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Guia de Uma Ciclista Em Kashgar (Cód: 4892907)

Joinson,Suzanne

Intrinseca

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Descrição

Em 1923, Evangeline English chega com a irmã -Lizzie à antiga cidade asiática de Kashgar, na Rota da Seda, para ajudar a estabelecer uma missão cristã. Lizzie está fascinada por sua poderosa e inflexível líder, Millicent, mas as motivações de Eva para deixar a vida burguesa na Europa são menos claras. Juntas, as três mulheres tentam organizar sua nova casa em meio à pobreza local. Enquanto isso, Eva começa a trabalhar no seu livro, um guia para ciclistas que desejem se aventurar por aquela região. Em Londres, nos dias de hoje, outra história tem início. Certa noite, uma jovem abre a porta de casa e se depara com um homem dormindo no -corredor. Pela manhã, ele não está mais lá, mas deixa na parede o belo desenho de um pássaro de cauda longa e uma frase escrita em árabe. Tayeb, que deixou o Iêmen para morar na Inglaterra, aparece na porta de Frieda no dia em que ela descobre ser a parenta mais próxima de uma mulher que acabou de morrer, uma mulher de quem ela nunca ouviu falar e cujo apartamento abandonado contém muitas surpresas, entre elas uma coruja mal-humorada. Quando os mundos de Frieda e Tayeb se encontram, os dois iniciam uma amizade improvável e embarcam em uma aventura inesperada, como a de Eva. Repleto de cenários de tirar o fôlego e personagens inesquecíveis, “Guia de uma ciclista em Kashgar” é uma história extraordinária sobre tradições e relacionamentos que atravessam gerações.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
Cód. Barras 9788580573275
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580573275
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 272
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorJoinson,Suzanne

