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Gee,Sophie

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Descrição

Este livro vai estourar em vendas e conquistar o leitor brasileiro. Em seu livro de estréia, Sophie Gee narra um grande caso de sedução, ocorrido na Londres do século XVIII. A bela e inteligente Arabella Fermor se encanta pelo charmoso barão Robert Petre. À procura de um marido rico, ela sabe muito bem as conseqüências que um affair como aquele pode causar à própria reputação. Além disso, o barão está envolvido na conspiração jacobita contra a rainha Ana. Observando as aventuras do casal está Alexander Pope, o poeta corcunda destinado ao posto de grande gênio de sua época.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Record
Cód. Barras 9788501079305
Altura 0.00 cm
I.S.B.N. 8501079308
Profundidade 0.00 cm
Detalhe Tradução de Marcelo Mendes
Número da edição 1
Ano da edição 2008
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 384
Peso 0.44 Kg
Largura 0.00 cm
AutorGee,Sophie

Leia um trecho

Um pouco de história No século XVI, a Inglaterra passou de católica a protestante quando Henrique VIII dissolveu os monastérios e confiscou os bens da Igreja. Mas o catolicismo nunca foi de todo erradicado; embora a religião oficial do país passasse ao protestantismo, um grande número de ingleses permaneceu fiel à fé católica. Os católicos hostilizavam os protestantes que lhes haviam pilhado riquezas e privilégios, e os protestantes temiam um levante católico que pudesse derrubá-los do poder. Ao longo dos duzentos anos seguintes, a Inglaterra padeceria de grande tensão religiosa. Por volta de 1711, o país finalmente recuperaria certa normalidade. A rainha Ana — protestante mas descendente dos Stuart — ocupava o trono e, pela primeira vez em dois séculos, protestantes e católicos podiam conviver em relativa harmonia. A perseguição aos católicos arrefeceu. A Inglaterra se encontrava às vésperas de inédita prosperidade. Mas um problema se colocaria com a morte da rainha, que não tinha herdeiros: quem a sucederia? Uma aliança clandestina havia se formado entre aqueles que apoiavam a volta de um monarca Stuart. Os aliados se autodenominavam jacobitas. Conspiravam secretamente para trazer de volta à Inglaterra o rei católico Jaime III, à época exilado na França. Todos os estratagemas até então concebidos pelos jacobitas haviam sido descobertos e frustrados, mas os protestantes no poder não tinham como presumir quando viria uma nova rebelião, nem tampouco se os rebeldes por fim alcançariam o sucesso desde muito almejado. Quanta injúria do amor advém, Quanta sanha à conta de um vintém. Alexander Pope, “A Violação da Madeixa” Prólogo Londres, 1711 A algazarra se fazia ouvir a muitas ruas dali. Lufadas de música, torvelinhos de risos e conversas, ainda mais sonoros quando os convivas transbordavam para o pátio. Novos estrídulos da festa ecoavam amiúde no ar da noite. Era o baile de máscaras do embaixador francês. A embaixada da Strand Street resplandecia com o lume das velas. Todas as janelas da fachada encontravam-se iluminadas, e o pátio cercava-se de tochas flamejantes. Mais tochas formavam um corredor até o rio, onde uma plataforma recebia os convidados que chegavam de barco. Todos estavam fantasiados: figuras carnavalescas, príncipes russos, mercadores chineses, borboletas e ursos, pastores de flauta em punho. Caixas de vinho eram abertas, e a ceia circulava em bandejas de prata. Os mascarados dançavam à solta. Grupinhos se isolavam no pátio, conversando em inglês ou francês, muitas vezes numa mistura das duas línguas. Mais risadas, mais burburinho; um interminável vaivém de carruagens. Um padre franzino deixou a embaixada e tomou a direção de um coche de aluguel estacionado do outro lado dos portões. Vendo que ele partia, uma dupla de senhoras mascaradas virou-se para se despedir. — Boa noite, padre. Ele fez uma mesura e entrou no carro. Duas figuras ainda no pátio berraram algo para o cocheiro e em seguida, gargalhando e tropeçando, correram rumo ao coche. Vestiam as longas túnicas de seda e os capuzes pretos dos dominós que tantos ali também usavam; as dobras negras da fantasia lhes encobriam o corpo quase por inteiro. Atrapalhado com o capuz que ameaçava cair, um dos homens berrou ao amigo para que ele o esperasse. — Deixe o maldito capuz para trás! — gritou o outro de volta, com um carregado sotaque francês. — Padre, o senhor nos faria a gentileza de... — ele começou a dizer. — Meu amigo e eu... Sem esperar pela resposta, o francês abriu a porta e entrou. Ainda na calçada, o retardatário parou para reverenciar uma dama e mais uma vez tentou aprumar a