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O Caminho Estreito Para Os Confins do Norte (Cód: 8889643)

Flanagan,Richard

Biblioteca Azul

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Descrição

Romance vencedor do Man Booker Prize 2014 narra a história de um cirurgião feito prisioneiro em um campo de trabalhos forçados japonês na Segunda Guerra Mundial.
.
Aclamado com o Man Booker Prize 2014, um dos mais prestigiosos prêmios literários do mundo, e considerado um dos melhores livros de 2014 por jornais como Guardian, Financial Times e The Washington Post, O caminho estreito para os confins do norte, de Richard Flanagan, é lançado no Brasil pela Biblioteca Azul.

O romance narra a história de Dorrigo Evans, um jovem tasmaniano que vai para Melbourne estudar medicina e se alista no exército. Capturado pelo exército japonês, é obrigado a trabalhar na construção da Estrada de ferro de Thai-Bhurma, também conhecida como a Ferrovia da Morte.

A narrativa não linear alterna o presente, no qual Evans é um cirurgião estabelecido assombrado pelas lembranças da guerra, e passado, quando viveu uma história de amor que marcou sua vida. O médico, que parecia ter um futuro promissor e um relacionamento sério com sua namorada Ella, tem sua vida transformada ao se apaixonar por pela misteriosa Amy, a esposa de seu tio.

A poesia é um elemento que permeia o romance. O título O caminho estreito para os confins do norte é uma citação a um livro de Bashô publicado em 1694, após o poeta viajar mais de 2 mil km a pé pela ilha japonesa de Honshu. A inocência do médico pretensioso que gosta de poesia é perdida no ambiente opressivo e violento do campo de trabalhos forçados, no qual Evans luta inutilmente para salvar seus companheiros da fome, da cólera e da disenteria.

O livro mistura elementos históricos e ficção. O relato da guerra é inspirado na vida do pai do autor, um dos sobreviventes dos trabalhos forçados na “Linha”. Idealizada pelo Império japonês para dar suporte às tropas na campanha da Birmânia, a ferrovia tem 415 km de extensão e mais de 14 mil homens morreram durante a construção.

Ao receber o Man Booker Prize 2014, Flanagan revelou que escrever este romance foi particularmente difícil. Ele precisou de 12 anos, cinco rascunhos e de um período de isolamento para terminar o livro. “Vivi um tempo sozinho em uma ilha durante os últimos seis meses [de escrita] do romance”

O autor conversou bastante com seu pai em busca de detalhes sobre a experiência no campo. “Eu estava interessado pequenas coisas – o cheiro da pele apodrecendo, como é o gosto de arroz no café da manhã, a textura da lama”. O pai do escritor morreu aos 98 anos, no dia em Flanagan concluiu o livro.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Biblioteca Azul
Cód. Barras 9788525059178
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788525059178
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Celso Mauro Paciornik e Augusto Pacheco Calil
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 430
Peso 0.47 Kg
Largura 14.00 cm
AutorFlanagan,Richard