Leia um trecho

Eles estavam escaldados, clareados ao sol, como pequenas fl autas, e eu pedi que o carreteiro parasse. Era início da noite. Ansiosas para chegar ao nosso destino, havíamos viajado, da forma inglesa, durante a parte mais quente do dia. Eram ossos de pássaros, empilhados em frente a um tamarindeiro, e suponho que meu destino pudesse ser lido nos desenhos que eles formavam na areia, se eu soubesse como fazê-lo. Foi então que ouvi um grito. Um barulho atroz vindo de trás de um monte de troncos secos de choupos, cuja presença não aliviava em nada a natureza desolada daquela planície deserta em particular. Desci da carreta e olhei para trás, procurando Millicent e minha irmã Elizabeth, mas não consegui ver nenhuma das duas. Millicent prefere andar a cavalo a de carreta, pois é mais fácil parar quando ela deseja fumar um cigarro Hatamen. Nas cinco últimas horas, nossa estrada havia descido através de uma bacia seca, com a parte mais baixa pontilhada por tamarindeiros emergindo de montinhos de areia fi na e esvoaçante acumulada em volta das suas raízes; e então, esses choupos secos. Caules retorcidos de saxauls de casca cinza subiam pelos troncos, e por trás dessa trepadeira havia uma menina de joelhos, curvada para a frente, fazendo um barulho tão extraordinário que mais parecia um urro. Sem pressa, o carreteiro se colocou ao meu lado e fi camos observando-a enquanto ele chupava uma lasca de madeira — insolente e matreiro como toda a gente do seu tipo — sem dizer nada. A menina ergueu os olhos em nossa direção. Devia ter uns dez ou onze anos de idade, com uma barriga redonda como um melão Hami. O carreteiro fi cou simplesmente encarando-a e, antes que eu pudesse, falar ela caiu para a frente, de cara no chão, com a boca aberta como que para comer a poeira, ainda gemendo de forma desconcertante. Atrás de mim ouvi os cascos do cavalo de Millicent passando pelo caminho de pedras soltas. — Ela está em trabalho de parto — falei, adivinhando. Millicent, nomeada nossa líder, representante da Ordem Missionária de Steadfast Face — nossa benfeitora —, levou um século para apear. Horas de viagem haviam claramente enrijecido seu corpo. Insetos zumbiam à nossa volta, atraídos pelo calor que fi cava mais brando. Fiquei observando Millicent. Nenhuma visão podia ser mais incongruente no deserto do que ela, desmontando desajeitadamente do cavalo, com o nariz imponente cortando o ar, e um grande anel de rubi no dedo em desacordo com o resto da indumentária masculina. — Tão nova, ainda uma criança. Millicent se abaixou e sussurrou para a menina em turcomano. Suas palavras provocaram um grito, e então, soluços terríveis. — Está nascendo. Creio que vamos precisar de fórceps. Ela mandou o carreteiro trazer a carreta com os suprimentos e fi cou remexendo nos nossos pertences, à procura do kit médico. Enquanto fazia isso, percebi que um grupo de mulheres, homens e crianças — talvez uma grande família — vinha na nossa direção, fazendo sinais e acotovelando-se espantados ao nos ver, demônios estrangeiros de cabelos da cor da espiga de milho, ali de pé, tão reais quanto qualquer outra coisa em seu caminho. Millicent ergueu os olhos para eles, e então usou seu tom de missionária: — Afastem-se e deem espaço para nós, por favor. Nitidamente chocados com suas palavras precisas, ditas tanto em chinês quanto em turcomano, ajeitaram-se como que para posar para uma foto, e só se calaram quando a menina fi cou de quatro na terra e gritou alto o bastante para matar árvores. — Eva, segure a menina, depressa. A criança chorosa, cuja barriga dilatada era uma abominação, olhou-me como um gato selvagem babando, e eu não queria encostar nela. Apesar disso, ajoelhei- -me no chão de terra ao seu lado, coloquei sua cabeça entre meus joelhos e tentei acarinhá-la. Ouvi Millicent pedir ajuda a uma idosa, mas a bruxa encolheu-se como se o contato conosco pudesse contaminá-la. Com o rosto desesperado da menina enterrado contra as minhas pernas, senti uma umidade vindo de sua boca, ela possivelmente tentava me morder, mas de repente conseguiu se soltar e caiu de volta no chão. Millicent se debateu com ela e conseguiu virá-la de costas. A menina deu gritos lancinantes. — Segure a cabeça dela — disse Millicent. Tentei imobilizá-la enquanto Millicent abria seus joelhos e empurrava-os para baixo com os cotovelos. O pano em torno de sua virilha saiu facilmente. Minha irmã ainda não havia chegado. Ela também prefere andar a cavalo para poder entrar quando quiser no deserto e “fotografar a areia”. Acredita que é capaz de avistá-Lo nos grãos de areia e nas dunas. E a miragem tornar-se-á em lago, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos. Ela canta essas e outras palavras com a voz aguda peculiar que adquiriu desde que foi inteiramente possuída pelas forças da religião. Olhei em volta, procurando por ela, mas foi inútil. Ainda agora posso ouvir aqueles gritos angustiados e medonhos de quando Millicent enfi ou o dedo na carne da menina, fazendo espaço para introduzir o fórceps, até seu pulso fi car molhado com uma mistura de sangue com outro líquido. — Nós não devíamos fazer isso — orientei. — Vamos levá-la para a cidade, deve haver lá gente mais experiente que nós. — Não há tempo. O Cristo misericordioso velará por nós, seus servos, e nos resguardará — disse Millicent sem olhar para mim — do medo e dos maus espíritos, que tentam destruir o trabalho de Suas mãos. O fórceps foi empurrado para dentro e ouviu-se um grito agudo e branco como um assassinato. — Senhor, alivie as agruras da nossa gestação — orou Millicent, dando puxões enquanto pedia —, e nos conceda força e coragem para darmos à luz, e facilite isso com Sua ajuda todo-poderosa. — Nós não devíamos fazer isso — repeti. O cabelo da menina estava úmido e seus olhos estavam cheios de pânico, como um cavalo em uma tempestade. Millicent pôs a própria cabeça para trás para que seus óculos recuassem em seu nariz. Depois, com um movimento rápido, como se puxasse uma âncora, uma criatura vermelho-azulada deslizou para fora com um jato de uma substância aquosa, e foi apanhada como um peixe pelas mãos de Millicent. O sangue da jovem mãe formou rapidamente uma meia-lua na areia. Millicent