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Nefertiti (Cód: 2620620)

Moran,Michelle

Suma De Letras

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Descrição

Nefertiti é uma versão romanceada da vida da rainha egípcia, contada do ponto de vista de sua irmã mais nova, Mutnodjmet. Aos 15 anos, ela se casa com o ambicioso príncipe Amunhotep. Juntos, os dois promovem mudanças radicais na sociedade, mas a situação fica tensa quando a jovem parece incapaz de ter filhos homens.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Suma De Letras
Cód. Barras 9788560280339
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788560280339
Profundidade 0.00 cm
Número da edição 1
Ano da edição 2009
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 416
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorMoran,Michelle

Leia um trecho

Capítulo Um 1351 a.C. Peret, Estação de Cultivo ENQUANTO O SOL se punha sobre Tebas, derramando seus últimos raios sobre os penhascos de calcário, nós caminhávamos numa longa procissão através da areia. Numa sinuosa linha que serpentava entre os montes, os vizires do Alto e do Baixo Egito vinham à frente, seguidos pelos sacerdotes de Amon, com milhares de pranteadores à retaguarda. A areia esfriava rapidamente nas sombras. Eu podia sentir os grãos entre os dedos em minhas sandálias e, quando o vento soprou sob minha túnica de linho fino, estremeci. Deixei a fila para ver o sarcófago, carregado num estrado por uma manada de bois para que o povo do Egito soubesse quão grandioso e próspero fora nosso príncipe herdeiro. Nefertiti ficará com inveja por ter perdido este evento. Contarei tudo a ela quando chegar em casa, pensei. Se ela for gentil comigo. Os sacerdotes de cabeças raspadas caminhavam atrás de nossa família, pois éramos mais importantes que os representantes dos deuses. O incenso que balançavam em esferas douradas me fazia pensar em gigantescos percevejos, empestando o ar onde quer que fossem. Quando a procissão do funeral alcançou a entrada do vale, o chocalhar dos sistros cessou e os pranteadores silenciaram. Em cada colina, famílias se reuniam para ver o príncipe, e agora baixavam os olhos enquanto o sumo sacerdote de Amon executava a Abertura da Boca para devolver os sentidos a Tutmósis na Outra Vida. O sacerdote era mais jovem que os vizires do Egito, entretanto, homens como meu pai abriram caminho, submetendo-se a seu poder quando ele encostou um ankh dourado à boca da figura no sarcófago e anunciou: — O falcão real alçou vôo ao paraíso. Amenófis, o Jovem, é elevado em seu lugar. Um vento ecoou entre os montes, e pensei poder ouvir o farfalhar das asas do falcão enquanto o príncipe herdeiro era liberto de seu corpo e ascendia aos céus. Houve uma grande inquietação, e crianças espiavam atrás das pernas dos pais para ver o novo príncipe. Eu também espichei o pescoço. — Onde ele está? — sussurrei. — Onde está Amenófis, o Jovem? — No túmulo — respondeu meu pai. Sua cabeça raspada reluzia levemente sob o sol poente, e, nas sombras aprofundadas, seu rosto parecia mais aquilino. — Mas ele não deseja ser visto pelo povo? — perguntei. — Não, senit. — Era o termo dele para menininha. — Não antes que ele receba o que o irmão lhe prometeu. Franzi a testa. — E o que é? Ele cerrou o maxilar. — A co-regência — respondeu. Quando a cerimônia terminou, soldados se espalharam para impedir que os plebeus nos seguissem para o interior do vale; era esperado que nossa pequena comitiva avançasse só. O grupo de bois arfava às nossas costas, puxando sua carga dourada através da areia. Ao redor, picos se erguiam contrastados pelo céu do poente. — Vamos subir — avisou meu pai, e minha mãe empalideceu ligeiramente. Éramos como gatos, ela e eu, temendo os lugares que não compreendíamos, vales onde faraós sonolentos espiavam de abrigos secretos. Nefertiti teria cruzado este vale sem hesitação, uma águia em seu destemor, assim como nosso pai. Caminhávamos ao som fantasmagórico dos sistros, e eu via minhas sandálias douradas refletindo a luz agonizante. Quando galgávamos os montes, parei para contemplar a terra abaixo. — Não pare — advertiu meu pai. — Continue a caminhar. Avançamos para o alto, cruzando os montes enquanto os animais ofegavam em sua passagem sobre as pedras. Os sacerdotes agora iam à nossa frente, carregando tochas para iluminar nosso caminho enquanto andávamos. Em seguida, o sumo sacerdote hesitou, e eu me perguntei se ele teria perdido sua bravura na noite. — Desatem o sarcófago e libertem os bois — comandou ele, e vi a entrada da tumba escavada na face do monte. As crianças agitavam as contas em suas cabeças, e as pulseiras das mulheres tilintaram em uníssono quando trocaram olhares entre si. Por fim, vi uma estreita escadaria que levava ao interior da terra, e compreendi o medo de minha mãe. — Não gosto disso — ela sussurrou. Os sacerdotes aliviaram os bois de suas cargas, levantando o sarcófago