fantasia. Por fim alcançou o coche e entrou às pressas. O cocheiro açulou os cavalos. O vozerio e o brilho da festa prosseguiam a todo vapor. O padre sorriu cautelosamente para os encapuzados, que ainda riam, ofegantes. Tranqüilizou-se ao ouvir o sotaque do francês: decerto eram católicos. O coche ganhou as ruas e seguiu sacolejando sobre as pedras do calçamento. Depois de um momento de silêncio, o padre falou: — Para onde estão indo, senhores? Nenhum dos dois respondeu. O coche dobrou para a direita. Agora eles se encontravam numa rua coberta de palha a fim de abafar o tropel dos cavalos, e o coche subitamente se tornou mais silencioso. A rua estava vazia e escura; os lampiões já haviam se apagado desde muito. O padre podia ouvir a respiração dos homens, rápida e dura, mas não via nada do rosto deles. Estranhava que não rissem mais. A escuridão cingia seus olhos como uma venda. Começou a sentir medo. E se o francês soubesse quem ele era? Tentou manter a calma, ouvindo a própria voz ecoar no negrume intenso quando repetiu a pergunta: — Para onde estão indo? Mais uma vez não obteve resposta. Sentiu a garganta se apertar. Era bem possível que eles tivessem invadido o coche premeditadamente. Não seria tão difícil assim que duas figuras de dominó passassem despercebidas na confusão do pátio e ficassem ali, à espreita. Ele havia sido bastante imprudente na visita daquela noite. — Pelo amor de Deus, quem são vocês? O que querem? Nenhuma palavra ou movimento por parte dos desconhecidos. De repente ele ouviu um farfalhar de seda e um ruído de pés se mexendo. Recuou, mas deu com as costas na parede do coche. Já ia escancarando a boca para gritar quando uma mão irrompeu da escuridão para silenciá-lo. Jogado ao chão com violência, bateu a nuca contra o banco e sentiu uma onda de tonteira. Um dos homens se escanchou sobre ele, imobilizando-o. O outro, a julgar pelos ruídos, fechava as cortinas do coche — inutilmente, já que não havia ninguém para vêlos na rua deserta. Mas o gesto deu ao padre a impressão de que uma sombra lhe encobrira a vida. Ele se desvencilhou do braço que o apertava. — Chegaram tarde — disse. — Outros já sabem. — Tratavase de um blefe; as chances de sucesso eram mínimas. Seguiu-se um átimo de silêncio. — Ele está mentindo — disse afinal o que não era francês. Sotaque inglês, aristocrático. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o padre sentiu o frio da lâmina de aço que lhe haviam apertado contra o pescoço. Tentou manter a lucidez. De novo abriu a boca, mas sentiu a ponta da faca espetá-lo feito uma agulha. A garganta, antes rígida de medo, relaxou-se de repente, e o sangue começou a jorrar, tão macio quanto a seda. A pele e as roupas foram ficando quentes e pegajosas à medida que se encharcavam. Os homens assistiam mudos à vida dele se esvair. O padre, sem forças para se debater, sentia os braços e as pernas pesarem, e mal conseguia formular um pensamento. Por mais que se agarrasse à vida, acabou sucumbindo à escuridão. Seu fim havia chegado. Capítulo 1 Como pode ser audaz o diminuto homem. O pior da vida no campo era o frio das casas. Alexander sentavase tão perto da lareira quanto podia sem obstruir o acesso dos pais ao fogo modesto. Suspeitava que pelo menos a mãe sofria, mas se mantinha afastada para deixar mais calor para o filho. Nevava ou chovia, Alexander não sabia ao certo. O céu se encontrava escuro desde as três horas da tarde. O almoço fora servido ao meio-dia, e o chá, às quatro; eles só se deitariam dali a três horas. O pai não lhe permitira voltar ao quarto para escrever, pois o fogo havia sido negligenciado durante a tarde e já se apagara. Alexander não havia terminado sequer vinte versos desde o Natal, quase um mês antes. As Geórgicas encontravam-se abertas em seu colo, e fazia duas horas que ele lia o mesmo poema. Virgílio caía muito bem quando Alexander se sentia capaz, ele também, de escrever um poema tão bom quanto a “Eneida”, mas naquela noite os versos joviais do poeta romano pareciam repreendê-lo. “Será sempre assim caso eu continue a obedecer a meu pai?”, ele perguntou a si mesmo. Ouviu a mãe tossir e achou que ela estava prestes a adivinhar os seus pensamentos. — O Sr. Anthony Englefield pede que você vá visitá-lo — ela disse, estendendo uma carta. — Oferece para mandar a carruagem. Aconselho que vá, Alexander. Por acaso Teresa e Martha Blount não se encontram em Whiteknights? Ele não respondeu. Mas sentiu o coração palpitar diante do nome de Teresa e levantou a cabeça, ciente de que corava. As irmãs Blount tinham aproximadamente a mesma idade de Alexander. Moravam do outro lado do Tâmisa, numa propriedade chamada Mapledurham, mas