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Muitas Vidas , Muitos Mestres - Capa Dura (Cód: 2589264)

Weiss, Brian

Sextante / Gmt

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Descrição

Com mais de dois milhões de livros vendidos, Muitas vidas, muitos mestres se tornou um marco ao contar uma história real que mais parecia ficção: um médico de renome coloca sua carreira em jogo ao se ver diante de evidências da reencarnação.
Psiquiatra e pesquisador consagrado, o Dr. Brian Weiss viu suas crenças e sua carreira virarem pelo avesso ao tratar de Catherine, uma paciente com fobias e ataques de ansiedade. Durante uma sessão de hipnose, ela falou de traumas sofridos em vidas passadas que pareciam ser a origem de seus problemas. Cético, o Dr. Weiss não acreditou no que estava presenciando até que Catherine começou a narrar fatos da vida dele que ela jamais poderia conhecer e a transmitir mensagens de espíritos altamente desenvolvidos - os Mestres - sobre a vida e a morte. Transformado por essa experiência, ele surpreendeu a comunidade científica ao publicar este livro demonstrando o potencial curativo da terapia de vidas passadas, tornando-se a referência mundial deste tratamento. Para muitos, a maior contribuição de Muitas vidas, muitos mestres foi apresentar os conceitos da reencarnação a milhões de pessoas que, por falta de oportunidade ou preconceito, nunca teriam acesso a esta rica e transformadora filosofia espiritual. Emocionante e inspirador, este livro já ajudou pessoas de todo o mundo a superar a dor de suas perdas e a adquirir uma nova compreensão da vida e da morte.

Características

Peso 0.38 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Sextante / Gmt
I.S.B.N. 9788575424094
Altura 21.00 cm
Largura 14.00 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 192
Idioma Português
Acabamento Capa dura
Cód. Barras 9788575424094
Número da edição 1
Ano da edição 2008
País de Origem Brasil
AutorWeiss, Brian

Leia um trecho

1 APRIMEIRA VEZ EM QUE VI CATHERINE, ela usava um vestido vermelho forte e folheava nervosamente uma revista na sala de espera do meu consultório. Estava visivelmente sem fôlego. Vinte minutos antes, andava no corredor externo do Departamento de Psiquiatria, de um lado para o outro, tentando convencer-se a manter seu compromisso e não sair correndo. Entrei na sala para recebê-la e nos cumprimentamos. Notei que tinha as mãos frias e úmidas, confirmando sua ansiedade. Haviam sido necessários dois meses para que tivesse coragem de marcar uma hora comigo, ainda que fosse insistentemente aconselhada a isso por dois médicos da equipe, nos quais confiava. Finalmente, estava ali. Catherine é uma mulher extraordinariamente atraente, com cabelos louros de comprimento médio e olhos cor de mel. Na época, ela trabalhava como técnica de laboratório no hospital onde eu era chefe da psiquiatria e ganhava um dinheiro extra como modelo de roupas de banho.Acompanhei-a até minha sala, indicando-lhe uma cadeira grande de couro depois do sofá. Sentamo-nos em frente um ao outro, com uma mesa em semicírculo entre nós. Catherine recostou-se na cadeira, calada, sem saber por onde começar. Esperei, preferindo que o início fosse escolha dela, mas, depois de alguns minutos, indaguei sobre seu passado. Naquela primeira consulta começamos a esclarecer quem ela era e por que fora me ver. Respondendo às minhas perguntas, Catherine revelou a história de sua vida. Era a filha do meio, educada numa família católica conservadora de uma cidadezinha de Massachusetts. O irmão, três anos mais velho, era muito forte e gozava de uma liberdade que nunca lhe permitiram. A irmã mais nova era a preferida dos pais. Quando começamos a conversar sobre seus sintomas, ela se tornou sensivelmente mais tensa e nervosa. Falava rápido, inclinando-se para a frente e apoiando os cotovelos sobre a mesa. Sua vida sempre fora sobrecarregada de temores.Tinha medo de água, de engasgar, a ponto de não conseguir engolir pílulas, tinha medo de avião, do escuro e terror de morrer. Ultimamente, esses