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Felizes Para Sempre - Série Quarteto de Noivas - Vol. 4 (Cód: 8196924)

Roberts, Nora

Arqueiro

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Descrição

Em “Felizes para sempre”, último livro da série Quarteto de Noivas, você vai descobrir que o amor não avisa que está a caminho e, quando chega, vira seu mundo de cabeça para baixo.
Parker Brown sabe que subir ao altar é um dos momentos mais extraordinários na vida de um casal. Por isso ela administra a Votos – a bem-sucedida empresa de organização de casamentos que fundou com suas três melhores amigas – com pulso firme e muita dedicação.
Seu dia de trabalho começa cedo – às vezes de madrugada, quando alguma noiva ansiosa lhe telefona aos prantos. Mas ela não se importa. Cada vez que ajuda uma mulher a escolher o vestido perfeito para o grande dia ou vê o sorriso nervoso e feliz de um noivo no altar, ela sente que está dando sua contribuição para uma história igual à de seus pais.
Porém a rica, linda e inteligente Parker também quer ser feliz no amor. Só que, em vez do intelectual sensível que sempre esteve em seus planos, parece que o destino lhe reservou uma surpresa.
Malcolm Kavanaugh é um mecânico de automóveis e ex-dublê de filmes de ação. Amigo do irmão de Parker, ele não tem vergonha de elogiar as belas pernas da moça e, com suas mãos ásperas, faz com que a empresária certinha e controladora simplesmente perca o chão.
Agora eles vão descobrir que, mesmo com suas diferenças, podem completar um ao outro. E quem disse que o príncipe encantado não pode chegar numa Harley-Davidson?

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580413427
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580413427
Profundidade 1.50 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Janaína Senna
Número da edição 1
Ano da edição 2014
Idioma Português
Número de Páginas 304
Peso 0.39 Kg
Largura 16.00 cm
AutorRoberts, Nora