visitavam o avô, o Sr. Anthony Englefield, em Whiteknights várias vezes ao ano. Assim como Alexander e sua família, os Blount eram católicos romanos. — Não dou fé da vida das irmãs Blount — ele disse, tão prosaicamente quanto possível. — Mas você e o Sr. Anthony não se vêem desde o início de dezembro... — replicou a mãe. — Sua saúde já está boa o bastante. E você deve se esforçar por ser agradável às mulheres — ela acrescentou. Ah, se ela soubesse o quanto ele desejava agradar a Teresa, pensou Alexander. Disse, no entanto: — Acho que o Sr. Anthony escreveu esta carta para mim. — Apesar da incipiente aflição, o ânimo de Alexander se espevitou. Era sempre assim. Teresa gostava de atormentá-lo, mas sempre com um sorriso maroto que o seduzia ainda mais. Sem querer se revelar ansioso demais por responder ao convite do Sr. Anthony, ele se virou para o pai, que lia o jornal, e perguntou: — Então, quais são as novidades da cidade? — Um padre foi assassinado. Abandonaram o corpo em Shoreditch. Alexander ficou alarmado. Shoreditch! Os pobres católicos ainda realizavam seus cultos por lá, secretamente, em capelas improvisadas no sobrado das tabernas. — Assassinado? — repetiu Alexander. — Um padre? Agora ele jamais obteria do pai a permissão para ir à cidade outra vez. Fizera uma breve visita dezoito meses antes, logo após a publicação dos primeiros poemas, e desde então queria voltar. Mas a capital seria para sempre assombrada pelas perseguições que os pais dele conheciam de perto. Eles haviam sido escorraçados pelo Decreto das Dez Milhas, que proibia os papistas de habitarem nas cercanias da cidade. Anos já haviam se passado, e os católicos começavam a voltar para Londres, mas o pai de Alexander permanecia inarredável. Filho seu jamais moraria na cidade. Alexander sabia que Londres havia mudado: por três gloriosas semanas ele pudera constatar isso com os próprios olhos. Mas... e se ele afrontasse a imposição dos pais apenas para se meter em apuros? Pediu o jornal e pôs-se a ler a história. — O homem não era padre, senhor! — exclamou. — Talvez nem fosse católico. Diz aqui que ele vestia uma fantasia eclesiástica para ir à mascarada do embaixador francês. Um ingresso para o baile foi encontrado em seu bolso. — Ele levantou os olhos com um sorriso. — Está vendo? — concluiu. — Os assassinos se enganaram! O pai de Alexander abriu um sorriso triste. — Se acharam que o sujeito era um padre católico — disse —, agora pouco importa que não o fosse. A cidade é um lugar perigoso, meu filho. Fiquei preocupado ao ver você tão ansioso por visitá-la no ano passado. Alexander sentiu a réplica brotar no peito. — Mas fiquei só três semanas, senhor! — explodiu. — E ainda por cima em Westminster, com meu amigo Charles Jervas! — Dissera ao pai inúmeras vezes que Jervas era protestante e que seu contato com os católicos havia se limitado às poucas e abastadas famílias que mantinham casas em Westminster e St. James’s. Nada de missas secretas nos sótãos das cervejarias. Eles sequer haviam falado de religião. — A rainha Ana é uma Stuart! O senhor mesmo disse que não temos nada a temer enquanto ela estiver no trono! — Não fiquei nem um pouco tranqüilo durante sua ausência, Alexander — disse o velho, circunspecto. — Seria uma decepção saber que pensa em voltar. Pai e mãe se levantaram para rezar, e Alexander se viu obrigado a acompanhá-los. O pai escureceu a sala, um antigo hábito com o intuito de impedir que alguém os visse. Observando-o de cabeça derreada, movendo os lábios serenamente, Alexander sentiu uma pontada de remorso. Afinal, os velhos haviam sido escorraçados de casa como se fossem nômades, forçados a abandonar a cidade onde haviam vivido tão dignamente. Que direito tinha ele de desdenhar de tanto sofrimento, de querer voltar a um lugar de lembranças tão sombrias? Envergonhado, baixou a cabeça e tentou sentir a fé que sabia apropriada. Terminadas as orações, perguntou ao pai se ele poderia permanecer na sala com as velas acesas a fim de trabalhar. — Ficará doente de novo se dormir tarde — respondeu o velho. Esperou que o filho recolhesse os livros e depois o acompanhou escada acima. Alexander deu boa-noite, fechou a porta do quarto e puxou um tapete contra a fresta para mascarar a luz da vela. Sabia que a preocupação do pai tinha fundamento: o frio estava terrível, mas ele precisava terminar pelo menos dez linhas antes de dormir. Jogou um cobertor sobre as costas e pôs-se a trabalhar. Escreveu durante uma hora, ignorando a dor de cabeça e a garganta inflamada que começavam a incomodar. Não teve dificuldade para fazê-lo. Depois de tantos anos, aqueles sintomas pareciam velhos e conhecidos inimigos, instigando-o