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Milagre dos Andes - 72 Dias na Montanha e Minha Longa Volta para Casa (Cód: 1389054)

Parrado,Nando; Rause,Vince

Objetiva

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Milagre dos Andes - 72 Dias na Montanha e Minha Longa Volta para Casa

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Descrição

Em 'Milagre nos Andes', o uruguaio Nando Parrado - principal responsável pelo resgate de seus amigos nas montanhas após 72 dias de agonia - é o primeiro dos sobreviventes a contar, com extraordinária franqueza e sensibilidade, a sua própria versão do acidente. O resultado supera o simples relato de uma aventura real: é um olhar revelador sobre a vida à beira da morte. Refugiados em parte da fuselagem do avião, uma geleira estéril a mais de 4.500 mil metros de atitude, sem suprimentos ou meios de chamar ajuda, Nando e seus amigos lutaram para suportar temperaturas gélidas de até 30ºC abaixo de zero, avalanches mortais, sede, o dilema devastador de se verem obrigados a comer carne humana para não sucumbir à fome e, por fim, a notícia devastadora, por um rádio que ainda funcionava precariamente, de que a busca por eles havia sido cancelada.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573027853
Altura 0.00 cm
I.S.B.N. 8573027851
Profundidade 0.00 cm
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 276
Peso 0.44 Kg
Largura 0.00 cm
AutorParrado,Nando; Rause,Vince

