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Heróis e Covardes (Cód: 126635)

Griffin, W. E. B.

Landscape

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Descrição

De Xangai às Ilhas Wake, os Fuzileiros Navais foram a primeira linha de defesa dos Estados Unidos quando o turbilhão da guerra explodiu com o devastador ataque surpresa a Pearl Habor. Agora, o autor da aclamada saga best-seller Brotherhood of War conta a história do Corpo de Fuzileiros Navais- seus amores e suas lealdades - quando eles preparam-se para a luta, e juntam forças para fazer o sacrifício máximo.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Landscape
Cód. Barras 9788588647220
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 8588647222
Profundidade 1.50 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2003
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 323
Peso 0.48 Kg
Largura 16.00 cm
AutorGriffin, W. E. B.

Leia um trecho

1 Um Companhia D, Quarto Regimento do Corpo de Fuzileiros Navais Xangai, China 2 de janeiro de 1941 O Soldado de Primeira Classe, Kenneth J. McCoy, estava parado, de pé, com as mãos nos quadris, olhando fixamente para o baú aos pés da sua cama. Estava na mesma posição, imóvel, há algum tempo. Tentava tomar uma decisão. Ele tinha 21 anos, 1,70m de altura e pesava 70 quilos. Tinha um corpo bem constituído, mais para flexível que musculoso. Suas feições eram tranqüilas, a pele loura, e usava seus cabelos castanhos claros cortados à escovinha. Tinha olhos castanhos, brilhantes; e quando, como agora, estava concentrado, sua sobrancelha se arqueava, seu lábio superior subia, como se o problema que enfrentava o estivesse divertindo. Na infância fora coroinha na Igreja Saint Rose of Lima em Norristown, Pennsylvania, e isto deixara marcas ainda claramente perspectiveis: olhando atentamente se percebia que, debaixo de sua aparência comportada, quase inocente, havia um alter ego ansioso por pular fora, e fazer alguma coisa proibida. Era o dia 2 de janeiro, um dia após o ano novo, e o SPC McCoy estava de folga. Era também o segundo dia após o pagamento, e ele tinha no bolso o "dinheirinho do jogo". Então estava a fim de tentar a sorte. E o que ele tinha que decidir, era se saia armado, e neste caso com que armas, ou não. Sucedera que, na véspera de Natal, no salão de baile do Little Club, houvera uma briga, não totalmente inesperada, entre Fuzileiros Navais americanos, e fuzileiros servindo uma Força Militar Internacional em Xangai, convocados por Sua Majestade Victor Emmanuel III, Rei da Itália. Não era a primeira vez que isto acontecia, mas desta vez a coisa tinha ido longe demais. McCoy ouvira que havia dezoito italianos mortos, e oito Fuzileiros estavam no hospital, dois deles em risco de vida. Havia rumores, e McCoy acreditava neles, que alguns bandos de italianos andavam pela cidade à caça de fuzileiros americanos. Os oficias com certeza acreditaram na história, porque autorizaram os Fuzileiros a saírem armados de cartucheira ( com pequenos bolsos que continham material de primeiros socorros ) e baionetas. Um baioneta embainhada era um bom cassetete; uma baioneta desembanhada era uma excelente arma de defesa. E, autorizar os homens a saírem com baionetas, era bem menos do que autorizá-los a saírem com rifles carregados ou outras armas mais mortíferas. McCoy não estivera no baile do Little Club na véspera de Natal, em parte porque um colega que quisera festejar o Natal enchendo a cara, lhe oferecera três dólares ( que McCoy conseguira aumentar para cinco) para cobrir seu turno. Mas mesmo que não fosse por isto, McCoy não teria ido ao baile. Ele sabia que a festa seria, ou deprimente como o diabo, ou