Frete Grátis
  • Google Plus

O Caminho Para Casa - Para Uma Mãe, a Vida Traz Uma Série de Escolhas Difíceis (Cód: 4088465)

Hannah, Kristin

Arqueiro

Ooopss! Este produto está temporariamente indisponível.
Mas não se preocupe, nós avisamos quando ele chegar.

Ooops! Este produto não está mais a venda.
Mas não se preocupe, temos uma versão atualizada para você.

Ooopss! Este produto está fora de linha, mas temos outras opções para você.
Veja nossas sugestões abaixo!

R$ 39,90 R$ 35,10 (-12%)
Cartão Saraiva R$ 33,35 (-5%) em até 1x no cartão
Grátis

Cartão Saraiva

Descrição

Durante 18 anos, Jude pôs as necessidades dos filhos em primeiro lugar, e o resultado disso é que seus gêmeos, Mia e Zach, são adolescentes felizes. Quando Lexi começa a estudar no mesmo colégio que eles, ninguém em Pine Island é mais receptivo que Jude.
Lexi, uma menina com um passado de sofrimento, criada em lares adotivos temporários, rapidamente se torna a melhor amiga de Mia. E, quando Zach se apaixona por ela, os três se tornam companheiros inseparáveis.
Jude sempre fez o possível para que os filhos não se metessem em encrenca, mas o último ano do ensino médio, com suas festas e descobertas, é uma verdadeira provação. Toda vez que Mia e Zach saem de casa, ela não consegue deixar de se preocupar.
Em uma noite de verão, seus piores pesadelos se concretizam. Uma decisão muda seus destinos, e cada um deles terá que enfrentar as consequências – e encontrar um jeito de esquecer ou a coragem para perdoar.
O caminho para casa aborda questões profundas sobre maternidade, identidade, amor e perdão. Comovente, transmite com perfeição e delicadeza tanto a dor da perda quanto o poder da esperança.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580410815
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580410815
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Tradutor Carolina Alfaro
Número da edição 1
Ano da edição 2012
Idioma Português
Número de Páginas 352
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorHannah, Kristin

Leia um trecho

Parte Um

Da nossa vida, em meio à jornada,
Achei-me numa selva tenebrosa,
Tendo perdido a verdadeira estrada. – Dante Alighieri, A divina comédia, “Inferno”.

