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Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (Cód: 4073269)

Coelho, Paulo

Sextante / Gmt

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Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei

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Descrição

Em toda história de amor sempre existe algo que nos aproxima da eternidade e da essência da vida, porque as histórias de amor encerram em si mesmas todos os segredos do mundo.

Pilar é uma jovem do interior da Espanha com muitos sonhos frustrados. Quando um amigo de infância volta a entrar em contato, ela se surpreende ao descobrir que seu primeiro amor se tornou um líder religioso e é reverenciado como milagreiro.

Ao se reencontrarem, porém, ambos são unidos por um único desejo: o de tornar seus sonhos realidade. Para isso, têm que vencer muitos obstáculos interiores, como o medo da entrega, a culpa e o preconceito.

Numa peregrinação espiritual através das montanhas dos Pireneus, os amantes trilham o árduo caminho do reencontro com as próprias verdades.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Sextante / Gmt
Cód. Barras 9788575428016
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788575428016
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 208
Peso 0.32 Kg
Largura 14.00 cm
AutorCoelho, Paulo

Leia um trecho

Antes de começar Um missionário espanhol visitava uma ilha quando encontrou três sacerdotes astecas. – Como vocês rezam? – perguntou o padre. – Temos apenas uma oração – respondeu um dos astecas. – Nós dizemos: “Deus, Tu És três, nós somos três. Tende piedade de nós.” – Bela oração – disse o missionário. – Mas ela não é exatamente a prece que Deus escuta. Vou lhes ensinar uma muito melhor. O padre ensinou uma oração católica e seguiu seu caminho de evangelização. Anos depois, já no navio que o levava de volta à Espanha, teve que passar de novo por aquela ilha. Do convés, viu os três sacerdotes na praia – e acenou-lhes. Nesse momento, os três começaram a caminhar pela água, em direção a ele. – Padre! Padre! – chamou um deles, se aproximando do navio. – Nos ensina de novo a oração que Deus escuta, porque não conseguimos lembrar! – Não importa – disse o missionário, vendo o milagre. E pediu perdão a Deus, por não ter entendido antes que Ele fala todas as línguas. Esta história exemplifica bem o que procuro contar em Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei. Raramente nos damos conta de que estamos cercados pelo Extraordinário. Os milagres acontecem à nossa volta, os sinais de Deus nos mostram o caminho, os anjos pedem que sejam ouvidos – mas, como aprendemos que existem fórmulas e regras para chegar até Deus, não damos atenção a nada disso. Não entendemos que Ele está onde O deixam entrar. As práticas religiosas tradicionais são importantes: elas nos fazem partilhar com os outros a experiência comunitária da adoração e da oração. Mas nunca podemos esquecer que a experiência espiritual é sobretudo uma experiência prática de Amor. E no Amor não existem regras. Podemos tentar seguir manuais, controlar o coração, ter uma estratégia de importamento – mas tudo isso é bobagem. O coração decide, e o que ele decidir é o que vale. Todos nós já experimentamos isso. Todos nós, em algum momento da vida, já dissemos entre lágrimas: “Estou sofrendo por um amor que não vale a pena.” Sofremos porque achamos que damos mais do que recebemos. Sofremos porque nosso amor não é reconhecido. Sofremos porque não conseguimos impor nossas regras. Sofremos à toa: no amor está a semente de nosso crescimento. Quanto mais amamos, mais próximos estamos da experiência espiritual. Os verdadeiros iluminados, com suas almas incendiadas pelo Amor, venciam todos os preconceitos da época. Cantavam, riam, rezavam em voz alta, dançavam, compartilhavam aquilo que São Paulo chamou de “santa loucura”. Eram alegres – porque quem ama venceu o mundo, não tem medo de perder nada. O verdadeiro amor é um ato de entrega total. Na margem do rio Piedra eu sentei e choreié um livro sobre a importância dessa entrega. Pilar e seu companheiro são personagens fictícios, mas símbolos dos muitos conflitos que nos acompanham na busca da Outra Parte. Cedo ou tarde, temos que vencer nossos medos – já que o caminho espiritual se faz através da experiência diária do amor. O monge Thomas Merton dizia: “A vida espiritual se resume em amar. Não se ama porque se quer fazer o bem, ou ajudar, ou proteger alguém. Se agirmos assim, estaremos vendo o próximo como simples objeto, e estaremos vendo a nós mesmos como pessoas generosas e sábias. Isso nada tem a ver com amor. Amar é comungar com o outro e descobrir nele a centelha de Deus.” Que o pranto de Pilar na margem do rio Piedra nos conduza pelo caminho dessa comunhão. Paulo Coelho

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