haveria uma briga entre Fuzileiros americanos e italianos. Ou entre os Fuzileiros e marinheiros escoceses. Ou entre os Fuzileiros e a Legião Estrangeira francesa. Arrumar encrenca na véspera de Natal não era o que McCoy chamava de bom divertimento. E, do jeito que as coisas estavam agora, arranjar encrenca era uma idéia ainda pior. A túnica azul de Fuzileiro Naval de McCoy tinha dois novos adornos, a divisa de soldado de primeira classe, e uma faixa diagonal, acima do punho, que significava o cumprimento de quatro anos de serviço sem falhas. Tinha se comprometido a mais quatro anos, com o acordo de que, se comprometendo a tal, seria promovido a SPC. E com esta promoção poderia prestar o exame para cabo. Também tinha sido acordado, não oficialmente, que ele teria uma boa nota quando comparecesse diante da banca de promoção, para o exame oral. Eles fariam isto, porque todo mundo sabia que suas chances numa primeira tentativa, no exame escrito, eram poucas. E neste caso a promoção seria difícil. Mas eles estavam errados. Ele queria muito esta promoção e se preparara para o exame. A parte mais difícil era a "engenharia militar", composta basicamente de questões de matemática. E ele tinha um grande talento para matemática, e achava que poderia responder a todas as questões. Mas McCoy ainda tinha outras cartas na manga. Quando a comissão de promoção se reuniu no Quartel dos Fuzileiros em Washington, para preparar a lista de promoções a cabo, eles deixaram claro que levariam em conta o que chamavam de "qualificações adicionais". McCoy descobrira, com uma leitura atenta do regulamento, que por trás deste quesito havia mais do que poderia esperar alguém mais desatento, como habilidade para manejar um calibre 45 ou uma Springfield. É claro que se ganhavam pontos com isto, e ele conseguiria estes pontos, porque era um bom atirador. Mas você também ganhava pontos se você pudesse datilografar sessenta palavras por minuto. E ele datilografava setenta e cinco palavras por minuto. Mantivera esta capacidade em segredo quando se realistara, porque não ia se alistar nos Fuzileiros Navais para fazer trabalho burocrático. Mas ainda havia algo mais. Era o seu "conhecimento de línguas estrangeiras". Este conhecimento, na sua opinião, ia fazer dele um cabo muito antes do que alguém pudesse imaginar. Sua mãe era francesa e ele aprendera esta língua ainda criança. Depois estudara latim na escola secundaria da Igreja Saint Rose of Lima porque era obrigado. Quando chegou a Xangai não se surpreendera com o fato de que falava fluentemente com os franceses da Legião Estrangeira. Mas o surpreendente era que ele se fazia compreender em italiano também. Podia ler documentos e até jornais naquela língua. E ainda não era tudo. Como a maioria dos outros homens do Quarto Regimento, ele logo se viu gastando metade do seu soldo para ter um pequeno apartamento e uma garota chinesa que lavasse sua roupa, dormisse com ele, e fizesse uma série de outros servicinhos úteis. Mai Sing sabia ler e escrever, coisa não muito comum com as garotas chinesas. E, como ele decidira que não queria uma esposa, nem mesmo temporária, por enquanto, fez um acordo com ela. Ela lhe ensinaria a falar o dialeto cânones de Xangai e a ler e escrever alguns ideogramas e, em troca, ele a mandaria de volta, para seja lá qual fosse o lugar de onde ela viera, com 200 dólares no bolso para comprar um bom marido. Havia um exame de línguas standard do governo americano, e ele foi até o consulado para prestá-lo. E saiu de lá com o resultado de que o governo americano o considerava "completamente fluente" em francês falado e escrito, que era a nota máxima; "quase fluente"em italiano falado e