a redobrar os esforços, lembrando-o de que o tempo era curto. Alexander adoecera aos 14 anos. A doença cobrira-lhe a memória como uma cortina, empanando as semanas e os meses de dor que haviam se sucedido numa escuridão sufocante. De início os médicos haviam achado que ele não sobreviveria, mas aos poucos Alexander foi melhorando, e sofrendo com a recuperação muito mais do que sofrera durante os dias e noites de torpor febril que a precederam. Sua lembrança mais vívida era a daquela manhã em que por fim conseguira se levantar e caminhar até a janela. Do outro lado da vidraça, as primeiras marcas do outono começavam a cobrear a paisagem, deixando-o triste por ter perdido um verão inteiro. Os pais haviam entrado no quarto, seguidos do médico. Conduzido de volta à cama, ele recebera a notícia: embora tivesse sobrevivido à doença, teria o crescimento afetado por ela. As costas ficariam cada vez mais arqueadas, e com o tempo ele não conseguiria mais andar. O médico não sabia precisar quando isso aconteceria. Talvez por volta dos 30 anos, mais tarde se ele tivesse sorte. Sorte não lhe faltou. Aos 23, sofria com as costas empenadas, mas bastava empertigar o tronco para que ninguém notasse nada. Não era alto, mas acreditava ter um rosto bonito. Além disso, era rápido e espirituoso. Quando gozava de boa saúde, sabia que podia ser bastante encantador. Sobreveio-lhe então uma imagem de Teresa, correndo a seu encontro numa longínqua tarde de verão. Ele já havia se recuperado por completo da doença, era o Alexander de sempre, e ela devia ter seus 15 ou 16 anos — isso se dera antes da morte do Sr. Blount. Teresa o havia tomado pela mão para contar uma história sobre o convento em que passara a viver e estudar. Como era linda naqueles dias! Como era linda sempre! Tão logo alcançasse a fama com sua poesia, ele a pediria em casamento, certo de que mais uma vez seria recebido de braços abertos. Olhou para as páginas sobre a mesa. Ainda estava longe de chegar ao fim daquele poema. Precisava de um novo assunto, algo que trouxesse à tona toda a extensão de seu talento. No íntimo, sabia que jamais encontraria inspiração em Binfield. De algum modo, de qualquer modo, precisava ir para Londres. Dois dias depois, a carruagem do Sr. Anthony levou-o até Whiteknights. Assim que se aproximou da velha casa, Alexander viu que era Martha Blount, e não Teresa, quem esperava para recebêlo. Ele desceu, e ela veio a seu encontro, sorridente e enrubescida. — Minha querida Martha — ele disse, tomando-a pelas mãos. — Está com ótimo aspecto! — Alexander! — ela exclamou. — Esperávamos por sua visita, mas você chegou cedo demais! Meu avô não se encontra, foi ver um inquilino. — Ela varreu do rosto uma mecha de cabelos, que escorregou novamente, e novamente foi varrida, dessa vez com um risinho: um gesto que ela fazia desde menina. Martha conduziu Alexander através do imponente vestíbulo até a sala de estar onde vinha trabalhando. Acomodando-se ao lado dela, Alexander percebeu-se quase feliz com a ausência da irmã mais velha. O vestido de Martha sarapintava-se com fiapos de linha do bordado, mas ela não havia notado. Teresa os teria limpado imediatamente. Alexander estava determinado a não perguntar sobre ela e arruinar aquele momento que ele e Martha desfrutavam juntos. — Está frio demais para que o Sr. Anthony se aventure a sair — observou. Mas não se conteve e, depois de uma pequena pausa, perguntou: — Sua irmã saiu também? — Está escrevendo cartas lá em cima — respondeu Martha, visivelmente decepcionada. — Decerto não sabe que você chegou. — Mas antes que Alexander pudesse dizer o que quer que fosse, ela se recompôs e abriu um sorriso. — Que tal irmos atrás dela? — sugeriu, largando o bordado. Eles subiram e encontraram Teresa em seu gabinete particular, lendo uma carta à escrivaninha junto da janela. A pálida luz do sol banhava-lhe o rosto e as dobras do vestido de seda. Sobre a mesa via-se um pequeno vaso com galantos e narcisos, que Alexander supunha terem vindo da estufa. A curva do braço de Teresa repousava ao lado das flores, e as espirais escuras dos cabelos pendiam soltas da cabeça inclinada sobre o papel. — Teresa! — exclamou Martha. — Alexander chegou. Veja... ele veio nos ver. Teresa não se virou de imediato, e o sorriso revelou-se bem menos afável que o da irmã. Um sorriso malicioso, zombeteiro. Mas como estava linda! — Já? — foi o que ela disse. — Não é decoroso, Alexander, visitar uma dama antes das onze horas. Se quiser viver na cidade, terá de aprender coisas assim. Maravilhado com a provocação, ele sorriu de modo jocoso e devolveu: — Não suportaria, estando tão perto, ter de esperar para ver