Leia um trecho

Prólogo A DOR VINHA EM ONDAS, pesada e violenta, acertando em cheio seu coração e deixando-o em pedaços. Em outros dias, as ondas eram lentas e pareciam querer submergi-la, ameaçando afogar sua alma. As pessoas – gente legal, que gostava dela – diziam que o tempo curava tudo. Parker tinha esperanças de que elas estivessem certas, mas parada ali, na varanda do seu quarto, ao sol do final de verão, meses depois da morte súbita e chocante dos seus pais, sentia que aquelas ondas volúveis continuavam seu movimento. Tentava lembrar que tinha tantas coisas boas... Seu irmão – e não sabia se teria sobrevivido àquele sofrimento sem Del – tinha sido uma rocha à qual ela se agarrara naquele oceano de estupefação e sofrimento. As amigas: Mac, Emma e Laurel, que faziam parte de sua vida, parte até dela mesma, desde a infância. Elas vinham colando e mantendo no lugar todos os pedaços estilhaçados de seu mundo. Tinha o apoio constante e inabalável da Sra. Grady, que trabalhava como governanta em sua casa havia anos, uma verdadeira ilha de consolo. Tinha sua casa. Agora a beleza e a elegância da propriedade dos Browns lhe pareciam de certa forma mais profundas, mais agudas, pois ela sabia que não veria mais os pais circulando pelos jardins. Nunca mais desceria a escada correndo e encontraria a mãe rindo na cozinha com a Sra. G., nem ouviria o pai tratando de um negócio qualquer no escritório que tinha em casa. Em vez de aprender a surfar nessas ondas, tinha a impressão de estar sendo puxada cada vez mais para baixo, para a escuridão. Então decidira que o tempo precisava ser usado, empurrado, posto em movimento. Achava – tinha esperanças – que havia encontrado um jeito não apenas de usar o tempo, mas de exaltar o que os pais tinham lhe dado, de unir todas aquelas dádivas à família e às amizades. Ser produtiva, concluíra ela quando o ar começava a se encher dos primeiros odores acentuados do outono. Os Browns trabalhavam. Construíam, produziam e nunca, nunca achavam que era hora de simplesmente descansar e aproveitar o que já haviam conquistado. Seus pais não iriam querer que ela fizesse menos que seus antecessores. As amigas talvez achassem que ela enlouquecera, mas Parker havia pesquisado, calculado e traçado um sólido plano de negócios, um modelo consistente. E, com a ajuda de Del, preparara um contrato justo e razoável. Era hora de nadar, dissera a si mesma. Simplesmente se recusava a afundar. Voltou para o quarto e pegou os quatro pacotes volumosos que tinha posto em cima da cômoda. Um para cada uma. Ia entregá-los durante a reunião, embora não tivesse dito às amigas que fariam uma reunião. Deteve-se por um instante para prender o cabelo castanho sedoso num rabo de cavalo, depois fitou os próprios olhos até que um brilho surgisse naquele azul profundo. Ela conseguiria. Não, elas conseguiriam. Só precisava convencê-las primeiro. No térreo, encontrou a Sra. Grady dando os últimos retoques no jantar. A mulher robusta, que estava diante do fogão, virou-se e lhe deu uma piscadela. – Pronta? – Pelo menos preparada. Estou nervosa. É bobagem, não é? Elas são as minhas melhores amigas. – É um grande passo que você pretende dar. Um grande passo que está pedindo que elas deem também. Só uma louca não ficaria meio nervosa. – Ela se aproximou e segurou o rosto de Parker entre as mãos. – Aposto em você. Vá em frente. Resolvi caprichar, portanto vocês vão tomar vinho e comer as entradas no terraço. Minhas meninas cresceram. Ela queria mesmo ser adulta, mas, céus, dentro dela havia uma criança que queria os pais, conforto, amor e segurança. Saiu, pôs os pacotes em cima da mesa, debruçou-se para pegar a garrafa de vinho no balde de gelo e se serviu de uma taça. Depois ficou ali parada, segurando a taça de vinho e olhando, à luz que se tornava mais branda nos jardins, para o laguinho e o reflexo dos salgueiros na superfície da água. – Nossa! Quero um pouco. Laurel surgiu com o cabelo louro cortado curtíssimo – decisão que a amiga já lamentava. Ainda estava com o uniforme de chef de sobremesas de um restaurante local bem chique. Seus olhos, claros e azuis, se reviraram enquanto ela se servia do vinho. – Quando troquei meu horário por causa deste encontro, quem poderia imaginar que teríamos uma reserva de última hora para um almoço com vinte pessoas? A cozinha virou um verdadeiro hospício a tarde toda. A cozinha da Sra. G., por outro lado... – Ela soltou um grunhido ao se sentar, depois de ter passado tantas horas em pé. –... é um oásis de calmaria com aroma de paraíso. O que vamos ter para o jantar? – Não perguntei. – Pouco importa – retrucou Laurel, acompanhando a frase com um gesto. – Mas se Emma e Mac se atrasarem, vou começar sem elas. Foi então que viu a pilha de pacotes. – O que é aquilo tudo? – Uma coisa que não podemos começar sem elas. Laurel, você pensa em voltar para Nova York? A outra a fitou por sobre a borda da taça. – Está me expulsando? – Só quero saber o que você pensa. Está satisfeita com o rumo das coisas? Você voltou por minha causa, depois do acidente, e... - Estou vivendo um dia de cada vez e acho que vou acabar descobrindo o que quero. Neste exato momento, não tenho nenhum plano em mente, OK? – Bom... Parker se interrompeu quando viu Mac e Emma surgirem juntas, rindo. Emma, pensou ela, tão linda com aquele cabelo cacheado, aqueles olhos escuros exóticos brilhando, divertidos. Mac, com o cabelo ruivo repicado, os olhos verdes maliciosos, alta e magra, com aquele jeans e uma camiseta preta. – Qual é a piada? – perguntou Laurel. – Homens – falou Mac, colocando na mesa as travessas com folhado de queijo brie e tortinhas de espinafre que a Sra. Grady tinha depositado em suas mãos quando ela passara pela cozinha. – Os dois que acharam que podiam disputar Emma no braço. – Até que foi legal – comentou Emma. – Eram irmãos e vieram até a loja comprar flores para o aniversário da mãe. Uma coisa leva a outra... – Aparecem homens no estúdio o tempo todo – disse Mac, enfiando naboca uma uva vermelha glaceada que pegara na tigela em cima da mesa. – Nenhum deles jamais saiu no braço para ver quem ficaria comigo. – Tem coisas que nunca mudam – observou Laurel, erguendo a taça na direção de Emma. – E tem outras que mudam, sim – acrescentou Parker. Precisava começar, tinha que se mexer. – Foi por isso que pedi que viessem aqui hoje. Emma, que ia se servir do folhado de queijo, se deteve. – Algum problema? – Não. Mas eu queria falar com todas vocês ao mesmo tempo. – Decidida, Parker serviu vinho para Mac e Emma. – Vamos sentar. – O-ou! – fez Emma. – Não tem nada de “o-ou” – insistiu Parker. – Antes de mais nada, quero dizer que amo muito vocês, sempre amei e sempre vou amar. Passamos por muitas coisas juntas, boas e más. E nos piores momentos, sabia que podia contar com vocês. – Todas nós podemos contar umas com as outras – disse Emma, inclinando-se para a frente e pondo a mão sobre a de Parker. – É para isso que servem as amigas. – É verdade. Quero que saibam o que representam para mim e que, se alguma de vocês não topar o que vou propor, seja por que motivo for, nada vai mudar entre nós. Ergueu a mão antes que alguém pudesse falar. – Vamos começar assim. Você quer ter sua própria floricultura um dia, não é, Emma? – Sempre foi o meu sonho. Na verdade, gosto de trabalhar na loja, e o patrão me dá bastante liberdade, só que espero ter o meu negócio daqui a algum tempo. Mas... – Deixe os “mas” para depois. Você, Mac, é talentosa demais, criativa demais para passar o dia inteiro tirando fotos de passaporte ou de crianças fazendo pose. – Meu talento não tem limites – brincou Mac –, mas preciso de um ganha-pão. – Você preferiria ter seu próprio estúdio fotográfico. – Eu também preferiria que Justin Timberlake saísse no braço com Ashton Kutcher por mim, e uma coisa é tão improvável quanto a outra. – Você, Laurel, estudou em Nova York e em Paris com a intenção de se tornar uma chef confeiteira. – Uma verdadeira sensação internacional. – E acabou vindo trabalhar no Willows. A moça engoliu o pedaço de tortinha de espinafre que tinha na boca. – Ora, mas... – Em parte, fez isso para ficar comigo depois que perdi mamãe e papai. Já eu – prosseguiu Parker – estudei porque pretendia abrir uma empresa. Sempre tive uma ideia do tipo de negócio que seria, mas parecia um sonho maluco. Nunca lhes contei isso. Mas durante esses últimos meses tudo começou a me parecer mais plausível, mais concreto. – Pelo amor de Deus, Parker, o que é? – perguntou Laurel. – A minha proposta é abrirmos um negócio juntas. Nós quatro, mas cada uma trabalhando no seu ramo, de