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Maggessi,Marina

Objetiva

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Cartão Saraiva

Descrição

Na primeira metade da década de 90, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deu início a uma sé-rie de investigações que colocou na cadeia, nos anos seguintes, os principais chefes do narcotráfico da cidade. Uê, Marcinho VP e Elias Maluco foram alguns dos bandidos presos nesse período. Por trás da maioria dessas investigações estava a inspetora de polícia Marina Maggessi, que acreditava - e continua acreditando - que na hora de enfrentar o crime a inteligência é mais importante que a força.
Essa filosofia não demorou a atrair a atenção da imprensa brasileira e internacional. 'Usan-do uma mistura de espionagem high-tech e táticas psicológicas, Marina ajudou a polícia a prender - ou ocasionalmente matar - quase 80 chefes do tráfico nos últimos três anos', elogiou uma reportagem de 2005 do conceituado jornal americano 'The Wall Street Journal', que afirmava ainda que os traficantes do Rio tinham encontrado uma rival à altura.
Este livro narra a trajetória quase improvável de Marina, que se tornou a primeira mulher a chefiar o departamento de inteligência da Polícia Civil do Rio, e revela os bastidores das principais prisões realizadas por ela. Emoção e adrenalina na mesma medida.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573028997
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788573028997
Profundidade 1.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 288
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorMaggessi,Marina