medos estavam piorando. Para se sentir segura, dormia dentro do armário embutido do apartamento em que morava. Antes de conseguir pegar no sono, ficava umas duas ou três horas acordada. Ainda assim, o sono era leve e intermitente e ela acordava várias vezes. Os pesadelos e as crises de sonambulismo que haviam atormentado sua infância tinham voltado. Os medos e os sintomas a paralisavam cada vez mais, e a depressão era crescente. Enquanto ela falava, pude perceber como era profundo o seu sofrimento. Durante anos, eu ajudara pacientes que, como Catherine, viviam a agonia de seus temores, e por isso me senti confiante em poder ajudá-la também. Resolvi que começaríamos investigando sua infância, procurando a origem de seus problemas.Quase sempre esse tipo de abordagem contribui para o alívio da ansiedade. Se fosse necessário e se ela conseguisse engolir algumas pílulas, eu lhe daria uma leve medicação ansiolítica para ajudar no processo. Esse era o tratamento preconizado pelos manuais para os sintomas de Catherine, e nunca hesitei em usar tranqüilizantes ou mesmo medicamentos antidepressivos para tratar casos graves e crônicos de fobia e ansiedade. Hoje, utilizo esse recurso com mais moderação e só temporariamente, se for o caso. Nenhuma droga pode alcançar as verdadeiras raízes desses sintomas. Minha experiência com Catherine e com outros iguais a ela provou isso. Sei agora que existe a cura e não apenas a supressão ou camuflagem dos sintomas. Na primeira sessão, procurei gentilmente estimulá-la a voltar à infância. Como ela se lembrava de pouquíssimos fatos daquela época, considerei a possibilidade da hipnoterapia um possível atalho para vencer essa repressão. Ela não conseguia se lembrar de nenhum momento particularmente traumático de quando era criança que pudesse explicar os temores que lhe assolavam a vida. À medida que se esforçava, puxando pela memória, fragmentos isolados vinham à tona. Aos 5 anos mais ou menos, entrou em pânico quando alguém a empurrou de um trampolim da piscina. Ela disse que, antes mesmo do incidente, já não se sentia confortável dentro d’água. Aos 11 anos, a mãe caiu em grave depressão. A estranha atitude de retraimento da mãe em relação à família tornou necessária a ida a um psiquiatra e a conseqüente terapia com eletrochoques. O tratamento afetou a memória de sua mãe. Catherine ficou assustada, mas disse que não teve mais medo quando a mãe voltou a ser “ela mesma”. O pai tinha um longo histórico de alcoolismo e às vezes o irmão de Catherine tinha de ir buscá-lo no bar da esquina. O consumo cada vez maior de bebidas alcoólicas tornava mais freqüentes as brigas com sua mãe, que ficava triste e arredia. Mas Catherine considerava esse padrão familiar aceitável. As coisas eram melhores fora de casa. Teve namorados no ginásio e se dava muito bem com os amigos, muitos deles conhecidos havia vários anos. Achava difícil, contudo, confiar nas pessoas, principalmente nas que não pertenciam ao seu pequeno círculo de amizades. Sua religião era simples e sem questionamentos. Fora educada para acreditar na ideologia e nas práticas tradicionais católicas e jamais duvidara da veracidade e validade de sua fé. Acreditava que, sendo boa católica e vivendo corretamente na obediência da fé e dos rituais, ganharia o céu; caso contrário, iria para o purgatório ou para o inferno. O Deus patriarcal e seu Filho decidiriam isso. Depois, fiquei sabendo que Catherine não acreditava em reencarnação; na verdade, sabia muito pouco a respeito, embora tivesse lido alguma coisa sobre os hindus. Reencarnação era uma idéia contrária aos conceitos em que ela fora criada e nos quais acreditava. Jamais lera nem tinha interesse por qualquer literatura metafísica ou ocultista. Estava tranqüila na sua crença. Quando saiu do colégio, Catherine fez mais dois anos de curso técnico e formou-se laboratorista. De posse de uma profissão e incentivada pela mudança do irmão para Tampa, conseguiu um emprego em Miami, num hospital-escola filiado à Escola de Medicina da Universidade de Miami. Mudou-se