acordo com sua área de interesse, sua especialidade, porém juntando todas elas debaixo de um mesmo guarda-chuva, digamos assim. – Abrirmos um negócio? – repetiu Emma. – Lembram que sempre brincávamos de Casamento? Que nos revezávamos nos papéis, usávamos fantasias, planejávamos os temas? – O que eu mais gostei foi casar com Harold – disse Mac sorrindo ao se lembrar do cachorro dos Browns, que tinha morrido fazia muitos anos. – Ele era tão lindo e tão leal... – Podíamos fazer isso para valer, transformar a brincadeira de casamento num negócio. – Fornecendo fantasias e cupcakes, além de cachorros superpacientes para garotinhas? – indagou Laurel. – Não. Fornecendo um local único e fantástico: esta casa, este quintal. Bolos e doces espetaculares. Buquês e arranjos de tirar o fôlego. Fotos lindas e criativas. Quanto a mim, vou supervisionar cada detalhe para fazer de um casamento, ou de qualquer outro evento importante, o dia mais perfeito da vida dos clientes. Mal parou para recobrar o fôlego. – Já tenho milhares de contatos por meio dos meus pais. Bufês, vendedores de vinho, serviços de limusines e de decoração, tudo. E o que não tenho, vou conseguir. Um serviço completo para casamentos e outras datas importantes, e nós quatro com participação igualitária na sociedade. – Trabalhar com casamentos... – Os olhos de Emma assumiram um ar sonhador. – Parece fantástico, mas como poderíamos... – Tenho um projeto. Números, planilhas e respostas para dúvidas jurídicas que vocês possam ter. Del me ajudou a preparar tudo. – Ele está de acordo com isso? – perguntou Laurel. – Delaney não se importa que você transforme a propriedade, a casa de vocês, em uma empresa? – Del me dá total apoio. E o amigo dele, Jack, está disposto a ajudar, reformando a casa da piscina para transformá-la num estúdio fotográfico com um apartamento no andar de cima, e a casa de hóspedes numa floricultura, também com um apartamento no segundo andar. Podemos transformar a cozinha auxiliar aqui de casa em seu espaço de trabalho, Laurel. – E viríamos morar aqui, na propriedade? – perguntou Mac. – É uma opção – respondeu Parker. – Vamos ter muito trabalho e seria mais prático se estivéssemos todas aqui. Vou lhes mostrar os números, o projeto, as projeções, as reformas. Mas é claro que isso só faz sentido se todas vocês gostarem do conceito básico. E se não gostarem... bom, vou tentar convencê-las – acrescentou ela, rindo. – E se detestarem a ideia, desisto. – Uma ova! – exclamou Laurel, passando a mão pelo cabelo curtinho. – Há quanto tempo vem trabalhando nisso? – A sério? Para valer? Há uns três meses. Tinha que conversar com Del e a Sra. G., porque sem o apoio deles nada aconteceria. Mas quis preparar tudo antes de falar com vocês. É uma empresa – disse Parker. – Seria a nossa empresa, portanto, precisa ser formada por todas nós, desde o início. – Nossa empresa – repetiu Emma. – Casamentos. Existe alguma coisa mais feliz que um casamento? – Ou mais louca – observou Laurel. – Nós quatro conseguimos lidar com loucura. Parks? – chamou Mac, com as covinhas de seu rosto se acentuando quando ela estendeu a mão e pousou-a sobre a da amiga. – Eu topo. – Você não pode assumir um compromisso antes de ver o projeto, os números. – Posso, sim – replicou Mac. – Quero fazer isso. – Eu também – disse Emma, pondo a mão em cima das de Mac e Parker. Laurel respirou fundo, prendeu o ar nos pulmões e depois o soltou. – Acho que é por unanimidade. – E pôs a própria mão em cima das outras três. – Vamos arrasar. Capítulo um A NOIVA MALUCA LIGOU às 5h28 da manhã. – Tive um sonho – declarou ela, enquanto Parker continuava deitada no escuro com o BlackBerry. – Um sonho? – Um sonho impressionante. Tão real, tão urgente, tão cheio de cor e de vida! Tenho certeza que ele significa alguma coisa. Vou ligar para o meu psicanalista, mas queria falar com você primeiro. – OK. Com a desenvoltura adquirida pela experiência, Parker esticou a mão e acendeu o abajur da mesa de cabeceira, pondo a luz bem fraquinha. – Com o que você sonhou, Sabina? – perguntou, pegando o caderninho e a caneta que ficavam perto do abajur. – Alice no País das Maravilhas. – Você sonhou com Alice no País das Maravilhas? – Mais especificamente com o chá das cinco do Chapeleiro Maluco. – Versão Disney ou Tim Burton? – O quê? – Nada – disse Parker, tirando o cabelo da frente do rosto para anotar as palavras-chave. – Continue. – Bom, havia música e um grande banquete. Eu era Alice, mas usava meu vestido de noiva. E Chase estava incrível de fraque. Ah, as flores eram espetaculares. Todas cantavam e dançavam. Todo mundo estava tão feliz, fazendo brindes a nós dois, aplaudindo... Angelica estava vestida como a Rainha Vermelha e tocava flauta. Parker anotou “madrinha” para Angelica e continuou a registrar as outras pessoas que ficariam no altar. O padrinho como Coelho Branco; a mãe do noivo como o Gato de Cheshire; o pai da noiva como a Lebre de Março. O que será que Sabina tinha comido, bebido ou fumado antes de ir para a cama? – Não é fascinante, Parker? – Com certeza. Assim como tinham sido o desenho formado pelas folhas de chá que determinara as cores a serem usadas no casamento, o tarô que previra onde o casal passaria a lua de mel e a numerologia que indicara a única data possível para a cerimônia. – Acho que talvez meu subconsciente e o destino estejam me dizendo que preciso usar Alice como tema do casamento. Com as fantasias. Parker fechou os olhos. Embora pudesse mesmo dizer – e agora seria bem adequado – que o chá das cinco do Chapeleiro Maluco combinava perfeitamente com Sabina, o evento ia acontecer em menos de duas semanas. A decoração, as flores, o bolo e os doces, o cardápio, tudo já havia sido escolhido. – Humm – fez Parker, tentando ganhar tempo para pensar. – É uma ideia interessante. – O sonho... – Para mim – atalhou Parker –, é toda a atmosfera de celebração, magia e conto de fadas que você escolheu. É evidente que você tinha toda a razão. – Verdade? – Claro. Significa que você está empolgada e feliz e mal pode esperar pelo grande dia. Lembra que o Chapeleiro Maluco preparava o chá das cinco todos os dias? Esse sonho está dizendo que sua vida com Chase vai ser uma comemoração diária. – Ah! É claro! – Além disso, quando você estiver diante do espelho na suíte da noiva no dia do seu casamento, estará se vendo com o coração jovem, aventureiro e feliz de Alice. Caramba, eu sou incrível, pensou Parker, ao ouvir a noiva maluca suspirar. – É mesmo, tem razão. Você está mais do que certa. Estou tão contente por ter ligado para você. Sabia que você sabia. – É para isso que estamos aqui. Vai ser um casamento lindo, Sabina. Seu dia perfeito. Depois que desligou, Parker voltou a se deitar por um instante, mas, quando fechou os olhos, a cena do chá das cinco do Chapeleiro Maluco versão Disney não saía de sua cabeça. Resignada, levantou-se e abriu as portas francesas que davam para a varanda daquele quarto que um dia havia sido de seus pais. Foi recebida pelo ar da manhã e respirou fundo a aurora quando o sol começava a despontar no horizonte. As últimas estrelas foram sumindo num mundo maravilhosamente quieto, como se tudo houvesse prendido a respiração. O lado bom de haver noivas malucas e pessoas do gênero era que elas a acordavam ao amanhecer, quando parecia que nada nem ninguém além dela se mexia, que nada nem ninguém além dela presenciava aquele instante em que a noite passava o bastão para o dia e a luz prateada ia assumindo um tom pérola reluzente que – quando tudo voltasse a respirar – se transformaria num ouro claro e luminoso. Ao voltar para o quarto, deixou as portas abertas. Pegou um elástico na caixinha de prata martelada que ficava em cima da cômoda e fez um rabo de cavalo. Tirou a camisola para vestir a calça de ioga e uma regatinha e apanhou uns tênis de corrida na prateleira da seção esportiva do seu closet impecavelmente organizado. Prendeu o BlackBerry no cós da calça, ligou o fone de ouvido e foi para a sala de ginástica. Acendeu as luzes, ligou a TV de tela plana no noticiário e ficou ouvindo sem prestar muita atenção enquanto fazia alguns exercícios de alongamento. Como de costume, programou o elíptico para 5 quilômetros. Na metade do primeiro quilômetro, começou a sorrir. Nossa, como adorava seu trabalho! Adorava as noivas malucas, as sentimentais, as obsessivas e até as noivas-monstro. Adorava os detalhes e as exigências, as esperanças e os sonhos, a reafirmação de amor e compromisso que ela ajudava a personalizar para cada casal. Ninguém, pensou ela com determinação, fazia isso melhor que a Votos. Aquilo que