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Morte Em Veneza - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649382)

Mann, Thomas

Saraiva De Bolso

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Descrição

'Morte em Veneza' aborda o fascínio mortal que a beleza física pode exercer. Gustav von Aschenbach é um escritor que, diante da pouca aceitação de suas últimas obras, decide viajar para Veneza para descansar. Já na cidade, depara-se com o belo inatingível, a perfeição estética do adolescente Tadzio, por quem se apaixona platonicamente. O velho escritor passa a vagar pelos decadentes, inspiradores e famosos canais venezianos, seus dias girando em torno da visão do rapaz, o que o impede de dar atenção aos boatos que circulam a respeito da epidemia de cólera que assola a cidade.

Tradutor: Eloísa Ferreira Araújo Silva

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925126
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925126
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorMann, Thomas

Leia um trecho

Capítulo 1 Numa tarde de primavera do ano de 19..., que meses a fio vinha mostrando ao nosso continente um semblante tão ameaçador, Gustav Aschenbach, ou von Aschenbach, como passara a chamar-se oficialmente desde seu quinquagésimo aniversário, saíra de sua residência na rua do Príncipe Regente, em Munique, para um longo passeio solitário. Muito agitado por uma manhã de trabalho árduo e arriscado, a exigir justamente agora uma extrema cautela, circunspecção, rigor e força de vontade, o escritor não conseguira, nem mesmo após o almoço, sofrear a vibração do mecanismo criador em seu íntimo — aquele motus animi continuus que, segundo Cícero, constitui a essência da eloquência — e não pudera dispor do cochilo reparador que lhe era tão necessário durante o dia, ante o crescente desgaste de suas forças. Assim, logo depois do chá, ele procurara o céu aberto, na esperança de que um pouco de ar livre e movimento o restabelecessem, propiciando-lhe uma noite proveitosa. Era início de maio e, após semanas úmidas e frias, irrompera bruscamente um falso auge de verão. O Jardim Inglês, apesar de mal ter começado a cobrir-se de folhas tenras, estivera abafado como em agosto e cheio de veículos e transeuntes nos arredores da cidade. Buscando caminhos mais ermos e tranquilos, Aschenbach chegara até Aumeister, onde se detivera por alguns momentos a observar o terraço do restaurante, animado como de praxe, ao redor do qual estavam estacionados alguns coches e carruagens; de lá, com o sol poente, tomara o caminho de volta pelo campo aberto, fora dos limites do parque; como, porém, estivesse cansado, e dos lados de Föhring ameaçasse vir um temporal, deteve-se junto ao Cemitério Norte, aguardando o bonde que deveria levá-lo de volta à cidade, em linha reta. Casualmente encontrou desertos o ponto de parada e seus arredores. Não se via um só veículo, nem na pavimentada rua Ungerer, cujos trilhos se estendiam, brilhando solitários, na direção de Schwabing, nem na estrada de Föhring. Por trás das sebes das marmorarias, onde cruzes, lápides e mausoléus à venda configuravam um segundo cemitério, desabitado, nada se mexia, e a capela mortuária, de construção bizantina, ali defronte, repousava silenciosa, banhada pelo reflexo do dia que findava. Sua fachada, guarnecida de cruzes gregas e emblemas hieráticos em cores claras, apresentava ainda inscrições em letras douradas, dispostas simetricamente — citações escolhidas das escrituras, relativas à vida no Além, como “Eles adentrarão a morada de Deus” ou “Que a luz eterna os ilumine” —, e, enquanto esperava, Aschenbach encontrou por alguns minutos um sério entretenimento em decifrar tais fórmulas, deixando o espírito vagar contemplativo por sua mística transparente até que, ao retornar de seus devaneios, notou no pórtico, acima dos dois animais apocalípticos que vigiavam a escadaria, um homem cuja aparência não muito habitual imprimiu a seus pensamentos um rumo inteiramente diverso. Se surgira do interior da capela, passando pela porta de bronze, ou se, vindo de fora, subira até lá, sem ser notado, não se poderia precisar. Sem se aprofundar muito na questão, Aschenbach pendeu mais para a primeira hipótese. De estatura mediana, magro, sem barba e com um nariz