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Micróbios na Cruz (Cód: 176998)

Camargos,Marcia

Companhia Das Letras

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Descrição

'Micróbios na Cruz' narra a vida de Formiguinha, uma menina que cresceu na conturbada década de 1960 em Minas Gerais e, principalmente, em São Paulo. A partir da ingênua perspectiva infantil, a narrativa filtra a fala dos adultos e revela estereótipos, preconceitos e expectativas de uma família de classe média ascendente. O livro é também o retrato - traçado por uma menina curiosa e espantada - de uma época de grandes mudanças comportamentais e políticas. É forte a presença do universo religioso na vida dela, que entra para o segundo grau numa famosa escola de freiras.

Características

Peso 0.29 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
I.S.B.N. 8535906622
Altura 21.00 cm
Largura 14.00 cm
Profundidade 1.30 cm
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788535906622
País de Origem Brasil
AutorCamargos,Marcia

Leia um trecho

1 Estico os braços para a silhueta da mulher recortada contra o sol. Mal posso distinguir seu rosto na luminosidade, mas sei que tem pele clara, lábios rosados que raramente vêem o colorido de um batom e olhos molengas, escorridos pelos cantos, como se fosse chorar de repente. Ela não se move, deduzo que devo gritar para chamar atenção. Daqui de baixo solto um arremedo de choro, encho os pulmões, engasgo, tusso, e no desespero acho forças para berrar alto: "Eu quero a mamãe Tininhaaaa!!!" Ela leva um susto, vira-se e, dando-se conta da minha existência, me ergue do carrinho. Bato os pés de contentamento como faço quando tenho meus desejos atendidos. Não que eu desgoste do colo da irmã dela, minha outra mãe, só que, na verdade, depois da Mãe Principal a mamãe Tininha é a mais cheirosa. Morro de pena das outras crianças, obrigadas a se contentar com uma mãe apenas, eu tive a sorte de nascer com três mães e não posso me queixar da vida, quando uma está ocupada, a outra fica à minha disposição e, na falta de todas, o que dificilmente ocorre, conto com meu tio. Brincalhão, ele tem um cheiro acre-ocre de cigarro de palha e solta fumaça em rodinhas para me fazer rir. Engraçado... Apesar de ser marido da Mãe Principal, que também é minha madrinha, ele não é meu pai e sim meu tio. Os irmãos das minhas outras mães não são meus tios nem meus pais, só primos, e, assim como eu, minhas outras mães são filhas da Mãe Principal, mas não são minhas irmãs. O mundo adulto tem uma lógica especial, com relações de parentesco complicadas de entender. Mesmo com tantas mães, não tenho nem sequer um pai, o que não me afeta, pois meu tio, que me apelidou de Formiguinha, cumpre o papel sem demonstrar mau humor nem quando é obrigado a usar a cama de solteiro que puseram no quarto deles porque me recuso a ir para o berço. É muito mais gostoso passar a noite deitada junto da Mãe Principal, com um respirar pausado e o dom de espantar os medos para longe, perto dela não há pesadelo nem monstro, ela me acalma como a figura do anjo de asas amarrotadas sobre a cabeceira. Antes de dormir ela veste uma camisola branca de mangas compridas e solta os cabelos presos em coque por uma espécie de pente marrom. Se ela soubesse como fica bonita assim, nem pensava duas vezes antes de se trocar logo cedinho, escolhendo uma saia-e-blusa dentre as de ficar em casa, separadas de um lado do armário daquelas de sair, de fazer visita, receber alguém importante, ir a enterro ou velório. O único lugar para onde vamos sem pôr roupa nova é a casa da minha avó, logo defronte - ela não se inclui entre as visitas-de-cerimônia, a qualquer hora a Mãe Principal dá um pulo lá sem ao menos se dar o trabalho de tirar os sapatos gastos, na verdade um tipo de sandália que