton de Macedo publicou em Portugal (Liv. Sá da Costa Editora, Lisboa) um Discurso do método e tratado das paixões da alma, de que há 3a ed. (1956), com prefácio e notas. b) Outros trabalhos: Muito pobre é a bibliografi a cartesiana em língua portuguesa. Conhecemos apenas os seguintes trabalhos sobre a obra de Descartes: Ivan Lins, Descartes (Época, vida e obra), Emiel Ed., Rio de Janeiro, 1940; Lívio Teixeira, Ensaio sobre a moral de Descartes, Boletim 204, Faculdade de Filosofi a, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1955; idem, A religião de Descartes, sep. dos nos 21 e 22 da Revista de História, São Paulo, 1955. Para a história do cartesianismo em língua portuguesa, vejam-se os trabalhos do prof. Joaquim de Carvalho, “Introdução” in John Locke, Ensaio fi losófi co sobre o entendimento humano, Coimbra, Biblioteca da Universidade, 1950, e “Descartes e a cultura fi losófi ca portuguesa”, In Memórias da Ac. das Ciências de Lisboa (Classe das Ciências), 1939, t. II; Fidelino de Figueiredo, Estudos de literatura (4a série), Portugália Editora, Lisboa, s. d., p. 133-173; Antônio Alberto de Andrade, Verney e a fi losofi a portuguesa, Liv. Cruz, Braga, 1946; J.S. da Silva Dias, “Portugal e a cultura europeia; in Biblos, vol. XXVII, Coimbra, 1952; os prefácios do prof. Antônio Salgado Júnior, in Luís Antônio Verney, Verdadeiro método de estudar (5 vols.), Sá da Costa Editora, Lisboa, 1949-1950.
 