Leia um trecho

1. Por que no princípio das coisas sempre há luz?As lembranças mais antigas de Dorrigo Evans eram o sol inundando um salão paroquial onde ele estava sentado com a mãe e a avó. Um salão paroquial de madeira. Luz ofuscante, e ele cambaleando de um lado para o outro, entrando e saindo de sua acolhida transcendente, para os braços das mulheres. Mulheres que o amavam. Como entrar no mar e voltar para a praia. Sem parar. Deus te abençoe, diz a mãe sempre que o segura e depois o deixa ir. Deus te abençoe, menino. Isso deve ter sido em 1915 ou 1916. Ele teria um ano ou dois. As sombras vieram mais tarde na forma de um braço se erguendo, seu contorno preto saltando para a luz oleosa de um lampião de querosene. Jackie Maguire estava sentado na cozinha pequena e escura dos Evans, chorando. Ninguém chorava naquele tempo, exceto os bebês. Jackie Maguire era um homem de idade, quarenta anos talvez, mais velho ainda, quem sabe, e tentava secar as lágrimas de seu rosto bexiguento com a costa das mãos. Ou seria com os dedos? Somente seu choro se fixara na memória de Dorrigo Evans. O som parecia o de uma coisa quebrando. Seu ritmo cada vez mais lento o fez lembrar as patas traseiras de um coelho batendo no chão quando é estrangulado por um laço, o único som parecido que ele já ouvira. Ele estava com nove anos, havia entrado para a mãe examinar uma bolha de sangue no seu polegar, e tinha poucos elementos para fazer comparações. Já tinha visto um homem grande chorar uma vez antes, uma cena impressionante quando seu irmão Tom voltara da Grande Guerra, na França, e descera do trem. Ele havia largado seu saco de viagem na poeira quente do desvio e abruptamente irrompera em lágrimas. Contemplando o irmão, Dorrigo Evans havia se perguntado o que faria um homem adulto chorar. Mais tarde, chorar tornou-se mera demonstração de sentimento, e sentimento, o único norte da vida. Sentir ficou na moda e a emoção se transformou num teatro onde pessoas eram atores que já não sabiam quem eram fora do palco. Dorrigo Evans viveria tempo suficiente para ver todas essas mudanças. E se lembraria de um tempo em que as pessoas se envergonhavam de chorar. Em que temiam a fraqueza que isso sugeria. Os problemas que isso acarretava. Ele viveria para ver pessoas serem louvadas por coisas que não eram dignas de louvor pelo simples fato de que a verdade era considerada ruim para seus sentimentos. Naquela noite em que Tom voltou para casa, eles queimaram o Kaiser numa fogueira. Tom não falou nada sobre a guerra, os ale-mães, o gás e os tanques e as trincheiras sobre os quais eles tinham ouvido falar. Ele não contou absolutamente nada. O sentimento de um homem nem sempre se assemelha à totalidade de sua vida. Às vezes não se assemelha a nada. Ele apenas ficou olhando fixamente para as chamas. 2. Um homem feliz não tem passado, enquanto um infeliz não tem outra coisa. Em sua velhice, Dorrigo Evans não sabia se tinha ouvido isso ou se ele próprio o havia criado. Criado, misturado e demo-lido. Demolido incansavelmente. Rocha a cascalho, a pó, a lama, a rocha, e assim segue o mundo, como sua mãe costumava dizer quando ele pedia razões e explicações sobre por que o mundo era desse ou daquele jeito. O mundo é, ela dizia. Ele simplesmente é, menino. Ele havia tentado soltar a pedra de uma afloração para construir um forte para uma brincadeira quando uma pedra maior lhe caíra sobre o polegar, formando uma bolha de sangue grande e latejante embaixo da unha. A mãe sentou Dorrigo sobre a mesa da cozinha onde a luz do lampião era mais forte, evitando o olhar estranho de Jackie Maguire, e ergueu o polegar do filho em direção à luz. Entre seus soluços Jackie Maguire disse algumas coisas. Na semana anterior, sua mulher tomara o trem com o filho mais novo para Launceston e não tinha voltado. A mãe de Dorrigo pegou a faca de trinchar. A borda da lâmina estava lambuzada de gordura de carneiro congelada. Ela enfiou a ponta entre as brasas do fogão da cozinha. Uma pequena espiral de fumaça se formou e inundou a cozinha com um cheiro de carne de carneiro chamuscada. Ela retirou a faca, sua ponta incandescente cintilando com as faíscas da poeira superaquecida, uma visão que Dorrigo considerou ao mesmo tempo mágica e assustadora. Não se mexa, ela disse, segurando a mão dele com um aperto forte que o assustou. Jackie Maguire estava contando como havia tomado o trem postal para Launceston e saído à procura da mulher, mas não conseguira encontrá-la em parte alguma. Dorrigo observou a ponta incandescente tocar a sua unha, e ela começou a fumegar enquanto a mãe a queimava, perfurando-a através da cutícula. Ele ouviu Jackie Maguire dizer: Ela sumiu da face da Terra, sra. Evans. E a fumaça deu lugar a um pequeno jorro de sangue escuro de seu polegar, e a dor da bolha de sangue e o terror da faca de trinchar incandescente se desfizeram. Suma, disse a mãe de Dorrigo, tirando-o da mesa com um cutucão. Suma daqui, menino. Sumiu!, disse Jackie Maguire. Tudo isso foi nos tempos em que o mundo era vasto e a ilha da Tasmânia ainda era o mundo. E de seus muitos postos avançados remotos e esquecidos, poucos eram mais esquecidos e remotos do que Cleveland, o lugarejo de quarenta e poucas almas onde Dorrigo Evans vivia. Um antigo povoado decadente e apagado da memória, que se desenvolvera outrora em torno de um entreposto de muda de cavalos erguido pelo trabalho forçado de prisioneiros, agora sobrevivia com um desvio ferroviário, um punhado de construções georgianas caindo