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Fazendo as Malas (Cód: 2607626)

Leão, Danuza

Companhia Das Letras

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Descrição

Neste guia inusitado, Danuza Leão visita quatro cidades européias e traz de volta uma mala cheia de dicas e histórias indispensável para quem gosta de viajar, mesmo do sofá.
'Afinal, o que é uma mulher sem malas?'
Essa é a pergunta que faz Danuza Leão ao se preparar para uma viagem curta à Europa. Tudo começa numa de suas constantes insônias, que ela tenta inutilmente driblar lendo, escrevendo, vendo televisão, ou mesmo trocando de lugar os móveis da sala. Ou, ainda, deixando a imaginação viajar. Pois foi da combinação entre um filme na televisão - com Ava Gardner, Tyrone Power, Errol Flynn e muitas touradas e flamencos - e suas divagações que lhe veio a idéia: por que não voltar à caliente Sevilha na época da animadíssima Feria?
Daí para uma viagem que incluísse, além da capital da Andaluzia, Lisboa, Paris e Roma foram apenas alguns telefonemas para empresas aéreas e hotéis. Tudo muito fácil. Exceto por um pequeno problema: seria preciso fazer a mala, ou melhor, as malas. Como diz Danuza, ela costuma levar, segundo os seus critérios, o mínimo possível. Só que - ela confessa também - seus critérios 'são sempre exagerados'. E assim, graças a uma insônia - e carregando três malas grandes, todas cheias -, ela partiu para a breve e deliciosa viagem que relata neste livro repleto de dicas espertas e saborosas sobre hotéis, restaurantes, passeios e as obrigatórias compras. (Depois de uma jornada nas Galeries Lafayette e no Printemps de Paris, a autora joga a toalha: 'Resultado do dia: uma mulher destruída, arrasada, querendo só uma coisa na vida: sossego, e nunca mais ouvir falar de compras. E vendendo a alma ao diabo para arranjar um táxi'.)
A alegria colorida das festas sevilhanas, as tentações irresistíveis dos doces portugueses, os preços estratosféricos (e a qualidade nem tanto) das maisons e butiques parisienses, e a elegância e o romantismo dos homens romanos são alguns temas desta viagem conduzida pelas mãos sábias de Danuza Leão.
E, com sua ironia graciosa, ela encerra com chave de ouro: 'Com todas as agruras que é viajar hoje em dia - as filas no check-in, as revistas para ver se você não é terrorista, as malas que são desfeitas e refeitas -, viajar ainda é das melhores coisas do mundo, e é bom aproveitar agora, já, porque os chineses estão chegando...'.
No final do livro, o leitor encontra um roteiro com informações úteis sobre os hotéis, restaurantes, bares e lojas citados por Danuza.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535913439
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8535913432
Profundidade 1.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2008
Idioma Português
Número de Páginas 136
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorLeão, Danuza