incrivelmente rombudo, o homem era do tipo ruivo, com a característica pele leitosa e sardenta. Ao que tudo indicava, não era bávaro, a começar pelo chapéu de palha de abas largas e retas que lhe cobria a cabeça, emprestando à sua aparência um ar de estrangeiro, de alguém vindo de terra distante. Usava, entretanto, uma mochila afivelada aos ombros, de acordo com o costume local, um terno acinturado de cor amarela e, ao que parece, de tecido cru; no braço esquerdo, que mantinha junto ao corpo, trazia uma capa de chuva cinza, e na mão direita, um bastão com ponta de ferro, firmado obliquamente contra o solo e em cujo castão apoiava o quadril, tendo os pés cruzados. De cabeça erguida, de modo que o pomo de adão se destacava forte e nu no pescoço magro, a despontar da camisa esporte frouxa, ele perscrutava atentamente o horizonte com os olhos descoloridos, franjados de cílios vermelhos e separados por duas rugas verticais enérgicas, numa combinação curiosa com o nariz levemente arrebitado. Assim, e talvez contribuísse para essa impressão o lugar elevado e elevante em que se encontrava, sua postura tinha um quê de dominadora altivez, arrogância ou mesmo ferocidade, pois, talvez ofuscado, franzia o rosto para o sol poente, ou, talvez por uma deformidade fisionômica perene, seus lábios pareciam curtos demais, arreganhados, expondo até as gengivas os dentes longos e brancos. É bem possível que Aschenbach, em sua inspeção meio distraída e meio inquisitiva do estranho, tivesse incorrido numa falta de consideração, pois de súbito percebeu que este revidava seu olhar, e de modo tão belicoso, tão direto, tão visivelmente disposto a levar o caso ao extremo, forçando o outro a desviar os olhos, que Aschenbach, incomodado, voltou-se e pôs-se a caminhar ao longo das sebes, decidido a não se ocupar mais do homem. Minutos depois já o havia esquecido. Entretanto, ou porque o aspecto de viajante do estranho atuasse sobre sua imaginação, ou por estar em jogo algum tipo de influência física ou psíquica, notou, atônito, uma estranha expansão de seu íntimo, uma espécie de inquietação errante, um anseio juvenil sedento de distância, um sentimento tão vivo, tão novo ou, antes, há tanto tempo inabitual e desaprendido que ele parou enleado, mãos nas costas e olhos no chão, a investigar a natureza e o propósito dessa sensação. Era vontade de viajar, nada mais; mas, na verdade, irrompera como um acesso e se intensificara, atingindo o nível passional, sim, até beirar a alucinação. Sua ânsia se fez evidente, sua imaginação, que desde as horas de trabalho ainda não encontrara repouso, criou um exemplo de todas as maravilhas e horrores da terra variegada que repentinamente se via solicitada a configurar: ele via, via uma paisagem sob um céu carregado de vapores, uma região pantanosa, úmida, exuberante e monstruosa, uma espécie de selva antediluviana, feita de ilhas, brejos e braços de rio lamacentos — via por toda parte cabeleiras de palmeiras a emergir de uma profusão de fetos luxuriosos, de um fundo vegetal de plantas carnudas, inchadas, explodindo em florações exóticas; via árvores incrivelmente distorcidas lançarem no ar raízes que vinham mergulhar no solo, em águas estagnadas, a espelhar um verde sombrio, onde, entre flores flutuantes de um branco leitoso e do tamanho de terrinas, pássaros bizarros de ombros altos e bico disforme ficavam de pé nos baixios, olhando de lado, imóveis; via faiscar, entre as hastes nodosas de um bambual, as pupilas de um tigre agachado — e sentia o coração pulsar num misto de terror e enigmática atração. A seguir, a visão desvaneceu-se e, meneando a cabeça, Aschenbach retomou sua caminhada ao longo das sebes das marmorarias. Para ele, viajar — pelo menos desde que pudera dispor de meios para usufruir a seu bel-prazer as vantagens do tráfego internacional — não significava nada além de uma medida higiênica, que era preciso adotar de tempos em tempos a contragosto. Excessivamente ocupado com as tarefas que seu eu e a alma europeia lhe propunham, excessivamente sobrecarregado pelo dever de produção, excessivamente avesso à distração para prestar-se ao papel de amante do colorido mundo exterior, dera-se inteiramente por satisfeito com o parecer de que cada um pode tirar proveito da superfície do mundo sem se afastar muito