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Mentes Perigosas - O Psicopata Mora ao Lado (Cód: 2602832)

Silva,Ana Beatriz Barbosa

Fontanar

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Descrição

Quando pensamos em psicopatia, logo nos vem à mente um sujeito com cara de mau, truculento, de aparência descuidada, pinta de assassino e desvios comportamentais tão óbvios que poderíamos reconhecê-lo sem pestanejar. Isso é um grande equívoco! Para os desavisados, reconhecê-los não é uma tarefa tão fácil quanto se imagina. Os psicopatas enganam e representam muitíssimo bem.
'Mentes Perigosas' discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. Esses 'predadores sociais' com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria da população: aquelas a quem chamaríamos de 'pessoas do bem'.
Eles podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloqüentes, 'inteligentes' e sedutores costumam não levantar a menor suspeita de quem realmente são. Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade.
Em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo e sem arrependimento. Porém, o que a sociedade desconhece é que os psicopatas, em sua grande maioria, não são assassinos e vivem como se fossem pessoas comuns.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Fontanar
Cód. Barras 9788573029161
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788573029161
Profundidade 1.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 210
Peso 0.44 Kg
Largura 14.00 cm
AutorSilva,Ana Beatriz Barbosa

Leia um trecho

Qualquer história sobre consciência é relativa à conectividade que existe entre todas as coisas do universo. Por isso, mesmo de forma inconsciente, alegramo-nos frente à natureza gentil dos atos de amor. CAPÍTULO 1 RAZÃO E SENSIBILIDADE: UM SENTIDO CHAMADO CONSCIÊNCIA Lembro como se fosse hoje. Fecho os olhos e lá estou eu e meus colegas no anfiteatro principal do Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Aquilo que a princípio deveria ser mais uma das palestras do nosso vasto currículo do curso de medicina foi fundamental na minha vida profissional. Era sexta-feira, nove horas da manhã, e eu me encontrava sonolenta e exausta, em função do plantão que havia feito na noite anterior. Confesso que por uns dez a 15 minutos quase rezei para que o palestrante faltasse ao seu compromisso. Dessa forma, poderia ir para casa, tomar um belo banho e dormir o sono dos justos sem nenhuma pontinha de culpa. Por volta de 9h15, um homem franzino e muito branco, que trajava uma calça jeans e um discreto blusão azul, adentrou o auditório repleto de alunos, subiu no tablado e desenhou na lousa o seguinte gráfico: Em tom provocador e entusiasmado, ele entonou em voz firme e forte a seguinte questão: “O que é consciência?” Ainda sob o impacto daquela estranha presença, que sequer se apresentou, a turma entreolhava-se de forma discreta na expectativa de que alguém quebrasse o silêncio constrangedor que inundava o anfiteatro. Por mais estranho que possa parecer, aquele silêncio me despertou, ou melhor, toda aquela situação me intrigou de alguma forma. Senti-me desafiada pelo questionamento que aquele homem havia jogado no ar! Rapidamente ajeitei-me na cadeira, esfreguei os olhos e impulsivamente disparei: “Bom dia, mestre, sou estudante do terceiro ano desta faculdade (UERJ) e gostaria de saber o seu nome, a sua especialidade e uma pequena explicação sobre o gráfico na lousa.” Por uma fração de segundos percebi que tinha sido ligeiramente indelicada e também desafiadora. Quando deparei com o professor à minha frente, pude observar certo bom humor em sua fisionomia, o que foi confirmado por suas palavras: “Bom dia a todos os acadêmicos aqui presentes! Meu nome é Osvaldo e sou médico psiquiatra, professor assistente da cadeira de psiquiatria desta faculdade.” Sem pestanejar, o professor Osvaldo, dirigindo-se a mim, fez valer a lei da ação e reação: “Vejo que você está muito interessada no tema de hoje. Então vamos iniciar nossa aula com a sua descrição sobre a consciência.” Naquele momento percebi que o ditado “quem está na chuva é pra se molhar” era inteiramente verdadeiro e, sem possibilidades de fuga, falei: “Professor, quando ouço a palavra consciência dois sentimentos me vêm à cabeça: um de ordem prática, ou seja, se estou acordada ou não; e outro de ordem subjetiva, que me remete ao fato de eu ter consciência de quem eu sou e qual o meu papel no mundo.” Com um sorriso de aprovação nos lábios, o professor continuou:“Em parte