ela, Mac, Emma e Laurel tinham decidido criar já bem tarde numa noite de verão era hoje tudo o que haviam imaginado e muito mais. E agora, pensou Parker, com o sorriso cada vez mais largo, estavam planejando o casamento de Mac para dezembro, o de Emma para abril e o de Laurel para junho. Desta vez suas amigas eram as noivas, e ela mal podia esperar para mergulhar fundo naqueles detalhes fantásticos. Mac e Carter – tradicional com toques artísticos. Emma e Jack – romance, romance, romance. Laurel e Del (Incrível, seu irmão ia se casar com sua melhor amiga!) – moderno e elegante. Estava cheia de ideias. Tinha acabado de completar 3 quilômetros quando Laurel entrou. – Mil luzinhas. Milhares delas, quilômetros, rios de luzinhas brancas minúsculas espalhadas pelos jardins, pelos salgueiros, pelos diversos recantos, pela pérgula. – Hã? – exclamou Laurel, piscando e bocejando. – Seu casamento. Romântico, elegante, abundância sem exagero. – Hã. – Com o cabelo louro preso para cima, Laurel subiu no aparelho ao lado do de Parker. – Ainda estou me acostumando à ideia de ter ficado noiva. – Sei do que vocês gostam. Já tenho um esboço geral. – Claro – disse Laurel, sorrindo. – Quantos quilômetros já fez? – perguntou, esticando o pescoço para ver o visor do aparelho da amiga. – Caraca! Quem ligou e a que horas? – A noiva maluca. Um pouco antes de 5h30. Ela teve um sonho. – Se me disser que ela sonhou com um novo modelo para o bolo, vou... – Não se preocupe, já está tudo resolvido. – Como pude duvidar de você? Laurel terminou o aquecimento e começou a malhar. – Del vai botar a casa dele à venda – contou ela. – O quê? Quando? – Bom, depois que conversar com você sobre isso. Mas, já que eu estou aqui e você também está... resolvi falar de uma vez. Conversamos a respeito ontem à noite. Aliás, ele volta de Chicago hoje. Bem... aí ele moraria aqui de novo, se você concordar. – Em primeiro lugar, esta casa é tanto dele quanto minha. Em segundo, você vai ficar – falou Parker, com os olhos brilhando. – Você vai ficar – repetiu Parker. – Eu não queria forçar as coisas e sei que Del tem uma casa fantástica, mas... Meu Deus, Laurel, eu não queria que você se mudasse daqui. E agora não vai. – Eu o amo tanto que posso até vir a ser a próxima noiva maluca, mas também não queria me mudar daqui. A minha ala tem um tamanho mais que suficiente. Ela é praticamente uma casa. E ele adora este lugar tanto quanto você, tanto quanto todas nós. – Del está voltando para cá – murmurou Parker. Sua família, pensou ela. Todos aqueles que amava logo estariam juntos. E ela sabia que era isso que criava um lar. Às 8h59, Parker estava pronta, usando um terninho berinjela com caimento impecável e uma blusa branca com leves babados. Levou exatos 55 minutos respondendo a e-mails e mensagens, retornando telefonemas, fazendo novas anotações em vários arquivos de clientes e checando e confirmando entregas com fornecedores para os próximos eventos. Às 10h em ponto, desceu do escritório que ficava no terceiro andar para o seu primeiro compromisso do dia. Já tinha feito sua pesquisa sobre os clientes em potencial. Noiva: Deeanne Hagar, artista local cuja obra um tanto onírica tinha sido reproduzida em pôsteres e cartões. Noivo: Wyatt Culpepper, paisagista. Ambos vinham de famílias ricas e tradicionais – setor bancário e imobiliário, respectivamente – e ambos eram os filhos caçulas de pais que estavam no terceiro casamento. Sem muito esforço, conseguiu descobrir que o casal tinha se conhecido num evento sobre sustentabilidade, que ambos gostavam de ouvir bluegrass e adoravam viajar. Obteve ainda outras informações em sites na internet, no Facebook, em entrevistas para jornais e revistas e com amigos de amigos de amigos. E já planejara começar sua abordagem com um tour pela casa, do qual a mãe do noivo e a da noiva também participariam. Passando pelo andar térreo, foi observando os diversos ambientes e ficou feliz ao ver os arranjos românticos que Emma havia preparado. Entrou na cozinha, onde, como era de esperar, a Sra. Grady dava os toques finais na bandeja do café. O chá natural gelado que Parker havia pedido e uma travessa de frutas frescas, além dos biscoitos amanteigados de Laurel, que eram finos como papel. – Ficou perfeita, Sra. G. – Está pronta. Quando quiser, é só avisar. – Vamos colocar no salão principal. Se eles quiserem começar o tour pelos jardins, podemos levá-la lá para fora. Está um dia tão bonito. Parker já se dispunha a ajudar, mas a Sra. Grady recusou a ajuda com um gesto. – Pode deixar que eu faço. Só queria dizer que conheci a primeira madrasta da noiva. – É mesmo? – Não durou muito, sabe? – Começou a Sra. Grady, passando as bandejas para o carrinho de chá com movimentos precisos. – Se não me engano, nem chegaram a comemorar o segundo aniversário de casamento. Uma mulher bonita e delicada. Apagada como uma lâmpada fraquinha, mas com um coração de ouro. – A Sra. Grady passou as pontas dos dedos na saia do avental. – Ela se casou de novo, com um espanhol, e foi morar em Barcelona. – Não sei por que perco tempo pesquisando na internet quando poderia simplesmente consultá-la. – Se tivesse feito isso, eu teria lhe dito que a mãe de Mac andou flertando com o pai da noiva no intervalo entre as esposas dois e três. – A Linda? Não chega a ser surpresa. – Bom, todos devem dar graças a Deus por essa história não ter dado certo. Gosto dos trabalhos da garota – acrescentou ela, já empurrando o carrinho de chá para o salão. – A senhora os viu? – Não é a única que sabe usar a internet – retrucou a Sra. Grady com uma piscadela. – Pronto, a campainha. Vá atender. Fisgue mais um cliente para nós. – O plano é esse. A primeira coisa que passou pela cabeça de Parker foi que a noiva parecia a versão hollywoodiana de uma artista, com aquele cabelo de um ruivo dourado que lhe batia na cintura e olhos verdes amendoados. A segunda coisa que lhe ocorreu foi que Deeanne ficaria linda de noiva, e junto com esse pensamento Parker se pegou desejando fazer parte daquilo. – Bom dia! Sejam bem-vindos à Votos. Eu sou Parker. – Brown, certo? – indagou Wyatt, estendendo a mão para cumprimentá-la. – Só queria lhe dizer que não sei quem projetou o seu jardim, mas é um trabalho de gênio. Adoraria que tivesse sido eu. – Muito obrigada. Entrem, por favor. – Esta é minha mãe, Patricia Ferrell. E a mãe de Deeanne, Karen Bliss. – É um prazer conhecer todos vocês. Parker já tinha entendido tudo. Wyatt assumira a liderança do grupo, mas de uma forma muito sociável, e as três mulheres lhe davam essa liberdade. – Por que não sentamos na sala de visitas por uns minutos para nos conhecermos melhor? – sugeriu Parker. Mas Deeanne já estava circulando pelo salão espaçoso, observando a escadaria elegante. – Achei que seria sufocante. Achei que daria essa sensação – disse ela, virando-se e fazendo sua linda saia de verão ondular. – Analisei sua página na internet. Tudo parecia perfeito, lindo. Mas pensei: não, perfeito demais. Ainda não estou convencida de que não seja perfeito demais, mas não é nada sufocante. Nem um pouco. – O que minha filha poderia ter dito em muito menos palavras, Srta. Brown, é que a sua casa é linda. – Podem me chamar de Parker – falou ela. – E obrigada, Sra. Bliss. Querem um café? – ofereceu. – Ou um chá gelado? – Será que não podíamos dar uma olhada por aí antes? – indagou Deeanne. – Principalmente do lado de fora, já que Wyatt e eu queremos um casamento ao ar livre. – OK, então que tal começarmos lá fora e depois entrarmos pelos fundos? Vocês estão pensando em se casar em setembro – prosseguiu Parker, dirigindo-se à porta que dava para a varanda lateral. – Daqui a exatamente um ano. É por isso que viemos visitar o local agora, assim podemos ver como ficam a paisagem, os jardins, a luz... – Temos várias áreas que podem ser utilizadas para casamentos ao ar livre. A preferida, sobretudo para eventos de maior porte, é o terraço do lado oeste e a pérgula, mas... – Mas? – repetiu Wyatt, enquanto o grupo passeava pela casa. – Vendo vocês dois, imagino algo um pouco diferente. Algo que fazemos de vez em quando. O lago – disse ela, enquanto se dirigiam para os fundos. – Os salgueiros, a ondulação dos gramados... Vejo um dossel todo feito de flores e uma passadeira branca fluindo como um rio entre as fileiras de cadeiras, todas elas brancas, enfeitadas de flores. Tudo isso refletido na água do lago. Muitas flores por todo lado, mas nada formal: arranjos mais naturais. Flores do campo, só que em quantidade inimaginável. Minha sócia Emmaline, que é nossa florista e decoradora, é uma verdadeira