Leia um trecho

Em vez de Ricardo, Marina Quando vêm me dizer que é a pobreza que leva ao crime, sei que não é bem assim. Sei o que é pobreza e sou uma policial. Sei o que é miséria, o que é fome. Não preciso que me digam o que é morar num barraco: eu morei num barraco, fui mordida por rato, tive que me virar para conseguir dinheiro, para ganhar meu sustento, para comer. Nada disso para mim é teoria, sociologia. Eu vivi tudo isso. Tenho tudo isso na memória, na carne, no coração. Tive sorte de conseguir nascer. Digo isso porque a gravidez de minha mãe não estava nos seus planos, muito menos nos de meu pai. Eles tinham um caso: papai namorava firme outra mulher de uma tradicional família do Alto da Boa Vista, bairro do Rio de Janeiro. A última coisa que pensavam era em terem um filho nessas condições. Meu pai, Roberto Maggessi, era um bad boy dos anos 50. Um garotão de 1,70m, que andava sempre alinhado, com sapato engraxado, e detestava calça jeans. Apesar da moda da época, não usava goma ou gel no cabelo. Fumava Continental sem filtro e fazia as maiores loucuras: bebia todas, fumava maconha, usava cheirinho-da-loló até desmaiar, saía doidão em bloco no carnaval. Beto Guaraná - o apelido surgiu quando ele foi obrigado a ficar seis meses sem beber por conta de uma doença no pulmão - dominava como poucos a arte da sedução. Levou muitas garotas do bairro para a cama. Quando não conseguia uma cama, qualquer lugar que desse para transar servia, mesmo se fosse a rua. Meu pai fazia parte de uma turminha de playboys que, só de brincadeira, adorava se meter em brigas e quebrar centros de macumba. Os Maggessi eram uma família de militares - na época em que militar era tudo. Meu tio-avô era general, chefe de polícia do Rio de Janeiro. E meu pai sempre teve um problema terrível com autoridade, jamais respeitou regras. Serviu em três quartéis porque não tinha disciplina, fugia para ir a festas. Meu tio-avô conseguia as transferências, sempre uma nova chance, mas nunca conseguiu enquadrá-lo. Minha avó, Marina, passava a mão na cabeça dele por tudo. Papai era o caçula, apenas um ano mais novo que o primogênito, tio João, mas era seu oposto. Tio João era todo certinho, responsável. Meu pai não sabia o que era limite. Ele era lindo, vaidoso e paparicado. Ele era o cara. Minha mãe, Maria de Lourdes, era uma moça do interior fluminense, de São Fidélis, que veio para o Rio morar em casa de parentes e trabalhar como babá. Estava entrando na adolescência quando foi expulsa de casa pela minha avó. Ela insistia em namorar o filho de um fazendeiro da região, contrariando a vontade da mãe. A garota ingênua de São Fidélis - uma morena muito bonita, com traços indígenas, cabelos negros, pele linda - tinha uma energia incrível. Era contagiante ver sua alegria de viver. Assim como tantas outras meninas que moravam no Alto, um bairro que na época tinha uma verdadeira colônia de migrantes do norte fluminense, carregava consigo aquela pureza trazida da cidade pequena. Quando meu pai conheceu minha mãe, ele era noivo de uma moça de uma das famílias mais tradicionais do Alto da Boa Vista. Beth era uma mulher sensacional. Ela agüentou em silêncio as traições de meu pai durante um longo tempo. Beth conviveu com o fato de papai ter tirado a virgindade de minha mãe. Todo mundo no bairro sabia e comentava o que Beto havia feito. Para transar com minha mãe, ele colocou anfetamina no guaraná que ela bebia. Meu pai não teve dificuldade em levá-la para trás da igreja. No dia seguinte, ela chegou em casa com a saia branca que usava toda ensangüentada, mas feliz. Para surpresa de todos, minha mãe não se sentiu violentada, pelo contrário, apaixonou-se por meu pai. Mas o destino pregou uma peça nele. O bad boy também acabou se apaixonando pela mocinha do interior. Minha mãe já tinha saído da casa dos parentes, morava sozinha, num quartinho alugado num sobrado. Conquistou independência e passou a viver com meu pai um caso de paixão intensa, marcado pelo ciúme. Mamãe queria conhecer o amor de verdade. Era isso o que ela procurava em meu pai. Mas ela não permitia que o sonho a dominasse. Mesmo apaixonada, não deixou de sair com outros homens, enquanto papai ainda era noivo e tinha casos com outras mulheres do Alto. Ela fazia questão de exercer sua independência. Quando minha mãe apareceu grávida de meu pai, Beth não agüentou e rompeu o noivado. De amantes, meus pais viraram namorados. O fim do noivado de papai e a gravidez inesperada de minha mãe, sem falar nas constantes brigas dos dois, obrigaram meus avós a interferir naquele relacionamento conturbado. Eles temiam que algo de grave acontecesse. Meu avô Manoel decidiu mandar meu pai para a casa de parentes em Minas Gerais. Foi a forma que encontrou para tentar separar os dois. Depois de papai partir, chamaram mamãe para conversar e ofereceram dinheiro para ela voltar a São Fidélis. Nenhuma tentativa de separá-los daria certo. Os dois ainda estavam muito apaixonados. Papai mandou dinheiro para minha mãe ir encontrá-lo em Minas. A saudade fazia os dois esquecerem até as brigas, que eram violentíssimas. De volta ao Rio, numa das muitas discussões por ciúme, ele deu-lhe uma surra. Era apenas o início de uma história de violência que começou muito antes de eu nascer. Eles teriam feito um aborto se não fosse por minha avó Marina. Ela já havia tentado de tudo, então decidiu: - Esse filho vai nascer. Venham os dois morar aqui em casa. Esse filho era eu. Minha mãe passou a gravidez sendo cuidada por minha avó. A calmaria durou toda a gestação. Mamãe