aos pedaços e esparsas casinhas de madeira avarandadas, abrigos para os que haviam padecido um século de exílio e abandono. Tendo como pano de fundo bosques de eucaliptos retorcidos e mimosas que ondulavam e dançavam no calor, ali era quente e penoso no verão, e penoso, simplesmente penoso, no inverno. Eletricidade e rádio ainda não haviam chegado, e se não fosse a década de 1920, poderia ter sido a de 1880 ou 1850. Muitos anos depois, Tom, um homem avesso a alegorias, mas instigado talvez, ou assim pensara Dorrigo na época, por sua própria morte iminente e pelo terror do passado — de que toda a vida é somente alegoria e a verdadeira história não é aqui —, disse que era como o longo outono de um mundo agonizante. Seu pai era técnico de manutenção da ferrovia, e sua família habitava uma casa de madeira ao lado dos trilhos, pertencente à Tasmanian Government Railways. No verão, quando a água acabava, eles a traziam em baldes do reservatório construído para as locomotivas a vapor. Eles dormiam sob as peles dos gambás que capturavam e viviam principalmente dos coelhos que apanhavam, dos cangurus pequenos que abatiam, das batatas que cultivavam e dos pães que assavam. Seu pai, que sobrevivera à depressão dos anos 1890 e vira homens morrerem de fome nas ruas de Hobart, mal podia acreditar na sorte de ter podido viver em semelhante paraíso dos trabalhadores. Em seus momentos menos otimistas, ele também diria: “Quem vive como um cão morre como um cão”. Dorrigo Evans conhecia Jackie Maguire das férias ocasionais que passava com Tom. Para chegar à casa de Tom, ele pegava carona na traseira da carroça de Joe Pike, de Cleveland até o desvio do vale de Fingal. Enquanto o velho cavalo de tiro que Joe Pike chamava afavelmente de Gracie trotava, Dorrigo balançava para a frente e para trás e se imaginava tomando a forma de um dos ramos dos eucaliptos selvagemente sinuosos que apontavam e escapavam para o grandioso céu azul. Ele rescenderia a casca e folhas úmidas secando e contemplaria os bandos de papagaios-de-orelha-vermelha gargalhando nas alturas. Beberia a cantoria das carriças e dos honeyeaters, o canto estalado dos tordos-picanços cinzentos, pontuados pela batida regular dos cascos de Gracie e pelos rangidos e estalidos dos tirantes de couro, eixos de madeira e correntes de ferro, um universo de sensações que voltava em sonhos. Eles seguiam pela velha estrada da carruagem, além da estalagem que a ferrovia havia desativado, agora uma quase ruína dilapidada na qual viviam várias famílias empobrecidas, incluindo a de Jackie Maguire. Com intervalo de alguns dias, uma nuvem de poeira anunciava a chegada de um automóvel, e os garotos saíam do mato e da estalagem e perseguiam a nuvem barulhenta até os pulmões arderem e as pernas bambearem. No desvio do vale de Fingal, Dorrigo Evans apeava, acenava uma despedida a Joe e Gracie, e começava a caminhar para Llewellyn,uma cidade que se distinguia principalmente por ser ainda menor do que Cleveland. Em Llewellyn, ele seguia para Nordeste pelas pastagens e, tomando o rumo do grande maciço montanhoso nevado de Ben Lomond, seguia pelo mato até a área nevada atrás do Ben, onde Tom trabalhava duas semanas sim, uma não, caçando gambás. No meio da tarde, ele chegava à morada de Tom, uma caverna aninhada num ângulo agudo protegido, abaixo da crista do maciço. A caverna era um pouco menor do que a meia-água que servia de cozinha, e no seu ponto mais alto Tom conseguia ficar de pé com a cabeça curvada. Ela se estreitava como um ovo em cada ponta, e sua abertura era protegida por uma saliência que permitia que uma fogueira pudesse arder ali durante a noite inteira, aquecendo a caverna. Às vezes Tom, agora com vinte e poucos anos, tinha Jackie Maguire trabalhando com ele. Tom, que tinha uma voz bonita, muitas vezes cantava uma ou duas canções por noite. E depois, à luz da fogueira, Dorrigo lia em voz alta alguns velhos Bulletins e Smith’s Weeklys que formavam a biblioteca dos dois caçadores de gambá, para Jackie Maguire, que não sabia ler, e para Tom, que afirmava que sabia. Eles gostavam quando Dorrigo lia a coluna de conselhos da Tia Rose, ou as baladas folclóricas que consideravam inteligentes ou, por vezes, até muito inteligentes. Depois de algum tempo, Dorrigo começou a memorizar outros poemas para eles de um livro de sua escola chamado The English Parnassus. O favorito deles era “Ulisses” de Tennyson. Com o rosto bexiguento sorrindo à luz da fogueira, radiante como um pudim de ameixa fresco, Jackie Maguire dizia: Ah, esses caras das antigas! Eles conseguem amarrar as palavras mais apertadas do que um laço de latão estrangulando um coelho! E Dorrigo não contou a Tom o que tinha visto uma semana antes de a sra. Jackie Maguire desaparecer: seu irmão com a mão enfiada por baixo da saia dela, enquanto ela — uma mulher pequena e ardente de um moreno exótico — se encostava no galinheiro atrás do estábulo. O rosto de Tom estava virado para o pescoço da mulher. Ele sabia que o irmão a estava beijando. Durante muitos anos Dorrigo pensou com frequência na Sra. Jackie Maguire, cujo nome real ele jamais conheceu, cujo nome real era como a comida com a qual eles sonhavam todos os dias nos campos de prisioneiros de guerra — presente e ausente, pressionando seu crânio, algo que sempre desaparecia quando ele lhe estendia a mão. E depois de algum tempo, ele pensou nela com menos frequência; e passado mais algum tempo, não pensou mais nela.

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