Lexi Baill estudou um mapa do estado de Washington até que as minúsculas marcações geográficas vermelhas oscilassem diante de seus olhos cansados. Os nomes dos lugares tinham um quê de magia e sugeriam uma paisagem que ela mal podia imaginar: montanhas cobertas de neve e divisadas pela água, árvores altas e retas como campanários de igrejas, um céu azul límpido e sem fim. Visualizou águias pousadas em postes telefônicos e estrelas que pareciam tão próximas que daria para alcançá-las. Era provável que houvesse ursos vagando à noite pelas regiões ermas, à procura dos locais que até pouco tempo atrás tinham sido seu território. Aquele seria seu novo lar. Queria pensar que teria uma vida diferente ali. Mas como poderia acreditar nisso de verdade? Tinha 14 anos e podia não saber muito, mas de uma coisa ela tinha certeza: as crianças do Cadastro Nacional de Adoção eram retornáveis, como garrafas de refrigerante usadas. No dia anterior, sua assistente social a acordara cedo para avisá-la de que deveria fazer a mala. Mais uma vez. – Tenho uma boa notícia – dissera a Sra. Watters. Mesmo semiacordada, Lexi sabia o que isso significava. – Outra família... Ótimo. Obrigada, Sra. Watters. – Não é apenas uma família. É a sua família. – Está certo, claro. A minha nova família. Vai ser ótimo. A Sra. Watters emitiu aquele som de desilusão, quando soltava suavemente a respiração, quase como um suspiro. – Você tem sido forte, Lexi. Durante todo esse tempo... Lexi tentou sorrir. – Não se sinta mal, Sra. W. Eu sei como é difícil encontrar casas para crianças mais velhas. E a família Rexler foi muito legal. Se a minha mãe não tivesse voltado, acho que teria dado certo. – Você sabe que nada daquilo foi culpa sua. – Sei, sim – confirmou Lexi. Nos dias bons, ela se deixava convencer de que as pessoas que a devolviam tinham os próprios problemas a resolver. Nos dias ruins, que ultimamente eram mais frequentes, perguntava-se o que havia de errado com ela, por que era alguém tão fácil de descartar. – Você tem parentes, Lexi. Localizei a sua tia-avó. O nome dela é Eva Lange. Tem 66 anos e mora em Port George, em Washington. Lexi se sentou, alerta. – O quê? Minha mãe disse que eu não tinha parentes. – Sua mãe... se enganou. Você tem família, sim. Lexi passara a vida esperando ouvir essas palavras preciosas. Seu mundo sempre fora perigoso e incerto. Ela se sentia como um navio que, perdido em águas rasas, estivesse prestes a encalhar. Fora quase sempre uma menina sozinha, e assim crescera cercada por estranhos, lutando por restos de comida e atenção, sem nunca receber o suficiente de nenhum dos dois – a criança selvagem dos tempos modernos. Apagara da memória a maioria dessas experiências, mas, quando tentava resgatá-las – quando um dos psicólogos da rede pública de saúde a obrigava a fazer isso –, ela se lembrava de estar com fome, molhada, e de tentar alcançar uma mãe bêbada demais para ouvi-la ou drogada demais para se importar com o que quer que fosse. Lembrava-se de passar dias em um cercadinho sujo, chorando e esperando que alguém se desse conta de sua existência. Agora ela olhava pela janela suja do ônibus interestadual enquanto sua assistente social, que estava sentada a seu lado, lia um romance. Depois de mais de vinte e seis horas na estrada, finalmente seu destino estava próximo. Lá fora, um céu cinza-escuro e carregado parecia engolir o topo das árvores. A chuva fazia rabiscos na janela, turvando a paisagem. Washington era como outro planeta: nada das colinas do sul da Califórnia, que tinham cor de casca de pão e eram banhadas pelo sol, nem do quadriculado cinzento das autoestradas engarrafadas. As árvores eram imensas – como se tivessem tomado esteroides – e as montanhas, também. Tudo parecia colossal e selvagem. O ônibus entrou em um terminal de concreto de teto baixo e freou, chiando e sacudindo. Uma nuvem de fumaça preta passou pela janela e escureceu a plataforma por um instante, para em seguida ser carregada pela chuva. As portas do ônibus se abriram deslizando e sibilando. – Lexi? Quando ouviu a voz da Sra. Watters, ela pensou Ande, Lexi, mas não conseguiu sair do lugar. Olhou para a mulher que fora a única presença constante em sua vida nos últimos seis anos. Todas às vezes em que uma família adotiva temporária desistira dela e a devolvera, como se ela fosse um produto com defeito, a Sra. Watters estivera ali, aguardando-a com um sorriso tristonho. Talvez não fosse muito, mas era tudo o que ela conhecia, e de repente sentiu medo de perder até mesmo essa pequena familiaridade. – E se ela não vier? – perguntou Lexi. A Sra. Watters estendeu ao céu a mão