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Longe Daqui (Cód: 2624045)

Bloom,Amy

Nova Fronteira

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Descrição

'Longe Daqui' é a história íntima e épica de Lillian Leyb, uma heroína acidental. Ao perder a família num pogrom russo, vai para os Estados Unidos sozinha, determinada a seguir em frente numa nova terra. Quando recebe a notícia de que a filha, Sophie, talvez ainda esteja viva, Lillian embarca numa verdadeira odisséia que a leva do mundo do teatro iídiche, no Lower East Side de Nova York, ao distrito do jazz de Seattle e, em seguida, ao Alasca, passando pelo lendário Telegraph
Trail, rumo à Sibéria. Essa surpreendente viagem, conduzida pelo amor materno, faz de Longe daqui um romance belo e arrebatador, que cativa imediatamente o leitor.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Nova Fronteira
Cód. Barras 9788520920985
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788520920985
Profundidade 0.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Amy Bloom
Número da edição 1
Ano da edição 2009
MÊS FEVEREIRO
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 224
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorBloom,Amy

Leia um trecho

É sempre o mesmo sonho. Ela está morta. Também está cega. Tudo o que consegue ver é uma explosão vermelha no interior de suas pálpebras, como se estivesse deitada de costas no campo mais longínquo de Turov no dia mais claro de junho, fechando os olhos sob o sol do meio-dia. O mundo inteiro desapareceu, as árvores, os pássaros, as chaminés; não há nada além de um céu branco que baixa suavemente e que se transforma em seu lençol. Um pedaço de palha a cutuca na face, ela o afasta com a mão e sente o sangue seco no rosto. Esfrega os olhos e sente os fios de sangue que lhe cerravam as pálpebras. Rolam por sua face, e entram na boca, coágulos de sangue duros como grãos de pimenta; vão amolecendo em sua língua... ela os cospe na mão e a mão se tinge de vermelho. Ela vê tudo, agora, em todas as direções. O chão vermelho. O marido caído no vão da porta, coberto por um sangue tão espesso que endureceu o camisão de dormir que ele usava. Há coisas no chão entre eles: o bule de chá da avó em pedaços, o balde, de cabeça para baixo, o pano que penduravam para ter privacidade. A mão de alguém. A mãe dela está caída também, estripada como uma galinha através do avental, que cai como uma cortina tosca dos dois lados do seu corpo. Lillian está de pé, nua, no cômodo vermelho, e a cor recua, feito a maré. Seu pai está junto à porta de entrada, de rosto para baixo, ainda segurando o cutelo que usaria contra os intrusos. Seu próprio machado está enterrado fundo em sua nuca. A caminha da filha está vazia. Há uma outra mão no chão, ali do lado, e ela pode ver a linha dourada da aliança de Osip. Lillian acorda com seus próprios gritos. — Sonhos ruins? — pergunta Judith. Lillian faz que sim e Judith diz, com sensibilidade e delicadeza: — Não precisa me contar. E Lillian não lhe conta que ouvira os homens sussurrarem junto à janela do quarto delas, que as paredes da casa eram tão finas em alguns lugares que ouviu um homem tossir do outro lado e um segundo sussurrar e que sentiu que parara de respirar. A pequena Sophie estava deitada de bruços, sonhando, sugando a ponta da colcha. Os homens empurraram a porta com os ombros, com força, e Lillian pegou Sophie. As paredes foram violentamente sacudidas, juntamente com a porta, mas era uma casa velha, madeira velha, barro velho, todo perfurado de buracos da espessura de um lápis, e o reboco aos poucos começou a cair em torno do portal. A parede ia ceder num minuto. Lillian tapou a boca de Sophie com a mão. A menina arregalou os olhos e Lillian a sentiu pressionar os lábios na palma úmida de sua mão, dando beijinhos no