Leia um trecho

Nas primeiras horas não havia nada, nenhum medo ou tristeza, nenhuma sensação da passagem do tempo, nem mesmo vestígio de um pensamento ou lembrança, apenas um silêncio negro e perfeito. Então a luz surgiu - um borrão fraco e cinza de luz do dia - e fui em direção a ela, saindo da escuridão como um mergulhador que sobe lentamente para a superfície. A realidade se infiltrou no meu cérebro como uma transfusão lenta e eu despertei, com grande dificuldade, para um mundo crepuscular, entre o sonho e a consciência. Ouvi vozes e percebi movimento ao meu redor, mas meus pensamentos estavam confusos e minha visão, embaçada. Tudo o que via eram silhuetas negras e poças de luz e sombras. Perplexo diante daquelas formas vagas, notei que algumas das sombras se moviam, e percebi que uma delas pairava sobre mim. - Nando, podés oírme? Está me ouvindo? Você está bem? A sombra se aproximou e, enquanto eu a observava em silêncio, ela se transformou em um rosto humano. Vi um emaranhado de cabelos pretos sobre olhos castanho-escuros. Havia bondade naqueles olhos - aquela pessoa me conhecia -, mas além da bondade havia outra coisa, uma ferocidade, uma dureza, um traço de desespero contido. - Acorde, Nando! Por que estou sentindo tanto frio? Por que minha cabeça dói tanto? Tentei desesperadamente dar voz a esses pensamentos, mas meus lábios não conseguiam formar as palavras, e o esforço esgotou minhas forças num instante. Fechei os olhos e me deixei levar de volta para as sombras. Logo em seguida ouvi outras vozes e, quando olhei novamente, mais rostos flutuavam sobre mim. - Ele está acordado? Consegue nos ouvir? - Fale alguma coisa, Nando! - Não desista, Nando. Estamos aqui com você. Acorde! Tentei falar novamente, mas só consegui produzir um sussurro rouco. Então alguém se agachou perto de mim e falou bem lentamente em meu ouvido. - Nando, el avión se estrelló! Caimos en las montañas. Nós caímos, ele disse. O avião caiu. Caímos nas montanhas. - Você consegue me entender, Nando? Eu não conseguia. Entendi, pela urgência comedida daquelas palavras, que era uma notícia muito importante. Mas não conseguia desvendar seu significado ou compreender o que ela tinha a ver comigo. A realidade parecia distante e amortecida, como se eu estivesse preso em um sonho e não conseguisse me forçar a despertar. Fiquei horas naquele devaneio, então finalmente meus sentidos começaram a clarear e pude examinar à minha volta. Desde os meus primeiros e turvos instantes de consciência, fiquei intrigado com uma fileira de pequenas luzes circulares que flutuavam acima da minha cabeça. Agora percebia que essas luzes eram as janelinhas redondas de um avião. Notei que estava no chão da cabine de passageiros de um avião comercial, mas quando olhei para a frente, para a cabine do piloto, vi que tudo naquele avião estava errado. A fuselagem rolara para o lado, de modo que minhas costas e minha cabeça descansavam contra a parede inferior direita da aeronave, enquanto minhas pernas se esticavam no corredor, que se curvava para cima. A maioria dos assentos sumira. Cabos e tubos balançavam no teto avariado e retalhos do isolamento pendiam como trapos sujos de buracos nas paredes destruídas. O chão à minha volta estava repleto de pedaços de plástico, lascas de metal retorcidas e outros escombros. Era dia. O ar estava muito gelado e, por mais aturdido que estivesse, fiquei espantado com a intensidade do frio. Vivera toda a minha vida no Uruguai, um país quente, onde até mesmo os invernos são brandos. A única vez em que encarei um inverno de verdade foi aos 16 anos, quando morei em Saginaw, Michigan, como estudante de intercâmbio. Não levei nenhuma roupa de frio para Saginaw e me lembro da minha primeira experiência com um genuíno pé-de- vento de inverno do Meio-Oeste, como o vento atravessou o meu casaco leve e como meus pés congelaram dentro dos mocassins. Mas eu jamais imaginara algo como as cortantes rajadas de vento abaixo de zero que sopravam pela fuselagem. Este era um frio selvagem, de triturar os ossos, que queimava minha pele como ácido. Sentia a dor em cada célula do meu corpo e, à medida que ela me provocava uma tremedeira espasmódica, cada instante parecia durar uma eternidade. Deitado no chão gelado do avião, não havia como me aquecer. Mas não era só o frio que me preocupava. Havia também uma dor latejando na minha cabeça, pancadas tão duras e cruéis que era como se um animal selvagem estivesse preso no meu crânio e se debatesse desesperadamente para sair. Toquei de leve o alto da minha cabeça. Coágulos de sangue emplastravam meus cabelos e três feridas abertas formavam um triângulo irregular de cerca de 10 centímetros sobre minha orelha direita. Senti arestas duras de osso quebrado sob o sangue coagulado e, quando pressionei levemente o local, tive uma sensação esponjosa de afundamento. Meu estômago se embrulhou quando entendi o que isso significava - estava pressionando pedaços do meu crânio contra a superfície do cérebro. Senti no peito as pancadas do coração. Minha respiração ficou ofegante. Quando estava prestes a entrar em pânico, vi aqueles olhos castanhos sobre mim e finalmente reconheci o rosto do meu amigo Roberto