na primavera de 1974, aos 21 anos. A vida na cidade pequena fora bem melhor do que em Miami, mas ela estava contente por ter fugido dos problemas familiares. No primeiro ano na nova cidade, Catherine conheceu Stuart. Casado, judeu, pai de dois filhos, ele era totalmente diferente de qualquer outro homem que conhecera. Era um médico bem-sucedido, forte e agressivo. Apesar da atração irresistível entre os dois, a relação era tempestuosa e difícil. Algo nele mexia com ela, despertando uma paixão que beirava o enfeitiçamento.Na época em que Catherine começou a terapia, seu caso com Stuart já durava seis anos e, apesar de complicado, era ainda bastante intenso. Embora maltratada, furiosa com as mentiras, as promessas não cumpridas e as manipulações, Catherine não conseguia resistir a ele. Vários meses antes da consulta, ela precisara fazer uma cirurgia para a retirada de um nódulo benigno das cordas vocais. A intensa ansiedade que antecedeu a cirurgia transformou-se em pânico quando acordou na sala de recuperação. A enfermeira levou horas para conseguir acalmá-la. Após o período de convalescença no hospital, ela procurou o Dr. Edward Poole. Ed era um pediatra muito amável que Catherine conhecera quando trabalhara no hospital. Desde o início ambos sentiram uma forte empatia, que evoluiu para uma grande amizade. Catherine sentia-se à vontade para conversar com ele, falar sobre seus medos, o relacionamento com Stuart e a impressão de estar perdendo o controle sobre a própria vida. Ele insistiu para que ela marcasse uma consulta comigo. Depois me telefonou para falar de sua indicação, explicando que, por algum motivo, achava que só eu poderia compreender Catherine verdadeiramente, ainda que outros psiquiatras também tivessem ótimas credenciais e fossem hábeis terapeutas. Mas ela não me ligou. Oito semanas se passaram.No atropelo das minhas tarefas como chefe do Departamento de Psiquiatria, esqueci do telefonema de Ed. Os medos e as fobias de Catherine pioraram. O Dr. Frank Acker, chefe do Departamento de Cirurgia, conhecia Catherine há anos e sempre brincava com ela quando visitava o laboratório onde ela trabalhava. Ele notou sua infelicidade e tensão. Várias vezes quis lhe dizer alguma coisa, mas hesitou. Uma tarde, indo de carro para um hospital menor, mais afastado, onde daria uma conferência, viu Catherine ao volante, dirigindo-se para casa, e, impulsivamente, lhe fez sinal para que parasse no acostamento. “Quero que você procure o Dr. Weiss agora!”, gritou ele pela janela. “Sem demora.” Embora os cirurgiões sejam muitas vezes impulsivos, até Frank se surpreendeu com a própria ênfase. A freqüência e a duração dos ataques de pânico e de ansiedade de Catherine cresciam. Ela começou a ter dois pesadelos que se repetiam. Num deles, uma ponte ruía enquanto ela estava passando. Seu carro mergulhava na água; presa dentro dele, ela se afogava. No segundo sonho, estava fechada num quarto escuro como breu, tropeçava e caía sobre as coisas, incapaz de achar a saída. Finalmente foi me ver. Quando tive minha primeira sessão com Catherine, não pude imaginar que minha vida estava prestes a virar de cabeça para baixo, que aquela mulher confusa e assustada do outro lado da mesa seria o catalisador e que eu jamais voltaria a ser o mesmo. 2 DEZOITO MESES DE PSICOTERAPIA se passaram, com Catherine indo me ver uma ou duas vezes por semana. Era uma boa paciente, falante, capaz de insights e que desejava melhorar. Naquele período, exploramos seus sentimentos, sonhos e pensamentos. Reconhecendo os padrões repetitivos de comportamento, ela cresceu em termos de compreensão. Lembrou-se de muitos detalhes importantes de seu passado, tais como as ausências do pai, que era da Marinha Mercante, e das violentas explosões quando ele exagerava na bebida. Compreendeu bem melhor seu conturbado relacionamento com Stuart e expressou sua irritação de forma mais coerente. Achei que ela tivesse progredido mais. É o que quase sempre acontece quando os pacientes se recordam de influências desagradáveis do passado, quando