artista. Os olhos de Deeanne brilharam. – Adorei o trabalho dela que vi no site. – Você pode falar direto com ela se decidir fazer seu casamento aqui ou mesmo se estiver apenas considerando essa possibilidade. Também vejo luzinhas cintilando, velas tremeluzindo. Tudo natural, orgânico, mas suntuoso, brilhante. O caramanchão de Titânia, a rainha das fadas imaginada por Shakespeare. Você usando algo vaporoso – prosseguiu ela, dirigindo-se a Deeanne. – Com certo ar de fada. Sem véu, só o cabelo solto, entremeado de flores. – Perfeito. Vocês são ótimas, não é mesmo? – É o que fazemos aqui. Criamos o dia que reflita o que vocês mais querem e quem são, tanto individualmente quanto um para o outro. Vocês não querem nada formal, mas algo leve e onírico. Nem contemporâneo nem antiquado. Querem vocês, seguindo para o altar ao som de bluegrass, tocada por um trio. – “Never Ending Love” – acrescentou Wyatt, com um sorriso. – Já decidimos que será essa a música. A sua artista das flores vai trabalhar conosco não apenas na decoração da festa, mas também nos buquês e tudo o mais? – Absolutamente tudo. Cuidamos só de vocês e tratamos de criar o dia perfeito, até mesmo perfeito demais, para os dois – disse ela, sorrindo para Deeanne. – Adorei a ideia do lago – murmurou a moça quando Estavam parados na varanda, olhando para o terreno da propriedade. – Adorei a imagem que você fez surgir em minha cabeça. – Porque essa imagem é você, querida – falou Karen Bliss, pegando a mão da filha. – É a sua cara. – E se a dança for no gramado? – sugeriu a mãe de Wyatt, olhando ao redor. – Também entrei no seu site e sei que vocês têm aqui um magnífico salão de baile. Mas talvez seja possível dançar aqui fora. – Com certeza. As duas coisas, aliás. O que vocês quiserem. Se estiverem interessados, podemos marcar uma reunião com minhas sócias para discutir esses locais e outros detalhes. – Que tal darmos uma olhada no resto da propriedade? – propôs Wyatt, inclinando-se para beijar a testa de Deeanne. Às quatro e meia, Parker estava de volta à sua escrivaninha ajustando planilhas, gráficos e horários. Como os compromissos do dia haviam terminado, o paletó do seu terninho estava pendurado no encosto da cadeira e seus sapatos estavam no chão, debaixo da mesa. Calculou ter mais uma hora de trabalho com a papelada e considerou aquele um dia incrivelmente tranquilo. O resto da semana prometia ser uma correria enlouquecida, mas, com um pouco de sorte, por volta das seis poderia trocar de roupa, mimar-se com uma taça de vinho e sentar para fazer uma refeição de verdade. – Hum? – fez ela, respondendo à batida em sua porta. – Tem um minuto? – perguntou Mac. – Por acaso tenho vários aqui comigo, pode ficar com um deles – brincou, girando a cadeira e vendo a amiga com duas sacolas de compras. – Senti sua falta na ginástica hoje de manhã, mas pelo visto você está caprichando no levantamento de peso. Com um risinho, Mac mostrou o bíceps. – Nada mau, não é? – Está sarada, hein, Srta. Elliot? Vai estar com os braços fantásticos no dia do casamento. Mac se deixou cair numa cadeira. – Tenho que fazer jus ao vestido que você encontrou para mim. Olhe, jurei não ser uma noiva maluca, uma noiva chorona, nem qualquer versão da noiva chata, mas o dia está chegando e preciso que a rainha das cerimonialistas me passe alguma tranquilidade. – Vai ser perfeito e vai dar tudo certo. – Mudei de ideia com relação à primeira dança de novo. – Isso não tem a menor importância. Pode mudar de ideia até a hora que a cerimônia começar. – Mas isso é sintomático, Parks. Não consigo me decidir com relação a um detalhe simples como a porcaria de uma música. – É uma música importante. – Carter está fazendo aulas de dança? Parker arregalou os olhos. – Por que veio perguntar isso para mim? – Eu sabia! Que amor! Você arranjou essas aulas para ele não pisar no meu pé na nossa primeira dança... – Foi ele quem me pediu. Mas é surpresa, então não vá estragar tudo. – Fico até emocionada – confessou ela, erguendo os ombros e os soltando com um suspiro de felicidade. – Talvez eu não esteja conseguindo me decidir porque tenho andado emocionada. Bom, mudando de assunto, fiz aquela sessão de fotos de noivado hoje à tarde. – E como foi? 22 – Perfeito. Eles são tão fofos que eu me casaria com os dois. Depois fiz a maior burrada quando voltava para casa. Dei uma passada no setor de sapatos da Nordstrom. – O que eu já tinha sabiamente deduzido pelas sacolas. – Comprei dez pares. Vou devolver a maioria, mas... – Por quê? Mac estreitou os olhos verdes. – Não incentive a loucura. Mais uma vez, não consegui decidir. Já comprei o sapato do casamento, não é? Todas nós concordamos que ele é perfeito. – Perfeito e lindo. – Isso mesmo. Então, por que diabos comprei outros quatro pares? – Achei que você tivesse dito dez. – Os outros seis são para a lua de mel. Bom, quatro deles, mas eu estava precisando de um sapato novo para trabalhar. E ele era tão lindo que comprei um em tom de cobre e outro verde-escuro. Mas isso não tem importância. – Quero ver. – Primeiro os do casamento. E não diga nada até eu ter enfileirado todos eles – disse Mac, com as duas mãos abertas no ar. – Faça cara de paisagem. Nenhuma expressão, nenhum som. – Vou me virar e continuar mexendo na minha planilha. – Antes você que eu – murmurou Mac, e começou a pegar os sapatos. Parker ignorou o barulho do papel de seda, os suspiros, até que por fim Mac lhe disse que podia olhar. Então ela se virou e correu o olhar pelos sapatos. Levantou-se, passou para o outro lado da mesa, olhou tudo de novo. Manteve o rosto inexpressivo e não disse uma única palavra. Pegou um dos sapatos, examinou-o com cuidado e o pôs de volta no lugar. Passou então ao seguinte. – Você está me deixando maluca – disse Mac. – Fique quieta. Ela foi até uma pasta de arquivos, de onde tirou a foto de Mac vestida de noiva. Trouxe a foto para junto dos sapatos e assentiu. – Com toda a certeza! – exclamou, pegando um deles. – Você seria louca se não usasse este aqui. – Sério? – disse Mac, batendo palmas. – Sério? Porque esse aí é o sapato. O sapato. Mas fiquei só olhando, virando ele para um lado, para o outro... Ah, mas veja como ele é lindo. O salto é todo cintilante e a tira do calcanhar é tão sexy. Mas não é sexy demais. Não acha? – É a combinação perfeita de brilho, sensualidade e sofisticação. Vou devolver os outros. – Mas... – Vou devolver sim, porque você encontrou o sapato perfeito e tem que ficar com ele. Não deve mais olhar para os outros e precisa se manter longe de sapatarias até depois do casamento. – Você é tão sensata... Parker inclinou a cabeça. – Sou mesmo. E, sendo uma mulher sensata, tenho certeza de que esse aqui pode perfeitamente ser o sapato do casamento de Emma. Vou trocar pelo tamanho dela e vamos ver como fica. – Mais uma vez, um show de sensatez! – exclamou Mac, pegando o sapato que Parker tinha mostrado. – É mais romântico, faz mais o estilo princesa. Fantástico. Estou exausta. – Deixe os sapatos de casamento comigo, todos eles. Leve os outros. Ah, e dê uma olhada na agenda quando chegar em casa. Acrescentei algumas reuniões. – Quantas? – Das cinco visitas à casa que tive hoje, ficamos com três reuniões marcadas. Uma ainda tem que ir falar com o pai, que é quem vai pagar as contas. E outra ainda está sondando as possibilidades. – Três em cinco?! – exclamou Mac, comemorando. – U-huuu! – Estou contando com quatro em cinco, porque a que depende do pai quer que seja aqui, e quer mesmo. Quanto à quinta, bom, a noiva simplesmente ainda não está preparada para decidir. A mãe quer que o casamento seja feito por nós. E meus instintos me dizem que, nesse caso específico, isso é um ponto negativo. Vamos ver o que acontece. – Bom, estou empolgadíssima. Três reuniões marcadas e o sapato perfeito para o casamento. Vou para casa cobrir meu homem de beijos, e ele nem vai ficar sabendo que é porque ele está fazendo aula de dança. Obrigada, Parker. Até mais tarde. Parker se sentou e ficou observando os sapatos em cima da mesa. Pensou em Mac correndo ao encontro de Carter. Pensou em Laurel recebendo Del, que voltaria para casa depois de passar dois dias em Chicago a trabalho. E Emma talvez estivesse sentada no seu pequeno jardim, tomando um vinho com Jack e sonhando com as flores do próprio casamento. Girou a cadeira para olhar a planilha na tela do computador. Tinha seu trabalho, lembrou a si mesma. Um trabalho que adorava. E que era o mais importante agora. O BlackBerry tocou e o visor lhe mostrou que outra noiva precisava conversar. – Sempre tenho vocês – murmurou Parker antes de