escuro. Lillian sussurrou no ouvido de Sophie: — Nem uma palavra, ketzele. No cômodo de fora, um homem que nenhum dos Leyb jamais vira enterrou a lâmina de um machado no pescoço do pai dela e Lillian segurou Sophie com mais força. Osip se levantou no quarto escuro; a lua brilhou por um breve momento, iluminando-o, e a última visão que Lillian teve do marido foi a de um sujeito alto e magro num camisão de dormir marfim, tateando a sua volta à procura dos óculos. Um homem cujo pai tinha rebanhos que pastavam não longe da cevada dos Leyb o apunhalou quando ele entrou no outro cômodo, e o corpo de Osip caiu diante da cortina que usavam como divisória. Ele se arrastou na direção da porta da frente. Lillian envolveu o pescoço e os ombros de Sophie com o cachecol de lã azul, enfiando as pontas dentro de sua camisolinha. Osip gritou. Lillian deslizou a janelinha até abri-la e levantou Sophie. Beijou-a na testa. — Vá correndo para o galinheiro — ordenou Lillian. — Esconda-se atrás das galinhas. Em silêncio. Rápido. Amo você. Ela levantou Sophie e a empurrou para fora, segurando-a até o último segundo possível, para que a queda não fosse muito grande. Talvez tenha dito amo você baixo demais, pensa nisso o tempo todo, mas não podia dizer de novo, não podia gritar para o quintal. Ouviu o baque do corpinho de Sophie, ouviu-a dizer Ai, ai, com muita coragem. Ouviu os passos hesitantes de Sophie, enquanto esta se dirigia ao galinheiro. Lillian empurrou o pequeno colchão e a boneca de Sophie para baixo de sua cama e ergueu os olhos, deparando-se com um homem que entrava, afastando a cortina. Ele a fitou, avaliando suas próprias opções, ou talvez já se arrependendo dos eventos daquela noite (aqueles mortos não iam trazer de volta o gado do pai; talvez não fossem nem mesmo os judeus que tivessem amaldiçoado seu pai, afinal de contas). Houve um longo momento em que o único som no outro cômodo era o ruído de dois homens juntando objetos de valor (a taça do kiddush, um pequeno porta-retrato de prata, uma panela de cobre — não havia mais nada) numa fronha; não levou tempo algum e, além disso, ela ouvia o assobio fraco e persistente do policial que passava, arrastando uma vareta pela cerca. O homem veio na direção de Lillian com a faca e também ela avaliou suas próprias opções. Levantou-se e encarou o homem, pensando que uma briga longa e uma morte lenta dariam a Sophie mais chances. Atirou-se na direção dele com a clareza vagarosa, que se encrespava, do desastre físico. O homem arremeteu contra a camisola de Lillian, cortando-a da axila até quase a barra, e o tecido esvoaçou ao seu redor. Deitada ao lado de Judith naquela cama quente e estreita, sua pele se arrepia com o choque do ar frio da noite, quando apenas segundos antes estava suando. Transformou as mãos em garras, para atacar os olhos azuis dele, injetados de sangue, mas mesmo assim de um azul celeste, e ele estendeu o braço para cortar Lillian de verdade, e o policial chamou os homens pelos nomes desta vez. Ergueu a voz de um modo amigável e firme, como se tivesse surpreendido garotos quebrando garrafas atrás de um celeiro ou incomodando uma garota no mercado. “Vão para casa, camaradas. Uma longa noite para todos — vão para casa agora. Já basta.” E o homem apunhalou Lillian uma vez no peito, do ombro até o quadril, depois sacudiu a cabeça, como se ela o tivesse feito perder tempo. O policial chamou novamente. O homem esticou as pernas para passar por cima dos corpos dos pais de Lillian e do marido dela e um deles derramou no chão uma xícara de chá; podia ter sido apenas um acidente, um momento de descuido enquanto ele limpava a faca na toalha de mesa da mãe dela. Então, os três saíram pela porta da frente e foram embora, seguindo adiante, na direção oposta à do galinheiro.

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