você já explicou o gráfico aqui colocado. De certa forma, seu ponto de vista está correto. Mas vamos nos aprofundar um pouco mais nessas questões.” Apontando para o desenho na lousa, ele prosseguiu: “ESTAR consciente é fazer uso da razão ou da capacidade de raciocinar e de processar os fatos que vivenciamos. ESTAR consciente é ser capaz de pensar e ter ciência das nossas ações físicas e mentais. Na clínica médica, podemos averiguar o estado de alerta ou lucidez que uma pessoa apresenta num determinado momento. Assim, podemos perceber num exame clínico o estado ou nível de consciência, no qual podemos encontrar as seguintes palavras: lúcido, vigil, hipovigil, hipervigil, confuso, coma profundo etc. Todas elas atestam o nível de percepção que temos em relação ao mundo. “Alguém que utilize certas doses de álcool, por exemplo, pode apresentar o seu nível de consciência reduzido (hipovigil) ou até mesmo atingir o estado de coma. De forma inversa, as anfetaminas (estimulantes) — muito utilizadas em dietas de emagrecimento — costumam fazer o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais ‘acesas’, mais ‘elétricas’, com a fala rápida, e podem provocar insônia e muita irritabilidade. Esse estado é conhecido como hipervigilância.” Finalmente alguém falava de forma clara como deveríamos iniciar um exame clínico dos nossos futuros pacientes. Entusiasmados e atentos às explicações do professor, fizemos inúmeras perguntas sobre acidentes automobilísticos, traumatismos cranianos, substâncias tóxicas e tantas outras situações que podem alterar nossos níveis de consciência. A segunda parte da aula não se tratava mais de identificar o estado ou nível de consciência de alguém, mas sim de algo muito mais complexo. Agora a questão era “SER ou não SER”. “SER consciente não é um estado momentâneo em nossa existência, como falamos anteriormente. SER consciente refere-se à nossa maneira de existir no mundo. Está relacionado à forma como conduzimos nossas vidas e, especialmente, às ligações emocionais que estabelecemos com as pessoas e as coisas no nosso dia-a-dia. Ser dotado de consciência é ser capaz de amar!”, concluiu o professor. Ao soar o sinal, a maioria da turma se levantou, esvaziando o anfiteatro. Por alguns minutos, fiquei ali pensativa como se algo tivesse me atingido de forma estranha e paralisante. Vi o professor Osvaldo saindo; de longe fez um gesto discreto de despedida que, sem querer, não consegui responder. Na minha mente duas palavras ecoavam estridentes: consciência e amor! Não sabia explicar o porquê, mas naquele momento fui tomada por duas inquestionáveis certezas: eu estava lúcida (vigil) e experimentava uma emoção maravilhosa e transcendente de ser uma pessoa consciente. De lá para cá, muitos anos se passaram, mas aquela aula — em especial a sua parte final — foi decisiva na minha vida. A partir daquele dia, exercer a psiquiatria passou a ser parte inseparável da minha existência. Eu tinha a consciência de que a minha profissão seria um canal por onde emoções muito boas transitariam por toda a vida. Ser consciente é ser capaz de amar Como visto na aula do professor Osvaldo, o termo consciência é ambíguo, sugerindo dois significados totalmente distintos. E por isso mesmo, é compreensível que a esta altura o leitor esteja confuso. Na realidade, a consciência é um atributo que transita entre a razão e a sensibilidade. Popularmente falando, entre a “cabeça” e o “coração”. Falar sobre consciência pode ser uma tarefa “fácil” e “difícil” ao mesmo tempo. O “fácil” são as explicações científicas sobre o desenvolvimento da consciência no cérebro, que envolvem engrenagens como atenção, memória, circuitos neuronais e estruturas cerebrais, que só serviriam para confundir um pouco mais. Nada disso vem ao caso agora, pelo menos não é esse o meu propósito. Portanto, esqueça! Aqui, vou considerar o lado “difícil”, subjetivo e relativo ao sentido ético da existência humana: o SER consciente. Mostrar apreço às condutas louváveis, ser bondoso ou educado, ter um comportamento exemplar e cauteloso, preocupar-se com o que os outros pensam a nosso respeito nem de longe pode ser definido como consciência de fato. Afinal, a consciência não é um comportamento em si, nem mesmo é algo que possamos fazer ou pensar. A consciência é algo que sentimos. Ela existe, antes de tudo, no campo da afeição ou dos afetos. Mais do que uma função comportamental ou intelectual a consciência pode ser definida como uma emoção.

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