o mais luminoso par de olhos de toda a Inglaterra! Teresa arqueou uma das sobrancelhas. — Alexander está bastante encantador esta manhã, Patty — observou, desviando o olhar e chamando a irmã pelo apelido. — Meu ofício é encantar aquelas que encantam o mundo. — Alexander fez uma pequena mesura, mas logo se arrependeu: estava agindo feito um tolo. A verdade era que Teresa o desconcertava. Martha assistia ao colóquio com atenção. Imaginava que Teresa estava nervosa ao rever o velho admirador; sabia que a irmã recorria à perversidade sempre que se pilhava insegura. Corou por ela, ou pela visível ansiedade de Alexander. Admirava-se com a ingenuidade dele. Mas Teresa e Alexander já iam voltando às turras. — Em vista de tantos galanteios — ela disse —, imagino que esteja tentando imitar seu amigo de Londres, Charles Jervas, de quem você tanto se orgulha. Está sempre copiando os modos dos que o cercam. Alexander era esperto o bastante para não se deixar abalar. — Assim sendo — redargüiu —, seguramente hei de imitar os seus. De tão reluzente, sua sagacidade para mim equivale ao ouro. Teresa desviou o olhar. — Receio que, como o ouro, não estarei tão disponível quanto gostaria — disse. — Minha irmã e eu vamos para Londres amanhã. Alexander sabia que traía no rosto a grande decepção que sentia no peito. Não havia esperado por isso. Martha interveio bruscamente: — Contávamos lhe dar a notícia ainda esta manhã, Alexander. Vamos passar a estação na cidade, com mamãe, numa casa em King Street. — Seu avô não teme pela segurança de vocês? — perguntou Alexander, virando-se para Martha com um olhar de súplica. — Claro que não! — respondeu Teresa. — O que você acha que pode acontecer? Peste? Incêndio? Ninguém mais tem medo de Londres, Alexander. Apesar de acostumado à ingenuidade impulsiva de Teresa, Alexander não sorriu. — Ele está falando do recente assassinato em Shoreditch — disse Martha, interrompendo a irmã. — Chegamos até a pensar em adiar a viagem, mas Shoreditch fica bem longe de St. James’s. Crime tão odioso não teria nada a ver com o nosso círculo de relações. Contrafeita com a repentina seriedade da conversa, Teresa jogou os cabelos para o lado, juntou as cartas sobre a escrivaninha e sugeriu um passeio ao ar livre. O dia estava frio, mas os três dispunham de golas e regalos de pele; além disso, seriam protegidos do vento pela sebe de teixos que abraçava os jardins. Alexander e Teresa seguiram na frente. Já estavam fora por alguns minutos quando Alexander sorriu e disse: — Fosse eu um sujeito bonito, Teresa, creio que seria capaz de lhe fazer um grande bem. — Fosse você um sujeito bonito — respondeu Teresa em tom de mofa —, eu não hesitaria em devorá-lo, como fiz a todos os demais. Sua preservação se deve justamente a essa bizarrice de pessoa que você tanto lamenta ser. Tal como está, você não tem nada a temer: continuo procurando alhures por meu alimento. Martha ficou se perguntando se Alexander falava mesmo a sério quando retrucou: — Nesse caso sugiro cautela, senhorita. Pois o bonitão que rastejará a seus pés por alguns meses será o marido negligente de muitos anos. O criado sabujo de hoje é o lorde soberbo de amanhã. Teresa permaneceu calada por um instante, imaginando, tal como suspeitava Martha, os prazeres de se ter um lorde como marido, soberbo ou não. No entanto foi isto que ela respondeu: — Fico feliz, Alexander, só de pensar nas cartas que receberei de você quando formos para a cidade. Você tem um jeito muito divertido de se expressar. Antes de dizer qualquer coisa, Alexander virou-se para Martha e abriu um sorriso retorcido, como se pedisse desculpas pela profusão de galanteios. — Na verdade, Teresa — falou enfim —, quando penso nas inúmeras vezes que tão abertamente declarei meu amor por você, fico até um pouco ofendido que minha correspondência não tenha sido sumariamente proibida. Todos sorriram com a observação, cientes de que ela encerrava boa dose de verdade. Voltando do passeio, constataram que o Sr. Anthony já havia retornado da visita aos inquilinos. Ele saudou Alexander e o conduziu até a biblioteca, abandonando as netas durante a meia hora que ainda faltava para o almoço. — Hoje você foi mais ríspida com Alexander que de costume, Teresa — disse Martha assim que elas se viram sozinhas. — Sou sempre ríspida com ele — defendeu-se Teresa. — É isso que ele espera; acharia estranho se eu me comportasse de outra forma. — Ela fingiu ajustar as mangas do vestido de modo que não precisasse encarar a irmã. — Sempre acho de antemão que Alexander terá pavor de lhe dirigir a palavra. Mas sua rispidez parece enternecê-lo ainda mais. — Geralmente os homens gostam das mulheres