João Cruz Costa

Para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências

Se este discurso parecer demasiado longo para ser lido de uma só vez, poder-se-á dividi-lo em seis partes. Na primeira encontraremos diversas considerações relativas às ciências. Na segunda, as principais regras do método
procurado pelo autor. Na terceira, algumas das regras da moral que tirou deste método. Na quarta, as razões com as quais prova a existência de Deus e da alma humana, que são os fundamentos de sua metafísica. Na quinta, a ordem das questões de Física por ele investigadas e, particularmente, a explicação do movimento do coração e de
algumas outras difi culdades que pertencem à Medicina, e, a seguir, também, a diferença que existe entre a nossa alma
e a dos animais. E, na última, o que julga necessário para progredir na investigação da natureza e quais as razões que
o levaram a escrever. Primeira parte O bom senso é a cousa mais bem-repartida deste mundo,2 porque cada um de nós pensa ser dele tão bem- -provido, que mesmo aqueles que são mais difíceis de se contentar com qualquer outra cousa não costumam desejar mais do que o que têm. Não é verossímil que todos se enganem; ao contrário, isto mostra que o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, assim, a diversidade de nossas opiniões não resulta de serem umas mais razoáveis do que outras, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por diversas vias, e de não considerarmos as mesmas cousas. Porque não basta ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As grandes almas são capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes; e os que andam lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre o caminho direito, do que os que correm e dele se afastam.3 Quanto a mim, nunca presumi que o meu espírito fosse, em nada, mais perfeito que o do comum; frequentemente tenho desejado possuir o pensamento tão pronto, ou a imaginação tão clara e distinta, ou a memória tão ampla ou tão presente como outros. E não sei de outras
qualidades que sirvam para a perfeição do espírito, porque, quanto à razão ou ao senso, que é a única cousa que nos
faz homens e nos distingue dos animais, quero crer que existe toda, inteira, em cada um de nós, seguindo eu, a
este respeito, a opinião dos fi lósofos4 que dizem que só há mais ou menos entre os acidentes, e não entre as formas ou natureza dos indivíduos de uma mesma espécie. Não recearei dizer, porém, que julgo haver tido muita sorte em ter-me encontrado, desde a mocidade, em certos caminhos que me conduziram a considerações e máximas com as quais formei um método, pelo qual, parece, tenho um meio de aumentar gradualmente o meu conhecimento, e de elevá-lo pouco a pouco ao mais alto ponto a que a mediocridade do meu espírito e a curta duração de minha vida lhe permitirão atingir. Porque já colhi com ele tais frutos6 que, embora nos juízos que faço a meu respeito sempre procure pender mais para o lado da desconfi ança do que para o lado da presunção, e que, embora considerando com vista de fi lósofo as diversas ações e empreendimentos de todos os homens, não haja quase nenhum que não me pareça vão e inútil, não deixo todavia de experimentar uma extrema satisfação. com o progresso que penso já haver feito na indagação da verdade, e de conceber tais esperanças para o futuro que, se entre as ocupações dos homens, puramente humanas, alguma existe solidamente boa e importante, ouso crer que foi a que escolhi.
Todavia é possível que me engane e que seja talvez um pouco de cobre e de vidro o que tomo por ouro e diamantes.
Sei quanto estamos sujeitos a enganos no que nos diz respeito, e quanto também nos devem ser suspeitos os juízos de nossos amigos quando são a nosso favor. Mas gostaria de mostrar neste discurso quais foram os caminhos que segui, e de nele representar a minha vida como num quadro, a fi m de que cada qual a possa julgar, e que, vindo
eu a saber pelo rumor comum as opiniões que se formarem a esse respeito, seja isso um novo meio de instruir-me
que acrescentarei àqueles de que costumo servir-me. Deste modo, o meu propósito não é ensinar aqui o método
que cada um deve seguir para bem conduzir a sua própria razão, mas somente mostrar de que maneira procurei conduzir a minha. Os que procuram dar preceitos devem julgar-se mais hábeis do que aqueles a quem os dão; e se falham na menor cousa são por isso passíveis de censura. Mas como não proponho este escrito senão como uma história ou, se o preferirdes, como uma fábula na qual, entre outros exemplos que podem ser imitados, se encontrarão
talvez também vários outros que haverá razão em não seguir, espero que ele será útil a alguns, sem ser nocivo a ninguém, e que todos apreciarão a minha franqueza. Nutri-me de letras desde a minha infância,8 e, como me persuadissem de que, por meio delas, era possível adquirir- se um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, tinha grande desejo de as aprender. Mas logo que terminei todo esse curso de estudos,9 no fim do qual é costume sermos recebidos no número dos doutos, mudei inteiramente de opinião; porque encontrei-me embaraçado
por tantas dúvidas e erros, que pareceu-me não haver tirado outro proveito, procurando instruir-me, a não ser o de haver descoberto cada vez mais a minha ignorância. E no entanto estivera numa das mais célebres escolas da Europa, onde pensava que existiam homens sábios, se é que os há em algum lugar da Terra. Ali aprendera tudo o que os outros aprendiam; e até, não me contentando com as ciências que nos ensinavam, percorrera todos os livros que pudera ter em mãos, e que tratam daquelas que são consideradas mais curiosas e mais raras. Sabia, além disso, dos juízos que os outros faziam a meu respeito; e não percebia que me considerassem inferior aos meus  ondiscípulos, embora entre eles já houvesse alguns que eram destinados a preencher os lugares de nossos mestres.
E, enfi m, nosso século parecia-me tão florescente e fértil em bons espíritos como qualquer dos precedentes, o que me levava a tomar a liberdade de julgar, por mim, de todos os outros, e de pensar que doutrina nenhuma havia no mundo que fosse tal como anteriormente me haviam feito esperar. Não deixava, porém, de estimar os exercícios com os quais nos ocupamos nas escolas. Acho que as línguas que ali se aprendem são necessárias à compreensão dos livros antigos; que a delicadeza das fábulas desperta o espírito; que os feitos memoráveis das histórias o exaltam, e que estas, lidas com discernimento, ajudam a formar o juízo; que a leitura de todos os bons livros é como uma conversa com os espíritos mais cultos dos séculos passados, que foram os seus autores, e como que uma conversa erudita, na qual esses autores nos descobrem os seus melhores pensamentos; que a Eloquência tem poderes e belezas incomparáveis; que a Poesia tem doçuras e gentilezas deliciosas; que as Matemáticas têm invenções bastante sutis e que muito podem servir, tanto para contentar os curiosos como para facilitar todas as artes e diminuir o trabalho dos homens. Que os escritos que tratam dos costumes contêm muitos ensinamentos e diversas exortações à virtude e são muito úteis; que a Teologia ensina a ganhar o Céu: que a Filosofia propicia meio de falar com verossimilhança sobre
todas as cousas, e de se fazer admirar por aqueles que são menos sábios; que a Jurisprudência, a Medicina e as outras ciências trazem honras e riquezas aos que as cultivam; e  enfi m, que é bom tê-las examinado todas, ainda as mais supersticiosas e falhas, a fi m de conhecer o seu justo valor e evitar ser por elas enganado. Acreditava, porém, já haver dado bastante tempo às línguas e também à leitura dos livros antigos, às suas histórias e às suas fábulas. É quase o mesmo que viajar, o conversar com homens de outros séculos. É bom saber alguma cousa dos costumes dos diversos povos, para deste modo julgar mais saudavelmente dos nossos, para que não pensemos também que tudo o que é contra os nossos modos é ridículo e contra a razão, como soem fazer os que nada viram. Mas quando se emprega tempo demais em viajar, acaba- -se estrangeiro na própria terra; e quando nos mostrarmos muito curiosos com as cousas que se praticavam nos séculos passados, de ordinário tornamo-nos ignorantes perante as que se praticam neste. As fábulas levam-nos a imaginar como possíveis muitos acontecimentos que o não são, e as histórias, mesmo as mais fiéis, quando não mudam ou aumentam o valor das cousas para as tornar mais dignas de serem lidas, omitem pelo menos quase sempre as suas mais baixas e menos ilustres circunstâncias, de onde resulta que o que sobra não parece tal qual é, e aqueles que regulam os  seus costumes pelos exemplos que daí tiram estão sujeitos
a cair nas extravagâncias dos paladinos dos nossos romances e a conceber desígnios que vão além de suas forças.
Estudava muito a Eloquência e tinha paixão pela Poesia, mas julgava que tanto uma quanto a outra eram mais dons
do espírito que frutos do estudo. Os que têm o raciocínio mais forte, e que melhor digerem seus pensamentos para
os tornar claros e inteligíveis, podem sempre persuadir da melhor maneira, ainda que não falem senão o baixo- -bretão e que nunca tenham aprendido Retórica. E os que têm as mais agradáveis invenções, e as sabem expressar com o máximo de ornamento e de doçura, não deixariam de ser os melhores poetas, ainda que a arte poética lhes fosse desconhecida.

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Marcelo Garcia recomendou este produto.
29/04/2016

Sensacional

É um ótimo livro para os que querem conhecer Descartes um pouco mais. Ele conta como encara a realidade e como aprender as coisas. Ele chega a aplicar seu método até em Deus, na metafísica.
É de fácil leitura, pequeno, rápido e ainda muito bom. Recomendo a todos os tipos de leitores, do iniciante ao avançado
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