escrito; "quase fluente"em cantonês falado, e tinha tirado nota 75/55 em cantonês escrito, o que queria dizer que ele lera setenta e cinco por cento dos ideogramas do exame, e escrevera o ideograma referente a cinqüenta por cento das palavras apresentadas. O responsável pelo exame, no consulado, ficara tão impressionado com o chinês de McCoy, que tentara convence-lo a pedir uma transferência para o destacamento de segurança. Ele garantia que, conseguida a transferência, ele não teria que, nem uma só vez, montar guarda. Eles estavam sempre precisando de gente que falasse e escrevesse chinês. Mc Coy não aceitou. Não tinha se alistado nos Fuzileiros para ser um empregado de escritório. Nem que fosse no consulado. A lista de promoção estava prestes a ser divulgada. Ele tinha certeza que seu nome estaria nela, e num dos primeiros lugares. E não queria que nada pudesse prejudicar isto. E, se meter numa briga com italianos, era uma bela maneira de foder tudo. Também não conseguiria a promoção se estivesse morto e, do jeito que a briga ia, de mal a pior, esta era uma possibilidade muito real. Então havia dois problemas em sair armado de cartucheira e baioneta. Para começar, ele ia ficar ridículo sentando na mesa de pôquer do Hotel Cathay Mansions, com aquela indumentária. E se ele, armado, encontrasse mesmo alguns fuzileiros italianos, seria muito mais difícil evitar uma briga. McCoy finalmente abriu o baú e, debaixo de uma pilha de camisas muito bem passadas, tirou sua "Queridinha Fairbairn". Ele a tinha ganho de um policial da Prefeitura de Xangai, num jogo de pôquer. Tinha apostado 100 yuans contra ela. O policial se chamava Bruce Fairbairn, e ele tinha inventado uma faca realmente fantástica, uma espécie de punhal. Estava tentando vendê-la a todo mundo, tinha mesmo vendido uma grande quantidade ao General Smedley Butler, o comandante geral dos Fuzileiros Navais na China. E dizia-se até que o general quisera comprar todo o estoque para revender, mas o Corpo de Fuzileiros não lhe deu o dinheiro. A faca de McCoy era exatamente igual á Fairbairn original, apenas um pouco menor e não tão longa. Era do tamanho exato para poder ser escondida na manga, com a ponta da lâmina na altura do cotovelo, e o cabo embaixo do punho. McCoy tirou a túnica, prendeu a Queridinha com correias no braço e voltou a vestir-se, olhando-se no espelho de corpo inteiro, preso atrás da porta. Satisfeito, saiu do quarto. Os alojamentos eram prédios de tijolinhos, de dois andares, que o Quarto Regimento dos Fuzileiros comprou quando chegou à China em 1927. Comprou quarteirões deles, o bastante para alojar um batalhão. Foram levantadas cercas em volta dos prédios, com rolos de arame farpado em cima. No portão havia uma guarita, cercada por barreiras de sacos de areia, e guardada vinte e quatro horas por dia, por dois homens armados. Quando ele passava pelo portão, um dos guardas disse a McCoy que houvera uma nova briga e mais dois Fuzileiros Navais acabaram no hospital. Talvez fosse melhor voltar e pegar sua baioneta. "Não vou passar nem perto do Little Club", disse McCoy. "E não estou a fim de briga". Um garoto, conduzindo um riquixá, chegou ao portão. "Me leve ao Hotel Cathay Mansions", disse McCoy, em chinês, enquanto subia no riquixá. "Ao Hotel Cathay Mansions?", perguntou o guarda, que tinha entendido o chinês, "mas que diabo você vai fazer lá?" . "Vou a um chá dançante", respondeu McCoy, enquanto o garoto começava a correr pela Ferry Road. Quando chegaram ao hotel, McCoy pediu ao garoto que o deixasse na esquina. Pagou a corrida e depois voltou andando pela calçada, passou pela entrada principal, e entrou num beco que levava à parte de trás do hotel. Desceu