aprendem a reconhecer e corrigir padrões comportamentais inadequados, desenvolvendo a percepção e encarando seus problemas a partir de uma perspectiva mais ampla, mais distanciada. Mas Catherine não havia progredido.terioso nisso. É apenas um estado de concentração focalizada. Instruído por um hipnotizador treinado, o corpo do paciente relaxa, aguçando a memória. Eu já hipnotizara centenas de pacientes e achava o método útil na redução da ansiedade, na eliminação de fobias, na alteração dos maus hábitos e para ajudar a recuperar material reprimido. Vez por outra, conseguia fazêlos regredir aos primeiros anos da infância, até os 2 ou 3 anos de idade, despertando assim lembranças, há muito esquecidas, que estavam perturbando suas vidas. Eu tinha confiança de que a hipnose ajudaria Catherine. Dei-lhe instruções para que se deitasse no sofá, com os olhos ligeiramente fechados e a cabeça apoiada num travesseiro. Primeiro nos concentramos em sua respiração. A cada expiração, ela liberava o acúmulo de tensão e ansiedade e, inspirando, relaxava ainda mais. Após vários minutos, disse-lhe para visualizar seus músculos relaxando progressivamente a partir dos faciais e do queixo, depois o pescoço e os ombros, os braços, os músculos das costas e do abdome e, finalmente, as pernas. Ela sentia o corpo afundando cada vez mais no sofá. Disse-lhe, então, para visualizar uma luz forte e branca no alto e dentro da cabeça. Mais adiante, quando fiz a luz descer por todo o seu corpo, isso lhe permitiu relaxar completamente os músculos, nervos, órgãos – o corpo inteiro –, fazendo-a cair num estado cada vez mais profundo de relaxamento e paz. A sonolência ia aumentando, assim como a paz e a calma. Finalmente, seguindo minhas instruções, a luz ocupou todo o seu corpo e a envolveu. Contei, de trás para a frente, devagar, de 10 a 1. A cada número, ela entrava num nível mais profundo de relaxamento.O estado de transe se aprofundava. Ela era capaz de se concentrar na minha voz e excluir todos os outros ruídos. No número 1, já A ansiedade e os ataques de pânico ainda a torturavam. Os pesadelos intensos e repetitivos continuavam e ela não perdera o pavor do escuro, da água e de ficar trancada. O sono ainda não era contínuo e repousante. Sentia palpitações. Continuava recusando os remédios, com medo de engasgar com as pílulas. Eu me sentia como se estivesse diante de uma muralha que, por mais que tentasse, continuava tão alta que nenhum de nós seria capaz de transpô-la. Mas, junto com o sentimento de frustração, veio a determinação. De alguma forma, eu iria ajudar Catherine. Então algo estranho aconteceu. Embora sentisse um medo enorme de voar e precisasse, para ter coragem, tomar vários drinques no avião, Catherine acompanhou Stuart a um congresso médico em Chicago na primavera de 1982. Lá, ela o forçou a visitar uma exposição egípcia num museu de arte, onde se juntaram a um grupo acompanhado por um guia. Catherine sempre tivera certo interesse pelos artefatos do Egito antigo e pelas reproduções de relíquias daquele período. Dificilmente seria uma erudita e sequer estudara sobre aquele tempo na escola; no entanto, de algum modo, as peças lhe pareceram familiares. Quando o guia começou a descrevê-las, ela surpreendeu-se corrigindo-o... e estava certa! O guia ficou perplexo; Catherine, espantada. Como sabia aquelas coisas? Como tinha tanta certeza de que estava certa, tão segura a ponto de corrigir, em público, o guia? Talvez fossem lembranças esquecidas de sua infância. Na consulta seguinte, ela me contou o que acontecera. Meses antes, eu lhe sugerira a hipnose, mas ela teve medo e resistiu. Diante de sua experiência na exposição egípcia, embora relutante, ela agora concordou. A hipnose é uma ótima ferramenta para ajudar o paciente a lembrar incidentes há muito esquecidos. Não há nada de mis- terioso nisso. É apenas um estado de concentração focalizada. Instruído por um hipnotizador treinado, o corpo do paciente relaxa, aguçando a memória. Eu já hipnotizara centenas de pacientes e achava o método útil na