Canessa. - O que aconteceu? - perguntei a ele. - Onde estamos? Roberto franziu o cenho enquanto examinava os ferimentos na minha cabeça. Ele sempre fora uma pessoa séria, obstinada e intensa e, olhando em seus olhos, vi toda a tenacidade e confiança que o distinguiam. Mas havia algo de novo em seu rosto, algo sombrio e perturbador que eu nunca vira antes. Era o semblante angustiado de um homem lutando para crer no inacreditável, ou de uma pessoa atônita com uma enorme surpresa. - Você ficou inconsciente por três dias - ele disse, sem emoção alguma na voz. - Já tínhamos desistido de você. Aquelas palavras não fizeram sentido. - O que aconteceu comigo? - perguntei. - Por que está tão frio? - Você consegue me entender, Nando? - disse Roberto. - Nós caímos nas montanhas. O avião caiu. Estamos presos aqui. Meneei a cabeça debilmente, confuso, ou me recusando a crer, porém não tinha como negar por muito tempo o que acontecia à minha volta. Ouvi gemidos fracos e gritos de dor repentinos e compreendi que eram os sons de outras pessoas sofrendo. Vi os feridos deitados em camas improvisadas e redes por toda a fuselagem, e outros vultos se agachando para ajudá-los, falando baixinho uns com os outros enquanto iam e vinham pela cabine com uma determinação serena. Notei, pela primeira vez, que a parte da frente da minha camisa estava coberta por uma crosta marrom e úmida. Ao tocá-la com a ponta do dedo, senti que era viscosa e coagulada e compreendi que aquela nojeira era o meu sangue secando. - Está entendendo, Nando? - Roberto perguntou novamente. - Você se lembra? Nós estávamos em um avião... indo para o Chile... Fechei os olhos e assenti com a cabeça. Agora eu estava fora das sombras, minha confusão já não podia mais me proteger da verdade. Compreendi tudo e, enquanto Roberto limpava delicadamente o sangue seco no meu rosto, comecei a lembrar. Era sexta-feira, dia 13 de outubro. Brincamos com o fato de sobrevoarmos os Andes em uma data tão agourenta, mas os jovens sempre fazem esse tipo de brincadeira. Nosso vôo saíra um dia antes de Montevidéu, minha cidade natal, com destino a Santiago do Chile. Era um vôo fretado em um Fairchild bimotor com propulsão a jato transportando meu time de rúgbi, o Old Christians Rugby Club, para um amistoso contra um grande time chileno. Havia 45 pessoas a bordo, incluindo quatro tripulantes - piloto, co-piloto, mecânico e comissário de bordo. A maioria dos passageiros era formada por meus colegas de time, mas também nos acompanhavam amigos, familiares e outras pessoas que apoiavam a equipe, incluindo minha mãe, Eugenia, e minha irmã mais nova, Susy, que estavam sentadas do outro lado do corredor, uma fileira à minha frente. Inicialmente, voaríamos para Santiago sem escalas, uma viagem de cerca de três horas e meia. Porém, após algumas poucas horas no ar, notícias de mau tempo nas montanhas forçaram o piloto Julio Ferradas a aterrissar na antiga cidade colonial de Mendoza, logo ao leste das colinas dos Andes. Finalmente, o Fairchild decolou do aeroporto de Mendoza às 14h18, hora local. Enquanto subia, o avião se inclinou para fazer uma curva à esquerda e logo estávamos voando para o sul, com os Andes argentinos se erguendo à nossa direita no horizonte ocidental. Pela janela do lado direito da fuselagem olhei para as montanhas, que se elevavam da planície escura abaixo de nós como uma miragem negra, tão sombrias e majestosas, tão assombrosamente vastas e enormes, que só de olhá-las meu coração disparou. Elas eram enraizadas em leitos de rocha maciços, com bases colossais que se estendiam por quilômetros, seus cumes pretos erguiam-se das planícies, um pico se juntando ao outro, parecendo formar um colossal muro de fortaleza. Eu não era um jovem inclinado à poesia, mas parecia haver um aviso na grande autoridade com a qual aquelas montanhas se mantinham ali, e era impossível não pensar nelas como seres vivos, dotadas de mente, de coração, e de uma consciência antiga e meditativa. Não é de surpreender que os antigos considerassem aquelas montanhas como lugares sagrados, a entrada para o paraíso e a morada dos deuses. Abaixei-me para olhar pela janelinha. Estávamos sobrevoando um tapete de nuvens espessas, mas, por entre as fendas nas nuvens, dava para ver uma muralha de rocha e neve passando. O Fairchild estava um pouco inclinado e a ponta vibrante da asa estava a menos de 10 metros das encostas negras das montanhas. Olhei para aquilo por um momento sem conseguir acreditar, e então os motores do avião guincharam à medida que os pilotos tentavam desesperadamente ganhar altitude. A fuselagem começou a vibrar com tanta violência que tive medo que ela se despedaçasse. Minha mãe e minha irmã viraram para me olhar por cima dos assentos. Nossos olhos se encontraram por um instante, e então um tremor poderoso chacoalhou o avião. Ouviu-se um terrível barulho de metal rangendo. De repente, vi céu aberto sobre minha cabeça. Ar gelado batia no meu rosto e notei, com uma estranha calma, que nuvens serpeavam pelo corredor. Não havia tempo para entender o que estava acontecendo ou para rezar ou sentir medo. Tudo aconteceu num átimo. Então fui arrancado do meu assento com uma força incrível