de seu círculo, e jamais se sentira sequer tentado a deixar a Europa. Sobretudo, desde que sua vida começara lentamente a declinar, desde que seu medo de artista de não atingir o fim — esse receio de o relógio querer parar antes de ele ter cumprido sua parte, antes de ter-se dado por inteiro — não devia mais ser considerado mera extravagância, sua existência exterior vinha sendo limitada quase que exclusivamente à bela cidade que elegera como sua e à casa rústica que construíra nas montanhas e onde passava os verões chuvosos. Assim, portanto, também esse impulso que acabava de acometê-lo tão tardia e repentinamente logo foi moderado e colocado no devido lugar por sua razão e pela sua autodisciplina exercida desde a juventude. Tencionava adiantar a obra a que dedicava sua vida até determinado ponto, antes de transferir-se para o campo, e a ideia de uma vadiagem pelo mundo, que o afastaria de seu trabalho durante meses, parecia por demais leviana e contrária aos planos para ser seriamente levada em conta. Ele sabia perfeitamente por que a tentação surgira tão inopinadamente. Era desejo de fuga, que ele confessava a si mesmo, essa nostalgia de distância e novidade, esse desejo de libertação, desobrigação e esquecimento — impulso de se afastar da obra, do cenário cotidiano de uma obrigação rígida, fria e apaixonada. Amava, na verdade, seu trabalho e quase já amava a luta enervante, a cada dia renovada, entre sua vontade tenaz e orgulhosa, tantas vezes posta à prova, e esse cansaço crescente, de que ninguém devia suspeitar e que nenhum indício de fraqueza ou negligência no produto acabado deveria trair. Mas parecia razoável não distender o arco em demasia e não sufocar teimosamente uma necessidade que se manifestara com tanta veemência. Pensou em seu trabalho, na passagem em que se vira forçado a abandoná-lo, hoje outra vez, como já na véspera, e que parecia não querer ceder nem a cuidados pacientes, nem a uma rápida investida. Examinou-a novamente, tentou quebrar ou dissolver o obstáculo, e desistiu do ataque com um arrepio de repugnância. Não se apresentava ali nenhuma dificuldade extraordinária; o que o paralisava eram, isso sim, os escrúpulos do desprazer, representados por uma exigência insaciável. Exigência, que, na verdade, desde bem jovem lhe valera como o ser e a essência do talento, e em nome da qual havia reprimido e esfriado o sentimento, pois sabia que este é propenso a satisfazer-se com um descuidado mais ou menos, com uma meia perfeição. Será que o sentimento escravizado vingava-se agora, abandonando-o, recusando-se a dali por diante sustentar e dar asas à sua arte, levando consigo todo o prazer, todo o encanto pela forma e pela expressão? Não que produzisse coisas ruins; ao menos isso era privilégio de seus anos: sentir-se a cada momento tranquilamente seguro de sua maestria. Esta, porém, embora louvada por toda a nação, não o contentava; parecia-lhe que faltavam à sua obra aquelas características de uma disposição espiritual ardentemente empenhada, que, sendo fruto de prazer, configuravam, melhor do que o faria qualquer conteúdo imanente, um mérito importante: o prazer dos leitores. Teve medo do verão no campo, a sós na pequena casa com a empregada que lhe preparava as refeições e o criado que as servia; temia os semblantes familiares dos picos e escarpas das montanhas, que outra vez rodeariam sua morosidade insatisfeita. Havia, porém, necessidade de uma pausa, um pouco de improvisação, de vadiagem, de mudança de ares e armazenamento de sangue novo, para que o verão fosse suportável e profícuo. Viajar, portanto — estava satisfeito com isso. Não para muito longe, não exatamente até os tigres. Uma noite no carro-leito e um far niente de três ou quatro semanas em qualquer estância de veraneio cosmopolita do amável sul europeu. Assim pensava, enquanto o ruído do bonde se aproximava pela rua Ungerer e, ao embarcar, decidiu dedicar a noite ao estudo de mapas e guias ferroviários. Na plataforma, lembrou-se de olhar em torno, buscando o homem do chapéu de palha, companheiro de um momento afinal pleno de consequências. Mas não pôde determinar seu paradeiro, pois já não se encontrava onde estivera, nem nos arredores do ponto de espera, nem no interior do bonde.

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