redução da ansiedade, na eliminação de fobias, na alteração dos maus hábitos e para ajudar a recuperar material reprimido. Vez por outra, conseguia fazêlos regredir aos primeiros anos da infância, até os 2 ou 3 anos de idade, despertando assim lembranças, há muito esquecidas, que estavam perturbando suas vidas. Eu tinha confiança de que a hipnose ajudaria Catherine. Dei-lhe instruções para que se deitasse no sofá, com os olhos ligeiramente fechados e a cabeça apoiada num travesseiro. Primeiro nos concentramos em sua respiração. A cada expiração, ela liberava o acúmulo de tensão e ansiedade e, inspirando, relaxava ainda mais. Após vários minutos, disse-lhe para visualizar seus músculos relaxando progressivamente a partir dos faciais e do queixo, depois o pescoço e os ombros, os braços, os músculos das costas e do abdome e, finalmente, as pernas. Ela sentia o corpo afundando cada vez mais no sofá. Disse-lhe, então, para visualizar uma luz forte e branca no alto e dentro da cabeça. Mais adiante, quando fiz a luz descer por todo o seu corpo, isso lhe permitiu relaxar completamente os músculos, nervos, órgãos – o corpo inteiro –, fazendo-a cair num estado cada vez mais profundo de relaxamento e paz. A sonolência ia aumentando, assim como a paz e a calma. Finalmente, seguindo minhas instruções, a luz ocupou todo o seu corpo e a envolveu. Contei, de trás para a frente, devagar, de 10 a 1. A cada número, ela entrava num nível mais profundo de relaxamento.O estado de transe se aprofundava. Ela era capaz de se concentrar na minha voz e excluir todos os outros ruídos. No número 1, jáse encontrava num estado moderado de hipnose. O processo todo levara cerca de 20 minutos. Pouco depois, comecei o processo de regressão, pedindo-lhe que lembrasse de fatos em idades progressivamente anteriores. Ela conseguia falar e responder às minhas perguntas, enquanto mantinha um nível profundo de hipnose. Lembrou-se de uma experiência traumática no dentista, aos 6 anos de idade. Recordou-se, de forma bastante intensa, de ter se sentido aterrorizada aos 5 anos quando alguém a empurrou de um trampolim para dentro da piscina. Na época ela se sentiu sufocada e engasgou, engolindo água. Ao falar sobre isso, no meu consultório, ela começou a sentir falta de ar. Falei que a experiência já havia passado e que ela se encontrava fora d’água. A falta de ar parou e ela voltou a respirar normalmente. Continuava em transe profundo. Aos 3 anos ocorrera o pior de tudo. Ela se lembrou de ter acordado no seu quarto escuro e de perceber que o pai estava ali. Ela ainda conseguia sentir o cheiro do álcool a que ele recendia. Ele a tocou e a apalpou até “lá embaixo”. Ela sentiu muito medo e começou a chorar, por isso ele lhe tapou a boca com sua mão áspera. Ela não conseguia respirar. Em meu consultório, no sofá, 25 anos depois, Catherine soluçava. Senti que agora tínhamos obtido a chave. Estava certo de que seus sintomas logo desapareceriam. Disse-lhe suavemente que tudo já passara, que não estava mais em seu quarto da infância, e sim que repousava tranqüila e ainda em transe. Os soluços cessaram. Trouxe-a de volta no tempo para a sua idade atual. Acordei-a, depois de tê-la instruído, através da sugestão pós-hipnótica, a lembrar-se de tudo o que havia me contado. Passamos o resto da sessão discutindo a sua recordação repentina e intensa do trauma com seu pai. Procurei ajudá-la a aceitar e assimilar seu “novo” conhecimento. Ela compreendia agora seu relacionamento com o pai, as reações dele diante dela, sua indiferença e o medo que sentia. Ainda tremia quando saiu do consultório, mas eu sabia que a compreensão que ela adquirira compensava o desconforto momentâneo. Envolvido pelo drama da revelação de suas lembranças dolorosas e profundamente reprimidas, esqueci totalmente de procurar na infância dela a possível relação com seu conhecimento dos artefatos egípcios. Mas, pelo menos, ela compreendera melhor o seu passado. Lembrara-se de diversos acontecimentos assustadores, o que me fazia esperar uma melhora significativa dos