encostou sua faca no cordão umbilical. Nesse momento Lizzie chegou, com a câmera Leica na mão, vestida com nosso uniforme — calça de cetim preto coberta por uma saia de seda azul-escura e um casaco chinês de algodão preto. A bainha da saia estava suja da terra rosa que cobre tudo por aqui. Ela fi cou parada, observando a cena à sua frente como uma menina perdida que se depara com uma feira. — Lizzie, traga água. A faca de Millicent separou para sempre o bebê da mãe, que estremeceu, balançando a cabeça para trás enquanto o bebê-peixe chorava alto, exigindo que o deixassem entrar no paraíso. A meia-lua continuava a crescer. — Ela está perdendo muito sangue — disse Millicent. O rosto da menina virara para o lado; ela já não se debatia. — O que podemos fazer? Millicent começou uma oração bem baixinho que não pude ouvir muito bem sob o choro do bebê. — Devíamos tirá-la daqui, pedir ajuda — falei, mas Millicent não respondeu. Assisti enquanto ela levantava a mão da mãe. Ela sacudiu a cabeça, mas não olhou para mim. — Millicent, não. Minha fala foi inútil, mas eu não podia acreditar: uma vida desaparecera à nossa frente, nas rachaduras do deserto, como um simples movimento das nuvens. Imediatamente, nossos espectadores atônitos começaram a se manifestar. — O que eles estão dizendo, Lizzie? — gritei. O sangue continuava a escorrer por entre as pernas da menina, uma maré esperançosa à procura de um litoral. Lizzie olhou para as marcas vermelhas no pulso de Millicent. — Estão dizendo que matamos a menina — explicou —, e que roubamos seu coração para nos protegermos das tempestades de areia. — O quê? Os rostos na multidão ousaram se aproximar de mim, precipitando-se em minha direção, colocando as mãos de unhas pretas em mim. Empurrei aquelas mãos. — Estão dizendo que matamos a menina para nos dar força, e que planejamos roubar o bebê para comê-lo — Lizzie falou depressa, com aquela voz aguda e estranha. Sua capacidade de entender aquela impenetrável língua turcomana era muito maior do que a minha. — Ela morreu no parto, de causas naturais, como todos vocês podem muito bem ver — gritou Millicent inutilmente em inglês, repetindo depois em turcomano. Lizzie foi buscar água nos nossos cantis e um cobertor. — Estão exigindo que sejamos executadas. — Bobagem — disse Millicent, pegando o cobertor da mão de Lizzie, e fi caram ali, juntas; damas com sua criada. — Agora, quem vai fi car com o bebê? — perguntou Millicent, erguendo bem alto o recém-nascido que berrava, como se se tratasse de uma cabeça decapitada. Não se ouviu um som daqueles rostos incrédulos que a observavam. — Quem é responsável por essa menininha? Há algum parente por aí? Eu já sabia. Ninguém a queria. Ninguém naquela multidão sequer olhou para a menina no chão, ela própria uma criança, nem para o sangue que se tornava terra. Insetos já caminhavam por suas pernas. Lizzie estendeu o cobertor e Millicent embrulhou aquele furioso pedaço de pele e osso que ainda chorava, fazendo com ele um pacote. Sem dizer uma palavra, passou o embrulho para mim. Fomos então “escoltadas” pelo mais velho da família e seu fi lho até os portões da cidade de Kashgar onde, como que por uma forma mágica de comunicação, já haviam sido avisados da nossa chegada. A Corte dos Magistrados estava aberta, apesar de ser fi m de tarde, e um ofi cial chinês veio nos ver, pois, embora aquela fosse uma área muçulmano-turca, era administrada pelos chineses. Nossas carretas foram vasculhadas, nossos pertences, examinados. Tiraram minha bicicleta do fundo da carreta, e tanto ela como nós, suponho, atraíram uma grande multidão. Bicicletas raramente são vistas por aqui, e uma mulher pedalando é simplesmente inimaginável. Millicent explicou: — Nós somos missionárias, absolutamente pacífi cas. Quando nos aproximávamos da sua cidade, deparamos-nos com a jovem mãe. — Depois disse baixinho para nós: — Sentem-se imóveis como o Buda. Indiferença é a melhor coisa em situações como essa. O crânio do bebê era uma coisa curiosa e quente em minha mão, nem macio, nem duro; uma concha almofadada repleta de sangue novo. Era a primeira vez que eu segurava no colo um bebê tão novo, uma menininha. Enrolei-a no cobertor, bem apertado, e encostei-a no meu corpo numa tentativa de acalmar os punhos irritadiços e o rosto vermelho-arroxeado de uma alma raivosa que urrava de indignação e terror. Depois de um tempo, ela caiu no sono, exausta. Eu a examinava a todo instante, com medo de que ela morresse. Esforçávamo-nos para fi car imóveis, tanto quanto possível. Havia murmúrios e discussões no rápido dialeto local. Millicent e Lizzie sibilaram para mim: — Cubra o cabelo. Ajeitei meu lenço rapidamente. Meu cabelo, como o de minha mãe, é de um ruivo brilhante, e nessa região isso parece ser um acontecimento. Durante a última etapa da nossa viagem de Osh para Kashgar, os homens em particular me olhavam de boca aberta como se eu estivesse nua, como se estivesse rebolando diante deles com asas nas costas e anéis de prata no nariz. Nas aldeias, as crianças corriam em minha direção, apontando, depois se afastavam com medo, até que cansei disso e cobri a cabeça como se fosse uma maometana. Isso funcionou, mas o lenço escorregara durante o tumulto na terra. Millicent traduziu para nós: devido às acusações das testemunhas, seríamos julgadas, acusadas de assassinato e bruxaria (ou de invocar demônios). Ou melhor, ela seria julgada. Pois fora ela quem levantara o bebê para o alto e usara a faca para cortar o cordão umbilical da menina. — Teremos de subornar essa gente para sair dessa situação — disse Millicent baixinho, com o rosto tão rígido quanto a terra calcinada do deserto. — Nós lhes daremos dinheiro — falou, com a voz calma e clara —, mas teremos de mandar uma mensagem para as pessoas que nos fi nanciam em Xangai e Moscou, o que levará alguns dias. — Vocês serão nossas hóspedes — respondeu o ofi cial. — Nossa grande cidade de Kashi terá prazer em recebê-las. Fomos, portanto, forçadas a permanecer nessa área coberta de terra rosa e poeirenta. Não exatamente em “prisão domiciliar”, mas, visto que temos de pedir permissão para sair do domicílio, confesso que não vejo a diferença.

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