preparava aquele bebê e depositava nele a esperança de conquistar o tão sonhado amor do meu pai. Ele, por sua vez, acreditava que realizaria o sonho de ter um filho homem. Os dois se enganaram mais uma vez. Meus pais não admitiam pensar numa menina. Naquela época, pelo menos na minha família, primogênito tinha que ser homem. O curioso é que os Maggessi são uma família extremamente matriarcal. As mulheres sempre tomam as decisões mais importantes. São as fortalezas. Em dezembro de 1958, meu pai deu um cartão de Natal para minha mãe: "Do seu marido Roberto e seu filho Ricardo." O filho Ricardo que ele esperava ter era eu. No dia 11 de fevereiro de 1959, quando passei a ser uma realidade, eu ainda não tinha nome. Mamãe adorava Luz Del Fuego, uma das vedetes de maior sucesso no Brasil nas décadas de 50 e 60, e queria que eu me chamasse Luz. Papai não gostou da sugestão: - Nada de Luz Del Fuego! Essa tal de Luz fica numa ilha, pelada, com uma cobra. Isso é nome de piranha! Ganhei o nome da vovó, Marina, minha madrinha de batismo e um dos pilares da minha vida. Meus pais se casaram no civil, alugaram uma casa no Alto, e ele arrumou um emprego administrativo na fábrica de discos Polygram, onde muita gente do bairro trabalhava. Ganhava bem, e o início da vida da família foi tranqüilo - eu tinha até babá. Mas aquela calma terminaria antes mesmo de eu completar 5 anos. Minha mãe sofreu muito nessa época. Meu pai tinha emprego e família, mas continuava o mesmo bad boy de sempre, cheio de mulheres na rua. Ela, por sua vez, perdeu sua independência - ciumento e dominador, papai proibiu que ela trabalhasse fora. De uma mulher livre, passou a ter uma vida doméstica, assumindo todas as obrigações do lar: lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos. Meu pai mal aparecia em casa. Eu, que ela chegou a pensar ser uma aliada que faria papai mudar seu estilo de vida, praticamente não ficava em casa. O sonho de vovó Marina, que teve dois filhos, sempre foi uma filha. Ela me pegava toda manhã e só me devolvia à noite. Quando completei meu primeiro mês de vida, parei de mamar no peito. Meus vínculos com mamãe foram cortados ali. Ela passava o dia todo sozinha, sem família, sem amigos. Ficou sem papai e me perdeu para vovó. Com 3 anos, ganhei um irmão, que recebeu o nome de papai, Roberto Maggessi de Sousa Filho, o Betinho. Eu tinha um ódio mortal dele. Uma vez, tentei sufocá-lo no berço com tudo o que achei no armário da cozinha. Pode-se dizer que ele foi o primeiro filho de mamãe - que ela amamentou, de quem cuidou -, porque eu era da vovó. Só respeitava minha avó. Não falava palavrão perto dela - só quando ela já estava bem velhinha eu passei a ousar um pouco mais. Ela ria muito. Nunca lhe faltei com respeito, e ela nunca me deu um tapa sequer. Um ano depois de Betinho, nasceu minha irmã, Marisa. A dinâmica da família estava definida: eu era o capeta, Betinho, o bobão e Marisa, a carinhosa. Ela era a filhinha de papai; Betinho, o filhinho da mamãe; e eu era da vovó. Fiquei sem espaço. Quando minha avó me deixava em casa, Marisa estava no colo de papai, Betinho, no de mamãe e eu não tinha onde me sentar. Meus irmãos nunca tiveram com vovó a relação que eu tive. Ela foi uma presença fundamental nas fases mais difíceis e importantes da minha vida. Foi nessas idas para a casa dela que aprendi a ler e escrever, antes de completar 6 anos. Eu era uma criança espertíssima, mandava em todo mundo. Onde nós morávamos, havia um riacho contaminado por esgoto. Toda tarde, mamãe nos dava banho e nos deixava bonitinhos para passear com a babá. Assim que punha o pé fora de casa, eu arrancava a roupa e os sapatos e me jogava na vala - era cheia de peixinhos, eu dizia que ia pescar -, e a pobre da babá não podia fazer nada. Eu era arteira, nadava em tudo quanto era rio, vivia cheia de vermes, corria descalça pelo Alto, roubava fruta dos vizinhos junto com a garotada. No último ano de papai na Polygram, ele me levou à festa de Natal da empresa para os filhos dos funcionários. Havia um Papai Noel distribuindo presentes para as crianças. Eu estava animada, ansiosa para ganhar a boneca que havia pedido na cartinha que escrevi para ele: "Papai Noel querido, eu te adoro. Eu quero uma boneca com cabelos." Havia uma explicação para o meu pedido. Eu estava com 5 anos e nunca tinha tido uma boneca com cabelos, como as das minhas primas. Ainda estava no colo do Papai Noel quando abri o presente. Ganhei um carrinho de mão. Não consegui esconder a minha decepção. Xinguei o bom velhinho. Passei a detestar Papai Noel. Existe uma música natalina que deveria ser proibida, de tão triste. Eu chorava muito quando ouvia a frase "eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel". A letra é assim: "Anoiteceu, o sino gemeu, a gente ficou feliz a rezar Papai Noel, vê se você tem a felicidade pra você me dar Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel Bem assim, felicidade, eu pensei que fosse uma brincadeira de papel Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem Com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem." Ela foi composta pelo baiano Assis Valente. Ele passava o Natal sozinho em Icaraí, em Niterói, longe da família, e ficou impressionado com um pequeno quadro na parede do quarto: uma menina olhando o sapatinho para ver se tinha ganhado presente. Eu me identifico com essa parte da história da música. Aquela menina era eu, abrindo o presente de Papai Noel. Foi nessa época que o inferno começou.

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