seus sintomas. Apesar dessa nova compreensão, na semana seguinte ela disse que os sintomas permaneciam inalterados, tão graves quanto antes. Fiquei surpreso. Não entendia o que estava errado. Teria acontecido alguma coisa antes dos 3 anos? Tínhamos descoberto motivos mais do que suficientes para seu medo de sufocar, da água, do escuro, de sentir-se presa, e ainda assim seus intensos temores e sintomas e a ansiedade descontrolada continuavam devastando seus momentos de vigília. Os pesadelos eram tão assustadores quanto antes. Resolvi levá-la a regredir ainda mais. Hipnotizada, Catherine falava num sussurro lento e cadenciado. Por isso, consegui anotar todas as suas palavras, e as transcrevo integralmente. (As reticências representam as pausas no discurso dela, não são palavras suprimidas nem o texto foi alterado por mim. Excluí apenas as partes repetitivas.) Lentamente, fui levando Catherine até a idade de 2 anos, mas ela não se lembrou de nada importante. Disse-lhe, em tom firme e claro: “Volte para a época em que surgiram os seus sintomas.” Eu estava totalmente despreparado para o que ocorreu em seguida. “Vejo uma escadaria branca, que sobe até uma construção, um grande prédio branco com colunas, aberto na frente. Não tem portas. Estou usando uma roupa comprida... uma túnica feitade pano grosseiro. Meus cabelos estão trançados, cabelos longos e louros.” Fiquei confuso. Não tinha certeza do que estava acontecendo. Perguntei-lhe em que ano estava e qual era o seu nome. “Aronda... Tenho 18 anos. Vejo um mercado em frente ao edifício. Cestas... Pode-se carregá-las nos ombros. Vivemos num vale... Não há água. O ano é 1863 a.C. A região é árida, quente e arenosa. Existe um poço, nenhum rio. A água vem das montanhas até o vale.” Depois que ela descreveu mais detalhes topográficos, eu lhe disse para avançar no tempo vários anos e me dizer o que via. “Árvores e uma estrada de pedras. Vejo fogo e comida cozinhando. Meus cabelos são louros. Estou usando uma roupa marrom longa, de tecido áspero, e sandálias.Tenho 25 anos e uma filha chamada Cleastra... Ela é Raquel. (Raquel era atualmente sua sobrinha; as duas sempre se deram extremamente bem.) Está muito quente.” Eu estava assombrado.Tinha um nó no estômago e sentia a sala fria. Aquilo que ela visualizava e lembrava parecia muito preciso. Ela não hesitava. Nomes, datas, roupas, árvores, tudo tão claro! O que estava acontecendo? Como a filha que ela teve naquela época podia ser agora sua sobrinha? Estava cada vez mais confuso. Eu examinara centenas de pacientes psiquiátricos, muitos sob hipnose, e jamais deparara com fantasias como essas – nem mesmo nos sonhos. Disse-lhe para ir até a época de sua morte. Não sabia muito bem como entrevistar alguém em meio a uma fantasia tão explícita (ou lembrança?), mas buscava acontecimentos traumáticos que pudessem fundamentar seus medos ou sintomas atuais. Os fatos relacionados com a época da morte poderiam ser especialmente traumáticos. Ela descreveu a destruição da aldeia pelo que parecia ser uma enchente ou um maremoto. “Ondas enormes estão derrubando as árvores. Não há para onde correr. Está frio, a água é fria.Tenho que salvar o meu bebê, mas não posso... tenho que segurá-lo bem. Afundo, a água me sufoca. Não consigo respirar, não posso engolir... água salgada. Meu bebê é arrancado dos meus braços.” Catherine estava ofegante e com dificuldade para respirar. De repente seu corpo relaxou por completo, a respiração tornou-se profunda e regular. “Vejo nuvens... Meu bebê está comigo. E outras pessoas da minha aldeia. Vejo meu irmão.” Ela estava descansando; essa vida terminara. Continuava em transe profundo. Eu estava perplexo! Vidas anteriores? Reencarnação? Meu conhecimento clínico me dizia que ela não estava fantasiando aquilo tudo, que ela não inventara. Seus pensamentos, expressões, a atenção a determinados detalhes, tudo era diferente do seu estado consciente. Toda a gama de possíveis diagnósticos psiquiátricos me veio à mente, mas seu quadro psiquiátrico e sua estrutura de caráter não explicavam