dourado sobre as costas. Meu pai apertou minha mão para me dar coragem, e seguimos nosso príncipe morto até sua câmara, abandonando o sol morrediço e adentrando a escuridão total. Cuidadosamente, para que não escorregássemos nas pedras, descemos para as úmidas entranhas da terra, permanecendo junto aos sacerdotes e suas tochas de juncos. Dentro da tumba, a luz desenhava sombras em cenas pintadas dos 20 anos de Tutmósis no Egito: mulheres dançando, nobres prósperos em caçadas, a rainha Tiye servindo lótus regado em mel e vinho a seu primogênito. Agarrei o pulso de minha mãe em busca de conforto e, visto que ela nada disse, percebi que estava oferecendo preces silenciosas a Amon. Abaixo de nós, o ar úmido tornava-se carregado e o cheiro da tumba era de terra revolvida. Imagens apareciam e desapareciam sob a luz das tochas: mulheres e homens risonhos pintados de amarelo, crianças pondo botões de lótus a flutuar no rio Nilo. Contudo, o mais apavorante era o deus do submundo com seu rosto azul, segurando a foice e o mangual do Egito. — Osíris — sussurrei, mas ninguém ouviu. Continuamos a marcha para o interior das mais secretas câmaras da terra. Logo adentramos um aposento em forma de cúpula, e perdi o fôlego. Era o lugar onde todos os tesouros terrenos do príncipe estavam reunidos: barcaças pintadas, carruagens de ouro, sandálias debruadas com pele de leopardo. Atravessamos o aposento para penetrar na câmara mortuária mais interna, e meu pai se inclinou junto a mim e sussurrou: — Lembre-se do que eu lhe disse. Dentro da câmara vazia, o faraó e sua rainha estavam lado a lado. À luz das tochas, era impossível ver qualquer coisa além de suas silhuetas sombrias e do longo sarcófago do falecido príncipe. Estendi meus braços em reverência e minha tia me cumprimentou solenemente em silêncio, recordando meu rosto de suas raras visitas à nossa família em Akhmim. Meu pai jamais trouxera a mim ou Nefertiti para Tebas. Ele nos mantinha à distância do palácio, das intrigas e das ostentações da corte. Agora, sob a trêmula luz da tumba, vi que a rainha não mudara nos seis anos desde que eu a vira pela última vez. Ainda era pequena e pálida. Seus olhos claros me estudavam quando estendi os braços, e eu me perguntava o que ela estaria pensando de minha pele escura e altura incomum. Eu me reergui, e o sumo sacerdote de Amon abriu o Livro dos Mortos, sua voz entoando as palavras dos mortais expirantes aos deuses. — Que minha alma venha a mim de onde quer que se encontre. Vinde à minha alma, ó Guardiães dos Céus. Que minha alma possa ver meu corpo, que repouse em meu corpo mumificado, que jamais será destruído ou perecerá... Busquei uma visão de Amenófis, o Jovem, em torno da câmara. Ele estava de costas para o sarcófago e para os vasos canópicos que conduziriam os órgãos de Tutmósis à Outra Vida. Era mais alto que eu, belo apesar de seu cabelo claro e cacheado, e eu especulava se poderíamos esperar dele grandes feitos, uma vez que sempre fora seu irmão o destinado a reinar. Ele caminhou em direção à estátua da deusa Mut, e lembrei que Tutmósis sempre apreciara os gatos durante a vida. Em sua companhia, iria sua adorada Ta-Miw, encasulada em um pequenino sarcófago de ouro. Toquei levemente o braço de minha mãe, e ela se voltou para mim. — Eles a mataram? — murmurei, e minha mãe seguiu meu olhar para o pequeno caixão ao lado do príncipe. Ela balançou a cabeça em negativa e, enquanto os sacerdotes recomeçavam a tocar os sistros, replicou: — Dizem que ela parou de se alimentar assim que o príncipe herdeiro faleceu. O sumo sacerdote começou a entoar o Cântico para a Alma, um lamento a Osíris e ao deus-chacal Anúbis. Ele então fechou o Livro dos Mortos e anunciou: — A bênção aos órgãos. A rainha Tiye deu um passo à frente. Ela ajoelhou na terra, beijando cada um dos vasos canópicos. O faraó fez o mesmo em seguida, e vi quando se voltou bruscamente, procurando o filho mais novo na escuridão. — Venha — ordenou ele. Seu filho não se moveu. — Venha já! — ele gritou, e sua voz foi amplificada uma centena de vezes na câmara. Ninguém respirava. Olhei para meu pai, e ele balançava a cabeça severamente. — Por que devo curvar-me a ele em reverência? — retorquiu Amenófis. — Tutmósis teria dado o Egito aos sacerdotes de Amon, como todo rei que o precedeu. Cobri minha boca e, por um momento, pensei que o Ancião cruzaria a câmara mortuária para matá-lo. Mas Amenófis era seu único filho vivo, o único herdeiro legítimo do trono do Egito, e, como qualquer príncipe herdeiro de 17 anos em nossa história, o povo esperava vê-lo entronizado como co-regente. O Ancião seria faraó do Alto Egito e Tebas, e Amenófis governaria o Baixo Egito e Mênfis. Se este filho também morresse, a linhagem do Ancião seria aniquilada. A rainha caminhou rapidamente para onde se encontrava seu filho mais novo. — Abençoe os órgãos de seu irmão — ordenou.

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