de dedos finos e longos, rugosos e com nós largos ao dizer: – Ela virá. Lexi respirou fundo. Ela iria conseguir. É claro que sim. Nos últimos cinco anos já tinham passado por sete famílias e frequentado seis escolas. Ela daria conta de mais isto. Pegou a mão da Sra. Watters e saíram em fila pelo corredor estreito do ônibus, esbarrando nos bancos acolchoados de ambos os lados. Fora do ônibus, Lexi apanhou a mala vermelha e surrada, que era quase pesada demais para ela, abarrotada com as únicas coisas que realmente lhe importavam: livros. Ela a arrastou até a extremidade da calçada e ficou ali, junto ao meio-fio. Aquela mínima elevação de concreto parecia um despenhadeiro perigoso. Um passo errado e ela poderiam quebrar algum osso ou ser atirada de cabeça contra os carros. A Sra. Watters parou ao seu lado e abriu um guarda-chuva. Os pingos ressoavam no náilon esticado. Um a um, os outros passageiros desembarcaram do ônibus e desapareceram. Lexi olhou para o terminal vazio e sentiu vontade de chorar. Quantas vezes já não estivera nesta mesma situação? Sempre que sua mãe se desintoxicava, depois de um tratamento, voltava para buscá-la. Me dê outra chance, filhinha. Diga a este simpático juiz que você me ama. Desta vez vai ser melhor... Não vou mais esquecer você.E, invariavelmente, Lexi tinha esperança. – Talvez ela tenha mudado de ideia. – Isso não vai acontecer, Lexi. – Mas é uma possibilidade. – Você tem família, Lexi. Quando a Sra. Watters repetiu essas palavras aterrorizantes, Lexi se descuidou e deixou que uma pontinha de esperança entrasse sorrateira. – Família. Ela ousou experimentar essa palavra estranha, que se derreteu na língua como uma bala, deixando um sabor adocicado. Um Ford Fairlane azul, bastante velho, freou diante das duas e estacionou. Tinha marcas de ferrugem e o para-lama estava amassado. Uma fita adesiva fora passada transversalmente numa janela rachada, para vedá-la. A porta do motorista se abriu vagarosamente e uma mulher saiu do carro. Era baixa, tinha cabelo grisalho, olhos de um castanho pálido e aquele tipo de pele vincada de quem fuma muito. Parecia incrível, mas ela tinha um ar familiar, como uma versão mais velha e enrugada da mãe de Lexi. E então aquela palavra impossível estava de volta, agora preenchida com significado. Família. – Alexa? – disse a mulher, e sua voz soou rouca. Lexi não conseguia responder. Ela queria que a mulher sorrisse ou talvez até a abraçasse, mas Eva Lange ficou ali parada, e seu rosto de uva-passa estava profundamente fechado. – Sou sua tia-avó. Irmã da sua avó. – Não conheci a minha avó – disse Lexi, e foi tudo em que conseguiu pensar. – Todo este tempo pensei que você morasse com a família de seu pai. – Não tenho pai. Quero dizer, não sei quem ele é. A minha mãe não sabia. A tia Eva suspirou. – Agora eu sei disso, graças à Sra. Watters. Esta é toda a sua bagagem? Lexi sentiu a vergonha chegar como uma onda. – É. A Sra. Watters pegou a mala de Lexi com cuidado e a pôs no banco de trás do carro. – Vá, Lexi. Entre no carro. Sua tia quer que você vá morar com ela. É por enquanto. A Sra. Watters puxou Lexi e a envolveu em um forte abraço, enquanto sussurrava ao seu ouvido: – Não tenha medo. Lexi quase se deixou ficar neste abraço tempo demais. No último segundo, antes de a situação se tornar constrangedora, ela soltou os braços e se libertou. Caminhou até o carro velho e avariado e precisou fazer força para abrir a porta, que tremeu, rangeu e se escancarou. Lá dentro, os bancos eram inteiriços e de vinil marrom. Suas costuras ressecadas deixavam escapar um enchimento cinza. O cheiro era uma mistura de hortelã com tabaco, como se alguém tivesse fumado um milhão de cigarros de menta ali. Lexi se sentou o mais perto que pôde da janela. Através do vidro rachado, acenou para a Sra. Watters, observando-a desaparecer na neblina à medida que o carro se afastava. Deixou as pontas dos dedos deslizarem pelo vidro frio, como se esse breve toque pudesse ligá-la à mulher que já não podia mais ver. – Lamentei muito saber do falecimento de sua mãe, mas agora ela está em um lugar melhor. Saber disso deve reconfortar você – disse a tia Eva após um longo e incômodo silêncio. Lexi nunca soube como responder a esse tipo de observação. Era essa a opinião que ouvira de todos os estranhos que a acolheram. Pobre Lexi, filha de uma viciada morta. Mas ninguém fazia ideia do que realmente tinha sido a vida de sua mãe – os homens, a heroína, os vômitos, a dor. Nem de como o fim fora terrível. Só Lexi sabia disso tudo. Pela janela, ela observou seu novo lar. Era imponente, verde e escuro, mesmo em plena luz do