e atirado na escuridão e no silêncio. - Aqui, Nando, está com sede? Era meu colega de time Gustavo Zerbino, agachado ao meu lado, pressionando uma bola de neve contra os meus lábios. A neve era gelada e queimou minha garganta quando engoli, mas meu corpo estava tão desidratado que a sorvi em grandes goles e quis mais. Várias horas haviam se passado desde que despertara do coma. Minha mente estava mais clara e eu tinha inúmeras perguntas a fazer. Quando terminei de beber a neve, puxei Gustavo para mais perto. - Onde está minha mãe? - perguntei. - Onde está Susy? Elas estão bem? O rosto de Gustavo não revelou nenhuma emoção. - Descanse um pouco - ele disse. - Você ainda está muito fraco. Ele se afastou e os demais se mantiveram a distância por um tempo. Implorei diversas vezes que me dessem notícias dos meus entes queridos, mas minha voz não passava de um sussurro e era fácil para eles fingir que não ouviam. Deitei-me tremendo no chão frio da fuselagem enquanto os outros se moviam ao meu redor, procurando ouvir o som da voz da minha irmã e olhando em volta em busca do rosto de mamãe. Como eu queria ver seu sorriso amoroso, seus olhos azul-escuros, ser abraçado por ela e ouvir que estava tudo bem. Eugenia era o coração da nossa família. Sua sabedoria, força e coragem sempre foram a base de nossas vidas, e eu precisava tanto dela que sua falta doía mais do que o frio ou o latejar na minha cabeça. Quando Gustavo voltou com outra bola de neve, agarrei a manga da sua camisa. - Onde elas estão, Gustavo? - insisti. - Por favor. Gustavo me olhou nos olhos e deve ter notado que eu estava preparado para uma resposta. - Nando, você precisa ser forte - ele disse. - Sua mãe está morta. Quando recordo esse momento, não sei dizer como a notícia não me destruiu. Nunca precisara tanto do toque de minha mãe, e agora me diziam que eu jamais o sentiria novamente. Por um breve instante, a dor e o pânico explodiram no meu coração com tanta violência que achei que iria enlouquecer. Mas então um pensamento se formou na minha cabeça numa voz tão clara e tão destacada de tudo o mais que eu sentia que era como se alguém sussurrasse no meu ouvido. A voz dizia: Não chore. Lágrimas são desperdício de sal. Você vai precisar de sal para sobreviver. Fiquei espantado com a serenidade desse pensamento, e chocado com a desumanidade da voz que o reproduziu. Não chorar pela minha mãe? Não chorar pela maior perda da minha vida? Estou preso nos Andes, congelando, com o crânio em pedaços! Não devia chorar? A voz repetiu. Não chore. - Tem mais - Gustavo me contou. - Panchito morreu. Guido também. E muitos outros. Balancei a cabeça com incredulidade. Como aquilo podia estar acontecendo? Soluços se avolumaram na minha garganta, mas antes que pudesse me render à dor e ao choque, a voz voltou a falar, e mais alto. Eles se foram. São parte do seu passado. Não gaste energia com coisas que não pode controlar. Olhe para a frente. Pense com clareza. Você vai sobreviver. Examinando nosso novo mundo, fiquei tão pasmo com a estranheza do lugar que precisei lutar para me convencer de que aquilo era real. As montanhas eram tão grandes, tão puras e silenciosas, e tão profundamente distantes de qualquer coisa que eu já havia visto que simplesmente não conseguia me habituar. Vivera toda a vida em Montevidéu, uma cidade de 1,5 milhão de habitantes, e jamais pensara no fato de que cidades são coisas construídas, projetadas através de escalas e padrões de referência destinados a corresponder às necessidades e à sensibilidade dos seres humanos. Mas os Andes haviam brotado da crosta terrestre milhões de anos antes de os seres humanos surgirem no planeta. Nada naquele lugar acolhia a vida humana, ou mesmo reconhecia sua existência. O frio nos atormentava. O ar rarefeito definhava nossos pulmões. O sol sem barreiras nos cegava e empolava nossos lábios, e a neve era tão funda que, assim que o sol matinal derretia a crosta de gelo que se formava sobre ela todas as noites, não podíamos nos afastar muito do avião sem afundarmos até a cintura. E em todos aqueles quilômetros de encostas e vales congelados que nos aprisionavam não havia nada que uma criatura viva pudesse usar como comida - nenhum pássaro, inseto ou mesmo uma única folha de grama. Teríamos mais chances de sobrevivência se estivéssemos à deriva no oceano ou perdidos no Saara. Ao menos alguma forma de vida sobrevive nesses lugares. Durante os meses frios nos altos Andes não há vida alguma. Estávamos completamente deslocados, como um cavalo-marinho num deserto ou uma flor na lua. Um pavor começou a se formar na minha mente, um pensamento indefinido que eu ainda não era capaz de verbalizar: A vida aqui é uma anomalia, e as montanhas não vão tolerá-la por muito tempo

Avaliações

Avaliação geral: 5

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Luciana recomendou este produto.
12/04/2017

Fantástico

A forma como Nando Parrado relata a tragédia de uma forma que nos transporta para lá como um sobrevivente também. Passamos a sentir e pensar como eles fizeram. E a fazer um pararelo com nossas próprias tragédias pessoais, salvo as devidas proporções.
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