que eles temem — retrucou Teresa de modo evasivo. — Trata-se de um paradoxo do sexo. Atormento Alexander com o único intuito de me preparar para os cavalheiros que conhecerei em Londres. Martha percebeu certa apreensão na voz da irmã; tomou-a pela mão e disse: — Está preocupada com a viagem? Achei que estivesse entusiasmada. Teresa se adiantou para abrir a porta da sala e, depois de um risinho, respondeu: — Bem... estou a um só tempo receosa e entusiasmada. Assim como Alexander em relação a mim. O sol já não batia no cômodo, mas as velas ainda não haviam sido acesas. Do lado de fora, o chão já se cobria de sombra, muito embora ainda não passassem das duas horas. Elas se acomodaram no sofá onde Martha havia abandonado o bordado, que Teresa alcançou para retirar dali. Martha aproveitou a chance para mais uma vez tomar a mão da irmã, que dessa vez não se esquivou. Esperava convencê-la a falar um pouco mais sobre Alexander. Mas antes que pudesse formular uma pergunta foi interrompida por Teresa, que resmungou baixinho: — Acha que as pessoas vão me achar rústica demais? Vou circular com os amigos de Arabella, e receio que eles me achem sem graça. Aqui todos me acham bonita, mas na cidade... será uma grande vergonha se me acharem insípida. Martha contemplou o rosto da irmã; a penumbra triste daquele início de tarde conferia-lhe um aspecto vulnerável. Então era isso que a preocupava. Não Alexander, mas a prima delas, Arabella Fermor. — Você cativará as pessoas ainda mais se for fiel à própria natureza — argumentou Martha. — Não as pessoas de que estou falando — insistiu Teresa, agora bem mais alto. — Os rapazes que vão para a cidade querem evitar a natureza, não querem ser cativados por ela. A simplicidade é vista com a mais profunda desconfiança, e a sinceridade, com algo muito próximo do horror. Martha não pôde deixar de rir. Não era à toa que Alexander admirava a sagacidade e a rapidez de Teresa. E não era sempre que ela, Martha, tinha ocasião de presenciar esse lado da personalidade da irmã. — Ora, Teresa, você terá uma infinidade de admiradores! Muito mais que Arabella, pode acreditar! — Martha ficou surpresa com a sugestão de que Teresa e Arabella estivessem trocando cartas. Não detectara nenhum traço visível de afeição entre elas nas vezes em que as vira juntas no passado. Percebera, em vez disso, uma competição recíproca e velada para saber qual das duas era a mais bela ou a mais espirituosa. Arabella não teria se oferecido para circular com Teresa pela cidade caso não se julgasse superior em ambos os quesitos. Elas foram interrompidas pela criada que entrou para acender as velas e espevitar o fogo da lareira. O crepitar da lenha, que minutos antes causava tanta tristeza, agora novamente convidava à alegria. — Quer dizer então que Bell tem escrito... — disse Martha assim que a criada saiu. — Não recentemente — respondeu Teresa depois de uma pequena pausa. — Mas contei a ela sobre nossa viagem, então suponho que passaremos um bom tempo juntas. Martha não disse nada; sabia quanto a irmã sonhava com uma companhia acostumada às altas-rodas. Seria cruel aplacar as esperanças dela com um comentário cético sobre uma possível amizade com Arabella. Teresa também permaneceu calada, perdida nos próprios pensamentos. Ao ver Alexander entrar no gabinete naquela manhã, sentira o ânimo se renovar, mas contivera-se, recusando-se a dar qualquer mostra de alegria. Queria pensar nele apenas como um amigo do passado, mostrar-lhe que agora as coisas eram diferentes. Estava determinada a fisgar um belo partido na cidade. No entanto... quanta diversão Alexander lhe havia proporcionado na juventude! As troças, as cartas, os galanteios engraçados. Tudo sempre muito cativante. Ah, se ao menos ele alcançasse algum sucesso, refletiu Teresa. Alexander era católico, um perfeito cavalheiro. Além disso, pelo menos na avaliação do avô dela, tinha considerável talento como poeta. Era bem possível que um dia usasse roupas muito caras. Mas Teresa logo perdeu as esperanças. Um homem tão esquisito, sempre com dores de cabeça ou mau humor, sempre escrevendo poemas ou falando de Virgílio, mas de bolsos sempre vazios... Por que então ela sentia tamanho sobressalto no coração quando o via? O silêncio se quebrou quando as moças foram convocadas para o jantar. Assim que elas se acomodaram à mesa, o Sr. nthony propôs um brinde ao jovem convidado. — Minhas felicitações, Alexander, pela publicação dos versos. Que ademais foram editados pelo grande Jacob Tonson, o melhor de Londres. Alexander fez uma mesura e agradeceu ao anfitrião. — Mais um de meus poemas — disse — será publicado muito em breve. Por um velho amigo de escola