um lance de escadas, que dava numa porta de aço e bateu. Uma pequena janela se abriu, olhos chineses o examinaram, e a porta foi aberta. Ele andou por um longo corredor, desviando de algumas goteiras, até que chegou à uma nova porta de aço, com uma placa dizendo "Depósito B-6". Bateu de novo, e abriram a porta. Fuzileiros Navais dos Estados Unidos não eram bem vindos no saguão de entrada maravilhosamente acarpetado e decorado do Hotel Cathay Mansions. A gratidão, renovadamente expressa pelos europeus do Acordo Internacional, pela proteção oferecida pelos Estados Unidos contra os japoneses e o Kuomintang de Chiang Kai-shek, não ia tão longe a ponto de considerar um Fuzileiro Naval com um de seus iguais. O SPC Ken McCoy, no entanto, era bem vindo ali, naquele depósito no porão, que era administrado, com a devida permissão de Sir Victor Sasson, dono do hotel, por seu porteiro, um russo caucasiano. O depósito tinha uma mesa octogonal, coberta por um pano verde, e cadeiras. Uma luminária tinha sido instalada em cima da mesa, dirigindo uma luz que iluminava perfeitamente as cartas, e as mãos que as manejavam, sem provocar brilhos excessivos. McCoy era bem vindo porque sempre levava para a mesa 50 dólares americanos, - as vezes bem mais que isto - e estava disposto a perdê-los com o maior espírito esportivo, nunca reclamando. Nos quatro anos que estivera na China, McCoy desenvolvera um sistema de jogo que resultara num saldo de quase 2.000 dólares no Banco Barclays. Ele chamava esta conta de "aposentadoria programada". Começava a jogar, todo mês, com 50 dólares, dos quais 25 vinham do seu soldo (que, deduzidos os impostos, chegava a um liquido de 49 dólares), e o resto da sua "aposentadoria". Jogava até perder o último centavo, ou até se cansar. Se tinha ganho, depositava na conta exatamente a metade do que passasse dos 50 dólares. O resto era o seu cacife inicial para o próximo jogo. Muitas vezes ficava duro no meio do mês, mas nunca voltava a jogar, até receber o novo pagamento. E normalmente depositava mais na "aposentadoria"do que os 25 dólares que sacaria para o próximo jogo. Algumas vezes, não muitas, o jogo corria muito bem, e ele depositava 50 ou 60 dólares. Uma vez tinha depositado 140,90 dólares. Quando se aproximou do grupo, a luz fez com que apenas as mãos e os braços dos parceiros fossem viziveis por alguns instantes, na escuridão. Logo seus olhos se acostumaram e ele viu também os rostos. O russo caucasiano, que dizia ter sido coronel do Sétimo Regimento de Cavalaria de Petrogrado de Sua Majestade Imperial, estava na mesa. Piotr Petrovich Muller (ele contara a McCoy que seu sobrenome alemão era porque ele era um dos vienenses que tinham sido contratados para ir a Moscou , construir o Kremlin) era um homem grande muito bem barbeado. Cumprimentou McCoy de cabeça e fez sinal para que ele puxasse uma cadeira. Havia ainda um outro russo que, após a Revolução, se alistara na Legião Estrangeira, e um Sikh, um sargento desuniformizado da Polícia Municipal de Xangai. E também o Sargento Detetive Lester Chatworth, da Polícia Municipal de Xangai, que olhou para McCoy e disse, "Pensei que você fosse ficar lá fora, descendo o braço nos italianos". A não ser por um bigode fino, muito bem aparado, Chatworth era bem parecido com McCoy, mas tinha o sotaque anasalado, típico de Liverpool. "Achei mais negócio vir aqui tirar todo o seu dinheiro", respondeu McCoy. "Por que não? É o que todo mundo está fazendo!", disse o Sargento Detetive, com um sorrisinho. Os homens em volta da mesa não tinham nada em comum, a não ser preencher os requisitos que Piotr Muller julgava básicos para ser um jogador de pôquer decente. Todos jogavam