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Falta um Cão na Vida de Kant (Cód: 1974421)

Reis,Fernando Guimarães

Objetiva

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Descrição

Influenciado por seu tio Juca, que define a filosofia como o casamento da inteligência com o assombro, e por Zé, um amigo provocador e inteligente, o protagonista desta história vive uma procura incessante por assuntos que desconhece mas que o fascinam. Para isso, dispõe da biblioteca de seu tio, dos papos com Zé, e, mais tarde, com Mê, uma garota muito especial.
Os personagens vivem um período turbulento da história brasileira, em que afloram dúvidas e anseios, que são os que a juventude renova a cada geração na busca de sua própria identidade.
Em 'Falta um Cão na Vida de Kant', a filosofia e a literatura são as grandes companheiras do jovem protagonista, que se vê cercado pelas obras de grandes nomes como Kant, Nietzsche, Platão, Flaubert, Machado de Assis e Jorge Amado.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573028294
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788573028294
Profundidade 0.00 cm
Ano da edição 2007
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 256
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorReis,Fernando Guimarães

Leia um trecho

VOLUME 1 Charlie Brown: — Por que eu não posso ter um cachorro normal? 1 Trança de mandarim — Falta um cachorro na vida de Kant! Eu levava o Zé a sério, mesmo sabendo que tratava a fantasia como se fosse a realidade. Para ele, as idéias não eram só idéias, não sei se me explico. Brincadeira ou não, logo fiquei intrigado pelo cachorro. Zé tinha mania de Emanuel Kant, que nasceu em 22 de abril. Daí a ligação: é o aniversário do Zé, além de ser o dia do descobrimento do Brasil, a julgar pelo cronista. Quanto a mim, já tinha lido alguma coisa sobre o filósofo, mas — de certo mesmo — sabia que ele gostava de caminhar. O cão seria providencial para lhe fazer companhia em suas andanças, talvez fosse essa a idéia do Zé. Na hora, foi o que pensei. Meu amigo e eu passeávamos pela avenida Atlântica na direção de Ipanema. A praia de Copacabana vestia capa cinza — ficava mais maliciosa ao esconder sua beleza. Nós olhávamos o mar e conversávamos sobre o inútil, coisa imprescindível quando não se tem nem 20 anos. Além do mais, nós nos sentíamos em férias — os estudantes haviam proclamado greve na faculdade. Em certo ponto, decidimos jogar machadão. Era assim: um citava uma passagem qualquer de Machado de Assis e o outro tinha que indicar o livro em que estava. A idéia nos veio assistindo àquele programa de perguntas e respostas da TV Tupi chamado O Céu É o Limite. Tínhamos regras próprias — o jogo era particular mas não era aleatório. A citação devia se encaixar na conversa do momento e o machadão podia ser recusado, caso não correspondesse à circunstância. Valia também imitar, com carinho, um dos trejeitos do estilo inconfundível do escritor carioca ou então improvisar sobre tema de sua preferência, como a morte, por exemplo — um provocava e o outro devia continuar. Mas só brincávamos quando ninguém estava por perto. Chegou a vez do Zé: — “Que sabe a aranha a respeito de Mozart? Nada: entretanto, ouve com prazer uma sonata do mestre. O gato, que nunca leu Kant, é talvez um animal metafísico.” Antes que eu pudesse arriscar Quincas Borba, o Zé veio com aquela história de falta um cachorro na vida de Kant. Meu amigo gostava de fazer citações — acho que era uma forma de ter companhia. Para que inventar a roda se ela já existe? Há roda pra tudo, ele se justificava. O Zé vivia em um universo de referências — parecia uma biblioteca ambulante. Além disso, tinha faro. Quando começava suas associações, eu não me permitia interrompê-lo. Ser detetive de idéias é um exercício que exige muita concentração. Eu ficava atento e escutava. Lembro-me por exemplo de que ele me fez conhecer a frase mais famosa de Kant: “Duas coisas fazem minha cabeça, sempre com maior admiração e espanto... o céu estrelado e a lei moral dentro de mim.” Caprichou na tradução. Aí acrescentou: — Imagine se ele tivesse vivido por aqui, podendo ver “a espumarada ectoplásmica da Via Láctea”, descrita por Gilberto Amado em suas Memórias. Aquele capítulo sobre Caxangá… — Sim? — Caxangá, em Pernambuco. Gilberto Amado conta que durante suas férias, na beira do rio Capibaribe, ficava contando as constelações e ruminando o espanto que o céu tropical causaria a Kant. Espanto mesmo é pensar nisso durante as férias. Também devo dizer que o Zé era volúvel. O livro de hoje deslocava o de ontem, um autor substituía o outro — uma metamorfose ambulante? Desconfio que seu ideal seria poder reduzir tudo a um conceito. Mas tinha o outro lado: perdia a chave do armário, depois de ter arrumado a realidade nas prateleiras. Quanto a mim, em surdina, dava um jeito de grudar uma historinha, simples que fosse, às elucubrações de meu amigo. Nisso éramos diferentes. Naquele dia presumi que ele saboreava um caso difícil: o misterioso cão de Kant. Qual seria o nome do cachorro? Ia perguntar quando o Zé disse alguma coisa sobre o “chinês de Königsberg”. Königsberg era a cidade natal de Kant, na Prússia Oriental, ali entre a Polônia e a Lituânia, nos confins do mar Báltico. Hoje é parte do território russo e, em 1946, Stalin deu-lhe o nome de Kaliningrado, isso eu sabia. Mas não pensei na geopolítica. Fiquei logo imaginando o filósofo vestido como um chinês e com um esperto rabo-de-cavalo. Talvez ficasse melhor do que com a infalível peruca do século XVIII. — Foi mais uma molecagem do Frederico. Se era moleque, devia ser boa gente. Mas qual Frederico, me perguntei. O Zé desconsiderou meu ar de interrogação. — Nietzsche queria insinuar que Kant fazia das idéias uma trança de mandarim: juntou todos os fios no mesmo nó. Ou então o Frederico queria dizer simplesmente que o prussiano era um burocrata da filosofia. Não sei. Eu não estava seguro se os mandarins usavam trança ou rabicho. O certo é que meu amigo gostava muito de terminar suas frases dizendo não sei. Acho que peguei a mesma mania, no caso dele, o “não sei” anunciava uma conclusão. Como naquele dia em que me declarou: — Não sei o que fazer da vida. Em seguida, participou-me que estava mudando de classe — não queria mais ser burguês, ia morar na favela. Era o único jeito, segundo ele. A redenção exigia um gesto dramático. — Vamos subir o morro! O tom do convite exigia resposta urgente mas eu disse que ia pensar. Não se passou muito tempo e o Zé viajou — foi para Paris. Eu fiquei no Rio e continuei vendo a favela de longe. Tive muita inveja de meu amigo, que estava na Cidade-Luz. Ele me mandava cartas. Em uma delas, me aconselhava: “Arrume as malas, arrume as malas e caminhe para a liberdade. Quanto mais tarde pior.” Mas isso aconteceu depois e não vou desvendar tudo logo no primeiro capítulo.

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