que entrou no ramo. “Ensaio Sobre a Crítica”, é esse o título. O Sr. Anthony mirou-o por um instante e depois disse: — Um poema não publicado por Tonson... — Não se trata de um poema comum — adiantou-se Alexander. — Achei que Tonson não fosse gostar. — Minha dúvida é se você de fato leva a sério o projeto de ter a poesia como profissão — disse o Sr. Anthony, apreensivo. — De modo geral os poetas são figuras lúgubres, sem eira nem beira, que vivem rodeando a corte em busca de mecenato. Não gostaria de vê-lo no meio deles. Alexander teve a impressão de que o Sr. Anthony deliberadamente havia deixado para dizer aquilo quando Teresa estivesse presente. Sentiu um repentino desconcerto, e corou ao perceber que ela o fitava com um sorriso de escárnio. Fez o que pôde para falar com descaso: — O principal problema com os poetas é que poucos chegam a escrever algo que mereça ser lido. Homens perfeitamente versados nas letras, que se expressam numa prosa eloqüente e vivaz, transformam-se em verdadeiros pacholas quando recorrem ao verso. Quando não decantam os prazeres da primavera com uma profusão de epítetos empolados, salivam sobre o colo sinuoso que entreviram sob as rendas de uma dama qualquer. São reduzidos pelo verso a eunucos ou devassos, todos eles. — Está se referindo ao sucesso que Thomas D’Urfey alcançou com “Paid for Peeping”? — perguntou Teresa prosaicamente. — Um escândalo, de fato. Mas sou capaz de apostar, Alexander, que apesar dessas suas tantas farpas, seu exemplar está bem gasto nas pontas. Alexander animou-se com a provocação. — Jamais leria os versos desse fulano, como jamais escreveria à maneira dele — respondeu. — Os poemas de D’Urfey são como os sonoros traques que ele deixa escapar sem nenhum pejo: divertidos, porém asquerosos. Todos riram, e Alexander olhou para Teresa com um afetado ar de autocensura, satisfeito com o sucesso da piada. Com renovada confiança, ele disse: — Seja como for, Jacob Tonson não precisa de minha ajuda para fazer fortuna. Encheu a burra desde que comprou os direitos de Paraíso perdido. — Devo confessar que ainda não o li — disse o Sr. Anthony. — Uma vergonha, eu sei. Para o deleite de Martha, Alexander lançou-lhe um olhar de camaradagem. Por diversas vezes eles haviam conversado sobre o poema de Milton, o preferido de ambos. — Concordo plenamente com sua avaliação sobre as agruras da vida de poeta, senhor — disse Alexander em seguida —, mas Tonson e outros do mesmo jaez são minha melhor aposta para um futuro de bonança. — Mas certamente herdará a casa de seus pais em Binfield... — disse o Sr. Anthony. — Sim, claro — respondeu Alexander sem hesitar. Seu pai havia alienado a casa em favor de dois primos protestantes, que a herdariam em nome de Alexander. Talvez fosse isso que ele devesse ter respondido; assim o Sr. Anthony ficaria sabendo que o amigo das netas não herdaria nada diretamente. Teresa ficou de pé para se retirar. Martha, por conseguinte, fez o mesmo, mas antes de deixar a sala olhou para trás algumas vezes, contrariada. Vinha seguindo com bastante interesse a conversa dos homens. Lamentando-se pela partida das moças, Alexander virou-se para o Sr. Anthony e disse: — A situação de suas netas não é muito diferente da minha, afinal. Tanto elas quanto eu vivemos de apostas, e das mais arriscadas! Suas netas contam com a beleza e o bom coração para encontrar um marido rico. Quanto a mim, aposto meu talento de poeta numa grande roda de jogo. Não é à toa que tanto ansiamos por Londres, onde a especulação financeira é a última moda. Anthony Englefield refletiu um instante. — Vou lhe confidenciar uma coisa, Alexander — disse por fim. — As meninas logo se verão numa situação bastante difícil. Ano passado, quando o irmão delas herdou Mapledurham, descobrimos que a propriedade tinha dívidas muito maiores do que imaginávamos. Quando se casar, Michael decerto não terá meios de sustentar a mãe e as irmãs. Ainda não contei nada às meninas, claro. Elas não devem pensar que estão sendo despachadas para Londres para serem vendidas. Fossem outras as circunstâncias, Alexander talvez tivesse observado que nada daria mais prazer a Teresa Blount do que saber que estava prestes a ser vendida a um marido rico. Mas ele soube se conter, e refletiu com mais cuidado sobre as implicações da novidade. O Sr. Anthony decerto tinha consciência das poucas chances de sucesso daquele projeto. — Naturalmente o Sr. Blount não deixará as irmãs sem dote, nem a mãe sem um sustento decente — ele insistiu. — As despesas de manutenção de Mapledurham são enormes — retrucou o Sr. Anthony. — Ainda somos taxados em dobro, você sabe. Mapledurham consumirá quase toda a renda