recobre o pé inteiro, deixando só um pedacinho do dedão à mostra, e cujas laterais estufam por causa do joanete, que deforma até os pares novinhos em folha sobre os quais às vezes tento me equilibrar. O dia mais cintilante da semana é o domingo. Logo cedo, quando todos saem para ir à missa, ficamos só as duas, eu e minha Mãe Principal, no silêncio do casarão vazio. Embora reze comigo toda noite, ela nunca os acompanha à igreja, porque está sempre muito Ocupada, mas não tem medo de ir para o Inferno, Deus sabe que há coisas de mais para dar conta, quase não sobra tempo para tomar banho e menos ainda para ir ao dentista, aonde não vai já faz dez anos. Em geral ela não pára um minuto, tem que arrumar as camas, retirar o lixo e preparar a comida, enquanto eu a sigo pelos cômodos como uma sombra, tentando não atrapalhar, embora às vezes fique no meio do caminho, obrigando-a a diminuir o ritmo de alguma tarefa. Mas hoje, surpreendentemente, ela parece tranqüila, acha uma brecha e me leva de carrinho para uma volta no jardim, vamos almoçar na casa dos meus avós e não há necessidade de cozinhar. Daí ela penteia meus cabelos finos com uma escova molinha, me põe um vestido do enxoval encomendado na modista mais cara da cidade e me deixa toda engomada com a recomendação de me mexer o mínimo possível para não amassar. Nada como ser o xodó dos primos, tias e tios, eles comem esquisitices que me dão para experimentar, engulo sem sentir o gosto, nem ligo para isso, o melhor de tudo é mudar de colo, basta fazer cara de birra e apontar com o dedo para passar de um braço para outro, todos fazem festa e me disputam, especialmente as primas, que são lindas apesar de não chegarem aos pés das minhas mães. A algazarra das vozes me atordoa, os perfumes diferentes embrulham meu estômago, os aromas se embaralham, e um enjôo aperta minha barriga. Encaro a tia de olhos verdes e lábios carnudos, cujo penteado é mantido firme por uma dose descomunal de laquê, pode correr e pular que não desmancha um fio, mas o cheiro do produto é demais para minhas entranhas, sem aviso algum vomito sobre o vestido dela a mistura de leite, carne assada, angu, pé-de-moleque e biscoito de polvilho. Aflita, a Mãe Principal acode, com uma fralda tenta conter as golfadas que não param, sou levada para junto da minha avó, só que os lençóis não têm o cheiro reconfortante da cama em que durmo e a náusea fica ainda mais forte, até se tornar insuportável. Concentro-me, tento respirar, alguma coisa gruda na minha garganta e me sufoca, procuro forças, as mesmas que conjuro quando quero dar um berro, mas de repente sou tomada por uma fraqueza sem precedentes e me deixo carregar por uma lassidão macia de algodão-doce. "Pelo amor de Deus, acorda!" O desespero da Mãe Principal me faz tremer de pena, abro os olhos devagar e recebo como recompensa um sorriso cheio de lágrimas. Ela pousa a mão sobre minha barriga, uma quentura me invade e a dor se esvai de dentro para fora até desaparecer, como se tivesse o dom da cura de Jesus, que ressuscitou um morto desse jeitinho mesmo. Todos suspiram aliviados, inclusive minha avó, coitada, aquela de cabelos azulados de tão brancos, pingentes brilhantes nas orelhas espichadas pelos brincos, anéis e pulseiras que põe mesmo sem nenhuma visita-de-cerimônia em casa. Fico encantada com a largura dos seus quadris e a bengala na qual se apóia e que às vezes usa para bater de leve em algum neto levado, o rosto miúdo de nariz aquilino desproporcional ao restante do corpo, é redonda e baixa, assim mesmo meu avô, dos seus quase dois metros de altura, faz tudo o que ela manda, igual ao meu tio com a Mãe Principal, por isso quando crescer quero um marido como eles, bonzinho e compreensivo, serei mandona e muito Ocupada, com milhares de coisas para fazer o dia inteiro.