Leia um trecho

Trecho não revisado, sujeito a alterações. 8. Primeira noite em Lisboa Lisboa é das cidades mais amáveis que existem. O clima é ameno, o tráfego flui com tranqüilidade, as pessoas falam baixo e são as mais educadas e gentis que se podem encontrar. É “minha senhora” pra cá, “minha senhora” pra lá, um regalo para os ouvidos. Anos antes eu tinha me hospedado num hotel charmosíssimo, o York House, na Rua das Janelas Verdes. Trata-se de um convento de marianos do século XVIII, aonde se chega por uma escada externa ladeada por uma parede rosa, coberta de trepadeiras, que leva a um pátio onde o azul-matisse predomina. Esse pátio é repleto de árvores, plantas e flores que parecem estar ali há trezentos anos, e é nele que, nos meses mais quentes, se toma o café-da-manhã, se almoça e se janta à luz de velas. Os móveis dos quartos, diferentemente do mobiliário das demais áreas, que é antigo, são contemporâneos, para realçar os elementos da arquitetura setecentista. A decoração tem paredes de mármore, tem madeiras, azulejos; a atmosfera é conventual, calma, aconchegante e muito portuguesa, uma verdadeira jóia. Quando peguei o táxi no aeroporto, uma decepção: o motorista era brasileiro, de Mato Grosso, o que me deu a impressão de, depois de tantas horas de vôo, não ter saído do Brasil. Aliás, a maioria dos motoristas, garçons, das pessoas que trabalham em lojas é formada de brasileiros. Acontece que havia esquecido que, para chegar ao York House, era preciso subir a tal escada. Linda, mas enorme (59 degraus). Só que, como tenho horror a escadas, fiz meia-volta e fui para outro hotel, na mesma rua, o das Janelas Verdes, que por sorte dispunha de um último quarto vago. Não tem o charme do primeiro, é um palacete de quatro andares, mas bastante agradável, de grande bom gosto, e detalhe: com elevador. Não pensei duas vezes; foi lá que me instalei e comecei a ser feliz. Não que eu não tivesse sido, nos últimos dias, mas era um bemestar diferente, não o de uma turista, e sim o de quem chega em casa. Uma informação importante: os dois hotéis ficam na rua em que, segundo a lenda, era o Ramalhete, casa dos Maias, do famoso livro de Eça de Queiroz. Uns dizem que o Ramalhete era onde é hoje o York House, outros, que era onde agora é o das Janelas Verdes. Eu acredito nas duas versões, e foi com muita emoção que pisei no assoalho onde em outros tempos teriam pisado Afonso da Maia, o Ega, a Gouvarinhos, a fidalguia máxima de Portugal, na época. E fico imaginando as cenas que lembro quase de cor, de quando Carlos Eduardo da Maia conheceu Maria Eduarda, a paixão louca que tiveram um pelo outro sem saber que eram irmãos. Se você ainda não teve o prazer, leia Os Maias antes de ir a Portugal; comece o livro no avião, e vai compreender mais esse país do que se lesse sobre ele em qualquer enciclopédia. Quando cheguei ao quarto, o rapaz que levava minhas malas mostrou, em cima da cômoda, uma bandeja de prata com dois cálices e uma linda garrafa redonda de cristal com vinho do Porto, dizendo que eram as boas-vindas do hotel. Muito gentil. Foi uma delícia sentir a calma da cidade, seus silêncios, ver os bairros onde as roupas ainda são estendidas nas sacadas para secar; tomei a decisão, firme, de não passar nem perto do famoso shopping das Amoreiras, orgulho dos portugueses mais modernos. É um shopping — e eu tenho uma certa alergia a todos eles. Liguei para um amigo, e, como naquela noite ele tinha um compromisso, resolvi começar a ver Lisboa pelo que ela possuía de mais luxuoso: pedi à recepção que reservasse para mim uma mesa no Tavares, explicando que eu era jornalista, que estava escrevendo uma matéria sobre Lisboa — imaginei que eles não dariam uma mesa a uma mulher sozinha. Fiquei descansando, fazendo hora para minha primeira noite na cidade. Mas sou um perigo quando estou sem fazer nada. Então, um parêntese. Há uns três anos, eu, que a vida toda usei uma juba de leoa, resolvi cortar os cabelos bem curtos, mas bem curtos mesmo. Meses depois, tinha enjoado, claro. E foi um tal de botar megahair (uns três), tirar megahair (um dia inteiro para cada operação), usar perucas (acho que quatro), e não me acertava com nada. O dinheiro que gastei com minhas tentativas daria para comprar um apartamento. Voltando a Lisboa: como ainda eram seis da tarde e o restaurante estava marcado para as nove, liguei para a recepção e perguntei se sabiam de algum endereço onde vendessem perucas. Perguntaram se eu queria de cabelos naturais ou sintéticos; disse que naturais, e daí a cinco minutos estava com o endereço na mão. Pedi um táxi, fui parar numa pracinha no centro, e encontrei a peruca mais perfeita que já tinha visto na vida. Como ela era um pouco longa, corri até um cabeleireiro, que fez um excelente corte, e já saí para jantar me sentindo outra pessoa, com os cabelos no ombro. É no que dá, me deixar sem nada para fazer. Feliz, me sentindo a mais gloriosa das criaturas, antes de sair resolvi conhecer o bar do hotel. Era uma sala muito, mas muito bem mobiliada, com sofás, poltronas, lareira, como se fosse uma casa de família, varanda com vista para o Tejo. Numa mesa enorme, todas as bebidas imagináveis, inclusive uma garrafa de champanhe dentro de um balde de gelo. Todo tipo de copos, gelo, claro, e garrafinhas de água com e sem gás, água tônica, Coca-Cola, guardanapinhos de linho etc. Não há barman; cada pessoa se serve do que quer, anota num bloquinho o que bebeu, bota o número do quarto, assina, e, quando vai acertar a conta do hotel, a nota do bar está incluída. Eu teria ficado lá a noite inteira, mas o Tavares me esperava. Às nove em ponto estava na porta