Entrevista Dakota Johnson – Saraiva.com.br

CINQUENTA TONS DE CINZA é um filme para mulheres? É um filme de casal?
Vai ser atrativo tanto para homens quando para mulheres?
Acho que vai surpreender muita gente. Acho que as mulheres vão adorar. Acho que os homens vão adorar. Haverá opiniões contrárias que vão se converter… e, sim, acho que será um grande filme de casal.


O que você ganhou com a personagem Anastasia Steele?
Força. Muita força e a importância da autoestima. A real importância do valor e da própria dignidade acima de tudo.


Este foi um grande filme para você. Como conseguiu e como é estar com esse status agora?
Bem, fiz testes para o filme – testes e mais testes... Foi um processo insano. E às vezes era assustador, pois era um projeto de alto nível, com muitas pessoas de olho por um tempo. Isso fez com que me sentisse um pouco assustada, analisada e julgada. Mas não posso passar minha vida imaginando o que as pessoas vão pensar de mim. Estou entusiasmada com tudo, pois acho que fizemos um bom trabalho.


Como seus pais reagiram?
Ficaram surpresos porque eu não disse a eles durante todo o tempo em que estava tentando conseguir o papel. Mas no fim, eles me deram todo o apoio e ficaram extremamente orgulhosos… Meus pais são pessoas de mente muito aberta.


O que mais a surpreendeu no livro?
Eu conhecia a subcultura BDSM de forma muito, muito vaga e ingênua. Isso não quer dizer que eu seja grande conhecedora do assunto agora, mas sei bem mais. Não tenho ideia de quanto divulgado é. Está se tornando cada vez maior e as pessoas estão tomando conhecimento cada vez mais. Também aprendi muito mais sobre a psicologia do tema… O mais importante nesse contexto é ganhar ou perder o controle.


O filme é dirigido por uma mulher. É baseado em um livro, um sucesso fenomenal, também escrito por uma mulher e com roteiro escrito por uma mulher. As mulheres fazem ficção erótica melhor que os homens?
Acho que uma mulher tem uma atenção maior para as nuances emocionais de uma história sexual. Acho que Erica (a autora, E. L. James), Sam Taylor-Johnson (a diretora) e Kelly Marcel (a roteirista) conseguiram realmente captar o que fez com que os leitores continuassem lendo o livro. Se fossem apenas cenas de sexo, todos teriam achado meio chato. Mas não acharam, porque ficaram fascinados com a história entre aquelas duas pessoas, a confiança que tinham e o fato de que eles se amavam completamente, definitivamente. E que ambos mudaram um pelo outro. Acho que as mulheres que criaram o filme realmente ampliaram tudo isso.


Foi difícil filmar? Foi incômodo ou embaraçoso o tempo todo?
É claro que foi incômodo e embaraçoso algumas vezes. Não é fácil fazer cenas de sexo. Tenho certeza de que todo mundo acha. No começo é assustador. Mas o set é fechado, não há muita gente e Sam criou um ambiente seguro, protegido. Tentamos eliminar toda a ansiedade, dominar mesmo a arte daquelas cenas… O principal é que não queríamos que parecesse que estavam acidentalmente vendo pessoas fazendo sexo. Para o espectador, deve parecer um ambiente sensual, como se estivesse vendo a história em sua própria imaginação, como estariam vendo essas cenas.


Como encontrou o tom certo para o filme? Foi difícil manter isso durante toda a filmagem?
Não. Acho mesmo que Sam Taylor-Johnson (diretora) e Seamus McGarvey (diretor de fotografia) fizeram um trabalho incrível. Eles entenderam o quanto esses momentos são íntimos. Não achei errado ao assistir, nem obsceno, me senti protegida. Seamus (McGarvey) é um diretor de fotografia tão incrível, que deixou as cenas realmente belas, elegantes, com muita classe. Por isso acho que eles não estavam preocupados, pois se estivessem, provavelmente não teriam feito o filme.


Você teve dúvida em aceitar o papel ou se jogou de cabeça?
Hesitei bastante. Mas o tempo todo eu estava muito intrigada pelo papel, realmente muito interessada. A jornada emocional que Anastasia percorre é algo que não via em um filme há muito tempo. Foi interessante para mim… queria tentar e adicionar humor e força a uma mulher que a maior parte do mundo vê como uma criaturinha sensível.


Por que você achava isso importante?
Porque acho que tudo bem as mulheres serem sexuais, acho bonito. E acho especialmente bonito que Anastasia Steele tenha tanta autoestima, graça, força e então descubra seu lado sexual. Ela testa seus limites e sua fronteiras. Acho isso importante em cada aspecto de sua vida… Esse filme aborda o despertar sexual de uma forma que não é um tabu, e não deve ser mesmo. Se consegui de algum modo incluir força à personagem, que mostre Anastasia como pioneira para que as pessoas não se sintam envergonhadas de sua sexualidade, seja qual for, então será maravilhoso.

Qual sua história de amor ideal?
Minha história de amor favorita é Ensina-me a Viver (Hal Ashby, 1971).


Está preparada para o que virá?
Não sei se alguém estaria preparado. Não sei o que vai acontecer e também não sei se alguém poderia se preparar. Mas sinto-me muito privilegiada por estar nessa posição. E muito empolgada com o potencial. Acho que as pessoas ficarão empolgadas com o filme. Vão ficar surpresas. Então só posso ser grata.