razoavelmente bem e, uma vez ou outra, já tinham perdido um bom dinheiro, e levado tudo na esportiva. McCoy era pelo menos dez anos mais jovem que todos os outros, e vinte e cinco anos mais jovem que Muller. Nenhum deles se encontrava socialmente nunca, e também não freqüentavam os outros, talvez, quarenta residentes temporários de Xangai que eram bem vindos à mesa de pôquer de Muller no porão do Hotel Cathay Mansions. Ninguém estranhou quando McCoy tirou a túnica revelando a presença da Queridinha Fairbairn presa ao seu antebraço. Era prudente, mesmo que tecnicamente ilegal, carregar uma arma se você ia sair na noite de uma cidade como Xangai. McCoy pendurou a túnica nas costas de sua cadeira, soltou a faca do braço, e guardou-a no bolso. Então se sentou, e pôs seu dinheiro na mesa. Pelo cambio corrente, 50 dólares equivaliam a pouco mais de 400 yuans. Ele pôs na sua frente quatro notas de 100 yuans, com suas cores características de alfazema e branco, impressas na Inglaterra, e exatamente do tamanho de uma nota inglesa de 5 libras esterlinas. Tinha também algum troco, incluindo uma nota de 1 dólar. Ajeitou-se na cadeira e esperou que terminasse a mão que estava sendo jogada. Quando acabou, Muller fez-lhe um sinal de cabeça, e ele pegou um maço novo de cartas, deslacrou-o, e correu as cartas encontrando e descartando os curingas extras. Depois passou o maço para que os outros o examinassem. Devolvidas as cartas, ele embaralhou-as, anunciou, "Straight pôquer", e serviu. Três horas depois, McCoy tinha diante de si vinte notas de 100 yuans; o Sikh e o legionário tinham perdido tudo; e o jogo ficara entre McCoy, Piotr Petrovich Muller, e o Sargento Detetive Chatworth. Passada mais meia hora, Muller examinou seu jogo, jogou as cartas na mesa e se afastou. Sobraram Mc Coy e o Sargento Detetive Chatworth. "Não jogo contra apenas um parceiro", anunciou McCoy. "Também estou a fim de parar", disse Chatworth, e jogou o novo maço de cartas numa cesta já lotada de cartas usadas Com os músculos endurecidos após três horas de pouco movimento, McCoy se levantou e esticou os braços sobre a cabeça. Depois recolocou a Queridinha no braço, vestiu a túnica, e acompanhou os outros para fora do depósito. Uma vez na rua, McCoy pensou na possibilidade de dar uma trepadinha. Já fazia uma semana, e seria bom dar uma descarregada. Mas acabou decidindo que não. Primeiro porque tinha muito dinheiro com ele. Não tinha feito a conta exata mas tinha ganho uma boa bolada, algo como 250 dólares, considerando cada 100 yuans como 12 dólares. Era muito dinheiro para ficar dando sopa num puteiro. Mesmo que não houvesse italianos pelo caminho. A coisa certa a fazer era voltar para o alojamento. Levantou a mão, chamou um riquixá, e deu ao garoto o endereço do quartel. Três quarteirões antes do seu destino, viu os fuzileiros italianos, escondidos num beco. Eram quatro, todos uniformizados, com calças do exército e túnicas da marinha. Estou cuidando só dos meus próprios negócios, disse McCoy para si mesmo, não tenho baioneta nem cartucheira, e não tenho nada a ver com a briga do Little Club. Nem estive lá. Com um pouco de sorte, ele me deixam passar. Eles não disseram nada quando o riquixá passou pelo beco, e era claro que eles tinham visto que o passageiro era um fuzileiro americano. Por um momento ele achou que eles iriam esperar por algum fuzileiro que estivesse a fim de briga. Então o riquixá capotou. O garoto começou a urrar de medo e raiva, antes mesmo que McCoy atingisse o chão, rasgando o cotovelo de sua túnica no asfalto imundo. McCoy sentou-se e olhou em volta, procurando um jeito de escapar. Mas os italianos tinham escolhido muito bem o local. Não havia por