dia. Passados alguns quilômetros, uma placa lhes deu as boas-vindas à reserva de Port George. Símbolos nativos estavam por toda parte. Na frente das lojas havia esculturas de baleias orcas. Nos terrenos malcuidados, as casas eram pré-fabricadas e no quintal de muitas delas era possível ver máquinas e carros enferrujados. Suportes para fogos de artifício vazios sinalizavam, nesta tarde de fim de agosto, a festividade de poucos dias atrás, e um chamativo cassino estava sendo construído em uma colina, com vista para o estuário de Puget. As placas indicavam o caminho para o Parque de Trailers Chefe Sealth. Tia Eva atravessou o parque e parou o carro na frente de um trailer amarelo e branco, largo e espaçoso. Sob a chuva fina, ele parecia um pouco fora de foco, arredondado e frustrado. Vasos cinza, de plástico, que abrigavam longas petúnias moribundas, guardavam a porta, que fora pintada com um tom azul-bebê. De cada lado da janela da frente, as cortinas de tecido xadrez eram como duas ampulhetas de pano, cingidas no meio por fios de uma lã amarela felpuda. – Não é muito – disse a tia Eva, parecendo envergonhada. – A tribo me aluga o trailer. Lexi não sabia o que dizer. Se sua tia tivesse visto alguns dos lugares em que ela já havia morado não se desculparia por este trailer tão bonitinho que era sua casa. – É legal. – Venha – chamou tia Eva, desligando o motor do Ford. Lexi a seguiu pela trilha de cascalho até a porta da frente. Dentro, a casa móvel era impecável. Uma cozinha pequena, em L, emendava com uma copa na qual havia uma mesa cromada com tampo revestido de fórmica amarela e quatro cadeiras. Na sala, um pequeno sofá xadrez de dois lugares e duas poltronas de vinil azul ficavam em frente a uma TV posta sobre um suporte metálico. Na mesa de canto havia duas fotografias, uma de uma senhora idosa que usava óculos com armação de chifre e outra do Elvis. No ar, cheiro de fumaça de cigarro e de flores de plástico. Na cozinha havia desodorizantes de ar roxos pendurados em quase todos os puxadores. – Desculpe–me pelo cheiro. Parei de fumar na semana passada, quando soube de você – disse a tia Eva, voltando-se para olhar para Lexi. – Crianças e fumo barato não combinam, não é? Uma sensação curiosa tomou conta de Lexi. Era como o leve bater das asas de um passarinho, uma emoção tão estranha que ela não a reconheceu de imediato. Esperança. Esta estranha, esta tia, largara o cigarro por ela. E a acolhera, mesmo estando com o dinheiro curto, o que era óbvio ali. Olhou para a mulher com vontade de dizer alguma coisa, mas não conseguiu pensar em nada. Temia que uma palavra errada fizesse tudo desandar. – Estou me sentindo um tanto perdida, Lexi – disse tia Eva por fim. – Eu e o Oscar, meu marido, nunca tivemos filhos. Tentamos, mas não vieram. Então, não sei como é ser mãe. Se você ficar... – Eu vou me comportar, juro. – Não mude de ideia, por favor. – Se a senhora ficar comigo, não vai se arrepender. – Se eu ficar com você? – Tia Eva contraiu os lábios finos e franziu um pouco as sobrancelhas. – Sua mãe aprontou mesmo com você, não foi? Mas não posso dizer que esteja surpresa. Ela também fez a minha irmã sofrer muito. – Ela era boa em magoar as pessoas – falou Lexi, baixinho. – Nós somos uma família – disse Eva. – Nem sei o que isso significa. Tia Eva sorriu, mas foi um sorriso triste, que doeu em Lexi, fazendo-a se lembrar da própria ferida. A vida com a mãe tinha deixado suas cicatrizes. – Significa que você vai ficar aqui comigo – respondeu tia Eva. – E acho melhor começar a me chamar de Eva, porque essa história de “tia” logo vai cansar. Depois de dizer isso, Eva já estava se virando, quando Lexi agarrou seu pulso fino, sentindo a pele aveludada se enrugar na palma de sua mão. Ela não pretendia fazer isso – e não deveria ter feito –, mas agora era tarde demais. – Que foi Lexi? Lexi precisou lutar para formar aquela palavrinha, que até parecia uma pedra presa na garganta. Mas tinha que falar. Tinha. – Obrigada – disse, e seus olhos ardiam. – Não vou causar problemas. Prometo.

Avaliações

Avaliação geral: 5

Você está revisando: O Caminho Para Casa - Para Uma Mãe, a Vida Traz Uma Série de Escolhas Difíceis

michele recomendou este produto.
16/02/2015

Otimo

Um livro maravilhoso , bem triste ,mas daqueles que só para quando acaba.Super recomendo , o melhor da autora na minha opinião, Jardim de Inverno também.
Esse comentário foi útil para você? Sim (2) / Não (0)
GIOVANA recomendou este produto.
04/04/2014

EMOCIONANTE!!!!

UMA HISTÓRIA QUE NOS LEVA A REFLETIR SOBRE NOSSAS ATITUDES ......INCRÍVEL!!!!
Esse comentário foi útil para você? Sim (4) / Não (0)