atender. – Oi, Brenna. O que houve? Capítulo dois PARKER TROCOU OS SAPATOS que Mac havia comprado e, já que andava com a agenda muito apertada, só se permitiu comprar um par para si. Almoçou com uma noiva, a tia favorita que a levaria ao altar e a dama de honra, para conversarem sobre as lembrancinhas, a música e, por coincidência, os sapatos. Passou por uma loja onde, a pedido de outra noiva, ajudou nas últimas provas dos vestidos das damas, deu palpites em roupas íntimas e arranjos de cabelo, depois se encontrou com outra noiva e seu grupo para participar da escolha dos tecidos. Em seguida, correu até o Coffee Talk para um rápido encontro com Sherry Maguire, a adorável irmã de Carter, que logo iria se casar. – Diane está cada vez mais chata – declarou Sherry, apoiando o queixo na mão. – Mas não é o casamento dela. – Eu sei, eu sei, só que mesmo assim ela está sendo uma chata. Uma desmancha-prazeres. Fica procurando defeito em tudo. – Sherry, em menos de duas semanas você vai se casar com o homem que ama, não é verdade? Uma luz se acendeu nos olhos azuis da moça. – Ah, claro. – Todos os detalhes desse dia foram pensados para deixar vocês dois felizes, para celebrar esse amor. Não é verdade? – Ah, meu Deus, foram mesmo. Todas vocês foram incríveis. – Pois então, fique feliz. Comemore. E se a sua irmã está pegando no seu pé, tudo o que tenho a dizer é que isso é problema dela. – É exatamente o que Nick diz. – Sherry jogou as mãos para o alto, depois desceu os braços e correu os dedos pelo cabelo louro-dourado. – E minha mãe também. Mas ela está dizendo que não vai comparecer ao ensaio nem ao jantar de ensaio. Uma chata mesmo, pensou Parker, mas tudo o que fez foi dizer: – Puxa, que pena. E por quê? – Ela diz que não foi incluída no casamento. Na verdade, ela não quis ser. Eu a chamei para ser minha madrinha, mas ela recusou. Disse que não entendia por que tinha que se meter naquela confusão, por que eu precisava de duas madrinhas. – Sua irmã e sua melhor amiga. – Exatamente – concordou Sherry, dando um soco na mesa e enfiando a colher no creme que cobria seu café caprichado. – Aí agora resolveu que não vai pagar uma babá só para poder ir ao meu jantar. Eu disse que as crianças também estavam convidadas, aí ela alegou que não vai passar a noite inteira tomando conta de crianças e depois ainda ter que tomar conta delas no casamento também. Os filhos ficam empolgados demais, segundo diz, e ela vai ficar exausta. Aí nós nos oferecemos para pagar a droga da babá para que ela e Sam pudessem ir. Resultado: ela ficou ofendidíssima. Não consigo convencê-la de jeito nenhum. – Então pare de tentar. – Mas ela é minha irmã, Parker. É o meu casamento. Surgiram lágrimas nos olhos de Sherry e a emoção fez sua voz falhar. E isso, pensou Parker, vinha acontecendo desde o começo com uma noiva tão doce, entusiasmada e compreensível. De jeito nenhum ia deixar que estragassem um momento sequer do casamento dela. – Vou falar com ela. – Mas… – Confie em mim, Sherry – disse Parker, pousando a mão sobre as da moça. – Está bem. – Ela respirou fundo e soltou o ar pela boca, piscando para conter as lágrimas. – Desculpe, sou uma idiota. – Não é, não. – E para enfatizar essa afirmação, Parker apertou por um segundo a mão de Sherry. – Sei o que estou dizendo porque conheço um monte de idiotas e você simplesmente não se enquadra no grupo. Então, por favor, tire isso da cabeça por enquanto. Esqueça e pense apenas em como as coisas estão indo bem e que, daqui para a frente, só vão melhorar. – Tem razão. Sabia que você ia fazer eu me sentir melhor. – É para isso que estou aqui. Disfarçando sob a mesa, Parker virou o pulso para ver as horas. Ainda podia ficar uns dez minutos. – E então, já marcaram as datas do spa e do salão, os preparativos finais? Os dez minutos se estenderam por quase quinze, mas Parker podia compensar esse tempo na viagem de volta para casa, onde tinha uma reunião marcada para o fim da tarde. Nem a chuva que começou a cair quando ia pegar o carro a preocupou. Tinha tempo bastante para chegar à mansão, se arrumar um pouco, pegar as pastas, verificar as bebidas e repassar os dados das clientes com suas sócias. Para adiantar as coisas, porém, colocou o fone do celular e ligou para Laurel. – Votos. Confeitaria. – Oi, sou eu, já estou a caminho. Está tudo pronto? – Temos café, chá, champanhe, uns canapés simples, porém fabulosos, e chocolates. Emma já aprontou a parte das flores. Todas vamos estar com os nossos portfólios. Nossa, isso foi uma trovoada? – Foi. Começou a chover ainda agora – respondeu Parker, dando uma olhada para as nuvens carregadas. – Chego em uns vinte minutos. Tchau. A tempestade havia desabado com toda a força e ela pensou que seria ótimo estar abrigada em algum lugar. Mas logo estaria, consolou a si mesma e, por precaução, reduziu a velocidade, pois a chuva varria seu para-brisa. Enquanto seguia pela estrada que levava à sua casa, ia repassando mentalmente os detalhes relativos aos novos clientes. Aconteceu de repente; apenas um borrão em meio ao aguaceiro. O cachorro – ou o veado, talvez – atravessou correndo. O carro que vinha em sentido contrário tentou desviar e derrapou de traseira. Parker tirou o pé do acelerador e pisou no freio, apesar de seu coração ter voltado ao ritmo normal quando o bicho saiu da sua frente. Mas o outro carro derrapou de novo e foi direto para cima dela. Mais uma vez, seu coração deu um pulo. Parker não teve alternativa a não ser virar o volante de um golpe para evitar a batida. Seu carro derrapou e deslizou para o acostamento. Depois foi saindo de traseira, até parar de lado. O outro carro passou a centímetros do dela. E seguiu seu caminho. Parker ficou sentada, com as mãos grudadas ao volante, as pernas trêmulas e o coração batendo tão forte que ela chegava a ouvi-lo. – OK – disse ela, tentando recobrar o fôlego. – Está tudo bem. Ninguém se feriu. Eu não me machuquei. E já que queria continuar sã e salva, decidiu parar o carro inteiro no acostamento até que a tremedeira passasse. Do jeito que estava, outro veículo podia surgir e bater na lateral do dela. O máximo que conseguiu foi provocar um chacoalhar e um baque. Pneu vazio, pensou, fechando os olhos. Perfeito. Pegou o guarda-chuva no porta-luvas e saiu do carro para ver o que tinha acontecido. – Ah, não é um pneu vazio – murmurou consigo mesma. – Um só seria pouco. São dois. Dois malditos pneus furados. Ergueu os olhos para o céu e percebeu, chateada, que ele começava a clarear. Naquelas circunstâncias, o brilho suave do arco-íris que se formava numa mísera réstia de sol era um insulto a ela. Era quase certo que se atrasaria para a reunião, mas pelo menos não chegaria encharcada. Estava tentando ver o lado bom. Voltou para o carro e ligou para o socorro mecânico. Como suas mãos ainda tremiam, preferiu esperar mais alguns minutos antes de telefonar para casa. Decidiu que diria apenas que tinha furado um pneu e estava esperando o sujeito que viria trocá-lo. Poderia muito bem fazer isso sozinha, pensou, mas só tinha um estepe. Passou a mão na barriga, que a incomodava, então pegou uma pastilha de antiácido na bolsa. Provavelmente esperaria uma boa meia hora pelo reboque, se tivesse sorte. E depois ainda teria que pedir ao motorista que a levasse em casa ou então precisaria chamar um táxi. Não ia ligar para casa e pedir a uma das sócias que viesse buscá-la. Não queria que elas vissem o carro. Não antes de uma reunião. Um táxi, decidiu. Se chamasse um táxi naquele instante, ele deveria chegar junto com o reboque. Era a melhor solução. Se ao menos conseguisse parar de tremer, poderia resolver tudo. Poderia lidar com aquela situação. Ouviu o barulho de um motor e seus olhos se dirigiram rapidamente para o retrovisor. Mas ficou mais calma e soltou o ar pela boca ao perceber que o condutor já diminuía a velocidade. Era uma moto, que teria espaço suficiente para passar por ela sem bater. Mas não foi o que aconteceu. Em vez de contornar o carro, a moto parou bem atrás dele. Um bom samaritano, pensou Parker. Nem todo mundo é como aquele outro motorista: um babaca displicente. Abriu a porta e saiu do carro para dizer ao motociclista que já tinha ligado para o socorro mecânico. E viu Malcolm Kavanaugh tirando o capacete preto. Melhor, impossível, pensou ela. Agora ia ser “salva” pelo amigo do irmão e seu atual mecânico, um homem que quase sempre a irritava. Parker ficou só olhando enquanto ele analisava as condições do carro sob a chuva agora mais fraca que encharcava seu cabelo preto e desordenado. A calça jeans de Malcolm estava rasgada no joelho e tinha manchas