onde fugir. Vou tentar levá-los no papo, pensou McCoy, Eu não estive no Little Club, não tenho nada a ver com esta porra, estou fora. Aí ele viu um dos italianos vindo para cima dele, com uma corrente de bicicleta balançando na mão. McCoy se sentiu meio tonto, um gosto desagradável no céu da boca. "Não sei a fim de quem você está", disse McCoy, em italiano, "mas eu não tenho nada com isto". O italiano respondeu que a mãe de McCoy gostava de dar o rabo para porcos, e que ele ia arrancar o saco dele. A corrente não acertou a perna de McCoy mas, antes que explodisse no asfalto com um som metálico, raspou em sua calça, rasgando-a . McCoy deslizou para o lado e, num pulo, pôs-se de pé, tirando a Queridinha da manga. O italiano disse que a irmã de McCoy adorava chupar o pau dos marinheiros gregos, e que ele ia tirar-lhe a faca e enfiá-la bem no meio do rabo dele. McCoy sentiu, mais do viu, que outros dois italianos estavam se posicionando atrás dele. A idéia era que os dois o segurassem por trás, enquanto o terceiro o espancaria com a corrente. A única saída era conseguir passar pelo italiano à sua frente. Ele fez um movimento gingado com a faca e o italiano deu um passo atrás. Poderia dar certo. E era o único jeito. Ele deu outra finta de corpo, projetou a faca à frente, soltou o berro mais selvagem que conseguia, e pulou de lado. A corrente passou brilhando pelo local exato onde McCoy estava um segundo antes. McCoy virou-se e a ponta da Queridinha entrou no peito do italiano, bem abaixo das costelas. McCoy sentiu a faca arranhar o osso e penetrar na carne. O italiano começou a desabar, e McCoy não conseguiu segurar a faca. O homem gemeu, caiu, soltou a corrente, rolou no chão e, sentando-se, tentou arrancar a Queridinha do seu abdômen. Deu um puxão forte e a faca saiu. Mas, no mesmo instante, um jorro de sangue grosso explodiu na sua boca. O italiano pareceu confuso por um momento, e depois caiu de lado. Meu Deus, eu matei o cara! Um dos três outros italianos fez o sinal da cruz e saiu correndo. Os outros dois partiram para cima de McCoy, um deles tentando destravar uma pequena pistola automática. Desta porra aí, eu não tenho como fugir! McCoy rapidamente pegou a Queridinha e precipitou-se sobre os italianos. Foi para cima do que tinha a arma, tentando tira-la dele, ou pelo menos joga-la no chão. McCoy se projetou com a faca, enquanto o colega do italiano saia de lado. A faca atingiu a face de um deles, mas o outro conseguiu pegar McCoy por trás, dando-lhe um abraço de urso. Agora a arma já estava destravada. McCoy lembrou-se de que uma bala calibre 22 ou 25 te mata exatamente do mesmo jeito que uma 45, só que demora um pouco mais para você morrer, talvez uma semana. Com uma força que não sabia que tinha, McCoy soltou o braço direito e, num arco, jogou-o para trás. A faca penetrou profundamente em alguma coisa, não tão duro quanto uma costela, mas entrando quase toda. O homem desabou e levou a faca com ele. Livre, ele se jogou contra o italiano com a pistola. A arma disparou, com um som seco, e ele sentiu uma pancada na sua perna, como um chute forte. Deu um soco na arma e, quando ela caiu no asfalto, mergulhou atrás dela. Pegou-a e apontou-a contra o italiano. Então alguma coisa chamou sua atenção. Seu golpe de faca tinha atingido a virilha do italiano. E ele estava segurando a Queridinha com as duas mãos, tentando arranca-la de lá. O cabo da faca escorregava nas suas mãos ensangüentadas. O homem gemia, seu rosto coberto de lágrimas. Na distancia, McCoy ouviu o som da sirene do seu quartel. Isto vai foder a minha promoção, ele pensou. Estes italianos filhos de uma puta!

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