de Michael. Deixando-se levar por um repente de fúria, Alexander exclamou: — Mas nunca está fora do alcance de um homem fazer o que é certo! — Neste caso talvez esteja — disse o Sr. Anthony. — Nos dias de hoje, um católico só abre mão de suas terras quando não vê outra saída, se está numa situação de total desespero. Não, a propriedade deve ser mantida a qualquer custo. — Mas as meninas foram criadas com toda espécie de luxo e têm as mais extravagantes expectativas! — protestou Alexander. — Foram educadas em Paris, viveram nas melhores companhias! E confiam cegamente no sucesso que terão perante os mais cobiçados pretendentes do país! Não é justo que sejam jogadas no mundo dessa maneira, ignorantes da própria situação. Todo sacrifício deve ser feito para que... — É exatamente por isso que espero que elas se casem o mais cedo possível, Alexander. Sei que é uma coisa terrível de se dizer, e dificilmente me abriria dessa forma com outra pessoa. Mas rezo para que minhas netas encontrem um bom partido antes que o infortúnio delas se torne conhecido de todos. Só digo isso porque sei que tenho diante de mim um homem do mundo. Alexander já estava mais calmo quando respondeu: — Pois é como homem do mundo que posso afirmar, senhor: não há barão vivo que se casará com uma moça sem dote, esteja ele mais apaixonado que o próprio Romeu. No fim do dia, quando trocavam despedidas, Martha virou-se para Alexander com um olhar esperançoso e disse: — Talvez você possa nos visitar na cidade. Apesar de toda afeição e simpatia que tinha por ela, Alexander tentou responder com reserva, ciente de que era observado por Teresa. — Receio que seja difícil — disse. — Minhas obrigações no campo... — Deixe de bobagem, Alexander — interveio Teresa. — A única obrigação que alguém tem no campo é a de ir embora o mais rápido possível. Você já disse que seu amigo John Caryll volta e meia lhe oferece um lugar no coche dele. São meros cinqüenta quilômetros... Embora repreendesse a si mesmo pela alegria que sentira ao ouvir aquelas palavras de estímulo, por mais casualmente que elas tivessem sido ditas, Alexander não se conteve e fez uma mesura como se pedisse por mais. No entanto foi Martha quem disse: — O Sr. Caryll é mesmo bastante gentil com você, Alexander. E tem sua família em altíssima conta. A estima de um homem assim é de grande valor. Como o Sr. Anthony, John Caryll era um católico dono de terras, cuja propriedade, Ladyholt, ficava a uma curta distância da residência de Alexander em Binfield. Mas a estima de Caryll pouco importava a Alexander naquele fim de tarde. Mesmo assim, ele procurou falar com serenidade: — É certo que não há no mundo lentes de aumento mais poderosas que nossos próprios olhos, sobretudo quando voltados para nós mesmos. No entanto nem esses vêem em mim o grande Alexander com quem o Sr. Caryll é tão gentil: vêem, antes, o pequeno Alexander de que as mulheres riem tanto. Martha apertou ligeiramente o braço de Alexander e deu-lhe um beijo de despedida. Tentou encontrar um meio de fazê-lo sorrir, mas murchou quando Teresa disse: — Já sei, Alexander: hoje você resolveu representar aquele velho papel de cachorro tristonho. Espero que já tenha desistido dele quando nos virmos outra vez. De modo algum aceitarei dançar com um dinamarquês em plena crise de melancolia. Alexander empertigou o tronco e entrou na carruagem do Sr. Anthony. Durante a viagem de volta, refletiu mais uma vez sobre as adversidades que as irmãs Blount encontrariam em Londres. Apesar de toda a pretensa sofisticação de Teresa e de toda a sensatez de Martha, elas nunca haviam vivido no mundo. A sociedade de Londres não daria meio xelim por um par de moças bonitas e bem-criadas sem qualquer expectativa. A corte já era um lugar suficientemente precário para as filhas dos muito ricos, sempre vulneráveis aos desígnios de aventureiros jovens e sem nenhum coração. Mas para moças adoráveis e sem fortuna, cercadas por homens criados para pensar que tinham direito a toda espécie de gratificação, o perigo era ainda maior. Embora tivesse refutado os receios do pai quanto a Londres, Alexander sentiu um calafrio ao pensar no convidado para o baile do embaixador, assassinado ao ser confundido com um padre. O pobre homem chegara à festa para uma noite de prazer inconseqüente, sem a menor idéia do que estava para acontecer. Talvez tivesse se acotovelado com os assassinos o tempo todo; talvez tivesse permanecido na ignorância até o último momento, quando uma faca lhe perfurou a garganta. No entanto, seria de fato uma vítima do destino? Ou guardaria ele algum segredo caro aos anticatólicos?

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