essas revelações. Esquizofrenia? Não, ela jamais demonstrou qualquer distúrbio cognitivo ou de pensamento. Nunca tivera alucinações auditivas ou visuais, não ouvia vozes nem tinha visões quando acordada ou quaisquer outros tipos de estados psicóticos. Não delirava nem se desligava da realidade. Não tinha personalidade dupla ou múltipla. Havia apenas uma Catherine e, conscientemente, ela sabia disso. Não apresentava tendências sociopatas ou anti-sociais. Não era uma atriz. Não fazia uso de drogas nem ingeria substâncias alucinógenas. O uso do álcool era mínimo. Não tinha doenças neurológicas ou psicológicas que explicassem essa experiência tão intensa e imediata quando hipnotizada. Eram lembranças de alguma espécie, mas de onde provinham? Minha reação visceral foi a de ter esbarrado em algo pouquíssimo conhecido – reencarnação e lembranças de vidas passadas. Não era possível, eu me dizia, enquanto minha mente cientificamente treinada resistia. No entanto, ali estava, acontecendo bem diante dos meus olhos. Não podia explicar, mas também não podia negar a realidade. “Continue”, falei, um pouco assustado, mas fascinado pelo que estava acontecendo. “Não se lembra de mais nada?” Ela recordou fragmentos de duas outras vidas: “Estou com um vestido de renda negra e tenho rendas negras sobre a cabeça. Meus cabelos são escuros, um pouco grisalhos. É 1756 d.C. Sou espanhola. Meu nome é Luísa e tenho 56 anos. Estou dançando, outras pessoas também. (Longa pausa.) Estou doente, tenho febre, suores frios... Muita gente está doente, as pessoas estão morrendo... Os médicos não sabem que é por causa da água.” Levei-a mais à frente no tempo. “Estou melhor, mas minha cabeça ainda dói; meus olhos e minha cabeça ainda estão doloridos por causa da febre, por causa da água... Muitos morrem.” Mais tarde, ela me disse que naquela vida fora prostituta, mas que retivera essa informação porque ficara constrangida. Aparentemente, enquanto hipnotizada, Catherine podia censurar algumas das lembranças que me transmitia. Como ela reconhecera a sobrinha numa vida antiga, perguntei- lhe impulsivamente se eu estivera presente em algumas de suas outras vidas. Estava curioso sobre meu papel, se é que havia algum, nas suas lembranças. Ela respondeu rapidamente, ao contrário da forma que usava na descrição das recordações anteriores, muito lenta e ponderada. “Você é meu professor, sentado na saliência de uma pedra. Você nos ensina com livros. É velho e tem os cabelos grisalhos.Veste uma roupa branca (toga) com arremates dourados... Seu nome é Diógenes. Você nos ensina símbolos, triângulos. É muito sábio, mas eu não compreendo. O ano é o de 1568 a.C.” (Aproximadamente 1.200 anos antes do famoso filósofo cético grego Diógenes. Esse nome não era incomum.) A primeira sessão terminara. Outras ainda mais surpreendentes viriam. Depois que Catherine saiu e durante vários dias, como sempre fazia, refleti sobre os detalhes da regressão hipnótica. Mesmo numa terapia “normal”, poucos detalhes escapavam à minha capacidade obsessiva de análise, e aquela sessão estava longe de ser “normal”. Além disso, eu era bastante cético com relação às idéias de vida após a morte, reencarnação, experiências extracorpóreas e fenômenos afins. Afinal – o meu lado lógico ruminava –, podia ser fantasia dela. Na realidade, eu não conseguiria provar nenhuma de suas afirmações ou visualizações. Mas eu estava também consciente, embora de uma forma bem vaga, da existência de um outro pensamento menos emocional. Mantenha a sua mente aberta, ele me dizia, a verdadeira ciência começa com a observação. As “lembranças” dela podiam não ser fantasia ou imaginação. Poderia haver algo mais que os olhos – ou qualquer um dos outros sentidos – não estavam vendo. Mantenha a mente aberta. Consiga mais dados. Um outro pensamento me incomodava. Catherine, propensa a sentir ansiedade e medo, não teria ficado assustada demais para aceitar novamente a hipnose? Resolvi não lhe telefonar e deixar que ela também digerisse a experiência. Eu esperaria até a semana seguinte.