de óleo na altura das coxas. A blusa preta e a jaqueta de couro completavam a imagem de bad boy sexy feito para o pecado. E uns olhos, pensou Parker quando ele a fitou, que desafiavam uma mulher a cometer uma loucura. Aliás, mais de uma. – Você se machucou? – Não. Ele a olhou de alto a baixo, como se quisesse comprovar a informação. – Seu airbag não abriu. – Eu não estava andando tão depressa assim e não bati em nada. Na verdade, evitei ser atingida por um babaca que desviou para não atropelar um cachorro e veio na minha direção. Tive que dar uma guinada para o acostamento e... – Onde ele está, o outro motorista? – Seguiu em frente. Quem faz uma coisa dessas? Como alguém pode fazer isso? Sem dizer nada, Malcolm foi na direção dela e estendeu a mão para pegar a garrafa de água que estava no porta-copos do carro. – Sente-se. Tome um pouco de água. – Estou bem. Só estou zangada. Estou muito, muito furiosa. Ele a empurrou um pouco, com toda a delicadeza, e ela acabou se sentando de lado no banco da frente. – Como está o seu estepe? – perguntou Malcolm. – Nunca foi usado, é novinho. Troquei todos os pneus no inverno passado. Que droga! – Agora vai precisar de dois novos. Ele se agachou por um instante e aqueles olhos verdes e profundos ficaram no mesmo nível dos dela. Parker levou alguns segundos para perceber que aquele movimento e o tom casual de sua voz provavelmente eram intencionais, para acalmá-la. E já que parecia estar funcionando, ela só podia ficar agradecida. – Vamos arranjar uns que sejam iguais aos que você já tem – prosseguiu ele. – Quero dar uma olhada no carro enquanto fizermos a troca. – OK, tudo bem. – Parker tomou um gole de água, e só então percebeu quanto sua garganta estava seca. – Obrigada. Só estou... – Muito, muito furiosa – completou Malcolm, voltando a se levantar. – O que é normal nessa situação. – E ainda por cima vou me atrasar. Detesto chegar atrasada. Tenho uma reunião marcada... ai, droga!, para daqui a vinte minutos. Preciso chamar um táxi. – Não precisa, não – falou ele e, ao olhar para trás, viu o reboque aproximando-se. – Eles chegaram depressa. Você chegou depressa. Não esperava... – Parou por um instante, pois seu cérebro começava a funcionar de novo. – Você veio assim, de moto? – Vim assim, de moto – afirmou Malcolm. – Afinal, você pediu socorro por ter sido jogada para fora da estrada. Não chamou a polícia? – Não anotei a placa, nem sei que carro era. – E aquilo a deixou irritada. Muito irritada. – Tudo aconteceu tão depressa, estava chovendo e... – E teria sido perda de tempo. Mesmo assim, Bill vai tirar umas fotos e registrar a ocorrência por você. – Está bem. Obrigada – disse ela, levando a mão à testa. – Obrigada mesmo. Acho que estou um pouco atordoada. – É a primeira vez que a vejo desse jeito. Espere aí. Malcolm dirigiu-se ao caminhão e, enquanto ele conversava com o motorista, Parker tomou mais uns goles de água e disse a si mesma que precisava se acalmar. Estava tudo bem. Tudo certo. O motorista lhe daria uma carona até em casa e ela nem chegaria atrasada. Estaria lá em dez minutos e ainda lhe sobrariam cinco para se trocar. Contaria a história do pneu furado depois que a reunião acabasse. Estava tudo certo. Ergueu os olhos quando Malcolm se aproximou e lhe estendeu um capacete vermelho-vivo. – Vai precisar disso. – Por quê? – Segurança acima de tudo, Pernas. – Ele mesmo pôs o capacete na cabeça de Parker e sorriu com um ligeiro ar de zombaria. – Que gracinha. – O quê?! – exclamou ela, arregalando os olhos. – Se está pensando que vou subir nessa moto... – Não quer chegar a tempo para a reunião? Manter a reputação de Rainha da Pontualidade e da Eficiência? Como a chuva parou, não vai nem se molhar. Ele se debruçou de novo por trás dela, e dessa vez seus corpos esbarraram um no outro. Malcolm surgiu com a bolsa de Parker na mão. – Acho que vai querer isso. Vamos. – Será que o motorista... será que ele não pode me levar? Malcolm prendeu a bolsa dela à moto e passou uma das pernas por cima do assento. – Não vá me dizer que tem medo de andar de moto. E ainda por cima só por uns 10 quilômetros. – Claro que não tenho medo. Ele pôs o capacete, ligou a moto e deu umas duas aceleradas fortes. – O tempo está passando... – Pelo amor de... – Ela engoliu as palavras, se aproximou da moto com aqueles saltos altos e, com os dentes cerrados, conseguiu passar uma perna sobre o assento e sentar atrás dele. Sua saia subiu, expondo metade das coxas. – Legal. – Quer fazer o favor de calar a boca? Ela mais sentiu que ouviu o riso dele. – Já andou numa Harley, Pernas? – Não. Por que andaria? 31 – Então vai ver o que é bom. Melhor segurar firme. Em mim – acrescentou ele, depois de um instante. Parker pôs as mãos bem de leve no tronco dele, mas quando o rapaz voltou a acelerar o motor – e ela teve certeza de que ele fez isso de propósito –, ela engoliu o orgulho e o agarrou com força. Por que será que alguém ia querer dirigir uma coisa tão barulhenta, tão perigosa, tão... E lá estavam eles, voando pela estrada, com o vento fresco, perfumado e magnífico soprando em cada pedacinho de seu corpo. OK, admitiu, era uma sensação e tanto, e seu coração deu um pulo quando ele inclinou a moto numa curva. Apavorante. Como uma montanha-russa, coisa que ela podia admitir ser empolgante, porém nem um pouco necessária. A paisagem passava numa velocidade incrível. Parker sentia o cheiro da chuva, do mato, do couro da jaqueta dele, e a vibração da moto entre suas pernas. Tinha algo de sexual. Acrescentava excitação àquela emoção assustadora. Com certeza era por isso que as pessoas andavam de moto. Quando ele entrou pelo portão de sua casa, Parker teve que se conter para não erguer os braços e sentir o vento nas palmas das mãos. Quando pararam diante da entrada da mansão, Del vinha saindo. – Oi, Mal. – Oi, Del. – Onde está seu carro, Parker? – Meu pneu furou na estrada. Malcolm apareceu. O reboque dele está lá resolvendo o problema. Tenho uma reunião agora. Seu irmão balançou a cabeça, e ela percebeu um ligeiro movimento no canto de sua boca. – Você andou de moto, Parker. – E daí? – retrucou a moça, tentando descer da moto com a maior classe, mas os saltos e a saia não ajudaram muito. Malcolm apenas pulou de seu lugar e a tirou da moto como se fosse um pacote a ser entregue. – Obrigada. Muito obrigada. Agora tenho que correr senão... – Vai se atrasar – completou ele, pegando a bolsa dela que tinha ficado presa na moto. – Provavelmente não vai querer usar isso – acrescentou, soltando a tira do capacete e tirando-o para ela. – Obrigada. – Você já disse isso. Mais de uma vez. – Bom... – Sem saber o que fazer, o que não era nada comum, Parker se virou e entrou correndo. Ela ouviu Del dizer: – Entre, vamos tomar uma cerveja. E tentou não se abalar com a resposta do rapaz. – Por que não? Malcolm entrou acompanhando Del e ainda teve tempo de ver Parker, que subia a escada correndo. Que pernas tinha aquela mulher. Dignas de atrizes de Hollywood. As outras sócias, a loura tranquila, a beldade de cabelo preto e a ruiva esguia, estavam paradas na porta do que ele imaginou ser uma sala de visitas, todas falando ao mesmo tempo. Era uma cena e tanto. – Pneu furado – murmurou Del e seguiu em frente. A mansão dos Browns tinha estilo, pensou Malcolm, tinha classe, tinha o peso da tradição, mas mesmo assim, em vez de um museu, conseguia dar a impressão de ser um lar. Imaginou que o mérito era de quem morava ali e dos que haviam morado antes. Cores aconchegantes, arte que atraía o olhar em vez de deixá-lo desnorteado, cadeiras confortáveis, mesas lustrosas, além de flores, flores e mais flores, misturadas com aquele estilo, aquela classe, aquela tradição. Mas ele nunca sentira necessidade de enfiar as mãos nos bolsos por medo de deixar a marca de seus dedos em alguma coisa. Já tinha estado em quase todas as dependências daquela casa, exceto na parte que correspondia ao apartamento de Parker (e não seria nada mal mudar isso), e sempre se sentira à vontade. Mas a parte mais aconchegante e convidativa era sem dúvida a cozinha da Sra. Grady. E lá estava ela, que se virou do fogão, onde preparava algo que espalhava um cheiro maravilhoso pelo ambiente. – Ora, ora, é o Malcolm. – Como vai, Sra. Grady? – Bem – respondeu ela, erguendo uma sobrancelha ao ver Del pegar umas cervejas na geladeira. – Leve isso lá para fora. Não quero vocês me atrapalhando aqui. – Sim, senhora – disseram os dois ao mesmo tempo. – Imagino que vá ficar para o jantar – acrescentou, dirigindo-se a Malcolm. – Está me convidando? – Estou, se Delaney esqueceu a boa educação que