do restaurante, onde um segurança perguntou se eu tinha reserva; o maître, atento, veio me buscar, e aí teve início uma noite rigorosamente luxuosa. É preciso dizer que o Tavares é o mais antigo e prestigiado restaurante de Portugal, e foi inaugurado em 1861. Nas suas paredes e no teto não há um só centímetro de alvenaria: tudo é dourado, mas dourado mesmo, dourado trabalhado, brilhando, com lustres de cristal, espelhos venezianos, estátuas de bronze com tochas na mão, cadeiras de veludo vermelho, copos de cristal lapidado; ah, e os vidros das janelas são todos bisotados. O Tavares chegou a figurar entre os dez melhores do mundo, mereceu a nota máxima de um restaurante português pelo Gault et Millau, e está incluído no restrito clube dos dez mais cotados do Guia Michelin. Nele, cabem 45 pessoas, apenas, e todos os homens usam gravata; nem combinaria, se não usassem. Há alguns anos o restaurante mudou de mãos, e os novos proprietários resolveram dar uma “refrescada” na decoração. O resultado é que os dourados envelhecidos pelos anos ficaram novos em folha — ouro de 24 quilates, não de dezoito —, os espelhos, idem, e há quem lamente essa mudança: o restaurante tem mais ouro que a igreja de São Francisco, em Salvador. Já o freqüentaram Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão, mas não Fernando Pessoa, que não tinha dinheiro. Ele ia à famosa Confeitaria Brasileira, e só pisava no Tavares quando convidado. Logo que você entra no restaurante, o maître, impecável, de terno e gravata, lhe dá as boas-vindas; os garçons se vestem de preto da cabeça aos pés e são todos extremamente simpáticos. Quando um deles veio me perguntar se queria beber alguma coisa, eu hesitei, e então ele sugeriu: “A senhora não gostaria de um Porto branco, seco?”. Pois era exatamente o que eu queria, ele adivinhou. Aí, chegou a hora da escolha, que foi, confesso, uma grande dificuldade. Mas o maître estava sempre com o melhor dos sorrisos, para ajudar na empreitada. Detalhe: nesse restaurante, música, nem pensar. Vem o menu, com a primeira proposta: menu do desassossego, o que significa menu degustação. O nome de alguns pratos, não vou esquecer nunca: leitão da cabeça aos pés, peixe cozido na água do mar, costeletas de borrego — que é o cordeiro. E vieiras, as maravilhosas vieiras de Portugal, para mim as melhores do mundo. Tomei dois copos de vinho, não quis sobremesa, mas só de gentileza trouxeram três rolinhos — como se fossem três sushis — de sorvete: de rosas, de limão, de chocolate apimentado. Conta: 225 euros. (Vou aproveitar para dizer que, em qualquer lugar do mundo, se pede um copo de vinho, um copo de champanhe — un verre de vin, un verre de champagne, a glass of wine, a glass of champagne —, e por aí vai. Só no Brasil existe o hábito de pedir uma taça de vinho, ou uma tacinha, pior ainda. Taças eram aquelas da nossa infância, que ficavam na cristaleira, com haste longa e a borda larga.) Duas coisas que notei, no Tavares: quando o garçom traz o prato e os talheres, ele põe a faca, por exemplo, do lado direito, e faz a volta — pela frente ou por trás da mesa — para colocar o garfo à esquerda, isso para não passar o braço pela frente do cliente. O que me fez lembrar que, no velório do dr. Roberto Marinho, a viúva, Lily, ficou o tempo todo sentada de um lado do caixão, e, quando chegou um presidente da República — não vou dizer qual porque sou discreta —, ele se postou do outro lado, guardou os cinco minutos regulamentares em silêncio e passou a mão por cima do caixão — portanto, do corpo — para cumprimentar Lily. Se o presidente tivesse feito um estágio no Tavares, isso não teria acontecido. A outra curiosidade: na mesa ao lado, de seis pessoas, quando o sommelier chegou, começaram uma conversa que não acabava nunca, para decidir o vinho que iam tomar. Enfim, veio a garrafa; o sommelier botou um dedo da bebida num copo, provou, aprovou, e deu ao cliente para que ele provasse. O cliente também aprovou, e o vinho foi colocado delicadamente num decantador, para respirar. Momentos depois foi servido, e todo mundo ficou feliz. Soube mais tarde que em alguns poucos restaurantes, quando o sommelier confia muito no seu taco, ele prova o vinho, e, se o aprova, é uma espécie de aval dado por ele; a partir daí, dificilmente o cliente devolve a bebida. Afinal, ela foi provada e aprovada por quem mais entende do assunto. E existem restaurantes que ainda vão além: botam um paninho no gargalo da garrafa para evitar qualquer impureza, daí passam o vinho para o decantador, e só então o sommelier o prova. Perguntei se havia algum perigo em caminhar pela vizinhança, e me disseram que não, absolutamente. Segui em direção ao Bairro Alto, onde se reúne a juventude lisboeta. Mas que agito! Várias lojas ficam abertas até de madrugada, inclusive a de Alexandre Herchcovitch, outra com os mais inacreditáveis tênis All Star, e muitas, muitas outras. Os bares são um ao lado do outro, e, como a multidão não cabe lá dentro, os jovens ficam nas calçadas e até no meio da rua, bebendo e zoando. Para eles, a noite começa tarde — meia-noite, uma hora — e em geral termina de manhã, em três bares vizinhos: o Oslo, o Tokio e o Jamaica. Não demorei para perceber que aquela não era minha praia e tomei um táxi, mas ele mal podia andar, a tal ponto a rua estava lotada. No fim, cheguei sã e salva ao sossego do hotel, onde entrei com a minha chave, me sentindo totalmente em casa. Deliciosa, minha primeira noite em Lisboa.

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Fazendo as Malas (Cód: 2607626) Fazendo as Malas (Cód: 2607626)
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