teve e não o convidou ainda. – Ele acabou de chegar – resmungou Del. – Como os outros rapazes já vieram me bajular em troca de um jantar depois da reunião, posso arranjar comida para mais um. Se ele não for chato para comer. – Se é a senhora quem vai cozinhar, vou agradecer a Deus até se ganhar só um pedacinho. – Você tem uma língua afiada, não é, meu rapaz? – É o que as mulheres dizem. A Sra. Grady soltou uma gargalhada e bateu a colher na borda de uma panela. – Agora fora daqui, os dois. Del abriu a geladeira e pegou mais duas cervejas. Entregou três das quatro garrafas a Malcolm e pegou o celular enquanto saíam. – Jack, Malcolm está aqui. Vamos tomar umas cervejas. Chame Carter – disse, antes de desligar. Malcolm reparou que ele ainda estava de terno e, embora tivesse tirado a gravata e aberto o colarinho, tinha toda a pinta de um advogado formado em Yale. Como a irmã, tinha uma cabeleira castanha e espessa e os olhos de um azul enevoado. Os traços dela eram mais brandos, mais suaves, mas qualquer um que não tivesse problemas de visão percebia que eram irmãos. Del se sentou e esticou as pernas. Tinha um jeito mais descontraído e muito menos pose que a irmã. Com certeza era por isso que tinha se tornado seu companheiro de pôquer e depois, amigo. Abriram as garrafas e, assim que Malcolm tomou o primeiro gole da bebida gelada, seu corpo relaxou pela primeira vez desde o momento em que pegara as ferramentas de trabalho, doze horas atrás. – O que aconteceu? – perguntou Del. – Como assim? – Não tente me enrolar, Malcolm. Pneu furado uma ova. Se fosse isso, você teria trocado o pneu, ou ela mesma, e Parker não precisaria ter voltado para casa na sua moto. – O pneu furou mesmo. – Malcolm tomou mais um gole de sua cerveja. – Na verdade, foram dois. Ficaram imprestáveis – acrescentou, dando de ombros. Não ia mentir para um amigo. – Pelo que ela disse e pela posição do carro quando cheguei lá, um babaca qualquer invadiu a pista dela para não atropelar um cachorro. Parker teve que jogar o carro no acostamento para não ser atingida. Com o asfalto molhado e talvez por ter feito uma manobra um tanto forçada, ela acabou derrapando, aí furou os dois pneus do lado esquerdo. Pelas marcas no chão, acho que o outro motorista estava correndo muito, o que não era o caso dela. E ele simplesmente se mandou. – E deixou ela lá? – Era nítida a indignação tanto na voz de Del quanto no seu rosto. – Filho da puta! Ela anotou a placa? Viu a marca do carro? – Nem uma coisa nem outra. E não a culpo. Isso deve ter acontecido quando a chuva estava mais forte e toda a atenção de Parker estava voltada para o próprio carro. Acho que ela se saiu muito bem. Não bateu em nada, o airbag nem foi acionado... Ela estava abalada e furiosa. Mais furiosa ainda pela possibilidade de chegar atrasada à reunião. – Mas não se machucou – disse Del, meio falando consigo mesmo. – OK. Onde foi? – A uns 10 quilômetros daqui. – E você estava passando de moto? – Não. – Maldito interrogatório. – Na verdade foi minha mãe que atendeu o telefone e veio me dizer que alguém tinha jogado Parker para fora da estrada. E que ela não tinha como tirar o carro. Então resolvi ir ver como Parker estava enquanto minha mãe mandava Bill sair com o reboque. – Muito obrigada por isso, Malcolm – falou a Sra. Grady. Ela se aproximou e pôs uma tigela de amendoins e um prato de azeitonas em cima da mesa. – Para vocês não ficarem só na cerveja. Seus amigos estão vindo aí – acrescentou, indicando com um gesto de cabeça o gramado, agora na penumbra do crepúsculo. – Você – emendou ela, dando um tapinha no ombro de Malcolm – tem direito a mais uma cerveja, já que o jantar não vai sair antes de uma hora ou mais. E vão ser só essas duas até você ter estacionado aquela máquina monstruosa no quintal da sua casa. – Antes disso, nós dois podíamos sair para dançar. – Olha lá, hein? – retrucou a Sra. Grady com uma piscadela. – Ainda tenho muito pique para essas coisas. E voltou para dentro da casa, deixando Malcolm com um sorriso no rosto. – Aposto que tem mesmo. Ele ergueu sua cerveja na direção de Jack e Carter, cumprimentando-os. – Exatamente o que o médico me receitou – brincou Jack, abrindo uma garrafa de cerveja. Jack Cooke era um arquiteto conceituado e colega de faculdade de Del. As botas pesadas e a calça jeans que usava deixaram claro para Malcolm que aquele dia tinha sido mais de trabalho em obras do que no escritório. A roupa de Jack contrastava com a camisa social e a calça cáqui de Carter. No bolso da camisa dava para ver os óculos de leitura, e Malcolm pôde perfeitamente imaginá-lo sentado no seu novo escritório, corrigindo trabalhos de alunos, com o paletó de tweed de professor Maguire pendurado no armário com todo o cuidado. Percebeu que formavam um grupo bem heterogêneo: Del no seu terno italiano impecável, Jack com suas botas de canteiro de obra, Carter com seu típico traje de professor, e ele mesmo... Bom, se soubesse que seria convidado para jantar, teria trocado de calça. Provavelmente. – O que houve? – perguntou Jack, pegando um punhado de amendoins. – Alguém jogou Parker para fora da estrada. Malcolm foi socorrê-la. – Está tudo bem? – indagou Carter, pondo a cerveja na mesa sem sequer tocá-la. – Ela se machucou? – Não, ela está bem – assegurou Malcolm. – Foram só dois pneus furados. Nada sério. E por causa disso, acabei ganhando umas cervejas e um jantar. Nada mal, não é? – Ele convenceu Parker a vir de moto. Jack bufou e olhou de Del para Malcolm. – É sério? – Dos males, o menor – falou Malcolm, agora relaxado, pondo uma azeitona na boca. – Era enfrentar a moto ou se atrasar para a reunião. De qualquer jeito... – prosseguiu ele, jogando outra azeitona na boca –, acho que ela gostou. Tenho que levá-la para andar de moto de verdade. – OK – disse Del com um risinho. – Boa sorte. – Acha que não consigo fazê-la subir na moto de novo? – Parker não é exatamente como a sua mãe motoqueira. – Olha lá como fala da minha mãe – observou Malcolm, tomando um gole de cerveja. – Aposto 100 pratas que em duas semanas consigo fazê-la andar de moto por uma hora inteirinha. – Isso é que é jogar dinheiro fora. Desse jeito, vou ter que continuar fornecendo sua cerveja. – Eu topo – disse Jack, enfiando a mão na tigela de amendoins. – Não tenho nenhum problema em tirar dinheiro de você. – Feito! – exclamou Malcolm, apertando a mão de Jack para selar a aposta. – Você ainda pode participar – acrescentou ele, dirigindo-se a Del. – OK – concordou o rapaz e olhou para Carter. – Não vai participar? – Não, acho que... Na verdade, vou apostar em Malcolm. O mecânico então o fitou com ar pensativo. – Talvez você seja mesmo tão inteligente quanto parece. capítulo três PELA EXPERIÊNCIA DE MALCOLM, a maior parte das pessoas não se sentava à mesa numa simples quinta-feira para comer presunto caramelizado, batatas assadas com minicenouras e aspargos delicadamente grelhados. E era bem provável que as poucas pessoas que faziam isso não jantavam à luz de velas, com flores e vinho reluzindo em taças de cristal. Isso só mostrava, mais uma vez, que a mansão dos Browns não era como a maioria das casas. Recusou o elegante vinho francês, embora a Sra. Grady não estivesse vigiando. Passara daquela fase em que tomava todas e depois saía de moto havia muito tempo. Mais cedo, tinha pensado em voltar para casa e descansar do longo dia malhando um pouco, tomando uma chuveirada, enfiando alguma coisa entre duas fatias de pão, abrindo uma cerveja e ficando de bobeira diante da tevê. Não teria sido nada mal. Mas precisava admitir que aquilo ali era bem melhor. Não apenas pela comida – apesar de a Sra. Grady ser uma cozinheira.

Avaliações

Avaliação geral: 4.3

Você está revisando: Felizes Para Sempre - Série Quarteto de Noivas - Vol. 4

Carla Oliveira recomendou este produto.
06/10/2015

Quarteto de noivas.

Achei a coleção maravilhosa, fácil de ler, e difícil de largar o livro. Deixei de fazer minhas atividade normais para poder me deliciar com esta maravilhosa coleção.
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elisabete recomendou este produto.
08/04/2015

Amei o livro!

Embora a minha expectativa fosse enorme por ser o último da série, eu adorei o livro!
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Sandy Coelho recomendou este produto.
11/12/2014

O um pouco do esperado

Sendo o último livro do Quarteto de noivas esperava mais um tico da última personagem, pelo fato de ter uma personalidade forte... mas o livro em si é maravilhoso, e o final do jeitinho que tinha que ser! :D
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